quarta-feira, 22 de julho de 2009

Lay Off!

Ando a dar o "tilt"...preciso de descansar!
Nos próximos dias vou tirar umas férias bem merecidas, por isso as aparições na Xangai poderão ser menos frequentes...não estranhem muito, demoro pouco tempo!
Se acordar e achar que aqueles minutos de sol no lombo e aquela água revigorante no canastro me aguentarem mais um tempinho na cadeira do jardim, ainda pode ser que mande para aqui alguma "fresquinha"...senão, até daqui uns dias.
Peço-vos um pouco da vossa compreensão mas aquilo que mais longe quero ver é este monitor que me acompanha diariamente, aqueles livros...não, todos os livros, e tudo aquilo que me faça recordar que não estou de férias. Vá, abro uma excepção para os jornais diários!
Vou viajar, procurar descansar, divertir-me e beber até cair para o chão...apetece-me exagerar, aliás aptece-me esticar a "corda do limite da normalidade"!
Estou a ser sincero, por isso não me censurem. E esse nariz torcido é porque estão com inveja.
Quanto a noticias que realmente interessam, olha posso dizer que foi hoje oficialmente encerrado o cartaz do NeoPop deste ano.
Guy Gerber, o produtor que tem colocado Israel no mapa das movimentações electrónicas, para além do espectro trance, é o último nome que fará companhia às estrelas da companhia já confirmadas como James Holden, Joris Voorn, Reboot, Audion, Paul Ritch, Alex Under, Guy Gerber, Paul Kalkbrenner e Wighnomy Brothers.
Vemo-nos por lá?
Se calhar até amanhã, o patrão é que manda!

terça-feira, 21 de julho de 2009

6=0

"6=0" é a nova exposição do artista António Contador e pode ser vista desde o final do mês de Junho na loja de discos Flur em Santa Apolónia.
Depois de ter ajudado os Calhau! na criação da Nossa Senhora de Fátima Machine, objecto de culto (literal) leiloado na mesma loja, António Contador volta a estimular labirintos de referencialidade com a exposição de seis envelopes fechados, que têm no seu interior seis singles de vinil de “The Sound of Silence” da dupla Simon & Garfunkel.
“Scissors Cut”, o tema de Art Garfunkel, não virá a ter qualquer utilidade neste caso, porque os envelopes permanecerão para sempre fechados.


segunda-feira, 20 de julho de 2009

O minimalismo é o máximo!

Durante algum tempo Ryuichi Sakamoto foi uma espécie de estrela pop com o selo de qualidade. depois, à semelhança de um David Sylvian com quem trabalhou, remeteu-se a uma espécie de periferia muito além do alcance do "grande público".
Acaba de regressar com novo trabalho com Alva Noto, artista audiovisual, estudante de arquitectura e "landscape designer".
"UTP" têm carimbo da Flur e vem em duplo formato através de um CD a acompanhar um DVD e é uma beção para ouvidos hiper-estimulados.
É música feita à base de silêncio, entrecortada por sons escassos.
Os discos são jóias de concisão nas margens da música contemporânea, da arquitectura com sons e da construção de estados psíquicos.
Dificil de localizar?
Talvez...muito zen, muito bom!


sábado, 18 de julho de 2009

Supermayer in loco.

Michael Mayer é o mais importante porta-voz das ondas electrónicas provenientes de Colónia. Fundador da prestigiada Kompakt, tem-se empenhado na divulgação de um novo estilo musical que atingiu hoje uma dimensão de respeito.
Ilustre representante do techno de Colónia e um dos mais destacados membros da família Kompakt, Superpitcher divide-se entre as tarefas de produtor, DJ e remixer.
Com o EP “Heroin” (Kompakt 035), de 2001, ficaria para a história, não só da Kompakt como da música de dança, ao criar três temas de techno pop envolvente, com uma identidade própria, que haveria de marcar os seus futuros trabalhos.
Fala-se particularmente de “Yesterday” e “Baby’s on Fire”, que se tornaram uma referência do que se viria a designar por schaffel techno.
Ao longo dos últimos 3 anos, como Supermayer, remisturaram temas de artistas como Losoul, Geiger, Gabriel Ananda, Gui Boratto ou Hot Chip, mas só em finais de 2007 arriscam a produção de um álbum “Save the World”.
Construído mais a pensar numa banda sonora espacial do que nas pistas de dança, “Save the World” afirma-se como um registo impregnado de bom humor, com guitarras funk, badalos, vocalizações pop e batidas deep techno.

quarta-feira, 15 de julho de 2009

Who´s There?

