terça-feira, 30 de junho de 2009

IGO

Electro-pop chinesa para descobrir...
Já foram falados em blogues, mas a música ainda não chegou à Europa...quer dizer, se chegou à net, chegou a todo o lado, mas claro está, no sentido figurado.
Chamam-se IGO e são uma dupla de Xangai (só pode ser boa gente...) e estrearam-se em 2008 com "Synth Love".
São evidentes as referências aos Kraftwerk e Depeche Mode, embora me soe muito a Fisherspooner dos primeiros tempos...
Apesar de no video que se segue parecerem necessitar urgentemente de uma alteração de visual (sim, acho que aqueles óculos...bem, poderiam ser outros...mas aqueles?!) acho que têm um som bastante apelativo e merecem destaque por isso...
É um som que se pega!


Ontem, hoje, amanhã e depois...

Quando o carreguei para o iPod Domingo à noite nem sabia o que me esperava...hoje em apenas 30 minutos de carro e com um volume bem acima daquilo que se defende como salutar, redescobri The Field e fiquei de rastos!
Dois anos depois do extraordinário "From Here We Go Sublime", o projecto The Field regressa com novas incursões no espaço sideral, marcadas por experiências hipnóticas em velocidade de cruzeiro.
Por entre baixos sincopados e sugestões estelares, longas divagações instrumentais convertem-se em episódios de filme de narrativas circulares, onde sobressaem microrganismos digitais.
Com o auxílio de John Stainer, o baterista dos Battles, a versão de "Everybody´s Got To Learn Sometime", dos Korgis, brilha com uma simplicidade pop que serve de contraponto aos demais temas.
Tal como o antecessor, "Yesterday and Today", reflecte a diversidade musical e a estética da música electrónica de hoje.
Com uma certa "propriedade intelectual"...ou algo do género.

segunda-feira, 29 de junho de 2009

Techno gótico em estado bruto.

Para quem não está em clima de Dia dos Namorados, festa modernaça com flashes de electro, feriado religioso e menos ainda qualquer Parada, este novo disco de Louderbach é o elixir para celebrar a negação da felicidade, para a miséria dos dias cinzentos e do mal-humor esclarecido.
O (provavelmente!) "melhor" DJ da Minus, Troy Pierce cria um techno imprevisível e ambienta cavernosamente o vocal do cantor americano Gibby Miller, um tatuadíssimo ex-punk que tem voz bem-educada, rasteira e misteriosa.
"Autumn" é o segundo disco desta dupla e saiu em Abril, sendo um louvável passo da Minus em buscas de novas ilustrações para seu minimal techno já estafado, mas sempre dançante.
Trata-se de um daqueles discos "darks", deliciosamente indigestos e que te fazem desejar por um live num PA cabeçudo e surpreendente, de não saber de onde surge o som.
É uma boa amostra de como a música de pista pode ser única, principalmente pelo abismo instintivo e mentalmente alterado de seus ouvintes, dançando manhã adentro.
Claro que aqui a referência dark remete ao synth/goth dos anos 80, mas Louderbach é um projeto de techno, e não outro bom disco de electro-pop dark a ser lançado em 2009, como o dos Telefon Tel Aviv, Fever Ray ou mesmo o próprio dos Depeche Mode.
Percebe-se rápido que o vocal de Gibby Miller não é protagonista.
Se no também vampiresco "Listening Tree", Tim Exile equaliza bem a cantoria numa guerra com os beats esquizofrénicos, aqui a voz soa rasa, um pouco preguiçosa com a incompreensão passional do techno de Troy Pierce.
O primeiro single é "Shine", onde as notas nostálgicas são mais interessantes que a presença de versos cantados e a base ganha ainda mais destaque quando uma espécie de trance esfumado gnha ares de New Order.
Ainda bem que o refrão é repetitivo e de versos descartáveis, para se tornar apenas mais um efeito na composição dançante.
Bom para degustar neste início de semana chuvoso...

domingo, 28 de junho de 2009

Soundwagon

Há já algum tempo que andava a "namorar" este belo gadget e hoje por acaso, numa das minhas desnorteadas incursões no mundo do youtube.com de Sábado à noite dei por ele mais uma vez e não pude deixar passar.
Chama-se Soundwagon e trata-te de um "leitor de vinis", se é que se pode chamar assim, e basicamente funciona colocando o disco num local plano e deixar que um belo carrinho de brincar passeie por cima dele...
Não atirem com o carrinho fora mesmo que pensem que vos está a estragar esse vinil valioso dos Kraftwerk ou dos Pink Floyd que já pertencera ao teu pai e que guardas religiosamente para um dia continuares a sua evolução quando o entregares a um filho teu, pois o carrinho está lá mesmo para esse efeito.
É dele que o som é emitido, funciona como uma espécie de leitor e amplificador...ou qualquer coisa deste género.
Vem do Japão sob o selo da Stokio e é vendido por cá pela módica quantia de 90€ na Matéria Prima...
Ele há com cada uma!



Party In My Head

A banda meio sueca, meio americana Thieves Like Us nunca escondeu sua influência dos ingleses do New Order, afinal até o nome do grupo foi retirado de uma música deles.
Apesar dessa influência estar claramente presente no álbum de estreia "Play Music", ela começa a sair de cena um passo por cada novo lançamento.
No remix para "Party in My Head" da dupla Miss Kittin and The Hacker, o trio escondeu os sintetizadores sem vida e apostou numa linha disco tão tradicional que parece ter sido gravada num estúdio há 30 anos.
O instrumental dançante opõe-se ao vocal ríspido da parelha num modo que afasta a faixa do que seria uma música disco comercial de tempos atrás.
Provavelmente um dos melhores remixes do ano e hoje, o menu mais servido nos calabouços da Xangai.
Que boa onda pah!


sexta-feira, 26 de junho de 2009

Manifesto "Clinic"

Por achar que é pertinente pensar nisto e eventualmente por ser um fenómeno transversal a muitos outros sitios...hoje transcrevo na integra o Manifesto de Nuno Golçalves do Clinic, espaço de Alcobaça que vai encerrar portas este fim de semana.

"Existem Leis que nem regras são...
Importa reflectir sobre aquilo que se passa na noite de Alcobaça.
O Clinic fecha porque não dá mais para estar aberto. Semanalmente a lei não é aplicada nem controlada pelas autoridades em Alcobaça - Alcobaça é possivelmnte a única cidade de Portugal onde 4 da manhã ainda é início de noite. A culpa é do hábito que se criou de bares que devem fechar às 12h fecham às 2 da madrugada.
Bares que deveriam fechar às 2h fecham a horas bem acima das 4 da madrugada.
O Clinic desiste porque acha que assim quem perde são os eventos que sempre se dignou a receber. Quem perde é a própria população de Alcobaça que se deixa levar por este arrastar de horas de fecho de sítios que semanalmente passam imunes às autoridades em Alcobaça. O Clinic fecha porque quer dizer basta e quer que com este fecho se comece a perceber que a pouco e pouco este desleixo está a matar a paixão da noite em Alcobaça.
Dar à noite de Alcobaça os horários que estão previstos na Lei. Se existe Lei de Horários de Funcionamento elas deverão ser cumpridas, caso não sejam, as portas do Clinic continuarão fechadas.
Que se aponte o dedo a quem não cumpre.
Que se aponte o dedo a quem não faz cumprir."

