sexta-feira, 26 de dezembro de 2008

E se a tua cara fosse capa de um disco?!

Começou como uma brincadeira e já é o passatempo favorito de milhares de pessoas em todo o mundo...basta ter uma cara, alguns vinis e muita imaginação!
Senhores e senhoras, benvindos ao fabuloso mundo do Sleeveface!!!
Os sociólogos não teriam grande dificuldade em explicar o sucesso de um fenómeno como o Sleeveface numa era em que, graças às maravilhas da tecnologia, qualquer indivíduo pode aspirar a partilhar a sua genialidade com o mundo.
Mesmo que o seu maior talento resida em criar ilusões de óptica com capas de discos em vinil.
Mas afinal, o que é o Sleeveface?
Simples: uma brincadeira de amigos, fãs de música ligados a uma editora do País de Gales, que um belo dia se lembraram de tapar a cara com capas de LPs, dando a ilusão de continuidade entre a imagem do disco e o seu corpo.
Mal sabia Carl Morris (aparentemente, o primeiro gajo a lembrar-se disto...) que ao "colar" a sua cara a um vinil de Paul McCartney, estava a criar uma tendência que publicações como a Rolling Stone haviam de considerar emblemática dos anos 00.
Não podia ter acontecido de outra forma! Foi a Internet que se encarregou de mostrar, primeiro aos vizinhos e amigos, paulatinamente a todo o planeta, que qualquer pessoa podia aparecer na capa do seu LP favorito. As imagens começaram a circular e a aquecer, certamente, os corações de muitos trabalhadores de escritório enfadados e um pouco por toda a parte, melómanos e coleccionadores de música sentiram-se tentados a participar.
Hoje, o Sleeveface é praticamente uma modalidade olímpica, ou pelo menos terá mais praticantes do que muitos desportos que vimos recentemente nos Olímpicos de Pequim e na rede global do Facebook o grupo tem já mais de 15.000 utilizadores.
A brincadeira, que vai das montagens mais toscas e domésticas de elevado gabarito, presta-se à partilha no site Flickr com as infindáveis contribuições de gente dos quatro cantos do mundo.
Mas para quem prefere o conforto e a ponderação do suporte em papel, há uma boa notícia: os ainda estupefactos mentores desta ideia, o lançamento de um livro de quase 200 páginas que reúne algumas destas pantominices de desocupados de todo o mundo, "Sleeveface - Be The Vinyl".
Além do livro, a moda do Sleeveface já deu origem a festas temáticas e citações entusiastas como a de Andy Bell dos Erasure, cuja frase "Be the vinyl!" serve de pós-título à colectânea de imagens.
Mas o Sleeveface vai mais longe, havendo quem o aplique a capas de revistas, livros e até focinhos de cão, não havendo regras nem orientações definidas...simplesmente criatividade e originalidade como motor de combustão!
Na Xangai ainda não demos os corpo ao manifesto, mas desafiamos os leitores mais desocupados e com capas de vinis mais convenientes para mostrarem o vosso dom...num tempo de "copy-paste" e "mentiras digitais", quem sabe se não te tornas um profissiopnal do ramo e apareces na capa do próximo livro do Sleeveface!


Que post excepcional para o fecho de actividades de 2008!
Cuidados com as misturas, com o camarão em excesso e com alquele último cigarro que te caiu tão mal o ano passado...boas passagens de ano!
A gente ve-se daqui a alguns dias...até para o ano!
Xau Xau! Beijinhos e abraços!

Gala Drop...mais que um cocktail sonoro!