Riton é um produtor.
Primary 1 é um cantor.
Mas quando Riton e Primary 1 se juntam nos comandos, eles são os "Who's There".
Encontrei-a por acaso e é o single de apresentação editado pela chancela de Erol Alkan, que há bem pouco tempo nos veio fazer uma visita, a Phantasy.
A música apela à dança embora o vídeo, na minha opinião, não esteja assim tão bem conseguido, remetendo para um estilo "Blair Witch".
Ainda assim, resta a música!


terça-feira, 14 de julho de 2009

Too Sexy For My Shirt

Esta hoje vai directa por me andar a "chatear" a cabeça durante quase 3 dias...será que a consigo exorcizar desta maneira? A música, claro!
Espero que não!
Quase de férias...a culpa não é minha, é da música!




(Sim ok! Ignorem o vídeo e ouçam só a música...e sim, a fotografia tinha de ser mesmo esta!)

segunda-feira, 13 de julho de 2009

Os segredos de Andy Nice.

Depois de um dia de merda, venho de propósito à Xangai só para vos trazer uma novidade bem recente, o primeiro álbum a solo de Andy Nice intitulado "The Secrets Of Me" sob chancela da Front & Follow...vale a pena "perder um tempinho" no youtube a descobrir este "artista" que já por cá anda há muito tempo a desasosegar muita gente!
Andy Nice é um reputado violoncelista que tem trabalhado, ao longo dos anos, com inúmeros músicos de diversos quadrantes estéticos, entre os quais os Moose, Baader Meinhof e Luke Haines, Ed Harcourt, Marianne Faithfull, Cradle Of Filth, Orbital, Stuart Staples e os Tindersticks, grupo de que faz parte da actual formação.
«The Secrets Of Me» é um álbum que se desenrola num tom confessional, mesmo que as palavras surjam apenas no último dos temas aqui presentes, através de uma sedutora voz feminina não identificada.
Durante os curtos 30 minutos do seu trabalho de estreia, Andy Nice exibe mestria e versatilidade na forma de usar o violoncelo, com belas composições a resultarem da forma ondulante como vai justapondo camadas sonoras retiradas do seu instrumento, que recolhe um mérito que habitualmente não lhe é atribuído em contextos pop.
A estreia a solo de Andy Nice é, assim, um disco que merece ser ouvido com atenção, não só porque acupa um espaço muito pouco saturado do espectro da produção musical, como amplia as possibilidades de utilização de um instumento mais habituado ao papel de figurante e faz da elegância, sedução e beleza das suas múltiplas sonoridades um eficaz veículo de estimulação estética e afectiva.


domingo, 12 de julho de 2009

Conselho de fim de noite!

Chamam-se Hadouken! e pelo que circula por aí, deram grande espectáculo no Alive.
Lá "bojarda" têm...que mais pedir a uma molhada de putos novos que afinal só fazem o som que curtem? Nada!
Electropop como rótulo e uma editora "literalmente" cativante...Surface Noise Records apela a algo que me agrada!
Esta é a sua promo, "That Boy That Girl"...até amanhã e bom início de semana!


James Holden confirmado!

Que feliz notícia...James Holden sempre vem fazer-nos uma visitinha no NeoPop.
Bem vistas as coisas, para tudo ser ideal, só faltava mesmo Villalobos e se não fosse pedir muito, já que estamos numa maré de pedidos estivais, uma noite com som dos subúrbios também não é que era má de todo...Skream, Hatcha, N-Type ou Benga só para compor...
Audion, Paul Kalkbrenner, Expander, Wighnomy Brothers, ALex Under e James Holden...que belo quadro!
Tenho dito!

sábado, 11 de julho de 2009

"Lab-pop made in Britain!"

