quarta-feira, 29 de outubro de 2008

Erotismo e depravação, cada um toma o que quiser!

Semana a meio e as melhoras são poucas...parece que o tempo fria anda a "apanhar" a cabeça de muita gente...será que o Estado não pode fazer um favorzinho à malta e mandar "prá reforma" quem lhe apetecer sem ter que esperar pela idade indicada ou subornar o "man do centro de saúde"?
Era um grande favor que fazia ao desenvolvimento saudável do país...gente chata pah!
Mas bem, deixando de lado os "estrilhos" do quotidiano, vamos ao que interessa..."e sim, porque quem manda aqui sou eu...portanto, aguentem-se!"
Halloween à porta! Bruhh!
Apesar de a América estar lá muito longe, parece que afinal ainda é "aquele país que vai ditando o rumo das coisas" para nós "europeus improdutivos e dependentes", pelo menos no que toca a assuntos político-económicos...ou seja, "manda nesta merda toda"!
Contudo, ainda há certas coisas que conseguimos refutar e dizer não, ou por acharmos que não faz grande sentido ou pura e simplesmente porque não!
"Docinho ou Travessura"
O quê?! Yah, traz-me uma mini...
Abóboras, bruxas, "docinhos e travessuras"...enfim tantos motivos para uma noite de copos e folia!
Vamos nessa?
Aqui na terra a malta junta-se aos grupos e selam-se promessas de beber até cair e de andar a fazer figuras até altas horas...é fixe, é à nossa maneira e faz bem...só nos dias a seguir é que custa um bocadinho, mas depois passa!
Mas por outros lados, também há festa!
Assim sendo, é com grande respeito e admiração que vos apresento Matias Aguayo, que nos vai fazer um visitinha nestes dias!
Outrora membro dos Closer Musik, um dos mais excitantes projectos de pop minimal/ambiental, Matias Aguayo seguiu a sua carreira a solo após a separação da dupla. À semelhança de Dirk Leyers, Aguayo manteve-se na família Kompakt, remisturando temas de Leandro Fresco e Michael Mayer. Com este último executou a famosa remistura do tema de Kylie Minogue, Slow, momento após o qual editou o seu primeiro álbum a solo "Are You Really Lost" (2005), com alguns temas co-produzidos por Markus Rossknecht.
Electrónica pop erótica inteligente para noites de sexo, é assim que defino o seu (meu) estilo!
Com tanta alternativa, falhar é uma burrice!
Capela (Rua da Atalaia, Lisboa) - 30 Outubro
Via Latina (Coimbra) - 31 Outubro
Plano B (Porto) - 1 Novembro
Mas para quem não gosta ou não aprecia os ritmos hipnóticos de Aguayo, a Casa da Música oferece uma alternativa à altura para a "fatídica" noite do Halloween!
Damo Suzuki´s Network feat. Mental Liberation Ensemble!
Damo Suzuki, que nos anos 70 foi vocalista do lendário grupo de rock Can, regressa ao Porto para mais uma actuação que se prevê, no mínimo, curiosa. Desde há mais de 10 anos, Damo tem percorrido o mundo com a sua Network, uma rede de músicos à escala mundial, cujos membros são recrutados no local de cada concerto, e que o acompanham em excursões improvisadas que o próprio descreve como "criar o espaço e o tempo do momento".
Neste concerto, a Network será constituída pelo Mental Liberation Ensemble, banda inserida no universo Soopa e que se move na área do rock psicadélico e improvisado.
A primeira parte será assegurada pelos portugueses DOPO, descritos como um "dos projectos mais interessantes e originais do experimentalismo inclassificável nacional", onde se explora a folk psicadélica, os "drones", a electrónica barata e quaisquer outros caminhos que os seus múltiplos instrumentos lhes apontem.

segunda-feira, 27 de outubro de 2008

Mego...algo cerebral?!

Que início de semana tão esquisito...que sensação marada...bah!
Não me apetece falar, por isso nada melhor que servir-vos um menu em jeito de "sushi empacotado" da Mego.
Quem mais poderia ser num dia como o de hoje?!
Há quem goste, há quem venere e até quem odeie! Agora não se gosta mais ou menos!
As últimas edições da editora austriaca continuam a tarefa de mostrar alguns dos capítulos perdidos na história da vertigem musical.
PETER REHBERG: WORK FOR GV
Peter Rehberg colabora desde 2001 com Gisèle Vienne, uma coreógrafa especializada em marionetas, e este “Works For GV” selecciona alguns dos melhores momentos deste encontro.

