2010 é o ano em que Rocky Marsiano reinventa o seu ponto de gravidade. Em “Back To The Pyramid”, o jazz continua a ser, por eleição, o espaço de improviso do quarteto. A filiação estética ao hip-hop está lá, a conciliar pianos, sopros e cortes de scratch dentro do compasso instrumental que conta a história do próprio D-Mars. O brilhantismo está em já não sabermos qual predomina e qual é que cede, porque a harmonia entre os dois leva-nos pela mão, impede-nos de os querer distinguir. Um ano depois de "Outside The Pyramid", D-Mars reassume o pioneirismo de Rocky Marsiano ao lado de Rodrigo Amado, André Fernandes e D-Fine. Para mim, o verdadeiro groove lusitano em estado líquido...às voltas com as pirâmides! Venham eles!
Há já alguns dias que não aparecia na Xangai, mas esta altura do Natal tem sido demasiado movimentada, com compromissos para todo o lado, que nem as coisas de "trabalho oficioso" tenho conseguido despachar. Ainda bem...assim sabe bem melhor! Para a semana! Ou para a próxima, logo se vê! No entanto, agora que tudo está mais calmo, trago-vos novas do mundo do space-disco...ou algo do género! O norueguês Hans-Peter Lindstrom encerra 2009 provando ser o artista mais criativo da invasão nórdica que assolou a música de dança moderna nos últimos anos. Depois da aventureira em jeito de "jam session" que marcou o seu retorno em dupla com Prins Thomas em "II", Lindstrom fecha o ano com o disco "Real Life Is No Cool", uma vitrine de requinte e bom gosto ao lado de Christabelle. O lançamento ocorreu este mês sob tutela da Feedelity (selo editorial de Lindstrom) e também pela Smalltown Supersound, um dos melhores redutos editorias da música de dança nesta década. Christabelle é a morena Isabelle Haarseth Sandoo, cuja sensualidade está na voz macia e claro, nos seus lábios apetecíveis. Parceira das progressões cósmicas de Lindstrøm desde o começo da sua carreira, destacou-se em faixas como "Music (In My Mind)" de 2003 e no próprio "primeiro" tomo do norueguês, "It's a Feedelity Affair". "Let it Happen" e "Let's Practise", que agora aparecem em "Real Life Is No Cool", surgiram em 2007 e tinham por baixo assinatura de Solale, nome adoptado por Christabelle na altura. "Real Life Is No Cool" apresenta-se como um registo irónico às avessas! Lindstrom está mais divertido e sexy que nunca! Olhando para os primórdios da disco music nórdica, Lindstrøm e Christabelle vistos hoje, surgem como uma espécie de reinvenção da parceria histórica entre Moroder e Donna Summer. Sensualidade negra é casada magistralmente com o branquelismo harmónico e robótico europeu. E se quisermos esmiuçar mais a coisa, podemos dizer que de certo modo, foi assim que nasceu a house music e o techno. "Real Life Is No Cool" abre com a curiosa "Looking for What", em que Lindstrom picota os versos de Christabelle numa abstração quase assustadora e o synth "Morodiano" surge ritmado por pianos gordos e riffs hipnóticos. Quando o piano surge grandioso, a morena começa a cantar e soltar as suas frases desconexas, em espécie de monólogos sussurados. Hype neo-disco deixado a largas galáxias atrás...cada vez mais cheio de personalidade pop electrónica por excelência! E de facto, o disco vai bem mais além, muito mais além! "Baby Can't Stop" é um electro-funk que lembra Yuksek e Les Rythmes Digitales, saxofones homenageando "Wanna be Startin' Something". É feito para as pistas de dança, mas "Real Life Is No Cool" tem uma animação mais contemplativa e "atmosférica" do que necessariamente "clubber". As explosões de "Lovesick" são ótimas! E a remix pelos Aeroplane, genial! "So Much Fun" é piano house puro, com guitarras abafadas. Neo-disco típico que me fazem acreditar cada vez mais no paralelismo (umbilical) com os ABBA. Lá já para o fim, "Never Say Never" brinca com a rotação ao contrário e é no mínimo enigmática! Culmina com "High & Low" que chega de mansinho carregada de R&B, com Christabelle armada em fofa e a fazer lembrar uns Glass Candy ou uns Chromatics. A mais recente parceria de Lindstrom com Christabelle é um novo ápice na carreira do produtor norueguês, que terá lançamento anunciado para os EUA e Europa só lá para Janeiro, porém já por aí circula nos meios menos óbvios... Para quem não quer esperar mais tempo...aconselho-vos que vale bem a pena todos os kb gastos na sua transferência! Neo-pop espacial de excelência! Que (período) de Natal fantástico! Que final de ano mágico!
