quinta-feira, 29 de março de 2007

Nu Rave Vs. Pop Rave!

Popnoname é Jens Uwe Beyer, alemão e pertence a uma nova geração Pop que enriquece ainda mais a cena deColónia (Bit Generation). Isto é o mesmo que dizer que existe vida de pois de Justus Köhncke e Superpitcher.
Apelidado como o “Jack Kerouac” do techno de Colónia, Popnoname mistura três elementos fundamentais para resultado optimista que se escuta nos seus discos – cinco EP’S divididos entre duas editoras (Firm/Italic), econtribuições regulares na compilação Pop Ambient (Kompakt) – uma base electrónica, bem medida e anti-estática, a voz que sublinha os pormenores da vida para melhor comunicação e a guitarra/baixo que enriqueceas melodias alternando as agulhas para mudança de direcção.
É impossível ignorar a inspiração genuína que brota desta fonte e a sua aceitação é consensual em muitas publicações da especialidade como a The Wire,Groove Magazine ou a Stylus Magazine.
O último EP editado já este ano (London Paris New York), serve de apresentação ao seu primeiro álbum (WhiteAlbum) , disponível a partir de 21 de Maio na editora Italic. Esta é uma estreia em Portugal e a primeiraoportunidade de assistir a um concerto que certamente irá deixar belas recordações. Se andavam à procura da banda-sonora para as histórias de amor que se aproximam então experimentem este apeadeiro.
31 Março - 23 h - Teatro Passos Manuel (#Oportunista)
(Site Oficial: www.popnoname.de)

Inventor do Schaffel Techno

“THE PRINCE” é o nome dado pela família sónica a um dos mais emblemáticos djs da Kompakt. “Inventor” do schaffel techno, criador de clássicos como “Heroin”, “Yesterday” “Baby´s on Fire”, “Happiness”, do álbum “Here Comes Love” e do mix-cd “Today”, Superpitcher vira-se agora para a fusão entre acid techno e o neo-trance, de que as faixas “Enzian” e "Like the Pipe" incluídos em recentes Speicher, são bons exemplos. Temas de Dj Hell, The MFA, Quarks, Ghost Cauldron, Carsten Jost, ou M83, ganharam um novo reconhecimento quando passaram pelas suas mãos, ao remisturá-los e assim conferindo-lhes novas dimensões. Um inovador que consegue transpor de forma única o seu talento para as pistas de dança fundindo pop, techno, house e as suas variantes, e que agora está de volta ao encontro da sua já considerável legião de fãs.

terça-feira, 27 de março de 2007

Bernard Parmegiani: Chants Magnetiques (Fractal Edt.)

Descrito como uma obra de arte da música electrónica, este disco é produto do carácter inventivo dofrancês Bernard Parmegiani.
Poucas pessoas tiveram acesso a esta colecção de peças obscuras que completam os ouvidos dos entusiastas do género. As referências orbitam à volta de Edgar Varese, Karlheinz Stockhausen, Tod Dokstader, Conrad Schnitzler…
Edição remasterizada, oficial, a partir das gravações originais.

domingo, 25 de março de 2007

Vicki Bennett

Vicki Bennett é sem dúvida uma artista multifacetada, recoletora do passado, alquimista do presente e defensora do futuro. Noutras circunstâncias, poderia ser chamada de historiadora, mas na verdade não é fácil encontrar um termo para definir o processo criativo realizado por esta inglesa. O seu método de construção pode ser ligado agrupos de referência tendo em conta o trabalho de campo que serve de alicerces às suas peças sonoras – desde o Dada passando por John Cage, Fluxus ou até John Oswald. Explorando a maleabilidade daquilo a que se chama “found sound”, Bennett reconstrói as gravações dando origem a algo completamente novo. As inevitáveis paisagens surrealistas, assumidamente humorísticas, assumem dimensões de beleza incomensurável. Nas suas performances, o ambiente sonoro é igualmente acompanhado pela metade visual. A narrativa resultante, construída com imagens “vintage”, complementa a música de forma perfeita – distinguir se temos uma banda-sonora para o filme ou um videoclip para uma música torna-se tarefa difícil. Como People Like Us, a experiência laboral é incontornável, gravando nas mais respeitadas editoras independentes: Staalplaat, Tigerbeat 6, Asphodel, Rough Trade… Ao vivo, já mostrou o seu trabalho, tanto sonoro como visual, nos mais importantes cantos do planeta destacando-se a performance em Dezembro de 2004 na Tate Modern de Londres, aquando da instalação de Christian Marclay “Sound of Christmas”.