Todos os anos os ingleses lançam para o mercado da música pop uma "nova estrela", como se de uma estratégia delicada de marketing se tratasse.
Amy Winehouse, Duffy entre outras...
Confesso que nunca fizeram parte da minha playlist, tirando aí umas 2 ou 3 da Amy que depois de tanto as ouvir em rádios e clips comecei a gostar delas...é o processo inverso, deveria cansar e não despertar interesse...
Este ano, a ilha britânica congeminou em segredo e sem que ninguém se apercebesse de nada, foguetes...tau tau tau ...e La Roux, a nova diva "popular made in Great Britain" nasceu.
Nunca mencionei as suas antecessoras por motivos meramente pessoais, no entanto esta bela inglesa que por certo já andou pelos Algarves a saborear umas belas batatas fritas com ketchup à beira de qualquer piscina de um hotel fez-me repensar na maneira como as "estrelas são cozinhadas"...
Da "soul jazzy pop" lamuriosa e algo decadente à "brit-pop feliz" e inocente a margem é grande...mas a fórmula é a certa!
Synthpop "a soar a Peaches" e a lembrar ensaios de Depeche Mode (raio para eles...) e Daft Punk?
Hum, parece-me bem!
Os La Roux, banda composta por Elly Jackson e Ben Langmaid são a grande sensação da música britânica do momento.
Batida dos anos 80, os sintetizadores e o funk carioca é delicioso de se ouvir.
A rodar existem 3 singles: "Bulletproof", "Quicksand" e "In for the Kill".
Este último alcançou o 2º lugar no Uk Single Chart e 9º no Eurochart.
Para já, não passa de apostas, mas o que é certo, é que os La Roux parecem ter muito caminho para andarem.
Vá, estão no mesmo patamar de "Little Boots" e "Ladyhawke". Discutível!
Para os mais distraídos, vão ao youtube.com e ouçam os 3 singles de seguida para saberem do que estou a falar (já que por motivos legais não é possível a incorporação de vídeos de La Roux)...para as almas vagabundas mais irrequietas "In For The Kill" remisturada por Skream (Skream's Let's Get Ravey Mix).
Bom fim de semana!


sexta-feira, 10 de julho de 2009

Jazzanova @ Cool Jazz Fest.

No dia em que os Depeche Mode decidem repetir a dose de falta de respeito pela segunda vez em tão pouco tempo, há que virar coordenadas a sul e seguir calmamente até Cascais...
É o Cool Jazz Fest e hoje há Jazzanova para saborear depois do jantar.
Na vanguarda das tendências electrónicas, os alemães Jazzanova juntam como ninguém o latin e acid jazz, bossa nova, space disco, nu folk, soul e deep house.
O sexteto berlinense actua hoje na Cidadela de Cascais ao lado do lendário Paul Rundolph e vêm apresentar o seu mais recente registo "Off All The Things" sob tutela da Verve Records.
Para ver, ouvir e dançar!
E o que eu adoro esta "Boom Klicky Boom Klack"..."tá o máximo, tá a ver! É quebradiça à brava!"


quinta-feira, 9 de julho de 2009

Planned Obsolescense

Há quem lhe chame já o maior festival de música e arte do ano, eu prefiro continuar a chamar-lhe um dos melhores festivais em termos de "grandes nomes" e acrescento mais dizendo que acho que está a perder um bocado o conceito original em detrimento do agrado massivo.
Mas tudo bem...este ano não vou poder estar lá mas desejo tudo de melhor a quem for, assumindo que me roo de inveja a 350 km de distância.
Metallica, Slipknot, Prodigy (vais curtir, puto!), Kalxons, Crystal Castles, TV On The Radio...enfim acho que qualquer um daria um tempinho de si para os ver, nem que seja pelo espectáculo ou melhor, pela avalanche mediática com que certos grupos são tratados (refiro-me aos Metallica...ainda existem? lol).
Mas a coisa este ano está mais pesada ali para os lados de Algés, não está...ou então parece-me a mim!
Voltando holofotes para as novidades fresquinhas que chegam diariamente à Xangai, hoje vou falar-vos do veterano Beck.
Entre covers para os Sonic Youth e o seu novo projecto Beck & Friends Record Club, que se propõe a regravar na íntegra álbuns clássicos, de que é o primeiro exemplo "The Velvet Underground & Nico", o músico de Los Angeles tem ainda tempo para se dedicar a uma nova nova secção do seu site (http://www.beck.com/).
Denominado Planned Obsolescence, este espaço consistirá num DJ set semanal, onde poderemos ouvir Beck e os seus convidados a misturar alguns dos temas que mais ouvem.
Realmente há gajos que não gostam nada de dormir e de perder tempo com nada...
Força para eles que nós, aqui estamos, sedentos para os ouvir e ver.