"Heligoland", o quinto registo dos ingleses Massive Attack, começa a tomar formas oficiais. Saiu na semana passada o primeiro clip da excepcional "Paradise Circus", que conta com Hope Sandoval na voz...mais uma, a juntar-se ao extenso rol de convidados de luxo (Martina Topley-Bird, Damon Albarn, Guy Garvey, etc.). O vídeo é uma espécie de mini-documentário, em que a actriz Georgina Spelvin, conhecida pelo seu desempenho em "Garganta Funda", do alto dos seus 73 anos, fala sobre sexualidade, prostituição e de performance sexual frente às câmaras. Visual desleixado cortado a direito com uma linha de baixo bem potente em alternância com o sossego e sensualidade... Está quase, quase, quase a chegar... A gente espera mais um pouco!
"Um orgasmo é aquele ponto no tempo que não pode ser medido. Um místico instante que não existe nesta dimensão. Oh boy..."
Depois de alguns dias fora do pouso habitual, eis-me de regresso à escrita!
Há precisamente dez anos o fim do milénio conheceu a banda sonora psicadélica do apocalipse, trazido pela fervilhante e inquieta mente de Wayne Coyne e seus companheiros de detonação.
«The Soft Bulletin» significava o culminar de um percurso de quase 15 anos em que os Flaming Lips se dedicaram a embarcar em múltiplas viagens egocentristas, embalados por cocktails narcóticos e por um sentido errante de aventura cósmica traduzida em sons. Uma obra-prima que lhes assegurou um lugar cativo em muitas das citações da década que se lhe seguiu. Depois disso, a banda de Wayne Coyne abrandou o ritmo criativo e entregou-nos apenas mais dois álbuns («Yoshimi Battles the Pink Robots» e «At War With The Mystics») em que o arrojo tentado não foi capaz de encontrar uma formulação plástica condizente, dando a ideia de estarmos perante um conjunto de músicos conscientes que o caminho não poderia ser a repetição - mais ainda depois de «Soft Bulletin» - mas que ainda não tinham enfrentado na plenitude a luz brilhante que os conduziria no sempre difícil processo de reinvenção.
Até «Embryonic»!... É neste disco que parece termos encontrado, pela segunda vez, a pacificação do final de jornada de uns Flaming Lips que decidiram abrir os braços à electrónica, nela induzir um conjunto avantajado de cosmologia psicadélica, e com isso traduzir os devaneios existenciais de Wayne Coyne - qual chapeleiro louco que reclama que o levem a sério - num agregado sonoro esteticamente relevante. Isto significa que, no essencial, nada mudou em «Embryonic», enquanto que no pormenor notamos diferenças nas subtilezas utilizadas para a exploração de uma música que não é acessível na sua quase paranóica personalidade difusa, mas que arrisca ao máximo na tentativa de encontrar com esses fundamentos uma conjugação de familiaridades que, mesmo soando estranhas, se fundem num pleno sentido e adquirem uma afabilidade marginal que, no limite, justifica a totalidade não só deste disco mas do percurso que até ele conduziu os Flaming Lips. Dito de uma forma simples, é notável constatarmos que, dez anos depois, os Flaming Lips encontraram a forma correcta para se tornarem de novo incontornáveis e mudarem para «Embryonic» as coordenadas de um bom número de citações na próxima década.
Desde há já alguns anos que os The Doors autorizaram vários produtores musicais de música eletrónica a terem permissão para remixarem suas obras. Acreditam que isso possibilitará a apresentação da banda às novas gerações. Existe pois, uma história de um produtor inglês chamado Vidler que segundo conta a lenda costumava cantarolar no chuveiro a letra de "Riders on the Storm", sucesso lançado pelos The Doors em 1971, quando houve uma vez que enquanto cantava estava tocar no rádio a "Rapture", um hit que os Blondie gravaram em 1980. Partiu de imediato para o seu computador e começou a fazer a mistura (digital) das duas canções... O resultado do mashup ficou tão bom a ponto de ter sido incluído em "Greatest Hits: Sight + Sound", uma compilação de sucesso dos Blondie lançado em 2005. Para conferir, deixo-vos o clipe "Rapture Riders", que funde imagens de Jim Morrisson e Debbie Harry.