Antes de mais, espero que o vosso Natal tenha corrido bem na companhia daqueles que realmente fazem falta...e que tenham sentido que realmente esta época é sem dúvida especial!
O meu correu bem e gostei...não consigo descrever o quanto me sinto bem por estas alturas...
Nos últimos tempos tenho andado muito "caseirinho" nas divulgações por isso, e com o final de ano a aproximar-se, vou manter a toada e trazer-vos mais um importante e magnífico trabalho "made in Portugal"!
Gala Drop!
Nelson Gomes, Tiago Miranda e Afonso Simões formam um dos mais singulares e "psico-muita-coisa" grupos da música portuguesa das duas últimas décadas e o seu primeiro e homónimo trabalho é um dos discos mais belos deste ano.
Para os apressados e viciados das listagens dos melhores do ano, que se fiquem a roer pois este já vos fugiu mas a mim ainda não!
Só um aparte; apenas farei a minha lista "dos melhores de..." lá para meio de Janeiro, é que anda por aí muita coisa que me falta ouvir...e como não tenciono eleger Metallica, Portishead ou Coldplay nem tenho pressões editoriais, estou à vontade...mas isso já sabem!
Voltando aos Gala Drop!
Editado pela Flur há bem pouquinho tempo, Gala Drop aparece quase por "criação espontânea" como um autêntico antídoto modesto e potente na galvanização do panorama criativo contemporâneo português e não só!
A qualidade romântica do universo criado pelo projecto lisboeta, usada como uma espécie de estilo mágico, é um dos melhores e mais complexos esboços feitos entre nós nos últimos anos, numa súmula de criação musical por instinto e "quase laboratorial", em que uma imensidão é condensada!
Fugindo a catalogações ou variáveis facilmente reconhecíveis, há detalhes maravilhosos que, apontando em diversas direcções, deambulam pela mão das electrónicas projectando novelos de psicadelismo, ambiente, dub ou até mesmo krautrock...a mim soa-me assim!
Com diversas matrizes da música negra e electrónica, sem de qualquer forma nos fazer dançar em alguma pista...uma obra híbrida, que retoma o trilho de legados deixados por gente como os Can, Pop Group ou os A.R. Kane...
O seu lugar é a contemporaneidade! Basta reter a notória dimensão "escultórica" do som ou no modo como a linearidade dos temas permite, quase imperceptivelmente, uma profusão de melodias e ritmos, dando a perceber o rigoroso trabalho de estúdio.
Uma verdadeira obra-prima que faz pensar e flutuar, ao longo da qual se revela um incrível argumento de imagens abstractas, com possível/obrigatório lugar de destaque na evolução da música portuguesa e claro, na prateleira dourada da Xangai!

sexta-feira, 19 de dezembro de 2008

Buddha Machine v2.0

Primeiro o vinil e a k7, o CD não tardou em dar o ar da sua graça...ávidos de novidade e com a carga emocional da tecnologia de ponta foram chegando os mp3s e os mp4s em forma de iPods modestamente apetecíveis...e depois nasceu a Buddha Machine.
Primeiro nasceu a primeira e agora nasceu a outra...Buddha Machine v2.0!
Para os mais assíduos da Xangai, o termo Buddha Machine não soa a novo, mas se por acaso és um daqueles que num dos muitos devaneios loucos e coloridos do cibermundo, hoje encontraste este sítio, então deixa-te estar!
Christiaan Virant e Zhang Jian são os criadores deste pequeno "gadget mítico-musicalista", formando a dupla FM3!
A coisa funciona de forma tão simples que é impossivel rejeitar. Um botão para ligar/desligar servindo igualmente de volume, outro botão para mudar os loops, uma saída para headphones e uma opção para ligar à corrente eléctrica, além de possuir coluna prórpria, podendo ser escutado em qualquer sítio.
Simples!?
Disponível em várias cores, este objecto, muito semelhante a um daqueles rádios usados pelos adeptos da bola para escutar o relato do outro jogo, contém nove loops que podem ser alternados através de um botão.
Muitas caixinhas destas viajaram por esse mundo fora o ano passado encantando nomes como Brian Eno, Thomas Felhmann, Alan Bishop, a própria equipa da Ableton...enfim também tive que comprar a minha!
1 ano depois, os FM3 lançam uma nova investida no imaginário criativo e atiram para o mundo digital mais uma caixinha de plástico saudável "made in Hong Kong"...nova encomenda!
Novidades?!
Sim, logo a começar pela caixa exterior e pelas cores...depois há mais 9 loops diferentes além do extra do botão de "pitch"...
Muito mais que um brinquedo...se lhe retirarmos o seu lado "romântico", esta peça pode bem ser uma evolução extraordinária na forma como se escuta música ou como esta pode ser comercializada.
Acima de tudo a música!
O processo criativo, como se apresenta, os meios de propagação e no final a fruição!