Z'EV VS PITA: COLCHESTER
“Colchester” é o embate entre dois gigantesque já não precisam de introdução – a partir de algumas performances em conjunto resultoueste disco entre um especialista em percussão acústica e um especialista em manipulação digital.

RUSSEL HASWELL: SECOND LIVE SALVAGE 1997-2000
Russel Haswell explora ainda mais os diferentes espaços onde “expõe” as suas aparições sonoras - apenas disponível em vinil.

POPOL VUH: AGUIRE I/NACHTS: SCHNEE (Reposição)
Popol Vuh merece o eterno destaque com as remisturas de Mika Vainio, Haswell & Hecker.
Só para quem aprecia!
Resto de boa semana!

sábado, 25 de outubro de 2008

Concertos Arena Live ´08 (Incognito & DJ Premier)

Se há quem use uma igreja para dar um espectáculo de música avançada (que Nosso Senhor , que me perdoe...), porque não usar um casino para dançar?!
Comida e espectáculos cabarescos do antigamente (assim daqueles que fazem mesmo lembrar mesmo um Casino a sério...), hoje já só lá fora por isso vamos ao que interessa!
Teve início no passado dia 20 de Outubro, o ciclo "Concertos Arena Live 2008" no Casino Lisboa!
Que a forma e localização do Casino de Lisboa não faz lembrar um casino, concordo! Que a clientela do Casino Lisboa não faz lembrar a clientela de outros casinos, também concordo! E muitas outras coisas...mas pode-se dizer que conseguiram criar um espaço agradável e soalheiro com um micro-clima bem peculiar a fazer lembrar um "olha, vamos beber uma jola ao casino e depois logo se vê!"
Não sendo grande adepto do jogo (vá, tirando 1 raspadinha instantânea de vez em quando...só por causa do troco do café), é no Arena Lounge que no meu ponto de vista se encontra o maior trunfo do Casino Lisboa.
Uma esplanada rotativa de diversas plataformas que possibilita uma progressiva visão dos espaços envolventes, constituindo-se como o “coração” e centro de convívio do Casino Lisboa com serviço de bar e cafetaria, onde conceitos como cocktail bar e finger food se fundem numa ambiência musical “chill-out”.
Miguel Angelo Fernandes! É o homem por trás da máscara! E que não se lembra dele dos tempos do Lux! Parabéns!
Mas bem, voltando ao tema!
Com entrada livre, este ciclo de 11 concertos, prolonga-se até ao final do ano, assegurando um ambiente de festa às 2ªf, a partir das 22 e 30.
Se ficam muito ofendidos por só agora ter referido os "Concertos Arena Louge" na Xangai e terem perdido a actuação da Mafalda Veiga, chamem-me nomes...estão à vontade...agora, depois de serem avisados, não há desculpas! E amanhã, já é 2ªf (de novo...)
Incógnito e DJ Premier!
Num concerto inédito no Casino Lisboa, os Incognito propõem uma viagem pelos melhores êxitos da sua carreira, como "Always There" ou "Don't You Worry 'Bout A Thing". Na vanguarda do movimento acid jazz nos anos 80, a banda é um dos maiores fenómenos da música inglesa. Desde o primeiro álbum “Jazz Funk”, editado em 1981, até ao mais recente “Tales From The Beach”, lançado este ano, os Incognito consolidaram o seu espaço no cenário do jazz e do funk.
Após a actuação dos Incognito, a noite prossegue com as sonoridades do DJ Premier, reconhecido, aliás, como um dos melhores produtores do mundo. Pioneiro na fusão do hip-hop com o jazz, ensaiada nos Gang Starr com Guru, o conceituado DJ revela um estilo inconfundível: scratching poderoso sobre loops corrosivos, sempre no beat perfeito...o famoso som de Brooklin.

