terça-feira, 30 de março de 2010

Drunk Girls

É a primeira faixa do novo e aguardado tomo dos LCD Soundsystem, e tal como das outras vezes, quando o assunto toca a pontos de vista visionários, a Xangai gosta de marcar presença.
"Drunk Girls" para lhe tomar o gostinho!


segunda-feira, 29 de março de 2010

SYNK

Enquanto muito se discute a importância da imagem para os novos DJs e produtores, quem continua a empurrar o mundo da música eletrónica para frente são aqueles, que apaixonados por cabos, knobs, programas de computador e linguagens de programação fazem autênticas revoluções tecnológicas!
Richie Hawtin é um dos exemplos mais clássicos do geek que põe seu esforço mental ao serviço da música, no entanto houve muitos que torceram um pouco o nariz com as suas últimas "invenções", como o exemplo do seu aplicativo de twitter que debitava automaticamente todas as faixas que Richie tocava nos seus DJ sets ou mesmo a apresentação Contakt e a orquestra de laptops com os talentos da M_nus, que recebeu críticas mistas.
Mas para a re-estréia do seu lendário live-act Plastikman, Richie criou algo realmente interessante!
Richie desenvolveu o conceito de um aplicativo para iPhone que aumentasse a imersão do público nas apresentações de Plastikman.
Desse conceito surgiu o aplicativo SYNK, que funciona tanto com iPhones bem como iPods Touch.
Quem tiver instalado o SYNK pode ter o direito de pintar a sua música, bastando para isso que se conecte à rede Wi-Fi Plastikman. A partir daí, os dispositivos pessoais na mão do público irão ser accionados em determinados momentos da apresentação e sob forma de diversos módulos.
A re-estreia de Plastikman aconteceu no último sábado, no festival alemão Timewarp.
Além da novidade da interacção com o público via dispositivos móveis, a nova versão do live-act de Plastikman configura-se como uma apresentação audiovisual completa, com Richie envolto por um tubo de LEDs, interpretando novas e velhas faixas do repertório de Plastikman.
E assim vai andando o fantástico mundo da música avançada!


sábado, 27 de março de 2010

Kraut na Soul Jazz.

A Soul Jazz Records segue a tendência revisionista do momento e investiga os trilhos do rock alemão da década de 70 com a nova compilação "Elektronische Musik".
Delimitando a acção entre 72 e 83, e evitando a palavra krautrock, o álbum percorre a longa distância que separa o devaneio folk dos Gila e as incurssões feitas pelos abismos do ruído dos Faust em "It´s a Rainy Day Sunshine Girl".
Can, Michael Bundt, E.M.A.K., Popol Vuh, La Dusseldorf, Harmonia, Neu!, Cluster, Amon Duu II, Tangerine Dream e Deuter, entre outros, fornecem o restante material deste fabuloso duplo registo!
Altamente aconselhável!








quarta-feira, 24 de março de 2010

A tradição continua a já não ser o que era!

As Chicks On Speed vão lançar as suas novas músicas online gratuitamente já a partir do dia 1 de Abril.
Ao longo dos próximos 10 meses será lançada uma música no primeiro dia de cada mês.
Todas as músicas serão disponibilizadas em www.chicksonspeed.com e em alguns blogs de referência, dando assim aos fãs e artistas a oportunidade de fazerem o download das músicas, e de criarem e publicarem os seus remixes.
Esta colecção de 10 canções é produzida por Phil Speiser, aka Dirty Disco Youth.
As C.O.S. aproveitam uma das vantagens desta grande era digital, eliminando quaisquer empresas ou intermediários entre si e os seus fãs...e nós por cá, só agradecemos!

segunda-feira, 22 de março de 2010

Música de ouro!

Com um percurso marcado pela versatilidade, o britânico Kevin Martin soma e segue, demonstrando uma capacidade criativa notável sob alçada do nome King Midas Sound, ladeado por Roger Robinson, poeta caribenho de spoken word e pela cantora Kimi Hitomi.
O dub como meio de manipulação, contaminado por interpretações vocais que evoluem sobre texturas granuladas minimalistas, alimentado por referências hip-hop e pelo imaginário jamaicano, segundo "orientação da escola de Bristol".
A música é insinuante, entre o delírio fantasista da experimentação, a pertinência das palavras e o apelo escapista.
"Waiting For You", agora editado pelo selo da magestosa (e cada vez melhor) Hyperdub, transforma-se com o tempo, em vício incontrolável.


sábado, 20 de março de 2010

Eloquência no espaço.

