quarta-feira, 28 de novembro de 2007

OFFF este ano em Lisboa!

Depois de ter sido sempre organizado em Barcelona desde a sua criação, em 2001, o festival OFFF chega a Lisboa em 2008, decorrendo a 8, 9 e 10 de Maio. O próximo ano contará também com uma edição do evento a ter lugar em Nova Iorque.
O OFFF é um festival que pretende explorar as novas tendências da estética digital e da programação, procurando reunir artistas, desde artistas digitais e webdesigners a realizadores, criativos e publicitários, que estejam a inovar no mundo do design e da criação digital.
Entre alguns dos nomes que já marcaram presença nas edições anteriores do evento contam-se Joshua Davis, Neville Brody, Stefan Sagmeister, Hillman Curtis, Erik Natzke, Takagi Masakatsu, James Victore, Rob Chiu, Kyle Cooper ou Paula Scher.
O OFFF Lisbon 2008 é organizado pela Inofffensive, de Barcelona, em parceria com a 50Done, e com o apoio do Grupo Fullsix.


(Site Oficial: http://www.offf.ws/)

segunda-feira, 26 de novembro de 2007

O Labirinto A Morte E O Público, de João Samões.

Espectáculo que explora a criação de um evento de criatividade colectiva assente numa pesquisa experimental sobre a partilha do sentimento de tragédia.
Num espaço e num tempo cúmplice, os criadores, o público e um modelo anatómico de esqueleto humano, interagem e reflectem sobre o carácter efémero e transitório do corpo e do gesto, numa abordagem simbiótica entre uma experiência de acção no domínio do corpo e a comunicabilidade do espaço cénico no domínio dos signos e dos sentidos.
Para ver no dia 30 de Novembro no Centro Cultural de Alcains (Castelo Branco), pelas 21:30.
No final do espectáculo haverá uma conversa com o João Samões, o João Galante e a Ana Raquel Ribeiro.

Organização: Companhia de Teatro Cães À Solta e CENTA

Companhia de Teatro Cães À Solta: http://www.caesasolta.com/
CENTA (Centro de Estudos de Novas Tendências Artísticas)

Miss Macau & The Take-Away Boys!

Miss Macau & The Take-Away Boys são Mônica Coteriano (voz), Tó Trips (guitarra), João Cardoso (teclados), Pedro Gonçalves (baixo, contrabaixo e guitarras) e Zé Vilão (bateria).
Para ver dia 27 de Novembro a partir das 23:00h no clube de Santa Apolónia, inserido no Festival Depois da Tempestade - Bomba Suicida.

sexta-feira, 23 de novembro de 2007

Moagem recebe Carlos Zíngaro e Francis Plisson!

No próximo dia 24 de Novembro, pelas 21:30h, terá lugar no Auditório da Moagem-Cidade do Engenho e das Artes no Fundão, o espectáculo " L'écho de mon corps répété dans le battement d'une aile murmurante" (O eco do meu corpo repetido no bater de uma asa murmurante) com concepção coreográfica, interpretação e cenografia de Francis Plisson e criação musical e interpretação de Carlos Zíngaro.
" L'écho de mon corps répété dans le battement d'une aile murmurante”, é sobretudo um encontro, o de Francis e de Carlos, o seu violino, as suas máquinas. Seguidamente é o trabalho do bailarino/coreógrafo no seu próprio corpo, sua memória e seu futuro.
É uma criação híbrida, o espaço dum intermédio onde a matéria sonora é concebida pelo movimento do corpo-instrumento, onde cada um utiliza o seu espaço memória como elemento para criar uma narração comum em directo.
Um espectáculo incessantemente em movimento, recriado em permanência de acordo com o espaço e o seu público. Uma dança sonora captada e tratada novamente com o gesto como base à criação musical em directo.


Excerto da revista JAZZ.PT, por Susana Paiva (Dez. 2006)