sexta-feira, 24 de outubro de 2008

TRAMA ´08

Então e Thievery?! Foi fixe?!
Bem, depois de alguns dias de irregularidade em termos de escrita (em pról de uma espécie de "empinamento de calhamaços de economia e marketing", para tentar livrar-me do descalabro do nosso descalabroso PSI20), eis que aí está mais um fim de semana à porta! E muita coisinha boa a acontecer!
E é já hoje (24 de Outubro), Sábado e Domingo que acontece mais um Festival de Artes Performativas Trama! Já é um habitué na Xangai!
Este ano com mais projectos, parceiros e espaços actuando de novo na cidade do Porto, numa iniciativa da Fundação de Serralves, do brrr_ Live Art, da produtora Lado B e da Matéria Prima.
No Trama os cruzamentos renovam-se e estruturam-se sobre a forma de um percurso que passa por Serralves, pela Culturgest, ESMAE/IPP, Fábrica da Rua da Alegria, FBAUP, Hotel D. Henrique, Loja da Pensão Monumental, Maus Hábitos, Mosteiro São Bento da Vitória e Passos Manuel.
Os cruzamentos também são disciplinares: em associações diversas entre música, dança, live art, teatro, improvisação, cinema e acções. O envolvimento dos públicos passa não só pela surpresa dos eventos de rua ou pela diversidade das propostas, mas também pelo testemunho ou participação num contexto de criação partilhada.
A performatividade continua a ser o catalisador, enquanto instrumento actuante para a experimentação. O Trama não pretende ser um laboratório, mas antes uma experiência que parte de hipóteses amadurecidas de acumulação e desdobramento. A acumulação atravessa saberes, agentes e pensamentos, e o desdobramento percorre públicos, criadores, obras e lugares.
O Trama deste ano situa-se sob o signo da efabulação e do colectivo, reivindicando um lugar entre a ficção e a realidade, entre a invocação de imaginários e a sublimação do ‘aqui e agora’. Desejam-se experiências inspiradoras e surpreendentes que funcionem a vários níveis, da experiência individual à vibração do tecido urbano. O Trama vem “tramar” não só os mais atentos mas também os distraídos, os indisponíveis e os imperturbáveis.
Sexta-Feira é sem dúvida um dia bem preenchido, com estreias em Portugal e outras tantas na cidade do Porto. Quase poderiamos falar num desfile de estrelas começando pelos performancedos americanos Lucky Dragons (Culturgest), dos britânicos Shit And Shine (Loja da Pensão Monumental), e por fim a festa oficial de abertura em Serralves com o incontornável Moritz Von Oswald (Rhythm & Sound, Basic Channel), GD Luxxe, Wipeout, Silvério (ui ui!).
A bela selecção performativa continua durante os dias de Sábado e Domingo com Ben Frost, Philipp Quehenberger, Tânia Carvalho, Osso Exótico...
Porto Independente? Cada vez mais, se calhar...
Estão tramados....eheheheh!

Para mais informações consulta: http://www.festivaltrama.org/

domingo, 19 de outubro de 2008

Thievery Corporation no Coliseu

Sem dúvida, Portugal pode ser um dos países mais pobres, ou chamemos-lhe de outra maneira "um dos países com menor poder de expansão económica" nos últimos tempos, mas a verdade é que as bandas parecem ter engraçado a nossa terrinha!
Depois de sermos assombrados, quase inesperadamente com nomes como o de Bob Dylan, Lou Reed, Diamanda Galás, Leonhard Cohen (tá bem que não é o meu género!!!), ou da "outra ala" como Midnight Juggernauts, Chemical Brothers, Hercules & Love Affair e a outra "cambada toda" do dancefloor borbulhante, eis que chegam os renovados Thievery Corporation!
De novo, muito bem! Parece que a sua passagem por Paredes de Coura deixou saudades e então nada melhor do que experimentar a carismática sala do Coliseu de Lisboa para apresentar o seu novo trabalho!
"Radio Retaliation", editado nos finais de Setembro vem mais interventivo do que nunca (como se alguma vez lhes passasse pela cabeça fazer música de intervenção!)!
Convidados: Anoushka Shankar, Verny Varela, Seu Jorge, Chuck Brown, Sleepy Wonder, e mais alguns...interventivo?!
Vindos do outrolado do Atlântico, nomeadmente de de Washington, Rob Garza e Eric Hilton, formam os Thievery Corporation.
Proprietários do famoso clube Eighteenth Street Lounge, têm 4 rodelas de originais que revolucionaram o conceito da música electrónica através da mistura de sonoridades dub, acid jazz, boss nova, cantadas em várias línguas e de onde resultaram colaborações com os Wayne Coyne (Flaming Lips), Perry Farrell (Jane’s Addiction / Porno For Pyros), Emiliana Torrini, entre outros.
Teoria à parte, portas abertas às 20h e tempo para 3 ou 4 cervejas, 2 dedos de conversa...e boa viagem até aquela praia deserta de areia branca ou então, bom...vão aonde quiserem!

