E depois do iPod que mais se pode querer? Pondo aqui de parte todos os radicalismos que advêm da cultura consumista, anti e pró, julga-se necessário abordar esta questão doutra forma que não económica. Acima de tudo a música, o processo criativo, como se apresenta, os meios de propagação e no final a fruição. Só um pequeno apontamento acerca do tema relativo aos direitos de autor, “copyright” e multas a aplicar em caso de downloads piratas: pode ser que com isto as atenções dos ouvintes se virem para o resto da cultura musical que não padece nem está dependente dos comerciantes. Está na hora de usar aquelas coisas chamadas de “net-labels” que disponibilizam de forma gratuita todo o seu catálogo a troco de uma modesta doação (facultativa). Isto tudo para apresentar um objecto que no meio musical mais informado e de produções electrónicas já não é propriamente uma novidade. Já muito foi escrito acerca dele mas sempre com visões diferentes. A Buddha Machine é muito mais que um brinquedo. Daqueles que nos deixavam impacientes enquanto esperavamos a sua chegada – daqueles com que se brinca todos os dias e não se empresta a ninguém porque é demasiado precioso. Pois é muito mais do que isso. Se lhe retirarmos esse lado romântico esta peça pode bem ser uma evolução extraordinária na forma como se escuta música ou como esta pode ser comercializada.Christiaan Virant e Zhang Jian, foram os seus criadores. Juntos formam os FM3 e esta máquina é o seu projecto mais recente tornando-se numa das edições mais requisitadas ou se quisermos tomar isto de outra forma, um dos “discos” mais requisitados dos últimos tempos.Disponível em várias côres, este objecto, muito semelhante a um daqueles rádios usados pelos adeptos da bola para escutar o relato do outro jogo, contém nove loops que podem ser alternados através de um botão. A coisa funciona de forma tão simples que é impossivel rejeitar, mesmo pelo membro mais exigente da classe operária portuguesa. Um botão para ligar/desligar servindo igualmente de volume – outro botão para mudar os loops - uma saída para headphones e uma opção para ligar à corrente eléctrica (desnecessária porque as pilhas fornecidas duram e duram). Porque tem a sua própria “coluna” de som, pode ser escutado em qualquer sítio. A primeira série, dirigida pela STAALPLAAT – responsável pelas riquíssimas edições “Mort aux Vaches”, sendo uma delas destes FM3 - limitava-se a quinhentas cópias porque a dupla de criadores achou suficiente. Até agora já foram construidas dez mil e o número continua a subir. E porquê? Talvez porque pode ser usada de tantas formas que só a falta de imaginação poderá impor limites. Por isso, ao adquirir oito, Brian Eno foi o primeiro cliente, Thomas Felhmann (The Orb), pediu uma dúzia, Alan Bishop vinte e quatro, a equipa da Ableton solicitou à volta de trinta. Robert Henke (Monolake), sugeriu uma remistura e como é obvio, esta oferta foi aceite. Para breve está igualmente prometida uma compilação na Staubgold em que vários artistas reinterpretam a Buddha Machine. Os nove loops que se escutam estão disponíveis para download no site FM3. Made in Hong Kong, plástico mas saudável. O presente quase perfeito porque esta história não fica por aqui. O retrocesso do digital para o analógico ou um passo em frente para uma nova estrutura musical. sábado, 10 de junho de 2006
O advento do re-invento.
