sábado, 29 de novembro de 2008

Parar para pensar...

Dorfmeister já foi e um feriadinho para abrir a semana é sempre boa política!
Há já algum tempo que a Xangai opera no ramo do suporte à cultura urbana e em todas as suas vertentes e manifestações, no entanto, a toda a hora tal como no tecido empresarial, a necessidade da mudança é prioridade máxima no sucesso e eficácia de uma instituição, por isso a Xangai Market vai mudar!
Dizem que as mudanças são sempre boas e de tempos a tempos convém sublinhar que não fomos feitos para servir de bigorna. Se a Xangai serve ou não de farol, ou de âncora, é algo discutível no sentido etimológico da questão, seja como for é bastante razoável pensar que alguns sítios permanecem intactos como faróis sonoros, avisando por um lado dos perigos a evitar e, mais importante, mostrando que ali se encontra um bom ponto estratégico de onde se obtém um límpido horizonte sonoro.
Dadas as circunstâncias, e se tudo correr bem (tendo em conta a disponibilidade do sempre disponível web designer) lá para o início do ano de 2009 a Xangai vai aparecer com nova cara e um conceito novo! Ou melhor, remodelado!
Tal como os accionistas numa empresa têm acesso a informações antes do tempo e detalhes internos preciosos (ou pelo menos deveria ser assim...), também na Xangai deixamos uma pista e apontamos os holofotes para os leitores deixando a dica que na Xangai do futuro vai haver mais música e cada vez menos a ver com outra coisa que não seja música!
Não a música toda, mas isso já agora sabem disso...
Falo-vos de uma remodelação norteado com o princípio do "tiro desamparado" para as originais e desenfreadas coordenadas das novas tendências da música...
Informação com 1 mês de antecedência...se continuar assim até Sr. Vitor Constâncio me vem buscar para seu conselheiro, ou então substituto!
Para acabar, e só porque hoje estou numa de pensar no futuro, nada melhor que deixar-vos uma proposta de uma editora que aposta forte na sua deliciosa forma de apostar em nomes que atiram a música para um plano muito longe daqui. Refiro-me à Karaoke Kalk e podem ouvir qualquer disco da série "Kalk Seeds". Só para ficarem para ficarem bem dispostos...só porque sim!
Uma boa semana para todos!

terça-feira, 25 de novembro de 2008

Dorfmeister de regresso!

Ainda agora acabou um fim de semana e já na Xangai se sonha com o próximo...será reflexo da "crise"e que assola o nosso país ou mera e simplesmente vontade de festa?
Não sei, mas antes que se torne tarde e que a semana nos apanhe de surpresa com "mais um trabalho inesperado" eis que surge a oportunidade de divulgar o cartaz para o próximo fim de semana!
É já este sábado, que o Salão Preto & Prata do Casino Estoril (e não o de Lisboa, onde já actuou também!) irá converter-se numa vasta pista de dança, por volta da meia noite, com a actuação de Richard Dorfmeister e da "sua" trupe de performers e de bailarinos.
Palavras para quê?! Quem anda nisto há já algum bom tempo, o nome Dorfmeister dispensa apresentações!
Admirador de Serge Gainsbourg e Pink Floyd, Dorfmeister nasceu em na fria e robusta Viena, oriundo de uma família com tradições na formação clássica dos filhos. Chegou a estudar flauta antes de se juntar a Peter Kruder, e de se tornarem num dos expoentes máximos do downbeat.
Além de Peter Kruder, com o qual maquinou o genial "The K&D Sessions", Dorfmeister também se envolveu com Rupert Huber no projecto "Tosca".
Nesta nova vinda a Portugal, o "DJ do beat molegão e pesado" da G-Stone promete ditar o estado da música de dança mais fumarenta, fazendo do Casino Estoril uma pista dançante para toda a gente!
A revolução dos casinos continua! Até que enfim que cá chegou...vemo-nos por lá!

Nota: Apesar de não ter nada a ver com o assunto...este fim de semana comi um "bife de ostras" genial! República da Cerveja! Aconselho vivamente...mas para comer devagar com uma cerveja à frente e boa companhia! Temos que lá voltar!

quinta-feira, 20 de novembro de 2008

Advento minimalista!