Os Thievery Corporation já cá faziam falta...ando mesmo farto de "teenagers freaks" com a mania de que a vida lhes corre mal e se cortam nas WC ou pseudo-dreads ou MC ou B-Boys a versarem sobre realidades irreais no mundo deles!
Só faltam mesmo os Black Company...só para dizer como é que se faz!
Tão à espera do quê?!

terça-feira, 14 de outubro de 2008

Clubbing de regresso!

O frio começa a dar sinais da sua graça e os grandiosos espaços festivaleiros de Verão dão lugar a locais mais "intimistas" e "quentinhos" mas nem por isso mais inóspitos.
Regressados de um Verão cheio de boas surpresas, eis que chega altura de ir passar um fim de semana "à casa da tia lá do Porto"...e nada melhor que escolher o 31 de Outubro!
Sim bem sei, dia de Halloween e que na vossa terrinha deve haver festinhas da bruxas com abóboras e copos ou então só copos...até calha numa 6ª feira...ui ui!
Mas paganismo à parte, dia 31 de Outubro dita o regresso do Clubbing à Casa da Música!
Ainda falta algum tempo, mas não quero que arranjem desculpas esfarrapadas acerca da vossa "tiazinha" e se tentem esquivar, pois o arranque de nova temporada na invicta é marcado pelo encontro entre a pop e a música de dança!
Depois de conquistar as pistas de todo o mundo com o duo Moloko em hinos arrebatadores como "Sing It Back", Róisín Murphy lançou-se numa carreira a solo com o álbum Ruby Blue em 2005, com produção de um ícone da música electrónica: Matthew Herbert.
O segundo álbum, Overpowered, é uma mistura electrizante entre o apuramento da pop e o 'disco' mais irresistível e tem o meu carimbo de qualidade pela sua prestação no Alive deste ano!
Depois, a Sala 2 recebe ainda o trio Khan of Finland, que junta a beat-box humana de Mark Boombastik e o piano de Boris Bergman à voz de Can "Khan" Oral.
Centrado na figura de Khan, músico de origem turco-finlandesa baseado na Alemanha, o trio arrebatou as atenções no Sónar de 2007, e desde então tem sido presença assídua no circuito de festivais.
Curiosidade interessante: o disco dos Khan of Finland, editado pela I'm Single Records, não é comercializado pelas vias normais mas sim pelo próprio grupo no final dos seus concertos. E por acaso, um dos meus discos de eleição!

Até que enfim que regresso aos posts pequenos :)

segunda-feira, 13 de outubro de 2008

Domingo à chuva!

Mais um Imago passado! Muita coisinha boa...e um Domingo de chuva!
E o adiado trabalho em cima da mesa fez com que passasse cerca de 10 horas a ouvir música!
E que mais faria sentido (pelo menos para mim!) do que fazer uma playlist só com bandas e projectos e outras coisas estranhíssimas exclusivamente inglesas, agora que ainda respiro baforadas londrinas!
Enfim...por mais que se mude de isco, por mais que se tente empregar novas tecnologias na compreensão desta ilha, jamais iremos conseguir que o Reino Unido se sinta inserido em qualquer um dos cinco continentes. Este é um povo que até é capaz de dizer que pertence à Europa, mas apenas o faz porque nenhum outro continente lhes dá tanta história, logo matéria prima, para os devaneios humorísticos a que nos habituaram.
Educados entre uma monarquia bem visível e uma sociedade multi-racial a maior parte “deles” age como um rei ou rainha do seu próprio reino, no seu geral possuem boa cultura musical e no outro geral, só não a possuem porque não querem. O acesso à música é quase ilimitado e as cidades de Londres, Manchester, Liverpool, Bristol são referências bem difíceis de ignorar.
Sei lá, só um desabafo!