(Site Oficial: http://www.peoplelikeus.org )

quinta-feira, 22 de março de 2007

Gabriel Ananda Luso Tour

Lisboa, Coimbra e Porto recebem uma das estrelas da cena minimal de Colónia.

Tripla aparição em território Luso (luxo não alcançado por mais nenhum país da “Europa Latina”). Irrepetível experiência a de uma night lights & liquids com Ananda ao comando da vossa viagem auditiva. Bizarro produtor de electro music eclética. De facto não vão conseguir cansar-se porque da minimal techno à techno pura a estrada alarga-se pelas zonas da electro dub, swings jazz com sons “home made”, micro house de sons pulidos e groove rítmico de “non stop dancing”. “Tudo tretas” direis. Então têm mesmo de o experimentar. Carreguem a sua «Trommelstunde» no vosso leitor mp3 e arranquem com o play em plena baixa num sábado de primavera pelas três da tarde. Será como viajar à velocidade da luz num shuttle “Star Wars” no centro de uma tempestade de meteoritos.


22.03.07 @ Lux (Lx)

23.03.07 @ Via Latina (Coimbra)

24.03.07 @ Industria (Porto)


(Site Oficial: www.gabrielananda.de)

Moda Lisboa Play

Entre os dias 8 e 11 de Março, Lisboa voltou a acolher aquele que é o maior evento de moda do país, desta feita inserido na Fashion Week2, que pretendia criar uma semana nacional completamente dedicada à moda, a ter início entre 2 e 5 de Março no Porto, com o Portugal Fashion. As alterações não se fizeram sentir e a ModaLisboa, sob o tema Play, deu a conhecer, no Museu Nacional de História Natural, as tendências para o próximo Outono-Inverno, entre nomes já conhecidos e outros que tentam ganhar maior notoriedade.
O tema escolhido para esta 28ª edição da ModaLisboa tem vários significados. Play enquanto jogo, onde participam diversas peças, enquanto instrumento civilizacional fundamental ou como categoria da sociedade contemporânea que permite compreender valores e comunicar. Play ainda como linguagem através da qual novas alternativas culturais e criativas são apresentadas à cidade criativa e como a síntese económica entre criação, produção e mercado.
O primeiro dia, quinta-feira, 8, arrancou com a colecção de Alexandra Moura, muito assente nas cores creme, preta e cinzenta que, nas suas próprias palavras, nos revelava “que em cada célula, tecido, órgão e glândula do nosso corpo estão os sinais da nossa mente que planeia cada detalhe para uma finalidade definida.”
Seguiu-se Dino Alves e os seus “Anjos da Guarda” e a primeira ovação em pé. Uma mistura de várias cores que se traduziu num desfile visualmente espectacular.
Para terminar este dia, um convidado. O russo Max Chernitsov trouxe para a passerelle a história d”O pescador e a sua boneca”, utilizando padrões axadrezados, em tons que variam entre o cinzento, o branco, o preto, o vermelho e o bege.
Dia 9, o segundo dia, iniciou-se com o desfile de Nuno Gama, que misturava «a nobreza dos materiais sem complexos em peças de grande conforto, e em que a funcionalidade se coordena com detalhes, com base num guarda-roupa masculino e urbano, para novos aristocratas do bom gosto e elegância».
Filipe Faísca foi o designer que se seguiu e uma das maiores surpresas deste certame, merecendo a maior ovação daqueles que assistiram à ModaLisboa. Uma colecção “tradicional-urbano-chic” que combinava aspectos tradicionais portugueses, como os típicos lenços negros, com jeans e propostas mais arrojadas. Uma combinação de bom gosto, portanto.
Seguiu-se a Lion of Porches, que apresentou uma colecção dividida em nove temas. Entre o tema colegial e o desportivo, entre outros, esta colecção ficou atrás do que tem vindo a ser apresentado pela marca e não conseguiu cativar, tornando-se de certa forma enfadonha.
Para encerrar este dia, Ana Salazar apresentou-se novamente sem a companhia da filha, Rita Salazar, num desfile coreografado e original em que as modelos entravam na passerelle ao mesmo tempo que as luzes se apagavam. No final, a imagem de todas as modelos a preencherem aquele espaço era algo digno de se ver. Uma colecção em tons escuros, discreta, mas ainda assim vistosa o suficiente para cativar os presentes. Pecou pelo pouco tempo em que as luzes estavam ligadas, não permitindo apreciar devidamente toda a colecção.
O terceiro dia foi o mais rico (em número) e começou logo ao meio-dia com as propostas de José António Tenente, caracterizado pelas cores preto, amarelo e azul.
Depois das propostas do LAB (Ricardo Dourado, Ricardo Preto e Lara Torres), a que não pudemos assistir, Katty Xiomara tomou conta da passerelle tendo como mote o tema “Cinemascope”. O preto, cinzento e branco prevaleceram para nos dar a conhecer uma colecção “nostálgica, doce e elegante em tons de preto colorido”
Luís Buchinho foi o designer que se seguiu, apresentando uma “fusão de volumes soltos e tubulares com formas estruturadas e dinâmicas” em tons de preto, cinzento e roxo.
Miguel Vieira marcou-se igualmente pelo negro, com algumas peças em branco e cinza. A sua colecção “Sir” destina-se a “Gentlemens e Ladies, discretos e sóbrios, em que a estética é a sua própria ética.”
Em jeito de encerramento do terceiro dia, a segunda convidada do evento, Delphine Murat, com uma colecção urbana, mas discreta.
O dia de encerramento do certame começou com a colecção de a forest design, integrada no LAB, a par de Aleksandar Protich.
De volta aos nomes consagrados, Lidija Kolovrat apresentou a sua ideia de “camuflagem urbana”. Com o verde tropa a predominar, fez-nos lembrar um qualquer jogo de guerra em que, por vezes, a roupa pouco se adequava ao dia-a-dia. No entanto, a nível visual, foi um dos melhores desta 28ª edição.
Seguiu-se Anabela Baldaque e a sua inspiração oriental, para depois Nuno Baltazar tomar conta da passerelle. Inspirado na Inglaterra do século XVI, combinou cabedal com lã, organza e cetim.
Pedro Mourão apresentou de seguida as suas propostas “repensando a estética do início dos anos 60, através da integração do contraste entre as atitudes establishment e ¿rock and roll”.
A designer escolhida para o encerramento da 28ª edição da ModaLisboa foi Maria Gambina que, inspirada pela música de Chico Buarque apresentou os contrastes justo/largo, subido/descido, curto/comprido, pequeno/grande, amor/ódio.
Mas como uma fotografia vale mais que mil palavras, damos lugar à reportagem fotográfica. Encontramo-nos na 29ª edição do maior evento de moda nacional.