Nuno Gonçalves



Nos finais dos grandes filmes e com histórias tristes e emocionantes acabamos sempre com lágrimas. Neste Caso não precisamos de tal manifestação de sentimentos. O Clinic vai fechar portas. Se é para sempre ou não não importa. Importa juntar amigos, ouvir a melhor música e porque não recordar os quase 7 anos de história de nova cultura em Alcobaça. Esta festa tem entrada gratuíta e dirige-se a todos aqueles que de alguma forma têm pena que a Instituição Clinic baixe de repente os braços. Sem amargos de boca, a festa é de todos.

O Clinic fez história.

Michael Jackson morreu.

"O cantor Michael Jackson, de 50 anos, morreu esta quinta-feira depois de sofrer uma paragem cardíaca, informou o site americano dedicado às celebridades TMZ.
Esta informação já foi confirmada por outros meios de comunicação social.
M. Jackson teve uma paragem cardíaca, os paramédicos chegaram cerca de dez minutos depois mas não conseguiram reanimá-lo. O cantor norte-americano foi depois transportado para um hospital, tentaram a reanimação mas sem êxito.
Em declarações ao site TMZ vários familiares de Michael Jackson afirmaram que, antes de ser levado para o hospital, Jackson encontrava-se num estado muito crítico. Não é conhecido qualquer relatório clínico e alguns órgãos de comunicação não conseguem garantir junto de fontes hospitalares que o falecimento tenha ocorrido.
Para o próximo mês estava prevista uma digressão de Michael Jackson em Londres.
A série de concertos «This Is It!» começava a 13 de Julho de 2009 e terminava a 6 de Março de 2010. Em Março, tinham esgotado os primeiros 750 mil bilhetes.
Devido a vários rumores sobre o estado de saúde de Michael Jackson, a pedido da produtora dos espectáculos em Londres o cantor foi sujeito a vários exames médicos.
Esta semana o jornal britânico The Sun revelou que Michael Jackson sofria de cancro na pele.
M. Jackson começou a sua carreira profissional aos 5 anos de idade como líder vocal do grupo Jackson 5.
"Thriller", um álbum e um filme dirigido por John Landis, foram, talvez, os seus maiores sucessos.
O álbum permanece como o mais vendido de sempre."
Fonte: SAPO/AFP

Quanto a mim, resta-me agradecer a força motriz primitiva e convicção cerrada com que agarrou o mundo da música e o legado em potência que deixa cá ficar...dorme bem "menino prodígio".

quinta-feira, 25 de junho de 2009

Melhor é impossível...

Ao longo dos últimos dois anos, acompanhamos Gui Boratto na sua ascensão planetária.
Ele gosta de cá vir e, em cada visita, consegue simultaneamente encher-nos as medidas e deixar-nos com vontade de que o seu regresso aconteça o mais rapidamente possível...
Mais logo, o brasileiro que melhor sabe aplicar a sensibilidade pop à lógica techno está de regresso a Sta. Apolónia com os seus controladores midi absolutamente sci-fi, para construir um live act irresistível, daqueles que se dançam da primeira à última batida.
Já que conhecem a "Atomic Soda", deixo-vos agora com o single de apresentação do novo álbum, "Colors".







Logo a seguir, ou seja na sexta feira, estreia-se o romeno Raresh.
Quem está atento, está à espera dele.
Como escreveu José Belo, o percurso de Raresh tornou-se «numa das rotas de ascensão mais impressionantes de um outsider na história recente da música de dança».
Claro que tem que ver com, mas não é apenas por ser o dj de eleição de Ricardo Villalobos, com quem toca muitas vezes em back 2 back. Mesmo que tal apadrinhamento seja deveras precioso, Raresh emergiu bem longe do eixo Londres-Berlim-Detroit (com os seus conterrâneos Petre Inspiresco e Radhoo) desenvolvendo uma linguagem musical muito própria, e evidenciando uma originalidade ímpar na construção dos seus sets.
Quem já o viu ao comando de pistas noutras cidades não consegue esconder o entusiasmo que esta data em Lisboa desperta. Queremos, e cremos, que são indicadores suficientes para uma noite de excepção.
Em romeno, «raresh» significa festa...por isso, vamos a ela!





Magda.

Magda iniciou a sua carreira de DJ em 1996, encorajada por nomes como Dan Bell e Claude Young, que a convidavam para fazer os seus warm-ups e a promotores como Syst3m e o colectivo Women on Wax, de que fez parte, movimentando-se pelos terrenos do Detroit techno, acid house e minimal.
Progressivamente o seu gosto musical foi-se deslocando para o techno minimal e para as produções germânicas, atraindo as atenções de gente como Richie Hawtin, que, na celebração da passagem do milénio, a convida para fazer a sua abertura.
A partir de então, Magda passa a ser convidada assídua de Hawtin, actuando em clubes, festivais ou em eventos promovidos pelas suas editoras, a M_nus e Plus 8, tornando-se um dos mais destacados elementos das mesmas.
Elogiada por público e imprensa especializada, e com uma agenda repleta por actuações em todo o mundo, Magda vem conquistando adeptos junto a um público atento e desejoso de conhecer as movimentações da actual música de dança, imprimindo á musica que passa uma alma que a distingue de todos os outros djs de techno.
Como produtora, destaca-se o projecto Run Stop Restore, que partilha com os seus companheiros da M_nus, Marc Houle e Troy Pierce.
Conta ainda com o EP “Stop”, editado em 2005, o mix-cd “She’s a Dancing Machine” e com uma série de remixes para Depeche Mode, Dj Minx, Ben Parris, Slacknoise aka Troy Pierce, Louderbach e Anja Shneider & Sebo K.
Para aprender a gostar de techno...

quarta-feira, 24 de junho de 2009

Glamorama!

E hoje estas não me saem da cabeça...desde que acordei até agora já as devo ter ouvido aí umas 20 vezes...
Golfrapp com a patroa e menina Alison e as amigas no melhor que já fizeram até agora (pelo menos na minha opinião!)...por sinal ambas do seu maravilhoso "Supernature".
O som do glamour e da sensualidade!
Vão para a rua e apanhem sol...






