domingo, 25 de janeiro de 2009

Tropicalismos contemporâneos!

Sim é verdade, andamos um pouco arredados da escrita por estas bandas, no entanto não significa que não se ande a trabalhar! Aliás, até se andam a fazer horas extraordinárias...
Mas como há sempre um tempinho para revelar coisas boas e agradáveis, hoje trago-vos um dos bons álbuns do ano que passou com direito a menções honrosas...nem que seja só pela criatividade e enorme falta de vergonha de quem o fez...claro está, no bom sentido!
TM Juke & The Baker Trio - Boto And The Second Liners (2008)
O senhor TM Juke junta-se a The Jack Baker Trio e conseguem fazer ou melhor misturar, neste álbum uma ótima combinação de elementos, desde o afrofunk e os beats latinos, passando pelo funk de Memphys e o soul de New Orleans, incluindo ritmos da Etiópia e algumas batucadas do samba brasileiro.
Além de toda essa mistura de referências, conta também com as impressionantes participações do trio de Jack Baker e das talentosas vozes de Alice Russell, Kathrin deBoer, Andreya Triana e do espanhol Gecko Turner, tudo isso gravado ao vivo, sempre com uma levada com bastante groove e efeitos que fazem qualquer um dançar.
Palavras para quê? No ouvir é que está o ganho...
De volta ao trabalho!
Boa semana!

domingo, 18 de janeiro de 2009

Música para um salão de baile!

Na saga de um início de ano demasiado agitado, a semana que passou terminou na mesma toada...mas já passou! Cabeça para a frente e siga!
De vez em quando chego a casa, apetece-me fervorosamente fazer selecções aleatórias de diversas músicas usando um leitor com "fades", dando a impressão de continuidade, quase em formato de um "set altamente imprevisível"...e hoje foi um desses dias!
Depois de alguns sustos sonoros, se calhar até evitáveis, dei de caras com o novo disco de Nicola Conte, "Rituals"! E gostei tanto que o ouvi 2 vezes (com e sem "fades") e agora salta directamente para a paleta dourada do ano que terminou há pouco!
Depois de se dar a conhecer nas pistas de dança, o italiano Nicola Conte parece estar decidido a vingar também nos salões de baile!
Para quem afirma que música electrónica é música de dança, "Rituals" tem pouco de electrónico, mas que faz dançar ninguém duvida.
De que é feito então, este "Rituals"?
Jazz sem acid mas com sabor a África, um tropicalismo apertado e ambientes sofisticados são o prato forte de um álbum que se revela apaixonado e morno!
Pessoalmente, o registo é o ideal para ouvir num final de tarde calmo numa esplanada ou num início de noite num qualquer bar de hotel.
Com a música e letras a cargo de Nicola Conte, os convidados não se fazem esperar e Chiara Civello, Alice Ricciardi, Philip Weiss ou José James vêm dar um toque luxuoso que se confunde com o verdadeiro batalhão de instrumentos utilizados, desde o piano, trompetes, flautas, bateria, bongos, congas e pareceu-me uma harpita lá meio escondida...será?
Gravado ao longo de 2 anos em Bari, terra natal do músico, "Rituals" faz definitivamente a ponte para um território que Nicola vinha a namorar desde o afamado "Other Directions" e malta agradece!
Como coleccionadaor de discos inveterado, Conte provou mais uma vez que é capaz de navegar em territórios diversificados, nunca se perdendo...criando neste "Rituals" o óptimo sedativo natural para este dia aborrecido!
Boa semana!

domingo, 11 de janeiro de 2009

Rub-N-Tug...o Disco como um lugar!