quinta-feira, 9 de outubro de 2008

Imago Film Fest - Parte 2

Com o fim de semana à porta é hora de despressurizar tensões acumuladas e mandar para trás das costas "aquele trabalho de final de pós-graduação que te anda a por a cabeça marada" e pensar: "Domingo à tarde logo se vê!"
IMAGO Film Fest Parte 2!
Além da enorme e rica selecção de filmes que têm sido exibidos ao longo da semana, o Imago ganha uma luz diferente ao fim de semana com a actuação do que de melhor se passa na urbe!
Com todo o respeito pelas selecções vou passar para a secção do Sound & Vision Experience, pois é aqui que me sinto mais à vontade e no fundo, é o verdadeiro cariz da própria Xangai!
6ª feira - meia noite!
Badly Drawn Boy!
Numa altura em que goza uma pausa na carreira e depois de 4 álbuns nos últimos 8 anos, todos aclamados pela crítica e tendo o último "Born in the UK" visto a luz do dia em 2006, Damon Gough, vem especialmente ao Fundão em formato acústico para nos presentear com as suas canções mais que perfeitas. Uma noite memorável para o Festival e certamente para os muitos fãs do músico britânico que vão marcar presença.
A acompanhar Badly Drawn Boy, o seu sócio na Twisted Nerve e figura ímpar do meio musical de Manchester, Andy Votel, traz dois dos mais importantes novos projectos da editora: Voice Of The Seven Woods em registo weird-acid-folk e Samandtherplants que se preparam agora para editar o primeiro álbum!
Logo a seguir é só subir dois lanços de escadas e o mesmo Andy Votel e Dom Thomas, apresentam "Finders Keepers Around The World", onde as mais estranhas, desconhecidas e deliciosas sonoridades prog-folk rock psicadélicas, oriundas dos mais recônditos e inesperados pontos do planeta, prometem fazer dançar até muito tarde com vontade e sem vergonha!
Simultâneamente no piso da entrada, no Mini Disco (sinceramente gostei muito do espaço, muito bem conseguida a cena dos espelhos e da relva) a dupla luso-espanhola "Gils Against Hit´s Dj´s" debitam os seus manifestos reivindicativos para os resistentes!
Sábado!
Jantar a correr...ou então, nada melhor que uma jantarada com malta a começar bem cedinho! Vá também não abusem!
22:00, a performance "On The Road"!
Há precisamente 50 anos Jack Kerouac editava o livro “On The Road e o mundo nunca mais seria o mesmo.
Inspiração imediata para toda uma geração de artistas, da literatura, à música, ou ao cinema, a obra prima da Beat Generation nunca mais parou de influenciar. Para assinalar a data dois dos mais importantes agitadores culturais do panorama nacional, Tiago Gomes (revista Biblia) e Tó Trips (Dead Combo) juntam-se em palco a Raquel Castro e através de imagens projectadas, do som da guitarra e da força da voz, percorrem o livro numa viagem delirante pela Route 66.
Interessante!? Hum...
No mesmo local, logo a seguir Darren Hayman & Jack Hayter Play Hefner!
Para quem não andava distraido em meados dos 90 os Hefner foram para muitos uma espécie de salvação em época de hype brit pop.
Darren Hayman foi um perfeito contraponto ao vazio intelectual que assolou muita da música pop alternativa nessa altura. Um escritor de canções na senda de Morrisey, com histórias para contar, críticas acutilantes a fazer à sociedade britânica e músicas que não se esquecem. Gerou um culto ferveroso, alienou as massas e deixou os Hefner adormecer depois de vários discos incontornáveis. Um deles chama-se “Fidelity Wars” foi editado há precisamente 10 anos e foi por causa desta data e da sua reedição que Hayman decidiu voltar à estrada sob o nome Hefner.
No IMAGO toca pela penúltima vez neste formato em ambiente intimo e com direito, diz ele, a pedidos do público!
Mais tarde, por volta da 1h da manhã e porque os Sábados não têm de ser todos iguais, Mainslide e P.MA apresentam no Lounge algo a que apelidam de acontecimento sónico!
Guitarras, pedais, casiotones, vozes perdidas e batidas minimais… das mais simples canções de embalar até ao ruído visceral, passando pela electrónica fora de moda. Mainslide é um reflexo de algumas das maiores influências musicais de Nuno Santos que pertence também aos Bildmeister e aos mais recentes Evols, todos eles sediados em Vila do Conde cidade onde nasceu. Chega ao IMAGO acompanhado por Pedro Maia (P.MA) e as suas intervenções visuais baseadas na arte cinética e no psicadelismo. Uma exploração visual baseada no conceito de feedback, recorrendo a ferramentas analógicas e obsoletas como televisores, câmara de vídeo, misturadora de vídeo e processadores de imagem.
Mas porque Sábado é sempre Sábado, os espanhóis El Prat de LLobregat All Star e os Imago Selectors apontam à pista os tiros certeiros para uma noite de dança até...enfim com qualidade!
Só faz é bem à saúde!
Desculpem Pedrinho e Isabelinha, mas o trabalho vem depois!

terça-feira, 7 de outubro de 2008

Dois Paralelos e um Mundo!