“Francis Plisson faz parte destes coreógrafos que têm uma dupla formação musical e coreográfica. A sua busca orienta-se muito rapidamente para esta dupla linguagem dança/música e o conduza a criar um vocabulário singular. No "Eco do meu corpo repetido no embate de uma asa murmurante “, Francis Plisson explora um corpo sonoro (respiração, vozes, fricção dos passos no solo...) e faz nascer uma música do corpo composta em tempo real por Carlos Zíngaro.
A dança, abstracta, composta essencialmente de movimentos concêntricos, deixa a emoção invadir o espectador."
Gwénola Le Corre, Secretária geral do Hall dos Grãos/Cena Nacional de BloisQuando o corpo que dança torna-se um instrumento “Desde os primeiros minutos do espectáculo " L'écho de mon corps répété dans le battement d'une aile murmurante”, todos os ingredientes do sucesso estão reunidos. A frutuosa colaboração artística entre Francis Plisson e Carlos Zíngaro, fruto de uma residência no Petit Faucheux (em Tours na França) entre Setembro e Novembro de 2006 encanta-nos.
O que é que adveio da separação entre o movimento e o som, há aqui uma simbiose perfeita: um só e virtuoso instrumento em cena – o corpo que dança. Um corpo que contrabalança entre sonho e realidade, entre desejo e fantasma, que Carlos Zíngaro, na sua mobilidade silenciosa, movimento após movimento, amplifica, controla, dirige e transforma, criando assim diversos universos sonoros que cruzam a abstracção e o concreto.
Um trabalho invisível, na frente dos olhos do espectador, a partir das primeiras luzes, os passos, gestos e movimentos de Francis Plisson são por uma surpreendente magia, areia, vento, calma e tempestade.
Um extraordinário espectáculo de poesia, construído pela rara sensibilidade e a evidente maturidade dos seus criadores, que, indubitavelmente, mérito de múltiplos revisões tendo em conta que abrindo o espaço a improvisação, sonhos e viagens internas que nunca mais se repetem.”

Lucrécia no Passos Manuel.

A Colombia pode ser tema para muitas e longas sessões de conversas animadas. Tal como cada um dos territórios espalhados pelo planeta também aquele não é excepção quanto à questão da insegurança social.
Mas as realidades são muitas e no meio do caos podemos sempre encontrar boas razões para confiar no bom senso emocional.
Lucrécia transforma a ausência numa colecção de melodias vocais acompanhadas por sintetizadores, guitarras e loops pré-gravados. Começou a sua aventura musical em 2003 na cidade colombiana de Medellín e desde essa altura tem investido o seu tempo na criação sonora e na gestão de um amor distante.
Com toda a certeza, o resultado final poderia ser uma proposta da editora alemã Monika Enterprise, fazendo companhia a Masha Qrella, Chica and the Folder ou às mais recentes propostas de “4 Women No Cry”.

Estreia-se dia 24 deste mês no piso térreo do Passos Manuel a partir das 23 horas.

quarta-feira, 21 de novembro de 2007

Bomba Suicida!

A Bomba Suicida é uma associação fundada em 1997 por diversos artistas com trabalho regular na área da dança.
Desde essa altura que tem realizado diversos espectáculos em Portugal e no estrangeiro e em 2001 conseguiu, num esforço conjunto entre os seus associados, alugar um estúdio e escritório em Lisboa. Esse espaço permitiu-lhe, não só ter um local de base para as suas actividades, mas também convidar outros artistas a apresentar espectáculos e mostras informais como o sunday show, bomba plástica, bomba take, bomba unplugged e bomba ecrã de prata.
Fazem parte da bomba suicida Catarina Pereira, Clara Sena, Filipe Viegas, Ivo Serra, Luís Graça, Mônica Coteriano, Nuno Branco, Paulo Brás e Tânia Carvalho.
" Um turbilhão de ideias invadia-os e incendiava-lhes o pavio da criação. Era ávida a necessidade de experimentar novas formas de expressão artística.
As artes do corpo eram uma forte motivação aliadas à possibilidade de novos projectos no campo da dança.
Assim surge a companhia de dança Bomba Suicida, traduzida numa mescla de pessoas que pretendem compor, experimentar, criar e produzir. Enfim levar a cabo o mais diverso número de projectos na área da Dança, performance, vídeo, instalação. "

Para descobrir na Rua Luz Soriano, 67-1ºposterior, Lisboa.
Performance Miguel Bonneville #4, por Miguel Bonneville, Festival Depois da Tempestade na Bomba Suicida, dia 24 de Novembro pelas 22h)

segunda-feira, 19 de novembro de 2007

1967...E a banana que fez história!