Há tempos li que a polaca Magda em jeito profetizante vaticinou que o "minimalismo" tinha estagnado demasiado no mainstream e que era necessário inovar e criar coisas novas!
A palavra "minimal" é vasta e dá jeito! O hip-hop é minimal, o disco é minimal, o techno claro que é minimal, o d&b atira para o minimal...outra coisa qualquer que apareca é "quase automaticamente" classificada por "um estilo algo minimal"...até a folk hoje em dia é mininal, vejam bem!
Claro que tudo pode ser minimal, ou ter cariz minimalista, mas aí entrariamos num plano diferente onde teriamos muitas horas de conversa, que diga-se de passagem não me apetece muito. Falo de minimalismo musical!
Definir "minimal" como um tipo de "música" que segue um modelo matemático lógico, definindo-se pela escassa utilização de tonalidades e abusiva em termos de ritmos repetidos sem breaks, parece-me algo redundante no entanto pode considerar-se uma resposta meio certa! Ah claro, também podem afirmar que o minimal é o oposto do maximal e levam mais meio pontinho da resposta...mas ainda assim insuficiente!
Mas porquê toda esta tagarelice e devaneios pouco eruditos?!
Para vos trazer uma resposta..."não a verdade que muitos procuram" (ehehehe e desculpem!), mas a minha resposta aquilo que eu considero um bom exemplo de algo minimal sem ser o minimal "minimal"!
Ainda a crise económica internacional se vislumbrava ao longe (ou pelo menos, não tão perto...) já nas terras da Srª. Angela Merkel se magicava uma criação, no meu ponto de vista, genial e exageradamente arriscada sobre "o que é" e "para onde vai" o movimento minimalista no mundo dos sons!
David Moufang, mais conhecido por Move D e Benjamin Brunn lançaram no passado mês de Abril o seu segundo álbum denominado "Songs From The Beehive", sob tutela da Smallvile!
Com uma simplicidade criativa fora de série e um estúdio em Hamburgo, casa de passagem de muitos dos mais inquietos produtores de tecnho germânico, "Songs From The Beehive" surgiu como algo inesperado e envolto num certo nevoeiro conceptual que ainda hoje tento desmistificar...!
Com 7 longas faixas de arranjos tão orquestrados que quase criam vida (ou tamb+em apelidada de "música orgânica"), sensação que nos remete a Aphex Twin em "Selected Ambient Works 85-92". Caso de "Mothercorn", líquida e hipnótica e "Come In", destaque absoluto do disco com seu balanço linear e soturna ambientação cinematográfica, ocasionada pelo techno abafado ao fundo.
Apelam à capacidade humana em "Love The One You're With" e tornam a coisa áinda mais etérea em "Velvet Paws", a fazer soar a Donkey Kong. Mais ambiente e melodia, menos beats e loops, partindo do principio que as as máquinas também fazem "som" quando estão em standby.
A parte "adulta" do disco aparece em "Honey", que ao contrário do nome é uma trilha corrosiva, com o histérico e encorpado synth ácido fulminando os ouvidos em alcance surround.
Radar" encerra o disco com interferências computadorizadas desconexas sobre o techno abafado, que vai ficando límpido no crescente, uma técnica já recorrente no trabalho da dupla.
A par de nomes como Efdemin e Pantha du Prince, Move D & Benjamin Brunn é uma fórmula que resulta porque sabem equilibrar a dose entre 4x4 e a pista, entre experimental e canções etéreas e "acessíveis". Além disso, mostram sinais de que os anos 90 acabaram e fogem da regra futurística e mineral do techno antigo!
Um exemplo é a "pastilhada" e colorida capa do disco, primeiro lançamento em álbum do selo Smallville Records (e que lançamento!).

Acessível tanto nas pistas como apontado ao sofá! Cadência minimalista! Atmosfera deep! Ápice acid! Abstracção experimental!
Aceitam a proposta?
Nota: Já estava para escrever sobre Mode D e Benjamin Brunn há mais de 3 meses, mas não saía. Agora sim, faz sentido! Sinceramente!

domingo, 16 de novembro de 2008

Supersoul Recordings levada a ombros!

Desde há algum tempo que sou um grande defensor das compilações!
Bem certo que um albúm por inteiro tem o seu carisma e faceta identificativa mais vincada no currículo da banda ou do artista, no entanto um compilação também reflecte essa vertente, a "cara" de quem recolhe, reúne e organiza os temas de forma coerente e orientada por um alinha bem definida!
E quando o assunto toca a nomes como James Murphy e DFA a coisa é olhada de outra forma!
Por isso hoje traga-vos uma daquelas compilações que de certo vai cair bem nesta recta final de 2008.