Na ressaca da primeira noite do Imago e sem grande tempo de manobra para o merecido descanso, valeu-me a tarde de Domingo para repor energias para mais uma semana que se aproxima cheia de trabalho!
Mas enfim, como há sempre tempo para os "pequenos" (cada vez maiores) prazeres da vida, hoje vim à Xangai só para deixar 2 propostas para esta semana!
Oriundas de meridianos musicais distintos, convergem na qualidade suprema e desejo de afirmar "porra, afinal nós temos razão!".
Por isso é hora de dar voz a quem anda nisto não há dois dias, mas que parece que nasceu já assim e à sua soberba capacidade "inata" de me convencer (com letras grandes) com as suas ideias e "viagens conceptuais"!
Meus senhores, eles são Mari-Anne Hobbs e o inevitável Lindstrom (eu bem disse que ele andava por aí)!

Mary-Anne Hobbs - Evangeline (2008, Planet Mu)

A ciência electrónica está cada vez mais avançada e Mary-Anne Hobbs tem realizado um espantoso trabalho ao documentar algumas das mais ousadas experiências realizadas no domínio do dubstep, grime, hip hop e electrónica desafiante de categorias!
Evangeline é o seu mais recete projecto, uma compilação em que a sua autoridade se traduz numa série de exclusivos.
Enquanto álbum, o nível é constante e alto com nomes como Shackleton, Wiley, Flying Lotus, Surgeon, Boxcutter e Claro Intelecto.
Comum a todas as propostas, uma tendência exploratória própria de quem sente estar nas margens mais remotas de um género e ainda assim não teme explorar o que se encontra para lá das fronteiras!

Lindstrom - Where You Go I Go Too (2008, Feedelity)

De certa maneira, no seu real álbum de estreia (considerando o genial "It´s a Feedelity Affair" uma compilação de singles), Lindstrom completa um círculo e realiza finalmente o desígnio do cosmic-disco retirando o seu pulsar da pista de dança e posicionando a bola de espelhos em pleno território kraut.
Where You Go I Go Too tem apenas 3 temas organizados como uma longa suite, o que reforça a dívida de Lindstrom perante E2-E4 de Manuel Goettsching.
Mas o que realmente surpreende neste álbum é a permanente recusa de Lindstrom em se deter numa única linguagem: há disco, claro, rigor kraut, sofisticação prog, mas também boogie dos anos 80 um ou outro farrapo de "Miami Vice" e outros detritos de um passado filtrado pelo que só pode ser uma sensibilidade contemporânea!

E há melhor noite do que aquela passada às voltas dentro do carro com a companhia ideal, Lindstrom em volume subido sem saber onde ir?!
Um boa semana para todos e que as bolsas europeias comecem a atinar...já ando um bocado farto de ouvir falar em dinheiro!