E depois do iPod que mais se pode querer? Pondo aqui de parte todos os radicalismos que advêm da cultura consumista, anti e pró, julga-se necessário abordar esta questão doutra forma que não económica. Acima de tudo a música, o processo criativo, como se apresenta, os meios de propagação e no final a fruição. Só um pequeno apontamento acerca do tema relativo aos direitos de autor, “copyright” e multas a aplicar em caso de downloads piratas: pode ser que com isto as atenções dos ouvintes se virem para o resto da cultura musical que não padece nem está dependente dos comerciantes. Está na hora de usar aquelas coisas chamadas de “net-labels” que disponibilizam de forma gratuita todo o seu catálogo a troco de uma modesta doação (facultativa). Isto tudo para apresentar um objecto que no meio musical mais informado e de produções electrónicas já não é propriamente uma novidade. Já muito foi escrito acerca dele mas sempre com visões diferentes. A Buddha Machine é muito mais que um brinquedo. Daqueles que nos deixavam impacientes enquanto esperavamos a sua chegada – daqueles com que se brinca todos os dias e não se empresta a ninguém porque é demasiado precioso. Pois é muito mais do que isso. Se lhe retirarmos esse lado romântico esta peça pode bem ser uma evolução extraordinária na forma como se escuta música ou como esta pode ser comercializada.Christiaan Virant e Zhang Jian, foram os seus criadores. Juntos formam os FM3 e esta máquina é o seu projecto mais recente tornando-se numa das edições mais requisitadas ou se quisermos tomar isto de outra forma, um dos “discos” mais requisitados dos últimos tempos.Disponível em várias côres, este objecto, muito semelhante a um daqueles rádios usados pelos adeptos da bola para escutar o relato do outro jogo, contém nove loops que podem ser alternados através de um botão. A coisa funciona de forma tão simples que é impossivel rejeitar, mesmo pelo membro mais exigente da classe operária portuguesa. Um botão para ligar/desligar servindo igualmente de volume – outro botão para mudar os loops - uma saída para headphones e uma opção para ligar à corrente eléctrica (desnecessária porque as pilhas fornecidas duram e duram). Porque tem a sua própria “coluna” de som, pode ser escutado em qualquer sítio. A primeira série, dirigida pela STAALPLAAT – responsável pelas riquíssimas edições “Mort aux Vaches”, sendo uma delas destes FM3 - limitava-se a quinhentas cópias porque a dupla de criadores achou suficiente. Até agora já foram construidas dez mil e o número continua a subir. E porquê? Talvez porque pode ser usada de tantas formas que só a falta de imaginação poderá impor limites. Por isso, ao adquirir oito, Brian Eno foi o primeiro cliente, Thomas Felhmann (The Orb), pediu uma dúzia, Alan Bishop vinte e quatro, a equipa da Ableton solicitou à volta de trinta. Robert Henke (Monolake), sugeriu uma remistura e como é obvio, esta oferta foi aceite. Para breve está igualmente prometida uma compilação na Staubgold em que vários artistas reinterpretam a Buddha Machine. Os nove loops que se escutam estão disponíveis para download no site FM3. Made in Hong Kong, plástico mas saudável. O presente quase perfeito porque esta história não fica por aqui. O retrocesso do digital para o analógico ou um passo em frente para uma nova estrutura musical. "Acima de tudo humor..."
"Müller no Hotel Hessischer Hof" é o retrato cinematográfico do realizador Nuno Tudela sobre o aclamado espectáculo homónimo que os Mão Morta e a Fundação das Descobertas produziram, em Janeiro de 1997, no Centro Cultural de Belém, a partir de poemas do dramaturgo alemão Heiner Müller.O palco vai buscar o seu imaginário aos velhos campos medievais de torturados, numa perspectiva de feira de horrores, mas levando à letra o conceito de feira na sua acepção moderna de supermercado, onde tudo se vende e tudo se compra, com os monstros de Ana Rita, em tamanho natural, espetados por lanças e paus, mulheres grávidas trespassadas, cabeças horrendas dependuradas.
Os 5 músicos estão vestidos com roupa colorida, azuis petróleo, vermelhos sangue, amarelos, roxos, com botifarras também de cor, tudo misturado com preto, e os cabelos hirsutos, recriando uma neo-Idade Média pós-apocalipse como uma tribo urbana sobrevivente do horror, uma horda do século XXI encontrando na cor um apaziguamento para o terror circundante, neo-primitivos com pinturas na cara e crueldade infantil no olhar, saltimbancos saídos das brumas do sonho. Adolfo Luxúria Canibal surge vestido de anjo, não o alvo anjo cristão, mas um anjo de grandes asas descarnadas, sobre um corpo mumificado.
No decorrer do espectáculo e sem sair de cena, vai tirar as asas e desenrolar as ligaduras que o mumificam, coincidindo o final dessa operação com o último poema do conjunto. Toda a acção equivale, assim, a uma espécie de strip-tease, como um espectáculo de cabaret ou de clube X, com a diferença de que a nudez apresentada não é a do corpo, já que por baixo das ligaduras vai surgindo outra roupa.
(Fonte: www.mao-morta.org)
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