"Nobody Knows Anything - DFA Presents Supersoul Recordings " (DFA-Kompakt)

O carimbo da DFA nesta compilação garante atenção até da Rolling Stone, apesar de se tratar do apadrinhamento do trabalho do selo berlinense Supersoul Recordings, que edita normalmente música pensada para a escala dos doze polegadas.
Este aviso serve assim para alertar os que pensavam ir aqui encontrar material cozinhado em Brooklyn a partir dos ingredientes do disco e do punk mexidos com a colher da electrónica.
Este lançamento por parte da DFA aponta os holofotes ao selo de Xavier Naudascher, que nos últimos dois anos editou uma série de hinos à repetição sincopada a partir da Supersoul!
Assim sendo, o seu catálogo é algo limitado no sentido de ser curto, no entanto Naudascher tem um dedo em quase todos os temas apresentados.
Em "Nobody Knows Anything" existe uma garantia de coerência formal dentro do vasto universo da electrónica talhada para a pista de dança, embora exitam muitas diferenças. Isto significa que no disco (aliás, nos dois discos!) se ouve tecno de pendor minimal, mas também exercícios de pressão rítmica abstracta que se atreve a procurar na plasticidade do italo-disco dos 80 os seus principais pontos de inspiração.
Há electro-disco em derrapagem pela pista de dança, synth-pop de facção Moroder e até "canções de amor".
O facto de Naudascher não apresentar a música escolhida em formato DJ set revela uma certa ambição: a de encarar estes temas como tendo potencial de vida para lá da cabine do Dj, que vivem sem necessitar do impulso do tema que os precede e da plena realização oferecida pelo que lhe sucede, o que em tempos de vertiginosa construção de novas tipologias é, em si mesmo, uma declaração de intenções!
Quando todos ambicionam definir o presente, ter a capacidade de sonhar com o futuro é já um importante factor de diferenciação!
Como eu gosto desta visão...é por isso é que me imagino mais numa estação de rádio rodeado de albuns empilhados em estantes, do que à frente de uma pista de dança...só um desabafo!
Já agora e a propósito do nome DFA ser tantas vezes mencionado na Xangai, convém agora sim informar que significa Death From Abroad. Interessante!?

domingo, 9 de novembro de 2008

Algo espacial, demasiado pegajoso...Tigersuhi!

E fez-se história...Obama no poder e um novo capítulo da história é aberto...ou melhor dizendo, logo se vê! Politicas à parte, e sim porque faz mesmo falta descomprimir daquilo que se pode apelidar de "politiquice de compressão massiva" das últimas semanas é tempo de respirar algum vagar e ter tempo para saborear novos sabores...nojentos! Estranhos...!
A editora francesa Tigersushi (do senhor Joakim), que ainda há bem pouco tempo andou a passear pelo Fundão é o motor injector por trás destas duas verdadeiras "panelas" ferrugentas que hoje me trouxe até à Xangai!
E a notícia não é nova...bem poderia ter sido se fosse no ano passado, mas como na Xangai não não há calendário nem relógio tudo é bem vindo seja a que momento for...nem que só descubramos a verdadeira essência dos Kraftwerk daqui a 20 anos, eles serão bem vindos!
Na ressaca de mais um "balázio certeiro" de Villalobos com "Vasco EP" hoje proponho-vos duas viagens cósmicas com rotas de navegação muito diferentes!

"Cosmo Galactic Prism", com Prins Thomas nos comandos respira a pura "cosmicidade" do termo e reflecta a tentativa de Thomas em resumir um set de oito horas (e depois ainda falam de mim...) a apenas duas horas!
E para uma viagem que começa em Joe Meek e termina nos Parliament de George Clinton a única coisa óbvia é o esforço de fugir ao... óbvio.
Procurando derrubar fronteiras entre o que é novo (Crue-L Grand Orchestra, Glissando 70, Bjorn Torske, Boards of Canada, Metalchicks, etc) e menos novo (Hawkwind, Holger Czukay, The Salsoul Invention, Bob James...) e no processo oferece-nos as coordenadas para a viagem perfeita.
Rock cósmico, disco cósmico, enfim...alguns DJs têm-nos ensinado que isso pode ser mais do que a designação literal e Prins Thomas consegue contar alguma história com princípio, meio e fim, convocando toda a gente para a mesma praia e a sua visão house quase normaliza todo o processo, isto é, não o torna homogéneo mas dá-lhe uma história comum.