Saxofone, electrónicas, contrabaixo, bateria e percurssões, incluindo o hang drum, instrumento que parece ter vindo de outro planeta.
Quatro amigos que partilham uma casa na East End de Londres e criam sonoridades que captam a atenção do ouvido e do imaginário...são os Portico Quartet.
Conjugando instrumentos tradicionais do jazz com elementos contemporâneos, produzem imagens sonoras que apesar de difícil digestão num primeiro contacto, apresentam uma riqueza musical estonteante.
As influências são infindáveis e, por isso mesmo, não parece ser adequado rotular este projecto visionário.
As subtilezas e a estranha beleza dos sons não fovorecem uma audição despreocupada, mas no sítio certo à hora certa "Isla", editado no final do ano passado pela Real World, é sem dúvida, uma fonte de inspiração criativa.





quinta-feira, 18 de março de 2010

Pantha Du Prince

De nome Hendrik Weber este amante de pesca e filosofia dá-se a conhecer como Pantha Du Prince, corria o ano de 2002, através da germânica Dial.
Influenciado pelo techno de Detroit, acid house, ou mesmo pela pop mais suja de nomes como My Bloody Valentine e Slowdive, Pantha Du Prince vinha-se a revelar ao 1º álbum, “Diamond Daze” (2004), construção meticulosa, onde o austero convive com a delicadeza, o sinistro com a emotividade.
3 anos se seguiram, com a edição de 2 Ep’s e remisturas para nomes como Depeche Mode, Animal Collective ou Phantom/Ghost, até ao 2º Lp, “This Bliss”.
Inspirado no minimalismo esotérico de Wim Mertens e com uma identidade já muito vincada, Du Prince dá continuidade a um trabalho assente numa sonoridade marcada pelo requinte melódico e riqueza do seu minimal techno. Sem surpresa, publicações como a Spex e Groove consideraram “This Bliss” melhor álbum do respectivo mês.
“Black Noise”, acabadinho de ser editado este ano pela Rough Trade, é até á data um dos registos mais interessantes no seio da música electrónica.
Com contribuições de Noah Lennox aka Panda Bear, e Tyler Pope (!!! e LCD Soundsystem), “Black Noise” eleva Pantha Du Prince a um estatuto ocupado por artistas como Villalobos ou Isolee, trabalhando com delicadeza e astúcia os princípios do techno e house, e conquistando um maior espectro de ouvintes.
Consta que ao vivo Pantha Du Prince surge como um pintor que utiliza batidas e sons para dar cor e brilho à sua obra, proporcionando momentos de prazer que libertam a imaginação numa viagem hipnótica sem destino marcado.




E agora, em jeito de "apanhado geral"...

domingo, 14 de março de 2010

Tomorrow, in a Year e a evolução da espécies.

Após Silent Shout de 2006, a dupla sueca The Knife atingiu um nível de adoração igual ao dos primeiros acts eletrónicos dos anos 90, como Prodigy e Daft Punk.
Eles são o David Lynch da música eletrónica, assombrando almas e espumando ouvidos com um electro-pop obscuro e contagiante, que cega os olhos perantes criaturas e personagens tão absurdos, criando tanto musical quanto visualmente.
Com a empreitada a solo de Fever Ray, em que Karin Dreijer assumiu o seu alter-ego de bruxa xamânica, a possibilidade de interpretação artística em torno da gênese The Knife provou ser uma fonte inesgotável de criatividade. Afinal, o tal fim do mundo propagado pela ansiedade por 2012 é a cara dos monstros e distorções criadas por estes nórdicos estranhos. A discografia do projecto conta agora com "Tomorrow, in a Year", uma ópera de livre interpretação sobre "A Origem das Espécies", livro revolucionário do biólogo e naturalista britânico Charles Darwin, que completou 150 anos em 2009.
Foi o livro que derrubou com comprovação científica o criacionismo das religiões e crenças, tirando a Deus a autoria de nosso aparecimento na superficie terrestre.
Apadrinhada pela companhia dinamarquesa Hotel Pro Forma, os The Knife contaram com a ajuda dos projectos de electro Mt. Sims e Planningtorock, similares em estranheza a The Knife, para criar a trilha da ópera, que saiu em álbum agora em 2010.
Olof Dreijer chegou a viajar à Amazónia brasileira, onde realizou pesquisas e captação de áudio no laboratório de arte Mamori Art Lab, localizado a 100 km de Manaus, no meio da floresta.
"Tomorrow, in a Year" pode frustar os fãs ávidos por um novo "Silent Shout", e vai decepcionar quem espera a pegada pop de "Deep Cuts", de 2003.
É algo totalmente novo na trajetória de Karin e Dreijer, um trabalho maior, mais complexo, em que a música não é 100% autoral, já que os The Knife surgem aqui como uma espécie de curador, um novo molde da identidade sonora. Karin, aliás, canta pouco, só em "Colouring of Pigeons" e na versão vocal para "Annie's Box".
Como participação especial, já que a dramatização em canto dos 2 actos da ópera (um sobre a vida e a exploração de Darwin e o outro sobre o resultado das suas pesquisas), foram escritos pelos The Knife para serem cantados e narrados por uma cantora lírica (a mezzo-soprana Kristina Wahlin), uma cantora pop (Laerke Winther) e o actor (Jonathan Johansson).
Algumas faixas são completas onomatopeias de pássaros, mais precisamente pombos, animal escolhido como tema da ópera e também uma das fontes de análise de Darwin.
Num tempo em que temos "Avatar" como redenção à natureza e em que o exotismo africano e charme étnico é uma boa medida para o sucesso na música alternativa, fica provado com "Tomorrow, in a Year" que ninguém faz música melhor sobre o meio ambiente, sobre animais e sobre o espanto dos mistérios da natureza que os The Knife.
Talvez 2012 não represente "esse" fim do mundo anunciado, mas antes a necessidade de uma revolução "verde" e interior, que retorne às origens arcaicas da evolução humana. E ninguém melhor que Karin e Olof Dreijer para celebrar Darwin neste sentido e impressionar a cultura pop com o híbrido homem-criatura.