Um verdadeiro liquidificador musical com uma combinação irresistível...e sim, disparatada! Boa surpresa no regresso a casa!
Quando os :papercutz quiseram existir como banda, o público deu-lhes reconhecimento imediato. Quando almejaram boas críticas, o retorno veio em cinco estrelas e prémios de revelação. As expectativas vão-se superando ao longo de um percurso ascendente que passou por Henrique Amaro, radialista da Antena 3, quando os chamou para Novo Talento Fnac. Seguiu-se a conquista do importante galardão “Off the Beaten Track” (cujo júri era Annie Nightingale da BBC) do The People’s Music Awards, ao qual somaram o prémio na categoria “Ones To Watch” promovido pelo Myspace Internacional em parceria com a Vodafone. O derradeiro passo na internacionalização chegará com o festival South by Southwest no Texas, entre Março e Abril de 2010, onde os portugueses vão marcar presença pela primeira vez num dos maiores pontos de encontro da cena musical internacional. No bolso levam o álbum de estreia "Lylac" lançado pela a editora de Montreal Apegenine Recordings, pop oscilante entre o inglês e a língua mãe sem nunca cair no cliché, magnético pela melancolia da voz, surpreendente pelas cores e pormenores.
Para confirmar, dia 19 no bar mais movimentado do Cais do Sodré, Musicbox!
Sempre que é anunciada alguma novidade para os lados de Barcelona, nomeadamente em relação ao Sonar, a Xangai tenta ser uma das primeiras vozes a noticiar o acontecimento. Não só por partilhar um conceito de música similar mas acima de tudo, pelo "carinho" e intervenção que o festival catalão tem sobre mim. Pois é, este ano o Sonar acorre em simultâneo em Barcelona e Coruña e conta já com os dois primeiros nomes confirmados.
Novas no mundo da música para abanar as ancas... O duo italiano Crookers disponibilizou mais uma faixa do seu "Tons of Friends", que tem lançamento planeado lá para Maio de 2010 e conta com a presença de alguns amigos entre outros coladoradores. "We Love Animals", que abre o álbum, foi gravada juntamente com Mixhell e os Soulwax e desde a semana passada que está no site dos italianos para download gratuito.
Pausa para mais uma sandes e novidades na ponta dos dedos! Depois da bela surpresa que foi a recepção do Stylophone, já falado anteriormente na Xangai, aproveito para dizer que por mais que procurem, em Portuagl está mais que esgotadíssimo, só prevendo nova reedição para o ano que vem. É por isso altura, para dar um passo em frente e apresentar o Stylophone do "novo" século XXI. Dos mesmos criadores vem uma nova versão do Stylophone, exactamente com a mesma tecnologia que transformou o primeiro modelo num compreensível sucesso, mas com algumas actualizações que farão as delícias até daqueles que se acham fora de tom. Desde a função “Scratch”, passando pela percussão e acabando nos ritmos do baixo, esta frágil máquina é capaz de manter entretido o mais avançado músico. O Stylophone Beatbox é mesmo isso, uma caixa de ritmos com a particular função de gravação, ou seja, é possível criar loops que vão do simples ao complexo dependendo apenas do estado de espírito de cada um. Interage com aparelhos da mesma forma que a versão anterior, com uma saída “mini jack“para headphones e uma entrada igualmente “mini jack” para ligar aparelhos externos como um leitor de cds, mp3 ou até outro Stylophone. É sem dúvida alguma uma das máquinas musicais para a segunda década do século XXI e vem provar que cada vez mais o analógico está a recuperar algum do território que perdeu para o digital. E pela Xangai, apreciamos com o devido entusiasmo! À venda na Matéria Prima!
Parecia que tudo previa rolar para uma semana bem calma, com tempo que sobra para me dedicar à investigação "pura e dura" no sossego do lar intervalado com umas horinhas de formação pelo meio, porém a "revolução" instalou-se hoje de tarde. Objectivo: Lisboa-Coimbra-Castelo Branco-Lisboa = 1 so dia! Carregar o iPod com muita musiquinha e o depósito também...e vontade para dar e vender! Jazz Liberatorz, um trio formado 3 produtores franceses: Dj Damage, Dusty e Madhi. Jazz e Rap aliados contra a pressa citadina a ditar os novos rumos da música fusionista do momento!
"Clin D´Oneil", editado o ano passado pela Kif Recordings e Massala conta com participações magestosas de Tre e Fat Lip dos Pharcyde, Asheru, J. Sands, Apani B., Sadat X, J-Live, Buckshot entre outros... Genial para o final da tarde...com frio lá fora e um radiador aos pés!