sábado, 4 de outubro de 2008

Imago Film Fest - Parte 1

Pois é, mais um ano e mais um Imago a rebentar e agitar as consciências por terras da cereja!
E já lá vão 8 edições! Sempre a crescer!
Mas se é a primeira vez que ouvem falar do IMAGO e nome Fundão (e aprópria Beira Interior) só vos diz qualquer coisa quando se associa à "terrinha dos teus avós" lá muito longe ao pé da serra e onde só vêm 1 semana pelo Natal ou 3 ou 4 dias no Verão a "fazer frete" ao pai e à mãe, pois fiquem sabendo que andam noutro comprimento de onda!
O Fundão, a 3 passos de Castelo Branco e a 2 da Covilhã ("ah esta já conhecem, porque têm cá a prima a estudar") é anualmente o palco privilegiado para um evento assente num conceito único e original entre os certames que, em Portugal, se dedicam à promoção do cinema em formato curto.
E a Moagem, ou "bem dito" a "Moagem - Cidade do Engenho e das Artes", é a casa (não a original, pois inicialmente o festival era distribuído por diversos espaços na cidade), que acolhe o festival!
E aquí aparece o IMAGO – Festival Internacional de Cinema Jovem!
Definindo-se como uma estrutura multifacetada, dinâmica, plena de interacção entre as áreas que a constituem, centrando o seu projecto de programação nos filmes de jovens realizadores e dando a possibilidade ao público português no geral de contactar com filmes não distribuídos comercialmente no nosso País, arranca hoje para a sua 8ª edição!
Dedicado ao tema “Documentário e Música – de D. A. Pennebaker a Julien Temple", o IMAGO apela no sentido de estimular as novas gerações de realizadores portugueses a lançarem-se de corpo e alma a uma área e um género que vai ganhando cada vez mais interesse e reconhecimento por todo o mundo, sendo um dos conteúdos mais requisitados pelos mais diversos canais de divulgação audiovisual, sejam eles o cinema mais tradicional, as televisões ou os mais inovadores serviços de comunicação e tecnologias online.
Um ponto de encontro de crescente importância para os profissionais e estudantes do meio audiovisual, com a realização anual de workshops e master classes abertas ao público, para além, claro, de a própria orgânica do Festival permitir um acesso fácil e directo dos espectadores à conversa e aos encontros com os realizadores e outros profissionais do meio presentes no certame.
Estruturalmente, o IMAGO assenta em três secções principais:
Selecção Oficial – Caixa Geral de Depósitos, com duas secções competitivas, a “Prospectiva” dedicada às nossas apostas para o futuro, retrospectivas, ou programas pouco habituais, sem esquecer o “Programa Escolas”.
Heineken Open Space, com uma secção competitiva e onde ganham relevo estreias de trabalhos em vídeo, retrospectivas e programas centrados no que de mais criativo e surpreendente se faz no universo do formato vídeo em várias partes do globo.
Sound & Vision Experience, com Filmes Concerto, Concertos e DJ Sets, que em edições anteriores estiveram a cargo de nomes tão importantes como os dos Alpha, Andy Smith, Matthew Herbert, Kid Loco, The Herbaliser, Le Hammond Inferno, Jamie Lidell, Kid Koala, Namosh, Toolshed, Andy Votel, Erlend Oye, David Holmes, Chris Geddes (Belle & Sebastian), El Perro del Mar, DK7, Planningtorock, Xela, Helios, Casiotone For The Painfully Alone, Gonzales Solo Piano, Kalabrese, Khan of Finland, The Allstar Project, ou Munch Munch entre muitos outros.

Feita a (necessária) nota introdutória é hora de falar de coisas concretas porque está quase a começar e não quero que que me culpem por serem multados na auto-estrada por virem em excesso de velocidade para não perderem pitada!
Assim sendo, toca de avisar a "mãezinha" para fazer a janta mais cedo ou então peguem num grupo de amigos e depois de um jantar bem regado a vinho tinto da zona e muita proteína e hidratos de carbono no corpinho para dar até de manhã, rumo até à Moagem, porque é às 21:30 que os "foguetes" vão rebentar!
Vindos directamente das terras do Sr. Sarkosi (este anda mesmo em grande!), os Principles Of Geometry, dão "tiro de partida" para mais uma Imago!
Uma dupla inerentes à marca Tigersushi pegam nos seus computadores e prometem criar algo
que ultrapasse o carimbo de música espacial e delirante, apostando num conceito visual que promete espantar o público.
Logo a seguir e no mesmo espaço, Darren Hayman & Jack Hayter Play Hefner do Reino Unido.
Para quem não andava distraido em meados dos 90 os Hefner foram para muitos uma espécie de salvação em época de hype brit pop. Darren Hayman foi um perfeito contraponto ao vazio intelectual que assolou muita da música pop alternativa nessa altura. Um escritor de canções na senda de Morrisey (embora muito mais discreto e menos bem sucedido comercialmente), com histórias para contar, críticas acutilantes a fazer à sociedade britânica e músicas que não se esquecem.
Gerou um culto ferveroso, alienou as massas e deixou os Hefner adormecer depois de vários discos incontornáveis. Um deles chama-se “Fidelity Wars” foi editado há precisamente 10 anos e foi por causa desta data e da sua reedição que Hayman decidiu voltar à estrada sob o nome Hefner.
No IMAGO toca pela penúltima vez neste formato em ambiente intimo e com direito, diz ele, a pedidos do público. Preparem as gargantas, voltem a ouvir os discos (se é que alguma vez o deixaram de fazer!) porque “this is it”.
À meia-noite ou mais ou menos, debandada geral para a sala de concertos da Moagem e é Joakim que se apresenta com a sua Ectoplasmic Band.
Joakim! Palavras para quê?!
Como músico e DJ, Joakim deu ao mundo alguma da melhor electrónica concebida nos últimos 10 anos. Entre as suas inúmeras encarnações a mais recente leva-o aos palcos acompanhado de uma banda e revitalizando por completo a sonoridade que antes provinha quase exclusivamente de máquinas.
O som é mais quente, as canções estão mais definidas e Joakim assume-se como um dos mais interessantes artistas da pop electrónica actual.
Um concerto de estreia em Portugal a não perder integrado no destaque dado à casa mãe do músico francês, com o programa THIS IS... TIGERSUSHI.
E é este o menu para hoje! Convincente?!
Apareçam!