Muito recentemente, Bruce Russell, membro dos Dead C, argumentava nas páginas da revista britânica Wire que o álbum Sgt Peppers Lonely Hearts Club Band representa «um beco sem saída evolucionário na música popular», enquanto o primeiro álbum dos Velvet Underground «continua a ter belíssimos filhos até aos dias de hoje». As palavras do guitarrista dos mestres neo-zelandeses do ruído tocam num ponto importante da história de The Velvet Underground & Nico ou, como é mais vulgarmente conhecido, o álbum da banana: a sua resoluta relação com o tempo (ver caixa) e a sua aparentemente inesgotável capacidade de, quatro décadas após a data da sua edição original, continuar a gerar descendência – e esse é o mais definitivo monumento à grandeza do disco que Lou Reed, John Cale, Sterling Morrison, Mo Tucker e a diva Nico criaram, com o apoio financeiro de Andy Warhol.Barbara Rubin, uma cineasta experimental ligada a Jonas Mekas, foi a responsável por apresentar os Velvet Underground a Andy Warhol, na altura profundamente interessado no cinema como forma de expressar as suas particulares ideias sobre a arte. Warhol era obviamente um catalisador com um enorme poder para desenvolver projectos e congregar diferentes energias. Por isso mesmo, a entrada dos Velvet Underground no círculo da Factory aconteceu de forma muito natural. E uma das primeiras ideias que Warhol teve foi a de juntar os Velvet e Nico, «uma incrível beleza alemã que tinha acabado de chegar a Nova Iorque vinda de Londres», como escreveu Warhol em Popism, o seu retrato pessoal da década de 60. «Ela tinha o ar de quem podia ter feito a viagem até Nova Iorque na proa de um navio Viking, ela tinha esse tipo de cara e de corpo». Andy Warhol afirma ainda que a voz de Nico foi descrita na época «como um computador da IBM com um sotaque à Greta Garbo». Nico vinha de Londres, onde já tinha esboçado o início de uma carreira musical. Esta modelo e actriz conheceu Brian Jones, dos Rolling Stones, em 1965 e impressionou--o tanto que este convenceu o seu manager, Andrew Loog Oldham, a produzir e editar um single de Nico na sua etiqueta Immediate.
«I’m Not Sayin’» foi a sua estreia no mundo da música. De Londres para Paris, Nico conheceu Bob Dylan, que ficou igualmente impressionado e aparentemente lhe escreveu o tema «I’ll Keep It With Mine», exactamente o single que Nico tinha na sua bolsa no dia em que conheceu Andy Warhol em Nova Iorque.Warhol era o rei de uma cidade que tinha acabado de sair de uma Feira Universal dedicada «às conquistas do homem num globo cada vez mais pequeno situado num universo cada vez maior». O mestre da arte pop entendia na perfeição o facto de o mundo estar a mudar e utilizava essas transformações, sobretudo as tecnológicas, a seu favor – andando com uma câmara de filmar para todo o lado e gravando em fita as ideias que ia tendo. De certa maneira, o rock, como o cinema e a pintura, foi mais um veículo descoberto por Warhol para comunicar as suas ideias sobre esse mundo em transformação.
«Os Velvet mostraram-se interessados no ruído desde o início e apoiaram-se no extenso currículo académico de John Cale para conseguirem moldar a sua experimentação», escreveu Lester Bangs. John Cale chegou a Nova Iorque em 1963, depois de muita correspondência trocada com John Cage. Vinha do País de Gales e queria assistir às aulas de Aaron Copland.
Em 1964, Cale aproximou-se do grupo que orbitava em torno de LaMonte Young e integrou o seu Dream Syndicate com Angus MacLise, com quem aliás dividiria um apartamento. Foi nesse mesmo ano que Cale conheceu Lou Reed, na altura a trabalhar numa espécie de mini-Tin Pan Alley na editora Pickwick, como compositor e músico. Cale era muito interessado em rock e percebia que as ideias de LaMonte Young sobre os «drones» podiam igualmente ser aplicadas neste contexto. O facto de Lou Reed, na altura, já exibir uma personalidade bastante aberta à experimentação – usava, por exemplo, afinações pouco convencionais na sua guitarra – funcionou certamente como factor de aproximação a John Cale.
O primeiro grupo de Lou Reed com John Cale levou o nome The Primitives e foi criado, basicamente, para promover o single «The Ostrich», que Reed tinha escrito para a Pickwick. Com Sterling Morrison na guitarra e Angus MacLise nas percussões, os Primitives tiveram uma existência fugaz, mas foram importantes para a chegada aos Velvet Underground.A história do nome deste grupo também já é sobejamente conhecida: Reed encontrou um livro sobre sadomasoquismo, com o título The Velvet Underground, escrito por Michael Leigh e deixado por Tony Conrad no apartamento que o futuro autor de Transformer viria a ocupar.
O nome parecia perfeito: não só Reed já tinha escrito «Venus In Furs» como a própria palavra «underground» parecia ir de encontro ao universo em que se moviam, do cinema alternativo e experimental. O grupo começou a ensaiar e a dar concertos em 1965, altura em que MacLise abandonou o projecto – aparentemente o primeiro «cachet» de 75 dólares foi demais para MacLise, um hippie convicto que não acreditava na remuneração da arte e que haveria, mais tarde, de mudar-se para o Nepal onde viria a falecer, em 1979. Angus seria substituído por Maureen Tucker, irmã mais nova de um antigo colega de faculdade de Sterling Morrison.O estilo de Maureen – que antes do grupo tinha trabalhado na IBM a introduzir dados – servia perfeitamente aos Velvet Underground: tocava de pé, com o bombo virado para cima, quase não utilizava os pratos e tinha um estilo rígido e metronómico. O grupo estava assim completo – e o concerto no Café Bizarre, onde Barbara Rubin levaria Warhol para conhecer os Velvet, estava próximo.