quarta-feira, 8 de julho de 2009

Ten Tracks com Gala Drop!

Através do portal Ten Tracks que, numa base mensal e rotativa, concede a vários nomes a oportunidade de formarem uma compilação, os Gala Drop surgem na colectânea de Junho a cargo da dupla de DJs Optimo, reconhecida pelo seu bom gosto e edits.
A faixa escolhida foi “Dabum”, peça extra-longa do fabuloso álbum homónimo, que surge ao lado de nova música dos Divorce, entre outras.
A Ten Tracks propõe uma tarifa pelo download da compilação, sendo que os 12 minutos de “Dabum” valem a libra por si só.
No próximo dia 11 de Julho os Gala Drop prometem noite especial no anfiteatro da Gulbenkian, em Lisboa, com a apresentação de novidades num concerto a ser acompanhado pelo trabalho de iluminação da artista Joana da Conceição...e “Parson” deve marchar bem no meio da vegetação semi-exótica dos jardins da Gulbenkian.
Mais adiante, quando o calendário marcar 25 de Outubro, o quarteto actuará na nona edição do Festival Sonic Scope, a ter lugar no Teatro Maria Matos, em Lisboa.
Entretanto, os rumores de um futuro split com os Diabos do Ritmo permanecem por confirmar.
Esperemos para ver!

terça-feira, 7 de julho de 2009

Os caprichos dos deuses...

A poucas horas do início de mais um dos melhores festivais da Europa, o Optimus Alive! contorce-se à última da hora para satisfazer todos os caprichos dos nomes que fazem parte do seu luxuoso cartaz...é assim, "...quem quer uma coisa à grande, aguente-se..."
A organização do festival revelou há momentos alguns números oficiais para os três dias do evento e algumas das exigências de bandas como os Metallica, Ting Tings, Dave Matthews, Placebo ou Kooks.
Enquanto que os Placebo só terão pedido incenso, os Metallica foram um pouco mais exigentes - o maior vício da banda parece mesmo ser a fruta: pediram maçãs verdes e vermelhas, peras, laranjas, bananas, mangas, papaias, abacates, pêssegos, limas e limões, morangos, framboesas e mirtilos, além de pedirem para passar uns dias de férias em Portugal.
Os Klaxons pediram cerveja nacional enquanto que os Prodigy subiram a parada para 12 garrafas de champagne para festejar no final do concerto.
Os Kooks querem 4 pares de meias pretas, os Silversun Pickups comida orgânica e os Campesinos! querem conhecer a gastronomia local, levar postais e selos portugueses e uma colectânea com músicas de artistas nacionais.
A Dave Matthews Band e os Ting Tings são os mais ambientalistas: enquanto que os primeiros querem caixotes do lixo para reciclagem (e uma televisão), os segundos recusam-se a usar utensílios de plástico que possam ser prejudiciais para o ambiente (sushi é a comida de eleição do duo britânico).
O festival, que tem início esta quinta-feira e termina no sábado, conta com actuações de 60 bandas, que se vão dividir por 40 camarins.
Ao todo serão servidas 2230 refeições e serão disponibilizadas 2348 toalhas e 6 mil garrafas de água .
Enfim, os números por trás das luzes da ribaltas!
Venha o Alive...e depressa!