Soundwalkers de Raquel Castro

"Pensávamos que [o silêncio] existia, mas ele não existe".

John Cage (in Musicage. John Cage in conversation with Joan Retallack. Wesleyan University Press, 1996)





"O que é o Som e qual a importância de se pensar o Som nos dias de hoje? Quais são os problemas da nossa Paisagem Sonora? Ruído e Silêncio? Qual é a solução? Design? Arte? (música versus soundart) e consciência sonora".

"Fazer as pessoas pensar sobre o Som e sobre a importância que o nosso sentido da audição tem na maneira como nos relacionamos uns com os outros e com o mundo em geral".

"Pensar o Som e estar consciente dele, porque ele acontece a cada dado momento".

terça-feira, 23 de junho de 2009

NeoPop Festival @ Viana do Castelo...o novo AntiPop!

Há quem lhe chame o festival de música electrónica mais vanguardista de 2009 em solo nacional. Nos últimos anos, o mundo da música electrónica portuguesa e galega tem-se juntado em Viana do Castelo no mês de Agosto e neste ano de 2009 tal não vai ser excepção.
Sob o mote “Spread it With Caution”, vai ter lugar, entre os dias 13 e 15 de Agosto, no Forte de S. Tiago da Barra, em Viana do Castelo, o festival de música electrónica Neo Pop.
Este é o herdeiro do festival Anti Pop, mas com um novo nome e uma direcção artística mais arrojada.
O Neo Pop é uma mostra de cultura electrónica periférica às linguagens mainstream. É um evento com ênfase no cruzamento de nomes de vanguarda dentro de um conceito de evolução musical. É neste sentido que se fundem artistas como o holandês Joris Voorn, um dos mais reputados DJs e produtores da Holanda com Audion, o projecto de linguagem techno musculado de Matthew Dear. Este norte-americano é um dos produtores mais inventivos da actualidade seja em seu nome próprio (basta recordarmo-nos da aventura techno-pop-romantizada de “Asa Breed” em 2007) ou das suas incursões por uma forma vulcânica de techno sob o pseudónimo False. Materializando esta lógica, Audion irá apresentar no Neo Pop uma sessão de intermedia, cruzando musica e vídeo-arte num espectáculo único a não perder.
Da Alemanha chegam ainda os Pan Pot (Mobilee), que têm reinterpretado a dança e o eclectismo bem para lá do techno mais ortodoxo vindo de Berlim, ou o francês Paul Ritch (Get Physical Quartz), sinónimo de uma jovem aragem musical de França, fora da órbita maximal ou do revivalismo Daft Punk.
Ainda com a ideia de novas gerações Alex Under (Net 28), simboliza como a Espanha se tem afirmado na electrónica moderna com uma geração de artistas singulares. A dupla germânica Wighnomy Brothers (uma das minhas preferidas da Freude Am Tanzen) e Paul Kalkbrenner, da editora Bpitch Control, o produtor berlinense que figurou no já-filme-de-culto da geração techno do séc.XXI “Berlin Calling” são mais dois nomes em cartaz.
Do contingente nacional destaca-se a presença de Expander, Freshkitos, Miguel Rendeiro e Re:Axis.O Neo Pop promete ser um festival em permanente busca pelas sonoridades mais vanguardistas e pelos conceitos progressistas de música de dança electrónica. São aguardadas milhares de pessoas por dia, entre as 22h e 9h.
O cardápio internacional será fechado com mais dois nomes internacionais mediáticos a serem anunciados em muito breve, por isso vão aparecendo por aqui.
Para os mais irrequietos, consultem à página do myspace do NeoPop Festival.
Penso que estou a ficar com medo deste Verão...a coisa promete!
















Les Siestes Electroniques @ Toulouse ´09

A pouco mais de hora e meia do Mediterrâneo ou dos Pirinéus, descobre-se Toulouse, cidade francesa sulista com acentos espanhóis e com fachadas italianas.
Respira-se "Idade Média" num urbanismo cuidadosamente retocado merecido da nomeação para "A Cidade Cor de Rosa".
Há o "foie fras" ou o "armagnac", a praça do Capitole ou o famosíssimo canal do Midi...há festas e festivais...e é precisamente aqui que decorre um dos festivais mais interessantes da cena electrónica europeia.
Chama-se "Les Siestes Electroniques Festival" e é um festival gratuito consagrado às músicas de novas coordenadas e realiza-se anualmente num dos Jardins de Toulosse.
Este ano a festa repete-se e nem imaginam o quanto eu ja me roí por, depois de ter "perdido" o Sonar este ano, voltar a deixar passar mais uma grande oportunidade de ver aquilo que mais gosto em termos de som e artes multimédia.
Pena que não me saia o Euromilhões...tirava um ano sabático só para correr festas destas de uma lado para o outro, a sério! Ok, é melhor não sair...lol.
Suspiros à parte, o "Les Siestes Electroniques" começa já esta 5ª feira e decorre até Domingo e por terras francesas vão surgir nomes como: Alva Noto, Suicide Club, Fukkk Offf, Anoraak, The Eternals, Ariel Pink, Lawrence, Isolée, DJ Koze, Para One, Ghostape, Etienne Jaumet, Kim Hiothoy, Prosumer, Dominique Leone, Larytta, Half a Rainbow, Hudson Mohawke e não acham que não chega já...?
Para mais informações consultem a página oficial "Les Siestes Electroniques".







segunda-feira, 22 de junho de 2009

Analogias espacias cinematográficas.

Acabadinho de chegar pelo correio, o álbum de estreia dos Subway, editado pela Soul Jazz Records no início do mês é uma óptima surpresa...e que fez com que olhasse para o serviço de CTT com outros olhos e me fez esquecer aqueles dias em que aguardo ansiosamente por algo e me fazem esperars dias a fios. Atrasos normais, dizem...ok, tudo bem!?
Mas bem voltando ao que interessa, no press release menciona-se que o som de "Subway II" é um "casamento cósmico de influências: rock electrónico alemão dos anos 70 (Cluster, Kraftwerk, Neu, Harmonia, Ash Ra Tempel), techno de ficção científica de Detroit dos anos 80 (Carl Craig, Juan Atkins, Jeff Mills) e um toque de disco italiano e europeu (Danielle Baldelli encontra Cerrone, Space, Moroder e Jean Michel Jarre)."
Os Subway são um duo formado por Michael Kirkman e Alan James.
Michael e Alan têm, como o link da página discogs acima demonstra, uma história considerável e editam juntos desde o início desta década pelo que este novo trabalho mostra-os já plenos conhecedores das ferramentas de produção: "Subway II" é um verdadeiro festival de sonoridades analógicas e espaciais, mais contemplativas do que propriamente funcionais para uma pista de dança.
As referências, como se percebe pela citação do press relase, são as correctas e uma primeira audição (à pressa e em viagem característica de uma 2ª feira de manhã...sempre atrasado, para variar...) confirma que este deve ser mais um lançamento Soul Jazz a merecer atenção especial!

domingo, 21 de junho de 2009

CocoRosie...e as voltas que a vida dá!