(Fonte: www.blitz.pt - Rui Miguel Abreu, 26 de Outubro de 2007)






domingo, 18 de novembro de 2007

Dubstep Allstars Vol. 05 (Mixed by N-Type), (2007, Tempa)

Em semana de referência ao dubstep através do lançamento do novo album de Burial, aqui fica mais uma proposta da Tempa, desta vez servida por N-Type.
De Hatcha a Benga, de Coki a D1, de Kromestar ao incontornável Skream...Caspa, Matty G, Quantum, Juju, Clouds....
Densa e pesadona! Quase sem espaço para respirar!

Servir frio!

Burial - Untrue (2007, Hyperdub)

Era um dos discos mais aguardados do ano!
Não só pela qualidade que Burial apresentou no álbum, homónimo, de estreia; não só por algum hype que se está a começar a gerar em tornos do movimento dubstep - pese embora o som de Burial seja algo mais além do dubstep; não só porque estamos a falar de uma personagem enigmática que muito poucos sabem realmente quem é, mas sobretudo, porque aquilo que já tinha sido dado a ouvir, quer através do EP "Ghost Hardware", quer através do promo-mix de apresentação deste álbum feito por Kode 9 (patrão da Hyperdub, label que edita Burial), prometiam bastante.
Pontaria certeira! É um disco que não é só dubstep, é muito mais que isso: é dub, é two step, é garage, é trip-hop, é techno, é soul, sem que nada disso seja óbvio e imediato.
Mais um para a lista dos melhores deste ano!

quinta-feira, 15 de novembro de 2007

O Mundo Sem Nós (Alan Weisman, Estrela Polar)

Se nos retirássemos agora da Terra, definitivamente, o que se passaria? Quais os vestígios do Homem que permaneceriam e quais os que desapareceriam ? Como mudaria o planeta?
Numa altura em que vivemos tão preocupados e ansiosos com os efeitos do nosso impacto sobre o clima e o ambiente, este livro oportuno dá-nos uma oportunidade de ter uma ideia do que deixaríamos realmente como legado da nossa passagem por este planeta.Regressaria o clima ao que era antes de ligarmos os nossos motores? Conseguiria a Natureza apagar todos os vestígios da civilização humana, incluindo as miríades de produtos sintéticos e de plástico? Por que razão certos edifícios, certas pontes, resistiriam mais à usura do tempo do que outros? O que ficaria da nossa arte? Que animais prosperariam e que raças se extinguiriam?
Pura fantasia para amadores de ficção científica? Nem por sombras! Alan Weisman tem uma investigação amplamente documentada – baseia-se, nomeadamente, na evolução de territórios actualmente virgens, as florestas que envolvem Chernobyl, a zona desmilitarizada que separa as duas Coreias - , cruza as opiniões dos especialistas com as observações dos autóctones, e convida-nos a uma instrutiva viagem à volta à Terra… sem nós!

Pop Dell´Arte e a história da pop nacional!