Porque por vezes, o que mais interessa é uma batida certeira sobre uma calmaria hipnotizante. Sem grande conteúdo para os peritos, apenas para pôr as ideias em ordem! O "loopiante" e emblemático "Superman" da Senhora Laurie Anderson, revisto por M.A.N.D.Y. e Booka Shade. Afinal, porque é que às vezes é preciso complicar tanto com "decorações excessivas e escusadas"? O simples cai tão bem! Boa semana!
É facto incontornável que cultura da música de dança (e não só!) sempre andou de braços dados com as grandes revoluções psicotrópicas do momento! Hoje é notícia na Xangai, a ebulição de uma nova "droga", aliás, não é nova, a forma essa sim...completamente inesperada e altamente polémica...ou a coisa não se tratasse de "política"! A polícia do Texas, nos Estados Unidos, encontrou diversas pastilhas de ecstasy com a imagem do presidente democrata Barack Obama, que já havia ilustrado tirinhas de ácidos há uns tempos atrás. A apreensão ocorreu na fronteira do México, juntamente com outras substâncias menos legais, mas que para agora não são para aqui chamadas. O porta-voz da polícia comentou que as pastilhas pareciam-se com vitaminas para crianças, e que o departamento já havia apreendido anteriormente pastilhas retratando personagens mediáticas como o Homer Simpson ou os Smurfs.
Em "O Resto é Ruído", Alex Ross, crítico musical da revista americana New Yorker, não só conta a história da música do século XX, como mostra que a música de vanguarda entrou no léxico musical pop enquanto era usada pelas mais tenebrosas ideologias.
Altamente recomendável mesmo para quem nunca ouviu música clássica!
Os norte-americanos Sunn O))) regressam a Portugal a 2 de Fevereiro de 2010 para apresentar o aclamado "Monoliths & Dimensions", lançado este ano. O concerto acontecerá num local de Lisboa a anunciar em breve pela Galeria Zé dos Bois, promotora do concerto. No concerto de Lisboa, Stephen O'Malley e Greg Anderson vão apresentar-se com Attila Csihar (vocalista dos Mayhem) e Steve Moore (trombonista e teclista dos Earth), ambos parte da formação que gravou o último disco. Na primeira parte vão estar os Eagle Twin, que navegam por áreas estéticas não muito distantes dos Sunn O))). "Monoliths & Dimensions" é o sétimo álbum de estúdio da banda, dona de um papel tutelar no metal mais experimental e na música "drone" mais agressiva. Neste disco, os Sunn O))) acrescentaram novos elementos à sua música, como uma secção de sopros, harpa, piano, cordas e um coro vocal feminino. A última passagem dos Sunn O))) por Portugal foi em Março de 2006, na Casa da Música, no Porto.
Até parece mentira! Lindstrøm, Spank Rock e Makossa & Megablast vão marcar presença no primeiro Clubbing da Casa da Música de 2010, marcado para 23 de Janeiro, confirmou ontem o Ípsilon junto de fonte da instituição cultural do Porto. O norueguês Hans-Peter Lindstrøm é um dos artistas fundamentais da cena nu-disco escandinava. A solo ou com Prins Thomas, o autor do tema "I Feel Space" teve uma ascensão meteórica no meio electrónico. Já assinou remisturas para LCD Soundsystem e Franz Ferdinand e em Janeiro de 2010, será editado "Real Life Is No Cool ", uma aventura partilhada com a cantora Christabelle. Spank Rock é um MC (e, ao mesmo tempo, um grupo!!!) de Filadélfia, interessado no lado mais festivo, sexual e sujo do hip-hop. A sua atitude descomplexada perante o género, o apelo de pista das batidas e as letras picantes fizeram de "Yoyoyoyoyo" um dos grandes discos de 2006. Os Spank Rock actuam no Lux no dia anterior. O Clubbing de Janeiro conta ainda com a dupla austríaca Makossa & Megablast, que cruza o dub, a música étnica, a house e outros estilos. Soube por entre dentes que os Teratron também faram parte da ementa da noite... Melhor era impossível!
Desatinado... E como hoje estou numa maré de música nacional, directamente para o topo do bolo das muitas, que por certo, farão parte das melhores e mais empolgantes produzidas em Portugal, vai esta "On The Radio" dos X-Wife. Não é nova nem tenciona ser esse o intuito...apenas porque é a primeira que ouço ao entrar para o carro...vai para 4 dias! Será doença, vício ou mero bichinho do "feeling the power"?