"Dirty Space Disco", a segunda proposta, está a cargo de de Dirty Sound System e a julgar pelos visuais da capa, "Dirty Space Disco» indica logo onde se está!
Mas não se deixem enganar pelo título do disco...apesar de parecer ser algo sujo, o que se ouve está bastante mais próximo de uma ideia exótica (tanto que gostamos deste termo na Xangai), romântica, do género de música que sugere que algo que está para acontecer ou que se deseja que aconteça de determinada forma.
"Dirty Space Disco" tem muito mais drama e emoção do que revela à superfície e não é apenas mais uma colecção de música retirada do tempo em que um beat electrónico bastava para tornar tudo diferente, embora a combinação entre um fundo sintético e vozes soul opera maravilhas e coloca realmente a música num outro patamar de interesse.

Uma sugestão: Invistam 1 horinha na net ou algumas notas da carteira e arranjem além deste "Dirty Space Disco" (Tigersushi - 2007), o "Elaste - Vol. 1 e 2" (Compost) e o "Computer Incarnations For World Peace" (Sonar Kollektiv - 2007) e deliciem-se com a visão fantástica de alguma da mais estranha música de dança na década de 80!

"I Need Somebody To Love Tonight"
Boa semana!

domingo, 2 de novembro de 2008

From USA to the World com tempinho para um café...

Numa semana marcada inevitavelmente pelas eleições americanas, e pelo consequente bombardeamento através dos media, parece que não há tempo a perder para "espicaçar" e aguçar mais a nossa preferência pelo candidato que gostávamos que ganhasse (como se votássemos!), por isso pouco tempo sobra para outras excursões.
Política à parte (jurei nunca mais falar sobre política desde o episódio da Moda Lisboa ´07), Mc Cain ou Obama, que fique o melhor porque ando farto de perder o pouco dinheiro que tenho em acções e fundos de investimento...exijo portanto, enquanto europeu, pagante de todo o tipo de impostos e comissões democratas que se decidam em dar um murro na mesa e calar a boca desses "especuladores da treta" que não fazem mais do que mandar "papaias" para o ar e condicionar de forma negativa toda a gente!
"We need a hero!", como alguém afirmava...por isso, encontre-se um! E rapidamente!
Na ressaca de um fim de semana "agressivo" com altas doses de substâncias censuradas pela GNR nas operações STOP, na Xangai respira-se calmamente e recuperam-se forças para o arranque de nova semana!
Ouvem-se novas edições, passeia-se pelo cyberespaço à procura de novos "motores de arranque" para enriquecer de forma positiva os leitores e nada mais nada menos do que avisar que amanhã é 2ª feira, dia de concerto no Casino Lisboa!
Acid Jazz castiço a saber a hip-hop e electrónica inteligente dançante para abrir a semana, que dizem?
Na "única, parada e insólita" noite da semana (porque a 2ª feira é morta em todo o lado!), o Casino Lisboa propõem mais uma noite diferente e trás até aos parques do Oriente, Guru's Jazzmatazz feat. Solar And The 7 Grand Players e Moodymann.
Verdadeiro ícone da cultura hip-hop, o norte-americano Guru é precursor no cruzamento deste género com o acid jazz, vem a Lisboa apresentar as contagiantes sonoridades de "Jazzmatazz.
Em “Jazzmatazz”, Guru reflecte essa inovadora união numa série de quatro volumes, onde colabora com artistas de variados quadrantes, do jazz à soul e hip-hop, do acid jazz à pop e electrónica. Em palco estarão Guru e Solar, os mestres de cerimónia, acompanhados pelos “7 Grand Players”, DJ Doo Wop, um trompetista e um talentoso multi-instrumentista.
Depois dança-se às ordens de Moodyman!
Referência da música de dança de raiz electrónica, Moodyman capta a essência da história da música negra, distimguindo-se pela genialidade no enquadramento singular do gospel, blues, jazz, soul e disco para criar temas mais marcantes de techno e house low-fi das últimas duas décadas.
Depois é só ir a correr para casa e esperar...Mc Cain ou Obama? Um erro ou um bluff?!
Só para terminar, gostaria de deixar uma sugestão para a próxima semana! Trata-se de um albúm de 2006 com selo da Sublight, Dino Felipe - Dinosaur Bones And Pyramids.
Como é bom ser-se surpreendido nos dias de hoje. Dos melhores albúns que já ouvi em toda a mina vida e com lujgar de destaque na prateleira dourada da Xangai!
Uma verdadeira genialidade!