segunda-feira, 15 de dezembro de 2008

Red Bull i-Battles ´08 @ Lisboa

Para quem pensa que Red Bull é só mais uma marca de uma bebida energética que tem uns anúncios que caem em graça facilmente...engana-se!
Uma ténue linha une momentos fundadores em que a rave culture da Factory incendiou Manchester, Sir “Coxsone” Dodd e Duke Reid disputaram o título de melhor dancehall de Kingston ou Larry Levan converteu o Garage numa lenda!
A linha que define a música como acto celebrativo por si só, independente da sua execução, origem e formato.
A mesma ténue linha que agora se estica até 2008, entrando por 16 i-Pods para celebrar a estreia portuguesa nas Red Bull i-Battles.
É já dia 19 de Dezembro, a partir da meia-noite, o ringue de batalha do Musicbox em Lisboa converte-se num espaço privilegiado para os one-hit-wonders dos ’80, os maiores club bangers do ano, hinos de estádio e sessões de indie karaoke.
A geração mp3 comanda a festa!
Oito equipas disputam a vitória na primeira I-Pod Battle portuguesa até um vencedor final, seja com aquele break usado por Grandmaster Flash, um fato à Vito Corleone ou um hit da Céline Dion, no final o que importa é conquistar o público, cuja reacção é medida em decibéis.
A vitória no combate cabe à equipa que conseguir a manifestação mais ruidosa por parte da assistência no conjunto dos quatro assaltos (ou faixas). A ambiência será registada no sonómetro oficial Red Bull i-Battle. Palmas, gritos e toda a forma de histeria é bem-vinda no fantástico mundo dos decibéis.
O ringue será controlado pelos dois anfitriões da noite: Marga e Tekilla, cabendo-lhes a função de hosts mas também a supervisão do cronómetro digital, do quadro de classificações e do sonómetro.
Os controles do Vjing a cargo do colectivo Droid-I.D.
E quem são as magnificas duplas guerreiras que vão entrar directamente para a história das i-Pod Battles em Portugal? Dificilmente o conjunto poderia ser mais diversificado...
The Scene: Formada por Ka§par e Victor Silveira, a dupla The Scene é literalmente uma grande cena. Conhecimento enciclopédico da história da música electrónica? Confere. Capacidade para a pôr ao serviço do dancefloor? Escusado perguntar.
Spank Pod: Espancar um i-Pod? Porque não? DJ Ride une forças com o espirituoso Espectro para juntos tentarem a conquista do troféu. «Celebramos a “i-Pod Food”», diz o primeiro. “E botamos Piri Piri nisso” responde o segundo.
Bandido$: Gatunagem, moda e Ray Ban. A caminho de um mundo com mais cor, esta dupla de radialistas/DJs tem nesta i-Pod Battle a possibilidade de mostrar como passar de bastard a bestial em 1:30’.
A.M.O.R.: «Onde manda o amor, não há outro senhor» diz a sabedoria popular. Talvez assim seja, mas para isso as adoráveis Mi & Vi terão de mostrar no ringue o lado gangsta das A.M.O.R. A pergunta é: há outro?
URBA FEAT FAB: Urba reúne-se à Fabulosa Marquise para fazer o beat explodir em pleno Cais do Sodré. A sofisticação do beat e a beatificação do sofá, tudo numa proposta plenamente feminina.
Butterflie Soul Flow: PinyPon e Leo sabem muito de pôr gente a dançar. Tanto que até dão aulas. Na noite de 19 de Dezembro, estas breakdancers vão provar que a dança também se ensina a partir do ringue, de i-Pod na mão.
Clube Socialismo Tropical: A história de amor-ódio entre músicos e a crítica conhece um momento histórico em Clube Socialismo Tropical: Alex Cortez (Rádio Macau; Transformadores) e Vítor Belanciano (jornalista) juntam colecções e sabedoria para mostrarem o caminho de um novo tropicalismo.
Recycles: O caminho do riddim ao break nunca foi tão curto. Juntos, João Gomes (Cool Hipnoise, Spaceboys) e Fred abrangem 99,9% dos projectos que põem as 7 colinas a dançar. Cabe-lhes agora a missão de pôr 99,9% do musicbox a fazer o mesmo.
Para mais informações: redbull.ibattle.media@gmail.com ou 919306977
Força para os participantes!
Mais uma gravitacional experiência da Red Bull..."dá-te asas!"

domingo, 14 de dezembro de 2008

Na era dos blogues...Hipnótica!