Não me dou muito a satisfazer vontades dos outros só porque sim! Tento manter sempre uma linha orientadora minimamente coerente, porém hoje abro uma excepção. Chamam-se Pintarolas! E consideram que a Xangai tem prestado um bom serviço em prol da divulgação da música produzida em solo nacional ("obrigados"!!!) por isso decidiram enviar um pedido de divulgação. Não há sintetizadores nem qualquer vislumbre de "avancismo" (tecnologicamente!) musical (na minha opinião, claro), contudo parecem ser gente boa e acima de tudo têm valor pela iniciativa. Por entre guitarradas desbravadas e batidas aceleradas há mais que motivos para a malta do "moche" poder deleitar-se! O álbum chama-se "Vai João" e foi inteiramente produzido pelos próprios! Mostram o que valem em www.myspace.com/pintarolas e o link com o album encontra-se em http://rapidshare.com/files/295059236/Pintarolas_-_Vai_Jo__o_-_2009.rar.html Mais vale muitos e bons que poucos e maus!
(Afinal, onde é que eu já vi certas bandas chegar tão alto, sem sequer terem o mínimo de valor e serem puramente guiadas por uma comunicação social sedenta...dê-se oportunidades a quem verdadeiramente acredita que está a criar algo à sua moda!!!) Portanto, siga! Para todos, boa sorte!
Com o ano mesmo a fechar, a loja Optimus da Casa da Música, Porto, irá receber um dos nomes mais imprescindíveis do cenário musical português. No próximo sábado, dia 12, teremos pois oportunidade de apreciar os ritmos urbanos que pontuam “Beat journey”, o novo EP de DJ Ride, lançado pela Optimus Discos. Depois de ter acolhido artistas nacionais e internacionais como Márcia ou Colbie Caillat, este revolucionário espaço, assente exclusivamente em tecnologias de ponta, assume-se como um verdadeiro símbolo de dois dos princípios basilares da identidade da Optimus: a inovação e a música.
A próxima edição do Sundance Film Festival, a ter lugar em Utah, nos Estados Unidos da América, entre os dias 21 e 31 de Janeiro, irá ser o cenário para a ante-estreia mundial de "ODDSAC", a película dos Animal Collective, realizada por Danny Perez. Este filme, que contará também com música do grupo de Baltimore, é descrito por Avey Tare desta forma: "It's kinda like a psychedelic film, it's not like a narrative film or anything" (in Op., 4 Dezembro)
Seguem-se 2 músicas que fazem parte dos EPs que antecedem os próximos álbuns dos Buraka Som Sistema e dos Hot Chip. Há quem diga, promete só o que podes cumprir...a ver vamos!
Depois de um dia inteiramente dedicado ao "verdadeiro espírito natalício" e de ter "queimado" algumas boas horas de trabalho em breves passagens do cartão de crédito por algumas...muitas maquininhas pequenas, eis-me de novo em casa..."e a mandar as mãos à cabeça" pelo somatório que agora me aparece na calculadora! Parecia que não era assim tanto... Recebi hoje um mail da ESART (Instituto Politécnico de Castelo Branco) a anunciar a publicação do número quatro da revista Convergências – Revista de Investigação e Ensino das Artes. Segunda a Edição Editorial: "constata-se que a participação e autoproposta de artigos é cada vez maior e além fronteiras, bem como que a média de leituras tem uma subida constante sendo que a média de 400 visitas semanais do ano de 2008 foi mais que duplicada neste ano". Tendo somando um total de 48 307 visitas entre 1 de Janeiro de 2008 e 7 de Dezembro de 2009, os leitores da Convergências distribuem-se por países como: Portugal, Brasil, Espanha, México, Itália, Argentina, Colômbia, Venezuela, Estados Unidos, Alemanha, Chile, Peru, Equador, Reino Unido, Angola, França mas ainda outros países com menor expressão como Bolívia, Moçambique, Costa Rica, República Dominicana, Guatemala, Noruega, Cabo Verde, Canadá, Uruguai, Finlândia, Honduras, Bélgica, Cuba, Coreia do Sul, Suíça, Nicarágua, Eslováquia, Costa Rica, Guatemala, Austrália, Índia, Polónia, China, Paraguai, Noruega, Turquia, Taiwan, Singapura, Croácia, Bulgária, Indonésia, Marrocos, entre muitos outros. Os próximos números vão ser publicados em Maio (sendo a proposta de artigos até Março) e Novembro (com proposta de artigos até Setembro) de 2010.