Estiveram por cá dia 9 de Janeiro, mas na Xangai são uma espécie de "estrelas de orientação" que ditam o rumo da procura de novas sonoridades...Johnny Cooks Dance partilha a sua estética gira-disquista e quem não tem medo de perder os preconceitos de música de dança, agradece!
Eles são os Run-N-Tug!
Eric Duncan e Thomas Bullock são Rub-N-Tug, herdeiros modernos de um espírito singular nascido no Loft de Nova Iorque. Autores de compilações de referência e culto crescente, Rub-N-Tug já deixou marca na música de gente tão diferente como o caso dos Beastie Boys.
David Mancuso inventou Nova Iorque no seu Loft, criando uma utopia com a alta definição das suas Klipschorn e uma cuidada selecção musical que privilegiava uma certa espiritualidade em detrimento da funcionalidade exigida pela pista de dança.
Das festas Love Saves The Day de 1970 até aos dias de hoje vai muito mais do que a simples distância das décadas. O Disco pode ter beneficiado da visão de Mancuso, mas o gesto de Travolta simbolizou uma nova ordem de escala planetária que já não contemplava lugares de intimidade desarmante como o Loft. Depois do Paradise Garage, o Disco esmoreceu até que, a partir de Chicago e Detroit, outros pulsares redefiniram o mundo.
Com o tempo, dançar a partir das escolhas de um DJ tornou-se no gesto em que se apoia toda uma indústria que debita mix-CDs e DJ-stars com a cadência própria de uma bem oleada linha de montagem.
Nova Iorque passou a ser um lugar quase imaginado, preso à realidade por ideias isoladas, como o Body and Soul, que nunca negaram ter o Loft como miragem permanente.
Eric Duncan e Thomas Bullock não esqueceram essa Nova Iorque, mesmo não estando lá em 1970 a ajudar David a encher os balões que decoravam o Loft.
Mas tal como no Loft de Mancuso, que se impôs como uma festa privada que só aceitava novos frequentadores por convites directos de membros estabelecidos, a rede de relações Rub-N-Tug surgiu como uma forma de reinventar a cidade e de redescobrir a própria música.
O primeiro encontro de Eric e Thomas aconteceu em Los Angeles, mas a atracção da Big Apple era irremediável. Quebrando as regras e criando atalhos, Eric e Thomas rapidamente se encontraram num Loft que antes havia sido um salão de massagens chinês, um… rub and tug.
E as festas começaram a atrair as atenções de quem ainda procurava ecos da tal ideia perdida de Nova Iorque.
Ao ignorarem o livro de estilo dos DJs modernos em “Campfire”, a colectânea com que Eric e Thomas alinharam pelo caminho redescoberto por Dj Harvey em 2001 (“Sarcastic Disco”), Rub-N-Tug encenaram, de forma simbólica, um regresso à Nova Iorque primordial com a música e a atmosfera genuína construída pela tal rede pessoal de amizades a ocuparem o centro das atenções e das intenções.
E voltou-se a pensar em Disco não como um género, mas como um verdadeiro lugar – uma pista – onde a música comanda as suas próprias ligações, de forma orgânica e sem necessidade da observação de códigos feitos de bpms ou de concordâncias estéticas: Aphrodite’s Child, Bronx Dogs, Patrick Adams, Cozy Powell e Daniel Wang…
Diferentes épocas, géneros, nacionalidades…Diferentes. Descontínuos. Desligados. Errados. Mas absolutamente vibrantes, como se supõe que eram as festas Love Saves The Day.
Uma passagem mais assumidamente “housy” pela série Fabric (#30) não interrompeu a demanda singular de Rub-N-Tug que em “Better With a Spoonful of Leather” desacelerou o pulsar da pista até ao hipnótico balançar em gravidade zero preconizado por Beppe Loda e Daniele Baldelli.
Em comum, a procura de uma abordagem distinta à arte de encadear discos em frente de pessoas.
O ano passado e após uma longuíssima espera que gerou delirantes especulações, Thomas e DJ Harvey editaram um álbum na Whatever We Want. Map of Africa fantasia o Rock como Rub-N-Tug fantasia Nova Iorque. E de uma forma tão inteligente que se demarca de qualquer tentação revisionista. «Map of Africa», o LP, foi editado sem qualquer foto promocional da “banda”, sem qualquer entrevista ou vídeo-clip, sem um único concerto ou qualquer outra coisa que não a música.
Rub-N-Tug também é assim: o melhor segredo que conhecemos, o melhor cartão de vista de uma Nova Iorque que não existe nos roteiros ou nas páginas das revistas. Só no centro da pista de dança, naquele preciso momento em que o disco certo sucede ao que nos parecia ser errado.


(Adaptação de texto publicado em Blah Blah Blah)


A Culture Club não é uma moda musical, mas antes uma forma de estar e viver na música!

sábado, 10 de janeiro de 2009

Isto é Culture Club...

2009 bem fresquinho, ainda acabado de nascer e parece que as tramas vieram para ficar!
Acho que nunca tive um início de ano tão atribulado como este...
Discussões de personalidade com alguns acerca do carácter de outros, discussões de empatias com os senhores do mundo, discussões invejosas acerca de algo que eu ainda não descobri e como se não fosse suficiente, um sobrolho aberto durante um jogo de futebol depois de uma verdadeira marrada noutra cabeça um bocadinho mais dura que a minha!
Fiquei também a saber que "o movimeto da Culture Clube é aquela cena acerca das cenas da moda, com pouca profundidade intelectual e sem grande filosofia...música é para as guitarras..."
Estamos sempre a aprender!
Visões diferentes, amigos na mesma! Sinceramente!