Já não é novo, mas também não é velho...e nunca é tarde para o relembrar!
Discussões, ideias novas, projectos para o futuro, sentimentos marados...e Hipnótica à discussão na mesa da Xangai com uma filhó a acompanhar!
Os Hipnótica parecem insistir em não ficar no mesmo solo repetidas vezes e gostam de saltar de ilha em ilha, nunca esquecendo o passado e ambicionando o futuro!
Sabem o que é a metamorfose e o seu mais recente trabalho "New Communities for Better Days" editado pela Metrodiscos no ano passado é mais um passo em frente na sua já longa carreira.
Mantém a toada jazzy mas se calhar menos que nos anteriores discos, mas de certa forma demonstra um seguimento lógico do amadurecimento demonstrado em Reconciliation!
"Junta-te aos bons e serás melhor que eles..." parece ser o lema dos lisboetas e mais uma vez, Wolfgang Schloegl dos Sofa Surfers, volta a tomar conta da produção do álbum partilhando a sua dose de culpas no sucesso deste álbum.
Canções onde julgávamos ver temas instrumentais, desabrocham paisagens sem palavras onde julgávamos ver canções. Percussão que penetra na electrónica e um contrabaixo que serve de apoio. Um fender rhodes que faz subir a temperatura aqui e ali e um saxofone que tem capacidades apaziguadoras ou agressivas. A voz de João Branco que parece sempre adaptar-se aos terrenos mais difíceis, guitarras que dão um ar de sua graça aqui e ali e uma harpa que muitas vezes transporta New Communities for Better Days para um patamar superior.
Há todo um mundo de sons para descobrir!
Depois há temas como “Transitions” com mil e um ganchos e transformações, “Silver drops from velvet clouds” faz justiça ao seu título e representa quimera ao nível das nuvens, “I’ve met Joe Luke Somewhere in the middle of nowhere” é complexa na sua melancolia mas directa na sua beleza...
Parece que nada é feito ao acaso, tudo contribui decisivamente para a construção de uma manta de retalhos que tem tanto de interessante como de bela, transformando "New Communities for Better Days", o disco mais rico, corajoso e surpreendente dos Hipnótica.

terça-feira, 9 de dezembro de 2008

Apaixonada patetice!

Há sempre tempo para dar um saltinho à Xangai...e quando as razões são boas, melhor ainda!
Foi no mais ilembrável sítio de todos que encontrei mais uma extravagância!
Uma noite de chuva, um talho de bairro quase a fechar, seis tiras de entremeada e uma fome de leão...foi assim que conheci Ganpol und Mit!
Meia hora de internet, dois bilhetes na mão e rumo a França, mais uma vez esta semana! Bordéus ou Bordeaux, como queiram!
Gangpol und Mit é um duo sonoro e visual composto por dois membros, Gangpol (aka. Sylvain Quément) que se ocupa dos sons e Guillaumit(aka. Guillaume Castagné) que trata do grafismo e do vídeo.
Os dois criam algo que se pode apelidar de "Sonic & Visual in Love"!
Música electrónica contrastada e melódica, confronto de inúmeras referências, elaboradas personagens visuais, ambientes coloridos e formas geométricas básicas caracterizam o duo sempre aliadas a um aspecto geral lúdico e humorístico. Complementam as suas poéticas performances com a permanente exposição a situações estranhas, absurdas e irónicas.
Originário de Bordéus, o duo tem mantido uma actividade extensa através de inúmeros concertos em países tão díspares como Japão, Canadá, México, Polónia, Bélgica, Roménia,etc. na companhia de nomes como Felix Kubin, Kap Bambino, Oorutaichi ou os nossos "queridinhos" Dat Politc.
O trabalho da entidade Gangpol und Mit vai para além dos concertos e atravessa um caminho que percorre ateliers para crianças, exposições e relações diversas como t-shirs, postais, posters, etc. Profissionalismo, sim senhor!
Colaboradores regulares de artistas e estruturas como Juicy Panic, Carton Pakr, wwilko ou o colectivo Pictoplasma, o duo francês chega a Portugal para um concerto único no Porto no próximo Sábado dia 13 no Plano B.