São alemães mas residem em Barcelona, chamam-se Paul Rose e Carsten Galle e este ano deixaram de boca aberta o Sonar com a sua última criação: " El Sistema Reacball". Uma câmara, um computador, um controlador midi e uma bola de futebol!
Fundaram em 2006 o Institut FATIMA, Institut For Advanced Technologies In Music and Arts. "No hay control absoluto, sino una dosis de descontrol que alimenta la creatividad".
Robag Wruhme, de seu nome verdadeiro Gabor Schablitzki, é a cara metade dos Wighnomy Brothers. Produziu em 2004 o álbum "Wuzzelbud KK", catalogado como de electro/IDM/house progressivo. Após uma série de EPs que iam chamando a atenção para o trabalho deste jovem artista, "Wuzzelbud KK" foi unanimemente considerado pela crítica especializada como um dos discos do ano, e foi com certeza um dos mais ouvidos nas pistas de dança em 2004. Já em 2005, juntamente com Jay Haze, fez parte do EP "Socrates Rules", tendo igualmente editado o EP "Wortkabular", com remisturas de Tobi Neuman e Luciano. “Papp Tonikk” e “The Lost Archive_1998/2007” foram os seus últimos registos, até “Abusus Adde”, editado este ano pela Vakant. O tema “Love the Machine” dos Martini Bros chegou aos ouvidos de muitos, através da remix executada por Robag, tal como havia sucedido com “All She Want Is” de SCSI 9, “Routbauchunken” de Dominik Eulberg ou “O Superman” de M.A.N.D.Y. Quer a solo quer partilhando os pratos com o seu “irmão” Whignomy, Robag apresenta uma selecção musical única que vai do techno minimal, ao tech-house, passando pelo house progressivo e nu-school-broken-beatz, transformando a pista de dança num local de festa onde tudo vale, sobretudo devido a um sentido de humor único e contagiante. Vem a Portugal na próxima 5ª feira para mais “Cama de Casal”, juntando-se a Expander. O segredo passará pelo prazer que dois amigos sentem em tocar juntos e pela diversidade de influências a que cada um se encontra sujeito. Imperdível!!!
“Made To Measure” é um álbum com princípio, meio e fim, e assim se deve ouvi-lo. Entrega-se de corpo e alma à electrónica actual, deixando bem clara a perseverança de Pedro Goya em querer continuar a produzir música ao mais alto nível.
«Circle The Yes» é o segundo álbum dos I Might Be Wrong, banda berlinense que no início de 2009 se estreou com «It Tends To Flow From High To Low» e que para nosso prazer optou por não conter o forte impulso criativo que a atingiu logo após ter sido reconhecida como uma proposta estimulante. Este é um disco que percorre o fio da navalha, submerso na asfixiante dicotomia universal que tende a tudo resumir à afirmação ou negação, reduzindo a zero o espaço à sua combinação ou à sua equação crítica. E abre o flanco à apatia, à inacção que congela os membros e a mente enquanto a dúvida existencial não se resolve. Tudo isto parece assombrar a temática escolhida pela vocalista Lisa von Billerback que reflecte, ela própria, com a sua voz febril e semi-distante, acerca da inoperância que atinge o âmago de uma época sem grandes causas e em crise de abundância de imagens e sons. Tornada música, esta moldura enquadra uma figura híbrida de indietronica, servida por cascatas de guitarras ansiosas e dolentes, enquanto o batimento cardíaco alterna entre a síncope quase matemática e a ternura assustada por algo que é incapaz de ser compreendido. Tudo, aqui e ali, aconchegado em pequenos rebuçados de electrónica que trazem no regaço carícias assombrosas. Com estes elementos na sua composição essencial, «Circle The Yes» é um disco sedutor pela familiaridade com que se imiscui nas nossas cogitações interiores, não propondo uma estética alternativa a outras já ensaiadas, mas acrescentando pequenos pormenores de bom gosto que tornam deliciosa esta revisitação a territórios já anteriormente por nós visitados, exibindo uma capacidade notável de, dada a dinâmica dicotómica das emoções que produz, renovar o processo de estimulação artística e degustação musical.