Afastadas poucos anos após a nascença, quando os pais se separaram, cada um criou uma filha!
Vidas separadas, mundos diferentes, destino comum...
Bianca e Sierra Cassady reencontraram-se, em Paris, em 2003, altura em que formaram as CocoRosie.
A dupla explora uma atmosfera difícil de definir, que vai do indie rock ao indie electrónico, passando pelo folk, blues e “dream pop”.
O seu estilo é, sem dúvida, marcado pela exuberância.
As vozes que nos parecem angelicais e inocentes camuflam o verdadeiro significado das letras que, na maioria dos casos, são pouco ingénuas.
Hoje à noite no CCB...e depois caminha, que está mesmo a pedir!

sábado, 20 de junho de 2009

Estranhos numa terra estranha!

Não são novidade por estas bandas e bem recentemente foram motivo de destaque aquando da sua passagem por Serralves, no entanto hoje, no suplemento "Actual" do "Expresso" vem uma reportagem acerca da Sublime Frenquencies e achei que faria sentido mencionar mais uma vez esta "revolução sonora" que ainda me custa bastante em entender, mas que cada vez gosto mais...
Escreve João Santos: "O impacto daquilo que a Sublime Frequencies faz tem hoje o efeito de sugerir que o Mundo rel só começa depois de terminada a última página de resulados de um motor de pesquisa. Isto porque contraria o discurso de homogeneização cultural e determinismo antropológico tantas vezes coincidente entre os mais activos agentes na "música do mundo" e qualquer campanha publicitária que garanta férais de sonho.
Mais concretamente, descarta um trunfo que de tão jogado esgotou a capacidade de surpreender: o da autenticidade."

Para conhecer melhor o universo Sublime Frequencies, amanhã, dia 21 de Junho na Culturgest a partir das 17h há DJ sets de Alan Bishop e Mark Gergis + Projecção do filme "Palace Of The Winds, de Hisham Mayet.

Um dos nomes fortes da Sublime Frequencies é Omar Souleyman, um sírio que propõe algo de radicalmente diferente: entre percurssionistas proto-Miami bass e um teclista a lembrar um Tomita-sob-ácidos, canta e fala em vertigem sobre um fundo sonoro pimbadélica-em-esteróides que faria os sonhos arábicos de Kanye West.
Andou por Barcelona e parou no Sonar...sem dúvida, a música do mundo não fica mais estranha e real do que isto.




Wordsong e o entardecer do mar!

É ambicioso pensar numa roda dentada a dar uma curva.
Mas o que aqui se faz é mesmo vergar a engrenagem. Afinal, Fernando Pessoa, embora rapaz novo, já faz parte do cânone e, embora novíssimo, Al Berto para lá caminha.
O projecto que Pedro D’Orey (Mler Ife Dada), Alexandre Cortez (Rádio Macau), Nuno Grácio e Filipe Valentim (Rádio Macau) é uma abordagem pulsante da poesia de dois dos mais apaixonantes universos das Letras portuguesas, puxando-a para a pop e a electrónica. Wordsong põe em causa a norma e redesenha fronteiras.
O trabalho em vídeo da artista plástica Rita Sá e do realizador Nuno Franco levou a imprensa italiana a carimbá-lo como “o melhor projecto de vídeo e multimédia europeu”.
Talvez o mais importante, contudo, é que nos puseram a “ouvir o mar a entardecer”.
O que mais poderíamos desejar?
Hoje à noite por volta da meia-noite no MusicBox integrado no Festival Silêncio!


sexta-feira, 19 de junho de 2009

Sonar 2009

Mais uma ano, mais um Sonar...
O melhor festival europeu de música electrónica (e não só...) começou ontem.
Se nas primeiras edições o festival era exclusivamente vocacionado para as músicas de raiz electrónica mais experimental, agora o Sónar desenvolveu-se, ao longos dos anos, em múltiplas correntes estéticas e artísticas.
Se antes o Sónar era um festival quase marginal e de culto, agora é um festival altamente popular, de grandes proporções (cerca de 80 mil espectadores) e que acolhe público de todas as partes do mundo.
É quase certo dizer que todos os músicos e grupos da vanguarda musical de referência mundial, já passaram pelo festival espanhol.
A edição deste ano ocorre durante os dias 18, 19 e 20 de Junho e propõe um excelente e diversificado programa, não só ao nível de concertos e sessões de DJ, mas também ao nível de actividades complementares, como workshops, showcases, exposições, conferências, etc.
Para conhecer o programa, clica aqui.
De Portugal, e a repetir a dose, vai um pacote da Enchufada repletos de loucura e vontade de desbravar, Buraka Som Sistema.

18.19.20.06.09 - Sónar 2009 from Sónar on Vimeo.




Estilhaços...

As Quasi são catalizadoras de tudo isto.
Primeiro, Adolfo Luxúria Canibal tinha uns quantos de poemas na gaveta e a editora agarrou neles e fez Estilhaços, o livro. Íamos em 2003.
Na sequência de um convite para participar nas Quintas de Leitura, as sessões mensais que o Teatro Campo Alegre, no Porto, homenageia a poesia e os poetas, "Estilhaços" salta para o palco como um espectáculo de spoken word, em que Adolfo lê alguns textos, acompanhado ao piano e outros teclados por António Rafael.
Mas as Quasi ainda tinham mais uma palavra a dizer e, através da chancela discográfica, a Transporte de Animais Vivos, lança em 2006 "Estilhaços", o disco.
Tocam hoje à noite no MusicBox por volta das 22:30 integrado no Festival Silêncio e o que não deve esperar-se é um mero "spin-off" de Mão Morta.
Trazem com eles o contra-baixista Henrique Fernandes.
E por favor, silêncio que o espectáculo vai começar!



Palavra puxa palavra no Festival Silêncio!