Do início da década de 80 tinha chegado a estes portos boa nova da definitiva afirmação de uma vida possível para as manifestações pop/rock em solo português. Com o avançar do tempo, entre palcos como o do Rock Rendez Vous, casas atentas na noite de Lisboa, pontuais emissões de rádio e emergentes publicações e, last but not least, as demandas de novidade e velharia in na Feira da Ladra, uma nova cultura, alternativa, começava a ganhar corpo e forma. E nos Pop Dell' Arte encontrou não só determinantes protagonistas, mas também uma das mais marcantes bandas sonoras de afirmação de inquietude artística, visão pop e invulgar capacidade em cruzar meios, linguagens e universos.
Não era invulgar, no Portugal pop de meados de 80, uma banda nascer para concorrer ao concurso de música moderna que todos os anos o Rock Rendez Vous organizava naquele espaço que fez história na Rua da Beneficência ao Rego. E os Pop Dell' Arte foram uma entre muitas histórias de natalidade com olhos postos no concurso.
Nasceram em Campo de Ourique em 1985, e nesse mesmo ano assinaram a sua cédula com a inscrição no concurso que, apesar de vencido pelos THC, lhes deu o prémio mais falado nos meses que se seguiram: o de originalidade, sinal de autenticação de consequentes ousadias formais na música e primeiro reconhecimento do talento performativo de João Peste.
A Dansa do Som, pequena independente que então assinalava cada triunfo no concurso com a edição de um disco, mostrou-se interessada, mas de um desentendimento artístico nasceu uma necessidade em vingar por meios próprios. Sem intermediários. O incidente conduziu à formação da Ama Romanta, a primeira independente portuguesa gerida exclusivamente por músicos, e com mote ideológico encontrado numa esclarecedora entrevista de João Peste ao sociólogo Paquete de Oliveira (mais tarde incluída como faixa spoken word na compilação Divergências , o manifesto da editora).
A Ama Romanta foi casa de nomes como os Croix Sainte ou Anamar e, claro, os Pop Dell'Arte que se estrearam em disco em 1986 com o máxi-single Querelle , peça fulcral na construção das fundações de uma identidade artística feita de uma colecção de referências muito próprias, e que acabou por ser de importância maior na inscrição inevitável de um espaço musical alternativo no Portugal de então.
O grupo vincou as promessas de Querelle e registou a sua patente estética ao editar, em 1987, o single Sonhos Pop e o soberbo álbum Free Pop . Este último não só é tido como um dos mais importantes discos do Portugal musical de 80, como é palco de evidências de uma atitude artística de abertura e assimilação de correntes captadas nas letras, nas artes visuais, da colagem à citação, e representou uma das primeiras experiências de construção de loops na música feita em Portugal.
Pensado com mentalidade livre, daí o seu nome, construído com aquele sentido de urgência que abraça os que não temem as ideias, é ainda hoje um registo de puro assombro pop.
Os Pop Dell'Arte interromperam a sua actividade por algum tempo depois da edição do máxi Illogik Plastik , em 1989, assumindo João Peste a aventura Axidoxi Bordel por algum tempo (gravando um EP). O regresso à actividade faz-se entre 1992 e 93 com uma etapa de nova curiosidade sobre os modelos da canção e sob evidente curiosidade em aplicar à pop o conceito de ready made (aí de resto nascendo o título para o álbum editado em 93).
Para surpresa de muitos, assinam pouco depois por uma multinacional, a então PolyGram, para quem gravam Sex Symbol, o mais versátil e completo dos seus álbuns, antecedido pelo single My Funny Ana Lana e do qual saiu uma das maiores pérolas da obra do grupo: Poppa Mundi . Um vazio de silêncio instalou-se pouco depois. De formação frequentemente mutante (e pela qual passaram diversos músicos), os Pop Dell'Arte conheceram em finais de 90 a sua etapa mais difícil, ocasional boato aqui, projecto ou notícia ali. Até que em 2002 o EP So Goodnight (a que João Peste chamou, em entrevista ao DN, um EPÁ) mostrou evidentes sinais de vitalidade criativa num colectivo forçado a viver num panorama editorial pouco dado a ousadias.
Canções como Mrs Tyler , So Goodnight ou a desmontagem de Little Drama Boy davam continuidade a um caminho já veterano, nunca repetido, longe de exausto. Depois de um elogiadíssimo concerto make it or break it em Lisboa em Julho de 2005, no qual emergiram pontuais sons novos, os Pop Dell'Arte regressaram a estúdio, e apresentam nesta antologia três inéditos, uma vez mais com sabor a novo, a olhar lançado para lá do momento. Sonhando pop. Sempre pop!

(Fonte: Nuno Galopim, booklet POPlastik 1985-2005)

domingo, 11 de novembro de 2007

Por trás de 9 cavalos...tensão e concentração no expoente máximo!