Wire Mag # JUL ´09

Um dos "males" de viver numa das zonas desertificadas do país e onde acontece pouca coisa como a minha, é ter que esperar quase sempre por aquilo que os outros têm sempre a tempo e horas...
Mas não é mal de todo, afinal sempre aguça mais o apetite e quando realmente aquilo que espero, chega pelos CTT o momento é sentido de outra forma.
Chegou hoje de manhã e à hora de almoço de hoje será a minha companhia...é a Wire de Julho.
Quase em modo Wolfgang Voigt, na capa, Moritz Von Oswald exibe o seu ar realmente aristocrático para ilustrar a entrevista a propósito do seu novo álbum na Honest Jon’s.
Von Oswald é uma figura fundamental na evolução da música popular das últimas duas décadas, tendo também contribuído, na primeira metade da década de 80, para o twist necessário que a Neue Deutsche Welle alemã teria de ter para se destacar da sua congénere New Wave anglo-saxónica: ele era dos Palais Schaumburg, com Holger Hiller e Thomas Fehlmann.
De resto, nesta edição da Wire pode-se ler sobre Pierre Henry, Ramleh, Ran Blake, Ariel Pink, Lucas Abela, Giuseppe Ielasi, Cooly G, Jacob Kirkegaard, Foetus, Sa-Ra, Doug McCombs escreve sobre uma capa dos Minutemen.
Ainda muitos discos, livros e filmes para descobrir, como sempre...cada vez gosto mais desta revista.

Hey-O-Hansen e o austro-dub...mais um para a lista de rótulos!

«Sonn Und Mond - Rare and Unreleased Austro-Dub tracks 1995-2009» conta-nos o lado oculto da história dos Hey-O-Hansen, o duo austríaco Helmut Erler e Michael Wolf que adoptaram Berlim como o ponto fulcral das suas actividades criativas.
Esta edição percorre os seus arquivos sonoros em busca de pistas que nos ajudem a melhor situar a sua música, que empreende uma interessante adequação de sentido centro-europeu para o dub, entendendido como a transposição para a frescura de estúdio do calor rítmico do tropical reggae.
Daí que a denominação Austro-Dub para aquilo que fazem revele o lado empreendedor das suas pesquisas, ao situar o nosso imaginário num lugar inexistente em que os cantos tiroleses se imiscuam no processamento de corte-e-costura de linhas de baixo ondulantes, mas ao mesmo tempo parece curto para revelar todo o património indesmentivelmente europeu que esta música adopta, transforma e projecta.
Ao longo dos anos, Hey-O-Hansen tem sido sinónimo de procura de enquadramentos diversos para a utilização de sequenciadores e samplers, tornando-os ingredientes instrumentais da apropriação que fazem do legado da tradição musical recente do velho continente, nomeadamente da chanson française, por um lado, e da electrónica experimental, por outro.
Com todo este contexto de actuação, «Sonn Und Mond» destaca a linha evolutiva de um projecto que nos habituou a edições em formatos já pouco convencionais (cassetes magnéticas ou 7" em vinil, por exemplo), mas também a estímulos criativos versáteis e refrescantes, manifestados em diversos momentos de inflexão e reorientação musicais, fruto do olhar crítico que dispensam ao seu próprio trabalho e ao pulsar do curso desenhado pela música apontada às pistas de dança. Não se trata aqui de um best-off, até porque a popularidade dos Hey-O-Hansen cobriria de gargalhadas uma iniciativa editorial desse calibre, antes sim de uma reescrita de uma história já de si dactilografada nas entrelinhas da exposição mediática, mas cuja capacidade de proporcionar prazer suplanta, e muito, a sua falta de projecção nas luzes da ribalta.

segunda-feira, 6 de julho de 2009

Cristiano Ronaldo e os "cornichos" do Sr. Manuel Pinho

Escrevo onde não deveria por lógica escrever...a Xangai fala de música e coisas relacionadas com a mesma, no entanto aquilo que acabo de ver merece, no mínimo, uma pequena nota.
RTP.
80.000 pessoas na apresentação de Cristiano Ronaldo em Madrid...
Mas o que é que se passa com este mundo?!
Anda tudo louco?!