"Por maiores que sejam as diferenças entre as raças, estou plenamente convencido de que todas descendem do pombo silvestre, incluindo nesta demoninação diversas raças geográficas ou sub-espécies que diferem entre si em pontos muitos insignificantes."


O estado das coisas.

Se há sempre expectativas em relação à música “nova”, isto é, música que introduza algum factor de surpresa ou até de inovação estilística, a verdade é que muita da música “nova” que se vai produzindo tem fortes raízes no passado e acaba por ter os seus 15 segundos de atenção precisamente pela familiaridade que está "imbuída" no seu código genético...
Aquela que considero ser uma das primeiras e verdadeiras "malhas" do disco-sound!


segunda-feira, 8 de março de 2010

Piano Magic

Treze anos e dez álbuns após ter iniciado as suas manobras musicais Glen Johnson e os seus Piano Magic continuam tão relevantes como sempre, contrariando mesmo o ligeiro desgaste que «Part-Monster», em 2007, tinha permitido perceber.
Johnson, apurado apreciador da música criada por outros, assume que começou a compor porque, a certa altura, deu por si sem se sentir estimulado pela produção contemporânea, iniciando gravações com vista a preencher o fosso assim aberto na sua coleccção discográfica. E a verdade é que o tem sabido fazer com tal mestria e renovada novidade que nos é permitido reservar em avanço algum espaço vazio para que os seus próximos discos tenham lugar imediato na prateleira dos nossos discos favoritos.
Neste novo «Ovations» o sopro de novidade chega em grande medida pela alargada e inspirada colaboração no disco de dois músicos cuja história está intimamente ligada aos Dead Can Dance: o multi-instrumentista Brendan Perry, que usa inclusivé a sua própria voz como um dos elementos de maior revelação do seu talento; e o percussionista Peter Ulrich, que consigo carrega uma versatilidade notável na utilização dos ritmos, que para aqui aportam ambientes orientais e exóticos, mas também uma certa austeridade marcial que marca com rigor e precisão alguns dos temas que aqui ouvimos.
Estes dois colaboradores integram-se na perfeição nas paisagens escuras a que Glen Johnson e o restante quinteto nos foi habituando ao longo dos anos, ao mesmo tempo que uma certa solenidade glaciar invade cada uma das suas canções, tocadas por uma nostalgia romântica e por uma dolorosa beleza que lhes dão espessura filosófica e uma inevitável atracção.
«Ovations» é um disco em que os Piano Magic se reinventam a si próprios, ainda que de um modo quase silencioso, mantendo integrais os seus elementos de sedução e fazendo da sua música uma sucessão de elegias sonoras imersas em requintada poesia.
Uma autêntica pedra-preciosa, com todas as arestas finamente lapidadas e prontas a seduzir com os seus reflexos multiformes de colorações escuras!





(in, Matéria Prima)

Villalobos no Meco. Será?