Após uma longa execução, finalmente chega o novo álbum de originais de Steve Jansen, um dos elementos dos Nine Horses, que actuará ao vivo com o seu irmão David Sylvian cuja digressão passa pelo nosso país em Lisboa e Braga.
O álbum inlcui um vasto leque de convidados, entre os quais se destacam Tim Elsenburg (Sweet Billy Pilgrim), Thomas Feiner (Anywhen), Anja Garbarek, Nina Kinert, David Sylvian, Theo Travis e Joan Wasser (mais conhecida como Joan As Police Woman).
Steve Jansen nunca esboça um sorriso atrás dos seus instrumentos. Em concertos, é constante e sério, mostrando concentração nas texturas, na precisão e no subtil juízo da sua música.
Com este novo álbum, uma permanente tensão é a base para os ritmos fortes e a intricada programação, enquanto um leque de vocalistas distintos delineiam o sentimento da sua composição.
"Slope" é o passo seguinte após o aclamado projecto Nine Horses, com o seu irmão e colaborador de longa data David Sylvian, e o artista electrónico Burnt Friedman. Como o próprio explica "com este álbum concentrei-me na composição tentando evitar as vulgares estruturas de cordas e a habitual construção de canções. Em vez disso, quis interligar sons, ritmos e "eventos" sem quaisquer relacionamentos entre si, numa tentativa de desvio das minhas próprias armadilhas enquanto músico.
" O tema de abertura "Grip" expõe o desafio: batidas deslizantes propulsionam uma peça instrumental com fragmentos de vozes, percussão metálica ressonante e pequenos sopros do saxofonista Theo Travis. O tema é intrigante: os ritmos insistentes e afectantes dão origem a uma peça provida de consciência, com sons díspares conjugando-se imprevisivelmente.
Logo depois segue-se "Sleepyard," agraciado com a voz quente e grave do líder dos Sweet Billy Pilgrim Tim Elsenburg. Tal como o resto dos temas de "Slope", o material não foi criado de modo a acompanhar um vocalista, mas Elsenburg está em terreno familiar ao personalizar a sua balada narcoléptica. Também a cantora Anja Garbarek consegue o mesmo truque em "Cancelled Pieces," onde arrisca uma melodia sobre os ritmos pouco ortodoxos de Jansen. Thomas Feiner dos Anywhen contribui com a balada "Sow the Salt," e Sylvian, acompanhado da incrível cantora sueca Nina Kinert, interpreta o curto e impressionante "Playground Martyrs."
Ouçam atentamente o final: aquele sussurrante e distante uivo tão cuidadosamente esculpido à superfície, mas ao fundo um estranho som de cliques - como dedos de metal a acompanhar o ritmo - de uma intensidade avassaladora.
Mais estranho de todos é o quase blues de "Ballad of a Deadman," onde a voz serena de David Sylvian encontra o distinto rosnar de Joan Wasser (Joan as Police Woman) sobre uma guitarra cansada e os ritmos teimosos de Jansen.
Os admiradores de Sylvian e Wasser ficarão espantados com a tão perfeita e curiosa conjugação de ambas as vozes num tema que nada tem a ver com aquilo que já fizeram no passado.Um raro vislumbre de Americana num moderno disco austero, "Ballad of a Deadman" partilha uma grande qualidade com o restante álbum: silêncio.
O apetite de Jansen para novos sons e o seu gosto por ritmos inventivos abrangem um vasto horizonte, pois cada elemento é necessário e rigorosamente considerado para o produto final. É um caso sério compor e interpretar esta música tão estimulante, e traduzir cinco anos de trabalho árduo numa obra tão polida e atraente.

(Site Oficial do Álbum: http://slope.stevejansen.com/)

sábado, 10 de novembro de 2007

REPLAY (JPR SPRINGER)

Ainda e sempre Christian Marclay.
O americano que cresceu na Suiça e experimentou a plasticidade sonora onde muitos foram beber e outros tantos vão saciar a sua sede.
Replay reúne pela primeira vez o seu interesse pela parte visual que começou a explorar no início dos anos 80.
Filmes, projecções e outras imagens em movimento.

Emanuele Errante - Migrations (Apegenine)

Um disco de 2006, mas sem data de expiração.
Ao par de referências como Marsen Jules, Deaf Center ou Xela, sobrevivem alguns músicos que exploram os meandros da contemplação sonora. Emanuele Errante é um dos que fortalecem ainda mais um género sem necessidade de rótulos.
As belas texturas provocadas pelo jogo entre os diversos instrumentos, podem ser definidas como poesia sonora.
Uma viagem densa, sem pressa, entre melodias rurais e ritmos sensoriais. O debutante “Migrations” mostra uma fragilidade musical acessível apenas aos que estão dispostos à eventura.

sexta-feira, 9 de novembro de 2007

Rock da vanguarda apontado à cabeça! Directo para os melhores de 2007!