(Fonte: Rua de Baixo)

terça-feira, 13 de março de 2007

Fujiya & Miyagi na Casa Da Música!

O duo Fujiya & Miyagi é formado por dois ingleses de Brighton: Steve Lewis e David Best, a que se junta Matthew Hainsby. Têm como algumas das principais influências o krautrock de bandas alemãs como Can e Neu!, tal como a New Wave dos Talking Heads. Transparent Things é o título do álbum mais recente do duo. A mistura do rock dos anos setenta com a electrónica resulta numa música dançável e recheada de humor.
Um dos grupos mais emblemáticos do krautrock foram os Faust, de que foi e é membro Hans‑Joachim Irmler. A instalação que traz à Casa da Música, «Eroberung des Raumes», interage com o público nos espaços que dão acesso às diferentes salas, desde o lobby de entrada, escadarias, até às zonas mais altas com vista sobre a cidade. Numa abordagem acústica às propriedades sonoras [ou ao imaginário sonoro] da obra de Rem Koolhaas, a intervenção culmina na performance para onde o visitante é conduzido, na Cybermusica, onde Irmler conta com os dois artistas/técnicos cúmplices - Bruno Gebhard e Ingo Vauk - na manipulação e improvisação sobre os sons da cidade.
No Bar 2 o ambiente está a cargo de Healer Selecta, um DJ que atingiu grande popularidade sem praticamente recorrer a discos posteriores a 1975. O rock'n'roll, o dirty funk, os ritmos latinos ou o afrobeat são alguns dos estilos por onde pode passar, embora assegure que nada é proibido quando mergulha nos arquivos do vinil. As coreografias de cabaret são confiadas às Go Go Girls.
7 Abril_07 - 22:00 - Sala 2

Programa: FSpektrum, Fujiya & Miyagi, Rework, Hans-Joachim Irmler [Faust], Healer, Selecta, Go Go Girls.

Inauguração da instalação «Eroberung des Raums» de Hans-Joachim Irmler [Faust].

Lux com nova cara!

Após várias semanas com um look provisório e de acesso limitado, eis que surge um novo site do Lux, renovado graficamente e com mais conteúdos. Mais atraente!

