quinta-feira, 30 de agosto de 2007

III Edição do Festival Cale ´07

A cidade do Fundão recebe, entre 1 e 8 de Setembro, a terceira edição do Festival Cale. Trata-se de um festival pluridisciplinar centrado na celebração da cultura urbana e da arte contemporânea, desenvolvendo diversas tipologias de intervenção na Zona Antiga do Fundão, que contará com diversas acções artísticas de criadores com ligação a este território, potencializando interacções mútuas e comunhão de experiências. Diversas exposições fazem parte do vasto programa e podem ser vistas entre as 15H00 e as 22H00. Nomeadamente, 'Percursos', de Rita Garcia, uma mostra de artes plásticas. Por seu lado, Marta Amaro apresenta uma instalação sonora, intitulada 'Rua da Cale - Uma breve história', enquanto que Caroline Borges expõe joalharia, numa iniciativa a que deu o nome de 'Kohl; temptation; see what I see...'.
No que respeita a espectáculos, logo no dia 1, João Bento e Ana Trincão apresentam dança, no Auditório da Moagem, num espectáculo intitulado 'Sem titulo até hoje'. Será a partir das 21H45.
É um trabalho de carácter performativo que cruza a linguagem da dança com a música e as artes plásticas. A peça apresenta-se como um espaço em transformação constante onde os intérpretes / músicos, manobram, transformando o espaço cénico e sonoro. O som vive no corpo e do corpo, a música vive dos objectos e os objectos são insígnias de um espaço que potencia ligações.
No dia 2 de Setembro Ana José Carrolo interpreta música clássica ao piano. Pelas 21H45, no Auditório da Moagem. No dia seguinte será a vez de 'Tor', com Pedro Lindeza, no bouzouki, Marco Fonseca, no violino, Bruno Fonseca, nas flautas e bodhrau e Sara, no contrabaixo. Trata-se de um espectáculo de música irlandesa, que decorre na Praça Velha, a partir das 21H45.
O hip hop aparece no Fundão no dia 4 de Setembro, com 'Palácio Crew', pelas 21H30, na Praça Velha.
No mesmo local, dia 5, apresenta-se o Trio Marrucho. Musica jazz com as presenças de Miguel Moreira, na guitarra, Pedro Barreiros, no contrabaixo e José Marrucho, na bateria.
Entre 6 e 8, 'Incrível Tasca Móvel' é o espectáculo proposto, para o Centro Cívico, pelas 21H00. Um espaço social e cultural, uma plataforma viajante para espectáculos e convívio.
Quanto aos Dj's conta-se com as presenças de Dj Gabi, dia 1 e dia 8, DJ João Marrucho, ambos na Lounge Moagem, entre as 00H00 e as quatro da manhã.
Este Festival Cale conta, ainda com actividades paralelas. 'Estado da Translocalidade', com Alexandra Ferreira e Bettina Wind é a proposta. A geografia da região e a própria estrutura da população podem ser comparadas a outras regiões europeias. O alvo do projecto é “encontrar traços do Fundão fora do Fundão”, mostrar ligações translocais que já existem entre a região e outros locais da Europa. O encontro é na Rua da Cale, entre as 16H00 e as 18H00, com visitas guiadas dias 2 e 3 de Setembro.
Entretanto, a partir de 25 de Agosto, um grupo de jovens artistas húngaros ocupa a Antiga Praça, transformando-a num espaço de criação, onde as novas tendências artísticas se vão envolver com a história do local. Reaktor - Residência Artística é o nome desta iniciativa.

(in, reconquista.pt)

25 anos a fazer ciência!

Se pensarmos num nome como Laurie Anderson, «Big Science» é o disco a reter, numa obra de grande diversidade artística, rica em soluções e na procura da expressão artística enquanto modo de vida. Editado em 1982, é, ainda hoje, uma referência para a «música moderna alternativa experimental».
Sinistro mas ao mesmo tempo estimulante, «Big Science» é um trabalho pioneiro que bebe na electrónica e no free-jazz o sumo para descontruir canções que mesmo assim soam pop. É o caso do fabuloso «O Superman» que ainda no passado foi alvo de uma leitura para as pistas da autoria de M.A.N.D.Y.
«Big Science» ainda hoje soa actual e é um daqueles discos em que a pop atinge a perfeição. Para a própria Laurie Anderson, é difícil conseguir uma obra tão sublime e, talvez por isso, tenha diversificado o seu espectro criativo nos anos subsequentes, o que aliás ainda hoje se mantém.
Nesta edição comemorativa dos 25 anos sobre o seu lançamento, «Big Science» inclui não só o alinhamento original como também o teledisco de «O Superman» e a faixa «Walk The Dog». Pequenos acrescentos que tornam este objecto ainda mais imprescindível.

Botão Errado?!

Torske é um veterano da cena norueguesa e as raízes do seu trabalho estendem-se até aos alvores dos anos 90, mas a pausa de cerca de 6 anos entre as suas edições na Tellé e o ressurgimento na Smalltown Supersound dá a “Feil Knapp” (expressão que aparentemente significa “botão errado”) o sabor de um recomeço, ainda por cima enquadrado pelas experiências de conterrâneos como Lindstrom ou Todd Terje.
Um recomeço na hora e no local certos. Afinal de contas, nos territórios da música popular, contexto e timing são factores decisivos para a elevação das obras ao estatuto de clássicos.
E o que é que eleva, afinal de contas, a música de Bjorn Torske?
As pistas já haviam sido avançadas em maxis como “NY Lugg” e “As’bestos”: Torske possui uma tremenda capacidade de insuflar sofisticação na sua música e de a fazer passar pelas frestas das paredes que separam géneros uns dos outros. Dessa forma, e esse trabalho é particularmente notável em “Feil Knapp”, Torske parece recolher marcas no techno, no house, no disco e no dub, mas não se detém em demasia em nenhum desses territórios, preferindo antes construir os seus próprios mapas para um som novo. Esse carácter inclassificável não se aplica apenas em termos de géneros, mas ao próprio tempo da música: uma peça como “Moljekalas”, por exemplo, não só parece ter sido subtraída a qualquer tipologia específica, como ao próprio tempo – por soar simultaneamente a passado (das experiências quarto-mundistas de Jon Hassell, por exemplo) e a presente (de vocação baleárica), este tema só pode ser, na verdade, um rasgo de futuro. Essa mistura (palavra chave na compreensão de “Feil Knapp”…) entre escolas e entre tempos é igualmente óbvia em “Spelunker”, onde a memória dos jogos de arcada serve de motor de arranque para uma peça dub que no decurso do seu arranjo acaba por implodir esse pedaço de memória, confundindo quaisquer coordenadas.
“Feil Knapp” é um dos pontos mais altos da primeira metade de 2007 e tem fôlego suficiente para se transformar numa referência que ultrapasse sem esforço a marca divisória desta década.