Primeiro foram os Digitalism, depois os Simian Mobile Disco e pouco depois os Justice. Agora chega o álbum de estreia de Boys Noize, projecto de Alex Ridha.
O que os une a todos?
Batidas robustas, electrónica agressiva com atitude e estética ligadas ao rock e até mesmo ao punk. Sente-se em todos estes discos, nuns mais, noutros menos, a influência da estreia avassaladora dos Daft Punk com Homework há dez anos atrás.
De todos estes projectos, os Justice são quem leva a taça para casa, talvez pelas fusões mais descabidas, pelas experiências mais loucas, mas agora a estreia de Boys Noize com Oi Oi Oi não lhe fica muito longe.
Em 2003 Alex Ridha conheceu DJ Hell, que foi um momento fulcral para a sua carreira. A partir daí as portas começaram a abrir-se, iniciou um trabalho de remisturas para nomes bem conhecidos do meio como Bloc Party, Depeche Mode ou Feist, cuja remix para o tema “My Moon My Man” aparece na edição britânica deste disco de estreia como tema bónus.
Talvez por ter sido baterista que se sinta ao longo das treze faixas que preenchem o disco uma grande importância na força das batidas.
Há no disco um enorme desejo em intersectar o mundo da pista de dança com um espírito rock agressivo, e tal é conseguido com um enorme sucesso.
Oi Oi Oi é um disco sem momentos pop, é um disco de batidas cruas, de beats roubados ao electro mais pesado, de misturas de techno com sintetizadores metaleiros, de vozes robóticas, um disco de electrónica massiva, para dançar descontroladamente.
Boys Noize é um dos projectos que veio renovar o panorama da música de dança em 2007, tal como os outros nomes mencionados acima. Com um pé na electrónica dos anos 90, outro no rock e as mãos cravadas na música dançável deste início de século, Oi Oi Oi é um disco a ter muito em conta.

Latitude [31º 10N/121º 28E]: China cosmopolitana!

O colectivo de artistas londrino D-Fuse parte duma abordagem que combina diversas linguagens e se baseia em tecnologia de ponta.
Conjugando a performance audiovisual, a web, os filmes, a TV e a arquitectura, as suas actuações (apresentadas em diversos festivais, desde o Sonar ao Prix Ars Electronica) encorajam a audiência a reflectir sobre a natureza multi-dimensional da experiência artística. Apresentam em Lisboa a performance “Latitude [31º 10N/121º28E]”, inspirada num percurso através de paisagens urbanas da China, seguindo a qualidade emotiva do espaço.
Baseado num período de investigação de 3 meses, este projecto, concebido em parceria com artistas chineses, combina fragmentos de conversas com formas arquitectónicas, traçando uma multiplicidade de percursos identitários na China cosmopolita contemporânea.
Lançaram recentemente o livro "Audio Visual Art & VJ Culture", que apresenta de forma exemplar os melhores artistas mundiais da cena VJ.

http://www.dfuse.com/

Número-Projecta: Cinema S. Jorge - 10 Novembro - 01h00 - LIVE / AV SET

Frank Bretschneider aka. Komet em Lisboa!

Compositor, músico e videasta alemão, Frank Bretschneider a.k.a Komet é conhecido por combinar estruturas minimalistas e uma componente visual interactiva.
Apresentará ao vivo “Rhythm”, a sua mais recente edição na Raster Noton, editora que dirige em conjunto com Carsten Nicolai.
Em 1986, Bretschneider foi um dos membros fundadores dos AG Geige (influente banda da cena underground na Alemanha de Leste), tendo começado a explorar as potencialidades de interacção entre as artes visuais e a arte sonora. Em 1996 criou com Olaf Bender a label Rastermusic, que em 1999 se fundiu com a Noton de Carsten Nicolai, dando origem à Raster-Noton.
O seu trabalho tem sido lançado por diversas editoras discográficas e apresentado em inúmeros festivais, tais como Ars Electronica, Cut & Splice, Mutek, Offf, Sonar, Steirischer Herbst, Transmediale e Ultima.

http://www.frankbretschneider.com/

Número-Projecta - Cinema S. Jorge - 9 Novembro - 00h00 - LIVE / AV SET

O regresso do maciço experimental!