(Desculpem para quem está às aranhas, mas acima de tudo, isto ainda é um blog pessoal! Daqui a uns tempos vou mudar esta merda toda e depois vai ser diferente!)

Mas bem, passemos ao que verdadeiramente interessa, que é a música!
Música de Clube (não daquela para ouvir com vodka como carburador...pode ser ouvida a beber vinho do Porto ou a fazer amor!), mas para animar as circustâncias, levantar a cabeça e encarar de frente a palavra "crise"!
Ladies and Gentleman, this is your captains speaking, welcome to Jamaica!
"Dancehall - The Rise Of Jamaican Dancehall Culture"

Porque nem só de reggae vive o som jamaicano, aquela pequena ilhota perdida no Atlântico parada no tempo não para de espantar o mundo com as suas inovadoras e mágicas mistelas sonoras!
Daquele pontinho pequenino sairam e saem ainda hoje em dia grandes matrizes sonoras capazes de influenciar muitos trilhos da música popular contemporânea através de géneros como o reggae, ska, dub, rock steady ou dancehall.
É sobre o dancehall que hoje vos falo com destaque para mais uma operação de esclarecimento da soberba Soul Jazz, com direito ao lançamento de um livro e a uma edição dupla em formato CD.
Tem-se assitido nos últimos anos, a muitas compilações terem sido editadas contemplando o género, a que não será estranho o sucesso de figuras como Sean Paul ou Beenie Man e a contaminação dos territórios do hip hop e do R&B nos Estados Unidos.
Mas não é apenas no centro do mercado que a influência do dancehall se faz sentir, como se constata ouvindo a "desejada" M.I.A. ou a "avançada" Santogold, é esse género musical, marcado pela estrutura do reggae, mas numa versão mais sintética e rápida, que é aqui retratada, em mais de 30 temas (para aquelas noites de muita tesão!")
A colectânea centra-se na década de 80, o que está longe de esgotar o baú do dancehall, apesar de ter sido essa a década de ouro do género, como se constata ouvindo nomes como Yellowman, Chaka Demus and Pliers, Cutty Ranks ou Super Cat, capazes de viciar qualquer pista de dança, com uma música centrada na dualidade baixo-bateria e no espaço entre os dois, fazendo sobressair os ambientes quentes e abafados entre o balanço insinuante.
Depois há a pop, a dance music, o electro e as outras coisas...mas isso fica para depois!
Boa semana!

sábado, 3 de janeiro de 2009

De Nova Iorque pestilenta a uma Inglaterra electrificante!

Ainda agora começou mais um ano e já está toda a malta encostada às boxes...culpa do Governo ou daquela tendência bem nacional de fazer de 1 dia, 4 dias...a tão acarinhada "pontezinha"!
Malhas novas? Ainda é cedo!
É hora de degustar o que de bom 2008 nos deixou e nada melhor que, e porque hoje não se faz nada...mesmo nada, apontar as colunas para as pistas e deixar-vos com o que de melhor se fez no ano passado em termos de matéria dançante!
Som pesado e denso, fumarento e impossível de bailar com uma copo na mão...não vás apanhar um choque e ficar tisnado...afinal não te esqueças que prometeste ainda há poucos dias que ias ser uma gajo bem comportado ou uma menina atilada!
Meninas e meninos, digam aos vossos pais que afinal ainda têm umas cenas tipo comida e muitos, muitos sumos na sala da Catarina, na casa dos avós da Belinda ou no bunker do Esteves e preparem-se para dar as boas vindas ao novo ano com som daquele que te faz mesmo não parar de dançar...e pedir mais e mais!
2 tiros para o ar...para quem os quiser agarrar! E sim, são mais duas compilações!

"Not Wave" (2008, Rong Music - DFA)


"Not Wave" é (mais uma...) compilação que encontra a Rong, etiqueta de referência da modernidade underground sintonizada com uma odeia desviante de disco sound, e a DFA (do "homem forte" dos LCD Soundsystem) a colaborarem numa óbvia homenagem à No Wave nova-iorquina que tanta gente tem inspirado nos últimos anos.
Com uma faixa de James Chance & The Contortions a funcionar como uma espécie de farol estético, "Not Wave" inclui trilhas sonoras de gente como Tussle, Welcome Stranger (do incansável Thomas Bullock dos Rub´n´Tug e Map of Africa) ou Mr. Chin e busca inspiração em lados B de maxis dos Bauhaus e no legado aural dos mais inconformados punks de Nova Iorque na viragem para os anos 80.
Intenso é o mínimo que se pode dizer do resultado final, que soa mais como um álbum de artista, com personalidade própria e auto-regenerável, do que uma compilação!
Excepcional!