O regresso aos palcos em 2007 e a edição no final do ano seguinte da caixa “MEV 40”, constituída por quadro CDs com registos em concerto realizados ao longo dos seus 40 anos de existência, fizeram com que o colectivo Musica Elettronica Viva continuasse nos dias de hoje a sua intervenção única. O núcleo duro dos MEV foi sempre constituído por Alvin Curran, Richard Teitelbaum e Frederic Rzewski, a eles se adicionando Allan Bryant, Carol Plantamura, Ivan Vandor e Jon Phetteplace. Ao longo do tempo, tiveram ainda um vastíssimo rol de colaboradores, do qual sobressaíram Steve Lacy, George Lewis, Karl Berger, Garrett List e o português Carlos “Zíngaro”. O impacto dos MEV foi tal entre os finais da década de 1960 e o início da de 70 que o realizador Michelangelo Antonioni incluiu o grupo, juntamente com os Pink Floyd e Jerry Garcia, líder e guitarrista dos Grateful Dead, na banda sonora do seu filme “Zabriskie Point”. O objectivo era claro: romper não só com as convenções da música erudita contemporânea, recusando, designadamente, a partitura, como também com as impostas por parte do jazz. Curran, Teitelbaum e Rzewski já estiveram em Portugal, mas em outros contextos. O primeiro veio com o Rova Saxophone Quartet para uma edição do Jazz em Agosto e os outros dois integraram um quarteto com Barre Phillips e “Zíngaro”, tendo Teitelbaum também actuado em duo com o violinista de Lisboa no Centro de Arte Moderna da Gulbenkian. Juntos, e enquanto Musica Elettronica Viva, é a primeira vez que os vamos ouvir.
Hoje à noite, pelas 21:30 em Serralves. Comemorações 20 Anos Fundação de Serralves - 10 Anos Museu de Arte Contemporânea.
Quando falamos em coligações o que deveríamos ter em mente é precisamente isto: uma consequência de talentos coligidos em vontades complementares, com palato e perfume e tacto, com a sensibilidade da pele sobre a corda, da pele sobre a pele, com os dentes a ranger para dentro, que ninguém nos ouve, presos numa explosão de braços que nos há-de ditar a sorte, vitória ou morte, como se diz, mas desta vez com a batalha de luz a passar-se na grafonola, cada tiro uma medalha. Norberto Lobo e Guilherme Canhão são dois dos melhores guitarristas portuguesas da nova geração, que se juntaram em Tigrala ao multi-instrumentista Ian Carlo Mendoza, toca percussão, vibrafone e milhares de objectos reinventados. O trio ainda não tem material editado, o último ano tem sido feito de palco, do público a quem mostra novos imaginários e novas músicas sem fundo.
Para degustar hoje à noite a partir das 23h no Musicbox (também com a actuação de Sei Miguel e Aquaparque).
Vem das terras do Tio Sam e é conhecido por Girl Talk. Gregg Gillis no BI e original dos lados da Pensilvânia, conta com 4 álbuns na carteira, todos editados pela Illegal Art, uma editora especializada no uso de samplers e creative commons. Com um estilo único, Girl Talk utilizada somente diversos samplers para construir suas músicas. Mas hoje o destaque vai para o seu último registo "Feed The Animals". Com mais de 300 samples em menos de 1 hora, remete-nos para épocas diversas das nossas vidas e invocando fases esquecidas. Provavelmente é essa ode ao passado a grande responsável pelo estado de espírito em que sou acometido ao ouvi-lo... Rage Against the Machine, Jay-Z, Twisted Sister, Avril Lavigne, Michael Jackson, Radiohead, Queen, Beastie Boys, The Police, The Cure, Faith No More, The Jackson 5, Yeah Yeah Yeahs, Public Enemy, Eminem, Nine Inch Nails e mais umas dezenas valentes. entre centenas de outros. Confira nesta lista todos os samples de Feed the Animals. Com este repertório não há como não embarcar numa viagem ao tempo! Um verdadeiro génio! Além do nome de Girl Talk, o músico tem outro projeto pessoal, Trey Told 'Em, em conjunto com Frank Musarra dos Hearts of Darknesses. É muita música!
Pensar localmente e agir globalmente é uma das ideias mestras dos tempos modernos e traduz o impulso por trás da parte importante da produção musical contemporânea: se em tempos as bandas queriam soar a Londres ou Nova Iorque independentemente do ponto de origem, hoje reclamam as cores locais como marca de identidade.
Enquanto se põem a caminho de Londres ou Nova Iorque.
