domingo, 9 de dezembro de 2007

7 Hertz - Tender Almost Vulgar (Ed. Birdwar)

Não é fácil encontrar palavras suficientemente ricas para conseguir descrever toda a amplitude e abrangência da música dos 7 Hertz, um quarteto britânico, de Leeds, que utiliza apenas instrumentos acústicos para desenvolver improvisações melódicas sobre estruturas hipnóticas e repetitivas.
Nestes jogos de liberdade, à medida que desenrolam cada composição, os quatro músicos desafiam-se continuamente num encontro de cumplicidades, lançando, em simultâneo, estímulos a quem os aceita ouvir.
Os violinos, o violãocelo, o clarinete, o glockenspiel, o contrabaixo, o mandolim e, apenas em dois temas, a voz, conjugam-se de uma forma soberba, provocando e seduzindo, e arrastando o ambiente em seu torno para um estado de suspensão, que mistura espanto com deleite.
E assim se percebe que esta abertura de ideias consiga produzir, com os mesmos instrumentos, uma riqueza sonora que toca, com igual eficácia, fluência e imaginação, a música folk balcânica, o improv-jazz, a densidade dos blues, as deambulações contemporâneas e a memória clássica da música erudita.
Para além disso, o facto de ter sido gravado na St. Marks Church, em Leeds, reveste o som de uma reverbação quase angélica, como se cada nota se mantivesse em suspenso naquelas paredes de pedra o tempo necessário para se desmaterializar em vapor e subir lentamente até se desvanecer nos frescos, enquanto o próximo fragmento melódico inicia um processo idêntico de perpetuação no espaço.
Por tudo isto, «Tender, Almost Vulgar» reclama justamente um lugar próprio no altar da nova música acústica, tornando-se num disco acima da expectativa que a configuração de câmara dos 7 Hertz poderia traçar. Esta música absove não só os ouvidos, como exige uma entrega mais aprofundada, pois reclama de nós todo o espírito para que a experiência se torne completa.

E que mais podemos esperar de um disco?











quinta-feira, 6 de dezembro de 2007

Xangai Market Radio!

"Muitos dos visitantes" do Xangai Market se devem ter questionado acerca do aparecimento de um novo ícone, relativo a "Xangai Market Radio", pois bem , parece-me altura de esclarecer esse dilema.
O espirito da rádio assentou hostes em Xangai definitivamente!
Há já algum tempo que tinhamos estado a transmitir "sob alçada" da Cotonete, no entanto a sua relativa limitação musical no que diz respeito a géneros e conteúdos, levou-nos a repensar o conceito de ter uma rádio no blog.
Qual o sentido de ter uma rádio num blog se não a podemos "conduzir" consoante os nossos gostos e orientações? Para isso existem as playlists reproduzidas em players! Mas não são rádios, conclusivamente.
Ok. Vamos fazer uma rádio!
Aliando a força de vontade com a "majestosa técnica de manipulação web" de Steve, misturar o gosto pelo "bichinho" daquela música que gostamos tanto, ou simplesmente pelo facto do "comunicar on air", assim irá nascer a Xangai Market On The Radio.
Esperamos que o computador do "programador" não dê o berro nos próximos dias!

terça-feira, 4 de dezembro de 2007

Síntese - Ciclo de Música Contemporânea da Guarda ´07

O Grupo de Música Contemporânea da Guarda surge como uma plataforma criativa, envolvendo intérpretes em interacção com compositores.
O seu reportório tem como porto de abrigo as referências clássicas da contemporaneidade musical mas parte à conquista de novos universos sonoros, estimulando nos compositores a criação de nova música, através de novas mestiçagens para timbres tradicionais.
É uma plataforma aberta e modulável: do instrumento solo à pequena e pouco ortodoxa orquestra de câmara, todas as hipóteses são possíveis – até a hipótese electro-acústica.
Músicos como Domenico Ricci, Carlos Canhoto, João Delgado, Hugo Simões, Jorge Pires, Helena Neves ou Márcia Cunha, entre outros, lançam o desafio da criação, colocando ao dispor da nova música os instrumentos de expressão que mais dominam.

5 de Dezembro no Pequeno Auditório do TMG pelas 21:30.

Organização: Teatro Municipal da Guarda e Grupo de Música Contemporânea da Guarda.

sábado, 1 de dezembro de 2007

Tropa Macaca + Nimai. Tesouros nacionais no submundo da electrónica virtual!

Os Tropa Macaca trabalham em improviso sinérgico entre a maquinaria de ju-undo e a guitarra de símio, resultando tal equação humana em fluxos de longas repetições de padrões rítmicos de cariz analógico, impregnadas de texturas abstractas ora de ruído, ora de melodia.
Batem-se por uma manifestação de música de dança contemporânea, psicadélica e ímpia.

Tropa Macaca @ Myspace: http://www.myspace.com/tropamacaca


Nimai é um projecto musical bipolar e heterogéneo desenhado por José Gomes e Luís Teixeira, um lugar onde a electrónica experimental/ambiente é o papel de parede que se deixa invadir por pianos, acordeões, melódicas, guitarras, vozes ou qualquer outro elemento criador de sons.
A música do duo não obedece a nenhum canône, ora se traduz em doces crescentes paisagens de cabeça na almofada, ora explode sem timidez em faixas de bater o pé no chão.

Nimai @ Myspace: http://www.myspace.com/nimaiproject

Para ver ao vivo no Centro Cultural Bombarda, no Porto, dia 1 de Dezembro pelas 16 horas.