Site Oficial: www.luxfragil.com
My Space: http://www.myspace.com/luxfragil

sábado, 10 de março de 2007

Brava Dança!

“Embora nós não parecêssemos punk, não tivéssemos cabelo espetado e correntes, a nossa atitude como banda e a nossa intervenção como artistas, era completamente punk e situacionista. E foi isso que chocou mais as pessoas.” (Paulo Pedro Gonçalves)

No próximo dia 8 de Março estreia em Lisboa e Porto o documentário "Brava Dança", um filme de José Francisco Pinheiro e Jorge Pereirinha Pires, que tem como mote a história dos Heróis do Mar, revisitando a sociedade portuguesa da década de 80. O filme, rodado entre Londres e Lisboa (2001-2005), foi apresentado na edição do ano passado do DocLisboa tendo recebido grandes elogios por parte do público e crítica. (...)

"Revisitar a história do grupo Heróis do Mar para analisar o confronto entre as imagens de um Portugal antigo e de um Portugal moderno. As ideias, os ideais e as dinâmicas em jogo na música popular portuguesa da década de 80 e a sua posição no contexto europeu, pela voz dos músicos e não-músicos que se envolveram na fabricação dessa trama conceptual. Um documentário que toma por nexo as relações entre a música popular, a política e a sociedade portuguesas e a imagem que o país fazia - e faz - de si mesmo."