"De 18 a 27 de Junho, Lisboa será palco de um evento em torno da palavra dita: o Festival Silêncio!
Trata-se de um evento internacional dedicado às novas tendências artísticas e novas expressões urbanas que cruzam a música com a palavra: dos concertos à poetry slam, dos debates às conferências, dos audiolivros às leituras encenadas e aos espectáculos transversais e de spoken word.
Rodrigo Leão, José Luís Peixoto, Olivier Rolin, Adolfo Luxúria Canibal, Rogério Samora, JP Simões, Francisco José Viegas, Sam the Kid, Jorge Silva Melo, DJ Ride, Filipe Vargas, John Banzai, Mark-Uwe Kling, Maria João Seixas, Alex Beaupain e Wordsong, entre muitos outros, para que Lisboa dê lugar à palavra, aceitando o silêncio quando ele se impõe.
Promover encontros entre poesia, música e vídeo, reunindo alguns dos mais conceituados artistas portugueses, franceses e alemães.
Debater o futuro de novos suportes como o audiolivro convocando escritores, jornalistas e editores.
Dar a conhecer as mais recentes tendências artísticas nesta área é o objectivo do Festival Silêncio!
Festival Silêncio! é um projecto desenvolvido pela editora 101 Noites, MusicBox, Goethe-Institut Portugal e Instituto Franco-Português.

quinta-feira, 18 de junho de 2009

Cama de Casal #4

São noites raras e irrepetíveis e, tal como ficou prometido há um mês atrás, a quarta edição da Cama de Casal # 4 acontece já hoje, com um affair dançante entre dois dos prodígios gauleses mais celebrados do momento: o jovem Brodinski e o seu cúmplice e produtor Yuksek.
Ambos já passaram por cá e ambos pediram para voltar, e juntos porque, ao que parece, a coisa resulta mesmo.
Por isso, “sedução sónica”, “desafio permanente” e “magia dos momentos únicos” são ingredientes essenciais para os “clímaxes de pista” que se prevêem, hoje à noite no Lux, o club alfacinha à beira rio plantado.


19-2000

E por falar em "Major Lazer"...passei a tarde toda com a música "19-2000" dos Gorillaz na cabeça.
Visionários por defeito e a fazer lembrar a estética dos "Major Lazer", hoje deixo-vos pela primeira vez na Xangai algo que já não é sinceramente novo, no entanto encaixa na perfeição no contexto eclético do dia.
E particularmente, uma das minhas faixas preferidas deste novo século...
E faz parte da minha playlist de eleição!


As armas não matam pessoas..os lazers sim!

Numa altura em que se debate cada vez mais as influências (conscientes e inconscientes) de origem africana no processo criativo musical actual, e depois de álbuns recentes como "We Are The Very Best" (uma das mais explícitas adaptações sonoras da última década, onde a electrónica se funde com o espírito africano profundo) entre outros, vêm reforçar cada vez mais a presença da música negra no panorâma musical da música urbana.
Por isso, hoje trago à baila um novo projecto que bebendo das mesmas fontes, consegue desenhar um mapa sonoro extremamente entusiasmante e fresco.
Chama-se "Major Lazer" e editam esta semana o seu primeiro álbum.
Encabeçado pela dupla de produtores Diplo (Wesley Pentz) e Switch (Dave Taylor), conhecidos pelo cruzamento de várias linguagens musicais que vão do grime ao dancehall passando pelo hip-hop, crunk, kuduro e demais linguagens que tenham África como ponto de partida e as grandes cidades como ponto de chegada.
Imaginem os Buraka Som Sistema ou a M.I.A misturados com ainda mais loucura e vontade de "partir" e testar...para terem uma ideia do que estou a falar.
Curiosa e criativa é a história que criaram em volta do Major Lazer, que é um comando que perdeu o braço numa guerra secreta contra zombies em 1984 e que os americanos substituíram por uma arma de laser experimental. Desde aí o Major Lazer combate os inimigos do mundo a partir do seu clube de dancehall localizado em Trinidad.
Tudo isto com bonecos, comics e animação bem ao jeito dos Gorillaz.
O álbum, de titulo "Guns Don't Kill People...Lazers Do", tem como primeiro single este "Hold The Line" e com conta com a ajuda de Mr. Lexx e Santogolg.
Que falta me fazia ouvir uma coisa destas novinha em folha...viva África, viva a maluqueira!


quarta-feira, 17 de junho de 2009

Kota Cool, que cena maluca!

Terrakota + Cool Hipnoise + Cacique 97 = Kota Cool
Um das boas sobremesas deste ano para um Verão que promete ser quente e repleto de boas vibrações.
Eles são kotas, eles são cool..eles são os Kota Cool!
Quem sabe, um dia destes por cá!





Profecias!

Vaticinava o jornal Público ontem à tarde: "A Virgin Megastore de Union Square, o maior armazém de discos de Nova Iorque, fechou portas este domingo, consequência da crise que afecta a indústria discográfica desde o início da década.
A loja de dois andares e mais de 5 mil metros quadrados esteve em liquidação total no último dia, com descontos que chegaram aos 90 por cento. A possibilidade de comprar cds, dvds, t-shirts, ou estatuetas de músicos por pouco mais de 1 dólar atraiu vários clientes e coleccionadores à loja. Mesmo a mobília e o equipamento foram postos à venda..."
Ok, mas qual é a novidade ou a razão para alarmismos de última hora se a notícia já estava agendada desde há muito?!
Só porque era a maior loja a coisa sente-se de forma diferente?!
A verdade é que aquilo que a Virgin comercializa já não interessa às pessoas que habitualmente gostavam de comprar ali.
Hoje em dia aquilo que (mesmo) a maioria das pessoas procura está para além dos 5000 metros de estantes estrategicamente arranjadas apontadas unica e exclusivamente para a carteira do cliente.
Primeiro existe a Internet e tudo aquilo que ela arrasta.
Segundo, a presença de alguém verdadeiramente "especializado" numa determinada matéria de música e acima de tudo com gosto naquilo que faz, mesmo que isso implique a não venda de um determinado álbum porque simplesmente não convenceu a pessoa interessada, é hoje em dia o principal motivo responsável pela venda de material de música.
Em todos os negócios, e na música sem excepção, primeiro é preciso acreditar naquilo que se faz (e não cumprir unicamente normas de marketing...também importantes!) e só depois é que se pode argumentar com vontade e convicção aquilo que em que se acredita e dessa forma "convencer" ou melhor, "dar a conhecer" aos outros auilo que nós achamos ser realmente importante e merecido da nossa atenção.
Ao contrário do que a "Pop Culture" nos tenta incutir, de que as massas estão a triunfar na sociedade actual, penso que as minorias (que vão sempre continuar a ser minorias, dê lá por onde der...) estão cada vez mais interessantes e com isso mais aliciantes.

É parte deste princípio que norteia toda a matéria em discussão na Xangai e me orgulho de ter um blog com cerca de 20 visitas por dia, ao invés de me meter a falar sobre aquilo que todos falam, se bem que tinha o meu blog anexado em milhares de blogues perdidos na ciberesfera da informação e com visitas de centenas ou mesmo milhares por dia.
É um "risco" que gosto de correr...e acima de tudo me dá um enorme prazer!

Na notícia do Público, preferi saber que " (...) continuam a sobreviver, no entanto, cerca de 2000 lojas de discos independentes, muitas das quais colaboram em eventos como o Dia da Loja de Discos, anualmente a 17 de Abril, que promove novos lançamentos de cd`s, vinis e material promocional com o apoio de vários artistas..." também motivo de destaque na Xangai Market.