Cluster (originalmente Kluster) é a mais importante e consistente unidade space-rock dos anos 70. Surgiram do colectivo artístico berlinense Zodiak Free Arts Lab, logo após Schnitzler e Roedelius conhecerem um estudante de artes chamado Dieter Moebius, em 1970.
O grupo actuou em toda a Europa e mesmo na África, recorrendo nas suas performances a todo o tipo de instrumentos, desde sintetizadores a relógios de alarme e utensílios de cozinha, em selvagens sessões de improvisação.
Durante a tourneé conheceram o engenheiro de som Conny Plank, com quem colaboraram até ao final dos anos 80. Brian Eno iniciou por vontade própria uma colaboração com Moebius e Roedelius em 1977, altura em que a Sky Records editou Cluster & Eno. O trio gravou ainda “Heat the Heat” dois anos mais tarde (creditado como "Eno Moebius Roedelius"), e depois de um hiato de seis anos foi retomada a colaboração com “Begegnungen e Begegnungen II” (ambos com Plank).
Apesar de os três membros da formação incial se terem lançado em carreiras solo (Moebius e Roedelius em 1978 e 1983, respectivamente, tendo Schnitzler abandonado a banda logo em 1971), continuaram a editar material – “Sowiesoso” em 1976, “Grosses Wasser” três anos mais tarde e “Curiosum” em 1981. Além das colaborações com Eno e obras a solo, foram necessários quinze anos para o aparecimento de mais um álbum “One Hour” (1994).

myspace.com/theonlyclusterthatmatters

Número-Projecta ´07 - Cinema S. Jorge - 9 Novembro - 23h00 - LIVE / AV SET

Rafael Toral ou o nosso "Brian Eno" (mais à frente!!!)

Rafael Toral desenvolveu um extenso trabalho com música electrónica. Após integrar os Pop Dell’Arte, editou discos a solo e deu concertos por todo o mundo.
Em 2004 lançou o "Space Program", uma pesquisa de longo curso sobre performance, silêncio, disciplina e estruturação do discurso musical, numa abordagem informada pelo jazz, num tipo de abordagem que se poderia classificar como "música electrónica pós-free jazz".
Colaborou, entre outros, com Jim O'Rourke, David Toop, John Zorn, Evan Parker, Sonic Youth, Fennesz e Keith Rowe, mantendo uma importante e duradoura relação de trabalho com Sei Miguel.
É membro da orquestra electrónica europeia Mimeo desde 1998, e produziu em 2003 a primeira Antologia de Música Electrónica Portuguesa.
A componente visual do seu trabalho tem-se vindo a acentuar nos últimos anos, como atesta a parceria com João Paulo Feliciano e a recente instalação “Echo Room”, no ICC (Inter Communication Center) de Tóquio.

http://www.rafaeltoral.net/

Numero-Projecta ´07 - Cinema S. Jorge - 9 Novembro - 22h00 - LIVE ACT

terça-feira, 6 de novembro de 2007

Mais uma engenhoquice...

Não há palavras para descrever este teclado...

É simplesmente o teclado mais espantoso que alguma vez se viu. Comunica por Bluetooth e funciona projectando um teclado na secretária que depois transmite as teclas premidas para o computador, PDA ou telemóvel.
Esta maravilha do século XXI tem cerca de metade do tamanho de um baralho de cartas, funciona sem fios e é capaz de projectar um teclado QWERTY standard em qualquer superfície opaca.
Usa a tecnologia de detecção para verificarem a pressão dos dedos nas teclas projectadas, enviando depois para o dispositivo com que se estiver em comunicação, via Bluetooth.
Só tens que ter um computador com Windows 2000 ou superior e 220€ no bolso.

Bor Land em exposição!

O trabalho desenvolvido para a Bor Land, foi seleccionado para a Mostra de Jovens Criadores 2007, nas áreas de Design Gráfico e Video, que decorre no Centro de Congressos de Lisboa desde 15 de Setembro.
Embora todos os projectos sejam distintos e exista uma lógica gráfica diferente para cada um, há também uma linha unificadora, não só a nível da autoria, mas também devido a uma adaptação ao estilo, já marcado, da própria editora, ao nível do uso da ilustração, à economia de meios e a um certo nível artesanal, que é comum a todos os discos, estendendo-se pelos diversos meios de comunicação utilizados (postais, cartazes, videos e clips promocionais).
Vão estar em exposição os vinis, cd's e demais material promocional - cartazes, postais e clips promocionais, desenvolvidos para os diferentes artistas.

(Fonte: Janela Urbana)
(Mais Informações: Clube Português de Artes e Ideias)