Investimento: 2ª feira (dia de tabalho) + final da tarde (hora de jantar) + comunicação social completamente idiota (nacional e internacional) + um "governo europeu" a bater palminhas da alegria + um só jogador de futebol (CR) = 80.000 pessoas!
Lucros: falta de tudo...unica e simplesmente vergonhoso!

São estas as contas à volta do intergaláctico.
Quando se faz um investimento financiado por um banco, as hipóteses de falhar têm que ser medidas e pensadas na sua real concretização não vá a coisa correr para o torto.
Acontece quando peço um crédito ao banco para comprar uma casa, um carro ou agora até para simplesmente gozar férias...sim porque me apetece mesmo é ir para o Bali mesmo sabendo que o meu patrão no início de Setembro me pode despedir, pois o contrato de trabalho está a acabar e nada é seguro, por isso, vá de aproveitar a coisa e depois logo se vê...é este o pensamento!
O mundo anda triste e precisa de circo...pena!
Voltando ao dinheiro envolvido na transferência de Ronaldo para o Real...meu Deus, desde que devidamente rentabilizado e se conseguirem cumprir prazos com o Santander, tudo bem...agora, 25 mil euros por dia...1050 euros por hora...17,36 euros por minuto...bem, isto é outra coisa!
Imaginem que ganha 20 euros quando dá um peido...se estiver com diarreia ainda se pode gabar de ganhar cerca de 100 euros (dada a consistência da coisa) por cada evacuação.
Estão a gozar comigo?!
Sempre apoiei a empresarialização do futebol e a criação das SADs, pois acredito que desta forma os clubes poderão estar mais sólidos e resistentes na economia actual...agora, tudo o que é exagero também começa a cheirar mal!
Não quero ser agoirento nem má língua mas gostava de ver um verdadeiro fracasso desportivo de Cristiano Ronaldo e a maneira como o mundo do futebol reagirá com isso tudo.
Imaginem: uma lesão no início de época, uma má época em termos de golos, escândalos sociais (se é que isso alguma vez abalou alguém...), enfim, existem mil e uma razões para a coisa correr mal e acreditem "Murphy tem sempre razão..."
É que gostava mesmo de ver!
Pagava para que fosse assim, como se de apostas se tratasse!
Tenho pena de pensar desta maneira e acreditem, jurava que este fenómeno galáctico (já que tanto aqui se fala de space, cosmic e outros devaneios minimalistas) não me atingisse tanto...mas por motivos extra-musicais e desportivos, o novo CR9 tocou a minha maneira de pensar...ou será que foi a minha maneira de ser?!
Tal como a democracia poderá não ser o melhor dos sistemas políticos, também acredito que este também não é o modelo gestionário ideal para os clubes de futebol...ou me engano muito ou...enfim esperamos para ver...
E qual crise qual quê! Isto está cada vez melhor, pah!

Já agora, viram os cornichos que o Sr. Manuel Pinho fez no outro dia na Assembleia para o Bernardino Soares?!
Que cena cómica...fazem falta mais momentos destes nos animarem e olharmos para a política...pode até ser que despertem em nós uma maior vontade de ir votar..."olha, eu curto bué aquele pah...o dos cornichos, tás a ver?! Ah já sei...muita maluco o raio do homem, deve ser mesmo boa pessoa...é natural e gosto disso pah!"
Pois já não pode, pois já arranjou emprego...na Fundação Berardo!

Amanhã acordo bem cedo e mentalizo-me que quero ser um dos homens com mais dinheiro de Portugal...vão ver, um dia vou mostrar a esta gente toda...aquilo que os outros fazem...vou gasta-lo comigo e com quem gosto e estou-me a cagar para todos!
Alugo um barco com umas colunas bem potentes, meto lá dentro todos aqueles de quem gosto e aquilo que me faz feliz e vou dar uma volta para bem longe daqui...

Já dizia Santana Lopes, "...anda tudo maluco..." e não é que anda mesmo!





Calibragem artesanal.