Contributo importante para esse fluxo é o álbum de estreia de Batida, programa de rádio da Antena 3 agora também projecto musical apostado em medir o pulso às ruas de Luanda e em actualizar o fabuloso legado da música criada nos mussekes da Angola urbana.
Música para pistas de dança modernas sintonizadas com ritmos do kuduru que acaba por ser um comentário à globalização e processos de geração de identidade.
Aqui procuram-se bandas sonoras e outras experiências para electrificar de forma indecente momentos descomplexados ou outra qualquer ocasião onde a celebração da música seja importante.
A música que se procura é aquela que é descoberta através de um caminho indefinido, traçada ao sabor das circunstâncias, numa sequência de convulsões e remontagens, numa relação de absoluta sedução com balbúrdia.
Um caminhar aleatório e desconcertado pelos trilhos sinuosos do mundo das extravagâncias sonoras, fazendo paragens nos lugares mais resguardos do silêncio.
Johnny Cooks Dance é o alter-ego gira-disquista de João Alberto, constituindo-se como a sua faceta mais tresloucada, colorida e imprevisível, resultante do seu incessante vício em procurar novas sonoridades e outras motivações! Herdeiro “pós-moderno” de um espírito naturalmente híbrido e experimental, carrega o estandarte da premissa ”DJs are not rock stars.”, afirmando-se como uma personagem que vive da música e gosta de partilha-la, deixando os termos de mix-CDs, sets, bpms, fades, pitchs para os “Djs a sério”. Com uma criteriosa e cuidada selecção musical que privilegia uma certa espiritualidade em detrimento da funcionalidade exigida pela pista de dança, Johnny Cooks Dance começou a sua vida em festas privadas numa atmosfera construída por uma forte rede de amizades a ocuparem o centro das atenções e das intenções. Com uma tendência natural para a imagiologia e fã incondicional de catalogações, durante as suas actuações, o espaço sonoro transforma-se num lugar quase imaginado, preso à realidade por ideias isoladas, reinventando conceitos e misturando aquilo que não se deve misturar, acabando por redescobrir a própria música…pelo menos ele pensa que sim! Ao ignorar o livro de estilo dos DJs, Johnny Cooks Dance encena de forma simbólica um regresso ao estado primitivo da música, decompondo-a em peças elementares e devolvendo-a em conjugações altamente aleatórias e perigosas para quem o escuta! Pensa na música como um espaço num determinado lugar em detrimento dos géneros, onde a música comanda as suas próprias ligações, de forma orgânica fazendo com que no centro da pista ou do salão aquele disco certo suceda de forma mágica ao que parecia estar errado! Ele está enganado e o caminho pode não ser por aqui, disso ninguém duvida! Mas de uma coisa não o conseguem convencer: desistir de fazer aquilo que realmente gosta de fazer que é ouvir e partilhar boa música…ou não acreditasse ele que um dia ainda se levará a sério a lounge music!
Cabletoys
Com a permanente e desenfreada democratização das tecnologias de informação no nosso dia-a-dia, o estar e o lugar deixam de ter o peso e importância como elementos isolados. Estar aqui e agora não significa pensar ou actuar aqui…o ali e o depois deu lugar a uma nova rede de interacções globais, em que o mundo inteiro se encontra ligado à distância de um simples clique. E foi assim que nasceu o projecto Cabletoys! Um novo alter-ego “cósmico-minimalista” de João Alberto, que surge como uma necessidade pessoal de tentar esclarecer-se a ele próprio e a quem o queira ouvir do processo criativo e interpretativo do acto de fazer música…e de como chegar à mesma. Pondo aqui de parte todos os radicalismos que advêm da cultura consumista, Cabletoys recorre a diversos gadgets musicais, aliados a certos engenhos tecnológicos de carácter manipulativo…ou então só para decoração! Já muito se falou e foi escrito acerca deste tipo de abordagem musical, no entanto Cabletoys surge na cena nacional como um projecto inovador dada a matéria-prima em questão. Bizarrias de brincar em comunhão com a seriedade e robustez de sequências definidas…Buddha Machines em loops estonteantes e hipnóticos com vozes perdidas no espaço, mesas futuristas e pulsáteis das Zoundz aleatoriamente construindo ritmos e cadências misturam-se com os devaneios furiosos perdidos naquele espaço. Promete-se uma experiência sinfónica multi-sensorial num retrocesso do digital para o analógico ou mesmo essa mistura, procura-se dar um novo passo em frente para uma nova estrutura musical. Acima de tudo a música, o processo criativo, como se apresenta, os meios de propagação e no final a fruição!