Para todas as minorias (cada vez menos silenciosas) "perdidas" na internet, hoje apresento-vos os "Higamos Hogamos", um conselho de alguém que também gosta de andar sem norte nas suas derivações musicais mas que vem reforçar o sentido fortemente antagónico do (usual) conceito POP. Obrigado Pedro!

Para todos os "vagabundos musicais", o meu muito obrigado por escolherem a Xangai Market".
Para ouvir clicar aqui.

terça-feira, 16 de junho de 2009

A nova (9ª?) sinfonia do século XXI!

Quatro anos depois de "Never Been Like That", os franceses Phoenix estão de volta com o quarto disco intitulado "Phoenix"!
Phoenix!!!!!
Wolfgang Amadeus...hum?!
O que leva a pensar: se Mozart foi o criador das melhores peças do período clássico da música de câmara e sinfónica, os Phoenix são, actualmente, uma das mais notáveis bandas que o mundo da pop nos oferece.
Estaremos perante um disco épico ou apenas perante a fina ironia de quatro músicos que se inscrevem definitivamente na história da pop deste início de século?
O melhor mesmo será fazer a prova do algodão através deste disco recheado de boa música, banda sonora perfeita do Verão que estranhamente se aproxima.
Com ligações aos Daft Punk (o guitarrista Christian Mazzalai formou os Darlin com o duo francês) e aos Air (enquanto banda de suporte para o single Kelly Watch the Stars), os Phoenix oferecem, ao longo de "Wolfgang Amadeus", um punhado de canções de intensa sensibilidade pop que fazem juz ao que de melhor se tem produzido por terras francófonas.
A produção, impecável diga-se, ficou a cargo de um veterano: Philippe Zdar, ligado à cena house francesa sob o alter-ego Cassius , que tratou de imprimir um carácter arrojado ao disco, repleto de coros e pontuado por guitarras circulares e sintetizadores vibrantes.
Quanto aos temas de Wolfgang Amadeus, é de destacar "Litztomania", um single com direito a videoclip e estreia mundial nos sites de música alternativa mais visitados (Pitchfork, New Musical Express, etc.).
Vale também bem a pena mergulhar em "1901", uma das candidatas a melhor música do ano (sintetizadores pujantes, cadência viciante da bateria e coros de arrepiar para tal contribuem).
Com Wolfgang Amadeus Phoenix, os franceses Phoenix correm o risco de passar para outro patamar de reconhecimento...pelo menos literalmente, já lá estão!
Para tirar dúvidas, fiquem-se com duas pérolas desta nova sinfonia...reparem bem na secção de metais...então as cordas nem se fala...eheheheh





segunda-feira, 15 de junho de 2009

Dubstep de luxo!

E o dubstep continua a dar cartas!
E Boxcutter também!
Depois do apetitoso "Glyphic", este ano surge o orgânico "Arecibo Message" para demonstrar que é um dos nomes mais cativantes da cena musical urbana desta década.
A evolução da música urbana britânica tem sido das mais empolgantes que já tive oportunidade de ver. Mutações e mais mutações, mudanças e personagens, pérolas em ascensão e queda, influências das influências.
A onda dubstep influenciada pela onda UK Garage e drum'n'bass do final dos 90 e princípios de 00, refinada pelo minimalismo electrónico que ganhava novos adeptos através da exposição do grime, trouxe nomes e álbuns que marcam invariavelmente a música electrónica desta década: da armada Hyperdub de Kode9 saíram pérolas como "Memories of the Future" e "Burial" com "Untrue" do mais que mítico Burial.
Saliente-se "Untrue", expoente máximo do género injustamente esquecido por ter sido lançado em...Dezembro!
Talvez um dia as publicações se lembrem da máxima de João Pinto que "os prognósticos se fazem no fim do jogo". Era bom que ele tivesse razão. Talvez aí se tivessem lembrado de "Untrue".
Enfim, ressabiamentos à parte...
Aquando da explosão de "Burial" em 2006, eis que sai também para o mercado "Oneiric" de Boxcutter. Onde "Burial" mostrava algum calor, "Oneiric" era mais frio, talvez mais distante. As batidas não soavam tão familiares, mas ao mesmo tempo demonstrava uma essência de urgência e de um enquadramento urbano fantástico. À cabeça vinha-nos por vezes a agressividade de Aphex Twin. E era bom voltar a sentir isto ;)
"Glyphic" começava o percurso de aligeiramento da sonoridade fria desse disco.
Com ambientes mais próximos e influências com mais groove, tornava-se o início do percurso que culminou em "Arecibo Message".
Os tempos ficaram mais calmos e as vozes entram no universo de Boxcutter.
"Sidetrak", mensagem de abertura, tem o início típico de Boxcutter, mas o seu desenrolar caótico aligeirado pelos toques dum baixo pulsante fazem-nos recordar a genialidade de "Untrue".
O restante álbum é uma passagem fenomenal de Boxcutter, desde as influências funk na espectacular "Lamp Post Funk", passando pelo dançável house de "Mya Rave v2" e "Free House Acid", sem esquecer a desconstrução pop em "Kab28" e a pitadinha soul de "A Familiar Sound".
Boxcutter tornou-se mais humano, mais terreno.
A linguagem meramente electrónica e fria do primeiro álbum ficou mais longe.
Os instrumentos reais e o abraçar de vários estilos tornou-o bem mais atractivo e ecléctico. E isso reflecte-se num álbum muito muito bom.
E mais uma vez, o dubstep não nos deixa ficar mal e para quem vem com aquelas tangas de "ah...esta década é uma merda em termos de música", só posso recomendar para abrirem os olhos (e principalmente os ouvidos) para o verdadeiro turbilhão musical que vem ali das terras de Sua Majestade e arredores pelo menos há década e meia!!!
Um dos (5) melhores álbuns do ano, sem dúvida!

Variações há 25 anos!

Embora ligeiramente atrasado, hoje faz-se vénia a um dos maiores visionários da história da música portuguesa...
António Variações tinha 39 anos quando faleceu, no Dia de Santo António.
Assinalou-se Sábado dia 13 de Junho, o 25º aniversário da morte de António Variações, um dos mais carismáticos cantores da história da pop portuguesa.
Nascido em Braga em 1944, o barbeiro de ofício lançou apenas dois álbuns, "Anjo da Guarda", em 1983 e "Dar & Receber", no ano seguinte, mas marcaria de forma intensa o país, quer pela música quer pela excêntrica figura.
Em 2004, os Humanos, um grupo com Camané, David Fonseca e Manuela Azevedo, dos Clã, nas vozes, recuperou algumas demos deixadas em estado embrionário por António Variações, reinventando as canções num dos maiores êxitos da música portuguesa recente.
Ainda mais recentemente, os músicos ligados às editoras FlorCaveira e AmorFúria, como Tiago Guillul, Os Pontos Negros ou os Golpes, entre muitos outros, reclamaram também a herança vocal de António Variações.
Este ano, a revista BLITZ incluiu António Variações na lista de melhores vozes portuguesas de sempre...merecido, sim senhor!
Para recordar fica registado este "O Corpo É que Paga".