Capaz de transformar em música os mais estéreis dos sons, o produtor alemão Robert Henke volta com seu projeto Monolake acompanhado por Torsten Profrock.
Em "Atlas", EP que sucede a "Plumbicon Versions" satisfazem os fãs de batidas esféricas e bleeps polidos em apenas 2 faixas, que somam pouco mais de 14 minutos.
O trabalho de Henke como criador da empresa de softwares Ableton parece reflectir directamente no seu trabalho como compositor (Gerhard Behles, co-fundador de Monolake, deixou o projeto para se dedicar integralmente à empresa).
Sucessivas sobreposições de camadas instrumentais, onde pequenos fragmentos são organizados com precisão matemática.
"Atlas" parte de uma singela frase de bateria quebradiça que, aos poucos, se encontra com texturas saídas de algum filme de terror espacial.
Até seu desfecho, é difícil contar quantas peças diferentes integram o conjunto, já que os samples entram e saem com delicadeza cirúrgica.
Monolake está menos quadrado e menos duro no entanto ganhou balanço.
Há quem diga que é o som da dança inteligente...eu prefiro chamar-lhe que é o som para ouvir no microscópio!


domingo, 5 de julho de 2009

Mucho Swash

"Mucho Swash", o novo EP de Tiago Miranda, composto em colaboração com o DJ alemão Kaos, será um dos títulos a integrar em breve o catálogo da editora de electrónica Italians Do It Better, que alberga nomes como Glass Candy, Mirage, Farah ou Chromatics.
Recorde-se que o DJ, músico e produtor português, membro de colectivos cruciais como os Loosers, Gala Drop, Dezperados, Slight Delay ou da notável editora Ruby Red viu já vários dos seus trabalhos lançados por etiquetas de renome como a Rong Music, Mindless Boogie ou Claremont 56.
Ainda sem vídeoclip promocional, deixo um excerto de um dos encontros de Tiago com Kaos no Lux...geniais!


sábado, 4 de julho de 2009

Electro-pop v2.9.

Com tanta gente a recuperar referências electro-pop dos anos 80 do século passado ao longo da primeira década do século corrente, será possível ainda fazer algo que soe realmente "fresco que nem uma alface"?
E haverá possibilidade de isso ser conseguido por alguém que até esteve bastante envolvido no movimento que iniciou tal tendência...lembram-se do electroclash?!
Acredite-se aou não, sim, é possível.
Como?
Que tal uns toques de jazz saltitante?!
Que dizem a umas doses q.b. de folk etérea?
E a umas discretas intereferências de tecnho minimal ou de trovadorismo dorido bem ao jeito de Scott Walker?
"Smoke The Monster Out" tem o selo da Get Physical e é o primeiro registo de Damian Lazarus...
Palavras para quê...uma salada resultante de um punhado de estilizadas canções com C maiúsculo de ouvir e chorar por mais!
Depois de "Sci-Fi-Lo-Fi - Vol. #02 - Night Of The Dark Machines", Lazarus volta à carga e faz-me continuar a acreditar (cada vez mais) que realmente há gajos que andam mesmo noutras órbitas...conseguem topar o alcance disto?


Voz Humana

O silêncio de uma mulher que aguarda no vazio o telefone tocar.
Espera por uma última conversa telefónica com o ex-amante que terminou a relação para casar com outra.
O telefone toca.
Ele do outro lado, desta vez fora do seu alcance, sustenta um falso diálogo através de um fio que os mantém ainda ligados.
Ora aparentemente segura de si, ora dilacerada pela mentira, vai-se transfigurando pelo fim inevitável da relação.

Autor: Jean Cocteau, Encenação: Bruno Esteves, Interpretação: Júlia Roxo, Produção: Cães à Solta