Até lá ou só para adoçar o ouvido fiquem-se com o excelente "Disque Compact, Pièces Detachées" de 2005.
Genial!

sábado, 6 de dezembro de 2008

"Vous Voulez Coucher Avec Mois!"

Fim de semana prolongado, mais um...tempo de fazer desta salinha de 3x3 o meu casulo e enterrar-me nos livros e ver se consigo acabar isto.
Computador à frente, o meu fiél companheiro deste fim de semana e a procura de uma inspiração que tarda em aparecer...tenho que terminar isto até 2ªf e não me chateiem para sair! Já tenho cigarros que cheguem!
E como estes longos "encarceramentos pedagógicos" são propícios ao "quase isolamento total" de tudo o resto, meto um disco e levanto o volume! Ouço aquilo que não costumo ouvir...e cada vez gosto mais de pormenores!
Desconfio que esta semana não tenha tempo de vir aqui dar um saltinho pelo que deixo adiantada uma proposta porreirinha para o próximo fim de semana! No Porto, mais uma vez!
Quando falamos em música de dança, a França é por certo um daqueles paises que encabeça o pelotão da frente com nomes fugitivos como Daft Punk, Dimitri From Paris, Kid Loco, Lady B, Justice, Joakim, DJ Mehdi, Oxia, Sebastien Tellier, Laurent Garnier, Air entre outros.
O "French Touch" chegou, parou e rebentou de forma fantástica pelo mundo da música electrónica e os seus filhos são tantos que nem dá para os enumerar...todos, no entanto há alguns que merecem destaque na Xangai como o caso de Vitalic!
Não sei se já repararam mas por norma nunca realço um daqueles albuns que toda a gente fala e irrefutavelmente são mesmo muito bons, porque penso que a isso têm vocês acesso fácil ou pelo menos menos difícil de dar, e isso não é o que a Xangai pretende!
Aqui gosta de se falar das outras coisas...boas, melhores, más ou até péssimas e desagradáveis, no entanto quando aceitei o desafio "Xangai Market" foi desta maneira que ficou estabelecido no "contrato de trabalho" e sinceramente, é assim que me sinto bem!
Por isso, hoje não vos vou falar do Bob Sinclair (que não tenho nada contra ele..que fique descansado!) mas antes de outro senhor que anda nos meandros da música há quase uma década e merece o nosso "chin chin".
Com o seu EP de estreia “Poney Ep”, editado pela Gigolo Records (casa mãe de DJ Hell) em 2001, Vitalic percorreu as pistas de dança de todo o mundo como um Wagner das raves.
Era claro, desde o início, que Pascal Arbez, o francês por detrás de Vitalic, não era apenas mais um produtor de música de dança, mas um artista visionário, cujos temas eram de irresistível apelo à dança.
Todos aqueles que ficaram seduzidos por “La Rock 01”, “You Prefer Cocaine” e os dois “Poney”, que juntos constituem um dos melhores EP’s de techno do século XXI, aguardavam pela chegada do tão esperado primeiro álbum, “Ok Cowboy”, editado em Abril de 2005 pela Pias.
Música de dança, experimental, órgãos e música francesa, é desta forma que Vitalic descreve um álbum, que demorou cerca de 3 anos a produzir na sua casa campestre situada no sul de França. Dois anos após "Ok Cowboy", Vitalic apresenta um álbum gravado ao vivo "V-Live", durante uma actuação em Bruxelas, sem cortes nem edições, onde é perceptível a reacção entusiástica da assistência.
Dia 19 deste mês vem ao Sá da Bandeira naquela que é a sua única visita a Portugal, por isso não é de desperdicar.
8 temas não editados até hoje, mas que fazem frequentemente parte do alinhamento dos seus concertos, Vitalic traz o seu novo espectáculo SELECTOR. Um cruzamento ente o live act e o Dj set que promete incendiar a vampiresca sala invicta!
Para acompanhar Vitalic, atrás dos pratos estarão os tugas Helder Leite, Freshkitos e o kompactizado Expander (que cada vez gosto mais...continua!).
Pode ser que ainda aí dê uma voltinha, logo se vê!
Um abraço Luisito!

terça-feira, 2 de dezembro de 2008

Micro Audio Waves...algo genial!