Dreams Come True - Jon Savage Presents Dreams Come True - Classic First Wave Electro 1982-87 (2008, Domino - Edel)

O olhar dos britânicos sobre o electro sempre foi diferente! Talvez porque na América a música inspirada nos jogos de vídeo de arcada nasceu com ligações muito estreitas ao universo do hip hop.
No Reino Unido, porém, o electro era simplesmente visto como a continuação lógica da história da música negra, diferença de abordagem que ermitia uma maior abertura na hora de seleccionar temas, daí que Jon Savage, o curador de serviço deste magnífica compilação (mais uma, eu sei...) inclua aqui material tão diferente com a "Situation" dos Yazoo, o disco sound dos Class Action retocado pelo mito Larry Levan, o ilalo discode Klein & MBO ou o sombrio cut´n´paste dos mestres Latin Rascals.
Uma compilação que abarca o período 82-87, antes do boom do house, com uma imaculada selecção!

Depois não digam que não vos avisei!
PS: Parabéns à Motown que acaba de celebrar 50 anos de existência, continuando a ousar o dom da imortalidade! De Smokey Robinson a Marvin Gaye ou dos Temptations aos "queridinhos" Jackson 5...para todos, o sincero obrigado da Xangai...
Ok, James Chance não faz parte da Motown, mas este Contort Yourself parte-me todo!

sexta-feira, 2 de janeiro de 2009

Amelia´s Magazine na rentré!

Já está!
Mais um ano passado na euforia de muitos copos, excessos e promessas atiradas directamente para o interior do ouvido do nosso amigo ou namorada seladas sob o olhar atento dos intermináveis foguetes ou fogo de artifício...enfim, já está!
Este ano gostei da minha passagem de ano...acho que pela primeira vez desde que passo a noite de Ano Novo fora do olhar (e controlo...eh eh eh) dos meus pais que não sentia o que senti este ano.
As jantaradas flash deram lugar a uma prolongada degustação cheia de coisinhas boas e a euforia que a própria noite carrega foi substituída por uma noite no chão da sala com um lume a enfeitiçar e um computador a descarregar aqueles sons que te lembram precisamente aquele tempo e espaço...sim, também havia gin e outras coisas...esteve-se bem!
Companhia ideal e tempo...essa bela coisa que tanto invejo nos outros e que anseio desesperadamente encontrar e agarrar...tempo para fazer o que me apetece...tempo estar e tempo para ficar sem pressa....tempo para ouvir música, dar beijinhos e adormecer!
Prins Thomas com o seu "Cosmo Galactic Prism" e Fred Deakin a compilar autênticos cocktails hipnotizantes de puro sensualismo em "Nu Balearica"...Lindstrom é realmente bom e "It´s A Feedelity Affair" faz todo o sentido quando ouvido deitado na carpete verde da sala.
Os "Elaste Space 1 e 2" fazem-me ir buscar mais cerveja e a "Música Exótica para Filmes, Rádio e Televisão" dos Cool Hipnoise foi a última coisa que me lembro...depois acordei já de tarde e com uma fome de leão!
Mas bem, isto não vos interessa nada pois não, vamos ao que realmente interessa!
Hoje venho falar-vos de revistas!
No outro dia em conversa de café, falava-se de se Portugal tem ou não uma cobertura de revistas adequadas às conveniências e necessidades da população e não se chegou a nenhuma conclusão...nem era para chegar! As que existem fazem falta e as que não existem também!
Mas para além das nossas Blitzes (que cada vez gosto mais, apesar das capas mal amanhadas!), Dance Clubs, Premieres (que felizmente para muita gente já voltou!) ou a Op (cada vez mais interessante) existem outras...as Wire e as Wax Poetics fazem-me sentir um prazer enorme, pena é que tenha que pagar uma autêntica brutalidade até que me cheguem a casa!
Hoje descobri outra...a Amelia´s Magazine! Mas cheguei tarde...pena!
A meta seria os dez números!
Este objectivo não foi feito em jeito de promessa mas a verdade é que, à décima edição, a “Amelia” deixa de existir como revista, passando a partir daqui apenas a poder ser encontrada online, formato “pdf”...sem o cheiro a papel.
Tenho a derradeira 10ª edição! Que revista excitante e viciante!
Uma sinistra paleta de cores com os mais extraordinários brindes, visuais, sonoros, práticos e um brinde "know-how"...
A partir de agora http://www.ameliasmagazine.com/ é o quiosque mais próximo!

Destaque só para o disco de TM Juke & The Baker Trio - Boto And The Second Liners...excepcional e desafiante! Aconselha-se!

Fica a sugestão e votos de um 2009 visionário para todos!