Hoje à noite pelas 22:00 na Casa do Povo de Alcains

sexta-feira, 3 de julho de 2009

Sinergia Summer Camp ´09

Embora com 2 dias de atraso, nunca é tarde para destacar certas e determinadas festas que começam a fazer mexer o nosso quadradinho.
São cada vez mais e melhor estratificadas...do metal ao rock, da erudita ao jazz, do pop à electrónica elas aí estão a prometer mundos e fundos...até as rebaldeiras têm um cantinho no mundo dos festivais, basta olhar para um qualquer cartaz afixado num café...
Haja vontade e algum dinheiro na carteira e está tudo bem, aliás por cá nem a "gripe internacional" (agora é tudo internacional...que chatice...será que não podemos ter uma gripe tipicamente portuguesa ou uma crise só portuguesa? Agora é tudo à escala global...) quer chegar...ou pelo menos há mais coisas em que pensar.
O "Sinergia Summer Camp" é um dos primeiros festivais da época estival dedicado às sonoridades electrónicas e que começou no passado dia 1 e se prolonga até dia 5 de Julho.
Tem lugar no Parque de Campismo de S. Gião em Oliveira do Hospital e conta conta com uma série de artistas, quer nacionais como internacionais, representativos das alas trance, progressive e techno.
É organizado pela subprodutora Omium, (a equipa do Boom) e conta com duas áreas de música, Sinergic Floor e Comfy Nest além de diversos espaços dedicados a outras formas de cultura, tudo isto com um intenso verde em redor e uma praia fluvial ali mesmo ao lado.
De entre muitos nomes consagrados da cena mais musculada e ritmada da electrónica, um especial destaque para a malta da Sonic que marcará presença com Marc Antona, Exercise One, Kanio, Paco Osuna e o mais internacional dos djs portugueses com ligação directa à Kompakt, Expander.
Este ano a coisa está mais dançável, ainda bem!

quinta-feira, 2 de julho de 2009

The Future Will Come

Que dias estes que passam sem parar…será que é possível pedir uma certa dose de calma a determinadas pessoas, lembrar-lhes que estamos quase de férias...?
Ainda bem que não faço da música a minha forma de vida profissionalizante…

Depois da estreia “Less Than Human”, Juan Maclean deixa-se transportar para a liga dos humanos.
“The Future Will Come” bebe directamente de uma das grandes fontes inspiradoras de Maclean, os Human League e revela um tiro certeiro no alvo.
As electrónicas inteligentes, que juntam batidas e melodias irresistíveis a vozes e letras que não são meros ornamentos.
Há duetos com Nancy Whang dos LCD Soundsystem em “The Station” e “Onde Day”, momentos de puro disco “made in século XXI” e até vénias ao mestre James Murphy em “Human Disaster”…sensação estranha, lembra-me a “New York, I Love You But You´re Bringing Me Down” do sideral “Sound Of Silver”…hum!
Ambicioso e quente de sangue humano, este segundo registo de Mclean é uma boa resposta americanizada aquilo que de alguns tempos para cá se tem andado a produzir nas Europas.
Eu gosto e aconselho!
Andamos muito virados para o futuro…será que ainda vamos ver o Sr. Bruno Carvalho a proporcionar a passagem mais curta de um treinador de futebol por um clube português…e sem fazer nenhum jogo
Aí é que me fartava de rir…mas viva o Benfica, pah!


quarta-feira, 1 de julho de 2009

Dj Ride - Beat Journey (xclusive OD)

“Beat Journey” numa primeira análise é vibrante e invasivo.
Saboreia-se o prato, agora com calma, e sem dúvida alguma que esse alguém que está por trás disto tem (e tem mesmo!!!) uma mente prodigiosa.
Breaks escolhidos com precisão cirúrgica, um entendimento superior da ciência de produção, arranjos que revelam uma mente em efervescente concentração.
Ride desenha o futuro em cada novo beat e aí se cruzam as mais recentes referências, dos fracturantes baixos do mais avançado dubstep às mais ácidas linhas sintetizadas criadas em LA por nomes como Flying Lotus, passando pela liberdade do jazz, pelo rigor da electrónica e pelo peso do hip hop mais tradicional.
O incrível e ao mesmo tempo o inesperado, é que Ride combina tudo isto em proporções inéditas, oferecendo-nos música que nunca se ouviu antes: em parte nenhuma do planeta...não é exagero!
A imaginação é nele uma ferramenta muito mais importante do que qualquer mpc, laptop ou teclado moog, embora todos esses artefactos lhe sirvam para traduzir o que lhe vai na alma, no cérebro e nas veias.