Já agora, os meus sinceros parabéns para o britânico designer Azar Kazimir, responsável pela nova imagem do festival! Azar...? Qual quê?! Muito bem conseguida!

Site Oficial do Imago: http://www.imagofilmfest.com/

quinta-feira, 2 de outubro de 2008

Porque hoje é dia de festa!

Porque os dias de festa são para comemorar, hoje celebramos o dia mundial da música!
Ok, podem-me acusar de hoje ser um tipo "oficialmente ou formalmente correcto", mas acho que faz sentido ser assim!
E qual é o mal?
Ou são daqueles que até acham isto uma grande "pirosada" ou algo sem cabimento? Se calhar até são contra as tradições académicas ou contra aquele grupo de baile castiço da festa lá da aldeia dos "vossos avózinhos" lá na província...ou se calhar essa é a vossa "terrinha"?!
Mas bem, voltando ao tema, nada melhor que informar que os EME estão de volta!
É isso mesmo, os Encontros de Música Experimental começam hoje dia 1 de Outubro!
Num país no qual as musicas experimentais se encontram cada vez mais arredadas de qualquer palco, os EME revestem-se de grande importância por ser um dos raríssimos festivais que acolhe este tipo de música, servindo de ponto de encontro entre músicos nacionais e estrangeiros, além da função "pedagógica" levada a cabo pelos diversos workshops!
Com Vitor Joaquim nos comandos da nave central, os EME deste ano foram dar uma volta pelo Tejo e assentaram araiais no Teatro Ibérico e na Igreja de S. Francisco de Xabregas, deixando a margem sul "cada vez mais desertificada" (queriam!). Existem também extensões do festival para os Açores e para a Madeira (interessante!), basta consltarem a página!
Albergando trabalhos de artistas sonoros e visuais provenientes dos mais diversos países, os EME representam um espaço de confluência de artes na sua mais dilatada aspiração, constituindo-se como um lugar de transversalidade e de proximidade entre criadores nacionais e estrangeiros, em que a produção e criação nacional nunca se encontra relegada para segundo plano, antes pelo contrário, é talvez aquilo que mais legitima a existência do próprio festival.
Assim sendo de hoje até Sábado é possível degustar nomes como The Sight Below (USA), NNY (PT), Garcia + Machas + Maranha + Mota (PT), The Beautiful Schizophonic (PT) + Tina Frank (AT), Anna Troisi (IT) + Carsten Goertz (DE), Safe and Sound (PT) ou os mais reconhecidos (pela crítica musical!) como Greg Haines (UK), Hauschka (DE) e Frank Bretschneider (DE).
Aqui o Sr. Bretschneider anda muito por Portugal, se calhar gosta do sol e do mar...ou então arranjou para aí alguma namorada! Desconfio!? Lol!
Enfim, motivos mais suficientes para irem dar uma voltinha até à capital sem ter que ir fazer compras ao Vasco da Gama ou ao Colombo!
Ou então fiquem pelo Fundão, o Imago ´08 começa já este fim de semana, mas isso é assunto para o tema de amanhã!
Já vos disse que hoje é o Dia Mundial da Música?!
Pois bem, então hoje são 3 as propostas que vos deixo e que merecem bem estar no leitor do vosso carro ou na aparelhagem do vosso quarto durante alguns (muitos) dias.
E claro, assumem-se como os "porta-estandartes" do dia "standartizado" (lol) de hoje! Mesmo acabadinhos de chegar...ui ui ainda cheiram a tinta fresca!

Betty Botox - Mmm, Betty! (2008, Mule Musiq)
Yo Majesty - Futuriscally Speaking...Never Be Afraid (2008)
Plastic Little - Welcome To The Jang House (2008)

Que final de ano soberbo! Parece que guardaram as cerejas para o fim só para nos baralharem a cabeça com as listas dos melhores de 2008!
Afinal de contas, em que ponto cessa o domínio da música e se inicia o do som?