Depois de uma breve paragem para reflexão conceptual, hoje volto para vos dizer que no nosso quadradinho bem pequenino existem "ainda" alguns pontos de bastante interesse e capazes de produzir um vício desmensurado e exagerado talvez, tal como a mim!
Não vos quero influenciar a considerarem Micro Audio Waves a melhor cena da música nacional, mas uma coisa vos quero meter na cabeça...é que esta gente não brinca em serviço e aquilo que produzem é de um altíssimo bom gosto, executado por malta com jeito e "sapiência"...percebem...malta daquela que sabe onde anda a música e para onde vai "mais ou menos"!
O nome Micro Audio Waves por certo não soa a estranho a quem se movimenta nas coordenadas da música electrónica ou "vá lá, mais fora do circuito" das malhas do costume!
Surgiram por volta de 2000 e resultou da paixão de C. Morg (mestre das electrónicas) e Flak (o ex-guitarman dos Rádio Macau) pela electrónica experimental, tendo começado a desenvolver composições com uma orientação minimal e experimental visível a quando do seu primeiro álbum em 2002, "Micro Audio Waves".
Um disco de carácter exploratório feito de clicks & cuts e música de dança cerebral.
Cláudia Efe, a menina das vozes teve uma discreta participação no disco porém, ao ser desafiada a cantar ao vivo, acabou por se revelar uma peça fundamental do puzzle...ao ponto de alterar o rumo da "barca".
Com a entrada de Cláudia Efe como membro efectivo do grupo, o projecto assume uma nova direcção. A electrónica mais purista foi substituída por canções electro-acústicas de estrutura mais clássica, sem trair a componente experimental.
O álbum "No Waves", lançado em 2004, foi considerado como um dos mais excitantes álbums do ano por John Peel da inglesa BBC Radio One, além de ter ganho o Qwartz Electronic Music Awards em Paris como melhor álbum e melhor videoclip.
"Fully Connected", que trasmitia as instruções para a montagem de um aparelho de estúdio pelas ondas do éter, foi a bomba que rebentou em terras Camões e que projectou o nome Micro Audio Waves não para além da Tapobrana, mas para um bocado mais longe...Camões pedia mesmo pouco!
Contrariando a velha máxima do "quem ganha, não mexe", a trupe de Cláudia Efe afundou-se em mais uma aventura e em Abril de 2007 aparece "Old Size Baggage" cheio de maravilhosas composições das quais, hoje assumo, sou um autêntico viciado!
Todas, todas...mas se me metem a "Old Size Baggage"...ok eu vendo o que quiserem! Quer dizer, tudo também não! Mas a sério, uma das melhores músicas que já ouvi até hoje...e olhem que já ouvi alguma!
"Odd Size Baggage" mantém a tradição de letras baseadas em folhetos de instruções, neste caso as de um serviço de protecção anti-roubo (StopTrack). Este folheto foi a única coisa que sobrou quando o computador portátil em questão foi ... roubado! Genial...para quê complicar...isto é música pah!
Mas como se uma vez não chegasse, já em 2008, os Micro Audio Waves repetiram a dose e venceram o mais cobiçado galardão dos prestigiados Qwartz Electronic Music Awards em Paris. Desta feita, o tema "Long Tongue", do seu último disco trabalho, conquistou o primeiro lugar na categoria "Melhor Música" numa "tombola" de cerca 12.000 músicas!
É muita coisa?! Não! É um coisa a sério...só gostava de um dia ver como trabalham e se organizam, um ensaio...gostava mesmo de passar uma tarde a falar com esta malta, sinceramente!

Música feita com e para a música!

E não se esqueçam, para quem pode e não vai ser o meu caso, esta quinta há festa rija no Musicbox! 2 anos! Parabéns! Nos comandos, Cais do Sodré Funk Connection com convidados de peso, João Gomes dos Cool Hipnoise e Spaceboys a revitalizar a melhor música negra que há nele e a cerejinha da festa vem com Marcelinho da Lua a ditar o ritmo electro-samba carioca apimentado por drum & bass e muito afro-brasileiro! Tá Legal?!