http://bravadanca.blogspot.com/

Herois do Mar - 25 Anos de Glória e Paixão,
Pedro Salgado

O documentário “Brava Dança”, recentemente exibido no festival DocLisboa, trouxe de novo à baila aquele que foi o maior fenómeno musical da pop portuguesa.
O trabalho do jornalista Jorge Pires e do realizador José Pinheiro reveste-se assim da maior importância para fazer luz sobre um período fecundo mas pouco conhecido das gerações mais novas.
Importa, por isso, contextualizar os antecedentes históricos dos Heróis do Mar: Faíscas e Corpo Diplomático. No primeiro caso, falamos do primeiro projecto punk português, que já incluía Paulo Pedro Gonçalves e Pedro Ayres Magalhães. Nas entrevistas que concederam durante a sua curta existência, afirmaram que faziam “música moderna portuguesa eléctrica mas que não eram rock”.
O segundo projecto pré-Heróis do Mar chamava-se Corpo Diplomático e incorporava também o teclista Carlos Maria Trindade. O único disco editado seria “Música Moderna”, de 1980, e as baterias estavam apontadas para a new wave. Embora causassem sensação ao nível dos concertos, teriam também uma existência curta.
Até 1980, predominavam nas rádios portuguesas as canções de intervenção e começava também a ascensão da música brasileira. O panorama começou a mudar com os temas «Chico Fininho», de Rui Veloso, «Cavalos de Corrida» dos UHF ou «Chiclete» dos Táxi. Era o boom do rock português e assistia-se ao desfilar de temas de três minutos que invariavelmente tomavam de assalto as tabelas de vendas em Portugal.
É em finais desse ano que Pedro Ayres de Magalhães aborda Rui Pregal da Cunha na discoteca Trumps, em Lisboa, e lhe pergunta se quer ser vocalista de um novo projecto musical. O futuro cantor dos Heróis do Mar era uma boa escolha. As suas frequentes incursões nos lugares da movida lisboeta de 80, o facto de ter participado no projecto musical experimentalista, Colagem Urbana, e a sua recusa em alinhar num Portugal passadista, faziam dele o homem certo para o lugar certo.
No mês de Maio de 1981 arrancam os trabalhos para o primeiro disco dos Heróis do Mar. Já com Rui Pregal da Cunha na voz, Pedro Ayres de Magalhães no baixo, Paulo Pedro Gonçalves na guitarra, António José de Almeida na bateria e Carlos Maria Trindade nos teclados, lançam o seu primeiro single: «Brava Dança dos Heróis/Saudade». Estávamos em Agosto de 1981 e em finais desse ano surgia o primeiro álbum da banda: “Heróis do Mar”. O trabalho é um dos melhores de sempre da pop nacional.
Os cinco amigos fundiam em disco e em palco diversas influências: canção, pop, modernidade, história de Portugal e até as sagas de aventuras japonesas do cinema.No entanto, a utilização de fardas, da bandeira de Portugal e da cruz de Cristo valeram-lhes as primeiras reacções adversas e a conotação com ideais fascistas, por parte da imprensa.
O Portugal de 80 parecia ser ainda de 60. E não compreendia que a banda procurava ser inovadora, mas sem trair um certo imaginário lusitano. Em «Brava Dança», os Heróis do Mar referem que várias pessoas lhes sugeriram que abandonassem aquele imagem inicial e que fizessem uma música mais ‘catchy’. O resultado foi o êxito estrondoso, “Amor”, de 1982 e nas palavras de Rui Pregal da Cunha: “os portugueses já tinham uma música para dançar nas discotecas”.
Seria por volta desta altura que a revista britânica The Face os consideraria a melhor banda da Europa continental. Ainda assim, a transformação de “cartão de visita da modernidade portuguesa” para fenómeno de vendas não seria pacífica entre os fãs.
Mas os êxitos continuaram a surgir em disco: «Cachopa» do álbum “Mãe” (1983), e principalmente os singles «Paixão» (1984) e «Alegria», de 1985.
O ano de 1986 traria o terceiro trabalho do agrupamento português: “Macau”. Neste álbum já se começa a notar algum cansaço e falta de ideias, descontando uma excelente canção: «Fado». No ano seguinte, os Heróis do Mar jogariam o seu às de trunfo com o single «O Inventor». A ideia presente neste tema, e em «Eu Quero», do álbum “Heróis do Mar IV”, fazia jus a uma certa forma ‘clean and fun’ de gozar com as pessoas que apelidaram no início a banda de fascista. O tema «O Inventor» é aliás ilustrado com uma prestação ao vivo no documentário de Jorge Pires e José Pinheiro.
Com o lançamento de “Heróis do Mar IV”, em 1988, encerrava-se o último capítulo de um agrupamento que fez da mensagem, e da imagem, o seu leitmotiv principal, ou seja, a sua base de existência musical e cultural.
Nesta altura, as divergências musicais e pessoais atingiam o auge: Pedro Ayres de Magalhães fundava os Madredeus e António José de Almeida abandonava o grupo. Pouco depois era a vez de Rui Pregal da Cunha e Pedro Paulo Gonçalves iniciarem o projecto LX-90.
A hipótese de regresso do conjunto ganhou força com a realização da Expo 98 de Lisboa. Nessa altura, falou-se da ideia de um espectáculo de encerramento a cargo dos Heróis do Mar. Para Rui Pregal da Cunha seria “trazer Portugal de volta a Portugal”, mas a ideia não se concretizou devido a divergências incontornáveis entre os elementos do grupo.
A grande virtude de “A Brava Dança” consiste em recuperar uma memória que convém não esquecer. Mostrando material inédito e imagens que continuariam perdidas nos arquivos de televisões nacionais e estrangeiras. Outra das tarefas que o documentário executa na perfeição é a de dar voz aos heróis, contextualizando o momento político e cultural que se vivia no Portugal dos idos de 80.
Num dado momento do documentário, o antigo vocalista dos Heróis do Mar faz uma confissão: “Internacionalização? os brasileiros dizem que não nos entendem…”. Parece mentira, o conjunto até teve alguns temas seus a passarem em discotecas do Rio de Janeiro mas os tempos eram outros. Existiam apenas dois canais televisivos e não havia uma indústria musical em Portugal…
O público, que descobre ou redescobre os Heróis do Mar na discoteca Plateau ao som de «Paixão», percebe que o grupo lisboeta foi mais do que uma sensação do momento. A música deles é e continua a soar actual e fresca.
É sensata a reedição pela EMI do catálogo do conjunto prevista para 2007. No entanto, faz mais sentido a edição de uma caixa com todos os singles da banda, porque este era o seu ponto forte.
Ao fim de 25 anos, o legado dos Heróis do Mar permanece mais vivo do que nunca. Porque eles foram a melhor banda pop de Portugal e abriram caminho para tudo o que se fez a seguir. Ousaram quebrar barreiras com um guarda-roupa original, com temas que apontavam para o sentir lusitano: «Saudade», «Brava Dança dos Heróis», uma certa irreverência, «Amor» e «Paixão», ou o puro gozo pop, «O Inventor» e «Eu Quero».
Era muito saudável para a música popular cantada em português que Pedro Ayres de Magalhães, Rui Pregal da Cunha e restantes companheiros se reagrupassem para fazer um novo disco, uma tournée ou um DVD de um espectáculo ao vivo.
Os fãs da primeira hora rejubilariam e os mais novos ficariam certamente convencidos.

(Fonte: Rua de Baixo)