E uma reportagem da SIC com imagens de arquivo e raridades de António Variações.


Folia para dar e vender!

Um dos males de me focar (quase) unica e exclusivamente numa corrente musical, a que designo de "música avançada" (apesar desta envolver muitas outras...) é o facto de à partida, "renunciar" outra e qualquer tendência musical, afirmando que simplesmente "não me interessa..."
Estupidez?
Possivelmente, um bocadinho de ignorância. Assumo!
Com um convite para um frango assado e muita cerveja à mistura, metem-me numa posição na qual não tenho qualquer escolha...por isso este Sábado, ocasionalmente, deparei-me com os "Kumpania Algazarra" numa aldeia simpática ali para os lados do Fundão.
Alcongosta!
Não há muito que inventar!
Se a música pode ser festa e diversão, os Kumpania Algazarra estão cheios dela para dar e vender.
A world music nacional ganha um novo ás.
Não, um poker de ases jogado em doze jogadas de mestre.
Estes rapazes de Sintra têm o coração nos Balcãs; melhor, têm o corpo espalhado pelos quatros cantos do mundo, numa viagem incessante de descoberta e prazer.
Haja alegria que este povo anda triste!

PS: Dei por mim a pensar que estava a assistir a um concerto de "Cool Hipnoise"...muito boas influências de afrobeat!


Patrick Wolf regressa às origens!

Dois anos após surpreender com um disco pop efervescente aqueles que se tinha apaixonado pelos seu lado folk, Patrick Wolf volta a fazer das suas.
O novíssimo “The Bachelor” é um diamante em formato sonoro…e a editora por si só enigmática. Bloody Chamber…até parece que já estou a ver o Harry Potter!
Primorasamente produzido por Alec Empire (dos Atari Teenage Riot), belissimamente cantado, com coros e cordas a permearem momentos mais experimentais e outros a pender para a electrónica (cortesia de Matthew Herbert), o registo faz uma súmula perfeita das intenções de Wolf enquanto músico.
As introduções faladas da actriz Tilda Swinton e a voz da cantora folk Eliza Carthy ajudam à imagem futurista (embora com sabor a retro?!) de “Hard Times”, “The Bachelor”, “Vulture” ou mesmo “Battle”.
Tão brilhante quanto camaleónico, Wolf é a resposta do novo milénio a artistas como David Bowie ou Bjork.
Sem lugar para dúvidas!

domingo, 14 de junho de 2009

Um violino e outras coisas mais numa experiência minimalista.

Antes da explicação, fica a dica: hoje à noite em Serralves por volta das 22:00 sobe ao palco Tony Conrad & Genesis P. Orridge tendo como convidado Morrison Edley (PTV3/Psychic TV).
É o encontro de duas figuras já lendárias da experimentação artística, nomeadamente a sonora, unidos aqui pela dedicação ao violino.
Tony Conrad é, para além de ícone do cinema experimental, um dos pioneiros do minimalismo norte-americano, tendo integrado no início dos anos 1960 o Theatre of Eternal Music (conhecido como Dream Syndicate) ao lado de La Monte Young, John Cale, Angus MacLise e Marian Zazeela.
Desenvolveu uma exploração extensa do violino ao nível do timbre, da distorção e da dissonância focando o seu trabalho ao nível da microtonalidade, geralmente na forma de longas massas sonoras.
O violino foi também um dos primeiros instrumentos de eleição de Genesis P. Orridge, desde o tempo dos Throbbing Gristtle, especialmente na variante eléctrica, transportando-o posteriormente para os seus vários projectos, entre os quais Psychic TV e Thee Majesty.
O trabalho de P. Orridge tem sido tanto musical como sobre ideias de libertação de imposições normativas aos mais vários níveis, sejam eles música, comportamento ou sexualidade.
O primeiro encontro destes dois gigantes do experimentalismo teve lugar em Janeiro de 2009 na Issue Project Room em Nova Iorque, e tal como acontecerá em Serralves, contou com a colaboração do percussionista Morrison Edley dos PTV3 (a mais recente formação dos Psychic TV).

Tujiko Noriko por cá!

Nascida em Osaka no Japão, a cantora e compositora Tujiko Noriko comprou o seu primeiro sintetizador e sampler em 1999.
O seu primeiro álbum "Make-Up and Soldier" (2000), que foi lançado pela editora japonesa Niton já está descatalogado.
Em Dezembro de 2000 ela conheceu em Tóquio Peter "Pita" Rehberg, da editora austríaca Mego, onde grava os seus álbuns seguintes: "Shojo Toshi" (2001) e "Make Me Hard" (2002). O seu quarto trabalho, "From Toyko to Naigara" (2003), foi editado pelo selo alemão Tomlab e o quinto, "Blurred In My Mirror"(2005), pelo selo australiano Room40.
Tujiko não mudou muito ao longo dos anos e o seu sexto álbum, "Solo", volta a recorrer, com resultados mágicos, a um sonho pop electrónico, digital, com melodias cândidas e sussurros em japonês executados pela sua voz doce e quente."
Para confirmar hoje à noite em "O Meu Mercedes É Maior Que o Teu" no Porto por volta das 23:00.




sábado, 13 de junho de 2009

The Rough Guide "To Cult Pop"