O chileno Ricardo Villalobos poderá actuar no Super Bock Super Rock, que este ano se realiza na Herdade do Cabeço da Flauta, no Meco, de 16 a 18 de Julho.
A notícia é avançada pelo site Festivais PT e no site da agência Cocoon, responsável pelos espectáculos do artista, escreve-se que o Villalobos, agora radicado na Alemanha, tem uma actuação marcada para 17 de Junho no Super Bock...
Aguarda-se confirmação a todo o momento...agora, caso venha a ser verdade, é mais que uma ("muito") óptima notícia para os amantes da melhor electrónica mundial!
Nós cá pela Xangai rezamos para que assim seja!
LCD Soundsystem, Villalobos...sim senhor, este ano a coisa está a ficar bonita!


sexta-feira, 5 de março de 2010

The Kings Of Drum&Bass.

Hoje trago-vos material compilado em jeito de mixtape de excelente qualidade.
Há quanto tempo não vos falo só de drum&bass?
“The Kings Of Drum&Bass”, um álbum duplo que conta com as assinaturas de 4 Hero e Marky é o nome a reter!
Atribua-se aos britânicos 4 Hero o mérito de duas décadas de excelentes publicações.
Em “The Kings Of Drum&Bass”, a primeira parte é por sua conta e responsabilidade e apresentam um alinhamento onde, além de si, se identificam com Roni Size, Goldie, Doc Scott, London Elektricity ou a Guy Called Gerald, em temas editados pela Hospital Reinforced ou Metalheadz.
Já o brasuca Marky é chamado para o alinhamento do segundo tomo e aposta numa vertente mais musculada, convocando produtores mais recentes.
O álbum evidencia um património que ajudou (e ajuda) a corporizar aquele que deverá ter sido o género musical mais importante a irromper nos anos 90.
“Kings Of Drum & Bass”, editado pela Symbiose e BBE foi feito para consumir a frio e sem regras de etiqueta...à boa e velha maneira antiga!
Ainda bem!



quinta-feira, 4 de março de 2010

The Alesha Show

A propósito de haver por aí muitas "Rihannas" e "Shakiras" que enchem estádios e "Rock in Rios" e tentam baralhar-nos a cabeça com o que é música (e atirem-me pedras se quiserem...), hoje apresento-vos outra menina, que apesar de aparentar ser da mesma família, não sei...soa-me diferente!
Alesha Dixon!
Com uma voz descarada e cativante e uma personalidade carismática...ok, um bocadinho a dar para o embriagada e difícil de domar...enfim só "qualidades" que a impedem de ser apenas mais uma marioneta pop.
"Alesha Show", editado pela gigantesca Warner é um carrossel de euro-funk, R&B felino, tremor electro-pop, glamour dos 60 e swing saltintante...
Tirando uma ou outra baladazita que atiram (lá está o "mal" das grandes editoras...) ao mainstrem, o charme efervescente de Alesha está lá...e isso é o que interessa!
Ando muito pop?
Sei lá...eu gosto da miuda!



terça-feira, 2 de março de 2010

Andy Nice a solo.

Duas décadas após ter entrado como figurante no circo da pop, Andy Nice, violoncelista dos Tindersticks, resolveu assumir agora o papel principal e editar um álbum a solo.
"Front & Follow" é uma verdadeira caixinha de preciosidades a ser descoberta...
Razão mais do que suficiente para percebermos os seus segredos.
Fica a proposta, quem sabe, para a próxima edição do Sonic Scope!





segunda-feira, 1 de março de 2010

:papercutz na final do ISC.

O projecto :papercutz é um dos finalistas na categoria Dance/Electronica da International Songwriting Competition (ISC), um conceituado concurso dos Estados Unidos que contou com mais de 16.000 canções a concurso.
Os portugueses estão a concorrer com o tema "A secret search", que integra o seu trabalho de estreia "Lylac", lançado em Portugal em 2009, pela editora canadiana Apegenine Records.
A International Songwriting Competition, é uma competição que pretende destacar os melhores novos compositores da canção de todo o mundo, dentro de várias categorias: Americana, Folk/Singer-Songwriter, Country, Dance/Electronica, Gospel, Jazz, Instrumental e World Music. No júri figuram nomes conceituados como Tom Waits, Robert Smith, Kings of Leon, entre outros. Existe ainda uma votação online destinada ao público, o People's Voice, cujo limite de votação é dia 31 de Março.
Entre os finalistas figuram também os portugueses A Jigsaw na categoria Americana, Rita Redshoes em Folk/Singer-Songwriter e o projecto Pikoul Sisters das compositoras Marina e Natasha Pikoull, na categoria Instrumental.
Em 2008, Mazgani foi finalista do ISC.