Vai viajar?
O mercado de guias de viagem traduzidos para o português, que vem crescendo nos últimos anos, ganhou recentemente duas adições de vocação pop, que procuram ir além dos tradicionais pontos turísticos e oferecer opções modernas para os viajantes, como é o caso da edição inglesa da "Rough Guides" e também já da própria portuguesa "Time Out".
Mas como não é de viagens (aliás, é sempre de viagens...) que hoje falo, direcciono a minha tirada para um livro que por acaso comprei em Nothing Hill o ano passado aquando de uma viagem ao país de sua majestade.
Foi na "The Book Warehouse" e tinha marcado £7.99, no entanto como a malta já não tem tempo para ler, os livros amontoam-se em altas colunas que fazem parecem construções contemporâneas, o livro que hoje vos apresento custou-me uma módica quantia de £2.99.
É da colecção da Rough Guide e chama-se "To Cult Pop".
Mais do que uma pequena pérola para nos acompanhar durante as férias, trata-se de um livro que poderá ser lido na diagonal e aborda a música pop e todos os fenómenos de culto à sua volta, desde as canções mais marcantes aos artistas mais carismáticos, passando pelos géneros musicais e as modas mais excêntricas.
Não é exclusivamente sobre os anos 80, no entanto contém uma forte componente eighties.
Em inglês, as fotos incluídas são de grande qualidade, mas o que realmente me agrada neste livro, para além, como é óbvio, do conteúdo textual, é a forma como está escrito.
Paul Simpson, o editor, e os seus colaboradores deram a este livro um tom ao mesmo tempo informativo e divertido.
A capa apresenta-nos uma foto cheia de Debbie Harry com todo o seu glamour...tiro certeiro!
Como teaser, abro o livro na página 181, secção The Lists, e deixo-vos com o top 10 dos álbuns mais vendidos nos EUA durante a década de 80:
1. Thriller, Michael Jackson 2. Purple Rain, Prince 3. Dirty Dancing, Banda Sonora Original 4. Synchronicity, The Police 5. Business As Usual, Men At Work 6. Hi Infidelity, REO Speedwagon 7. The Wall, Pink Floyd 8. Whitney Houston, Whitney Houston 9. Faith, George Michael 10. Whitney, Whitney Houston

PS1: Não é para concordarem, é só para saberem como foi!
PS2: Destaque para o suplemento especial sobre a "Cultura Popular" este fim de semana na Revista Única do Expresso. Interessante!
Para recordar aquilo que bombava na década de 70!

Dub Echoes, DVD

Dirigido pelo brasileiro Bruno Natal e com pesquisa do compatriota Chicodub,"Dub Echoes" é um incrível documentário que, ao traçar a história do dub e da sua vasta descendência, acaba por ilustrar a aventura de disseminação de uma invenção jamaicana que transformou o estúdio numa nave espacial, capaz de nos transportar através do espaçoe do tempo.
Com depoimentos de gente tão diversa como 2Many Dj´s (outra vez...), Kode9, Lee Perry, Bill Laswell ou Nação Zumbi, "Dub Echoes" serve de testemunho a uma cultura que modificou para sempre a forma como se produz e ouve música.
Com imagens recolhidas em Kingston, Londres, Nova Iorque, Los Angeles, São Paulo e Rio de Janeiro, o filme traça um mapa das rotas de propagação deste eco tão particular.
O entusiasmo com que Bruno filma não esconde a sua paixão e o resultado final impressiona.
Mais um tiro certeiro da infalível Soul Jazz Records.


sexta-feira, 12 de junho de 2009

Pouca moderação!

Em dia de Santos populares, o espírito "rebaldeiro" sobe-nos à cabeça e a necessidade em procurar novas sonoridades para animar qualquer "after-party" depois de umas sardinhas mal assadas e umas jolas quentinhas é eminente.
Não querendo ser a voz sábia por detrás do óbvio, a minha missão na Xangai é não de indicar caminhos correctos mas antes, dar a minha orientação segundo os meus padrões estéticos, daquilo que considero bom e merecido de destaque.
Chamam-se Moderat e lançaram o seu primeiro registo há bem pouco tempo... e que belo hino à música electrónica este que nasce da colaboração entre o a sonoridade glitch breakstep da dupla Modeselektor e o minimalismo orgânico de Apparat.
Heterogeneidade é a palavra tranversal a este registo.
Do dubstep à idm, do techno à ambient music, do big beat ao synthpop, são muitos os rótulos e referências abrangidos, uns de forma mais óbvia, outros com maior discrição.
De Underworld a Thom Yorke, passando por Autechre, Orbital, Rusko ou Telefon Tel Aviv, consigo aqui ouvir um pouco de muita da melhor electrónica feita ao longo dos últimos anos, fundida com simplicidade mas também com brilhantismo. Este disco homónimo do projecto Moderat, editado pela BPitch Control de Ellen Allien, não soa a Apparat nem tão pouco a Modeselektor, mas sim, e simplesmente, a música electrónica onde a elegância e o bom gosto imperam, e onde não faltam as preciosas colaborações de Paul St. Hilaire ou Shackleton.
Obrigatório sem dúvida alguma!

Eurovisão 2.0.1.

Se a Europa precisasse de uma versão trash do Hino da Alegria como seria?
La Prohibida, a mais famosa das drag queens espanholas, não esperou pelo convite e levou aos sintetizadores o velho Ludwig van Beethoven, com resultados surpreendentes.
A inteligência e a atitude são as principais armas desta musa alternativa da electrónica, que se passeia pelos palcos há mais de uma década.
Entre os seus heróis estão Bowie, Kraftwerk, Pet Shop Boys, intergaláctico, sim, tal como as festas onde pulsa e encanta a cultura LGBT (procurem na wikipédia o significado!).
É também uma das impulsionadoras do movimento do género em Madrid.
E há mais um condimento especial: se é fã da Eurovisão, as performances de sedução de La Prohibida não são para perder.
Hoje à noite no Musicbox a partir da 1 da manhã!

O prazer de roubar!

E já passou...
Não posso dizer que a minha experiência com Tiesto tenha sido positiva ou negativa, mas de uma coisa tenho a certeza, a sua passagem nesta singela terra de gente demasiado expectante será recordada como algo do "outro mundo"...ou não fosse ele o "melhor Dj do mundo"!
Cerveja cara, gente diferente do habitual, seguranças que não deixavam mijar em qualquer lado fosse qual fosse a necessidade...enfim, tirando a música, até parece que estava num qualquer grande estádio de qualquer grande cidade.
Faz bem a esta gente a confusão...amadurece as atitudes e isso é bom!
Quanto a Tiesto, enfim lá tem as suas ondas, não discuto, agora pessoalmente, não aprecio o seu som. Desculpem!
Com muito tempo mas pouca vontade hoje deixei-me enrolar pelos encantos do quintal e pelo enfadonho sofá da sala, deixando a escrita e as músicas só para agora.
Descobri há cerca de 3 semanas o novo álbum de "Laurent Garnier: Tales Of A Kleptomaniac".
Paixão à primeira vista, ou melhor, audição!
Percebe-se perfeitamente o título do álbum, que até começa com um rádio a ser sintonizado em diversas frequências, o celebrado produtor francês parece "roubar" pistas em todas as linguagens possíveis e imaginárias.
Funk e hip-hop com névoa electrónica moderna.
Hip-hop desalinhado.
House enamorado pela pista de dança.
Jazz e spoken word no mesmo frasco.
Techno.
Breakbeats misturados com arpegios de filme de terror.
Drum & Bass para filmes de detectives.
Dubstep, dub e downtempo...
O mais impressionante não é a dispersão estética mas sim o facto de Garnier exibir autoridade em cada uma das linguagens, dominando na perfeição cada ritmo, cada forma de colorir a acção, cada velocidade...
Genial!