quarta-feira, 28 de abril de 2010

O meu (possível) disco do ano!

É canadiano e assina como Caribou quando trabalha.
É hoje notícia por me trazer aos ouvidos um dos melhores discos do ano.
(Sim, dizer já o disco do ano...parece-me algo precipitado, no entanto nestas coisas não me costumo enganar!)
Chama-se "Swim"e acabou mesmo agora de sair do forno!
É um caso raro de equilíbrio entre experimentalismo e melodia agradável.
9 faixas de pop electrónico carregado de batidas cheias de personalidade e carisma!
O som de Caribou neste "Swim" é uma espécie de mutação de referências que passam desde Carl Craig, ao psicadelismo dos 90s, e ao mesmo tempo contemporâneo em termos de produção a fazer lembrar Hot Chip e Junior Boys.
Esta nova fase de Caribou, após o celebrado e premiado "Andorra" de 2007, começou a surgir em Janeiro, com o lançamento de "Odessa", primeiro single, ambientado por metais distorcidos envoltos num "quase samba-techno" ou uma mescla de "criolo doido". Não sei se estão a imaginar a ideia?!
Depois veio a "Sun" embriagada de pratos, beats e distorções harmónicas e a coisa ficou mais linear...dali para a frente era fácil de entender o caminho seguido por Caribou!
Hoje estou sem palavras e de boca aberta...amanhã talvez venha completar o post!

Um viva à música avançada!
Um viva à evolução e apuro de produção!
Um viva à identidade!
Um viva à excelência!
Um viva à beleza!

Simplesmente genial!





segunda-feira, 26 de abril de 2010

I have an idea.

A propósito de pensar que, realmente não é a trabalhar que se fica rico, mas que é no trabalho que se arranja dignidade para justificar a "fama" e presunção, hoje deu-me para voltar a 1997 e recordar os The Karminsky Experience neste "Exploration".
Outrora rodada em loop contínuo, hoje fez-me sentir melhor e deu-me uma ideia fantástica!
Sabe bem ser-se surpreendido assim, mesmo que por vezes, sejamos nós a causa dessa emoção!
E o que eu tenho medo das minhas ideias de 2ª feira à noite!
No bom sentido, claro!


quinta-feira, 22 de abril de 2010

Special Kind Of Fool

Desde a estreia com "Awkward", há quase uma década, que Ben Chijioke vem consolidando uma carreira enquanto Ty.
Servindo-se de excelentes beats e melodias contagiantes, para acentuar o groove das operações e a sua consciência (chamemos-lhe...) pop, que a sua música sempre denotou, 2010 serviu de rampa para o lançamento do quarto tomo do nigeriano.
"Special Kind Of Fool", editado há bem pouco tempo pela Symbiose conta com a presença de quase 20 cantores e músicos e tem no hip hop a sua base, contudo apela à herança dos territórios funk, soul e R&B...contaminando-os com as sua interpretações vocais.
Sem investir em batidas subversivas ou promover rupturas, gizou canções que corporizam um conjunto sedutor, em que letras pertinentes e humor inteligente prendem a nossa atenção...pelo menos a minha!
Ideal para ouvir ao chegar a casa depois de um dia chato!
Ideal para degustar enquanto se prepara um jantar!
Ideal para não pensar e simplesmente...deixar passar o tempo!


segunda-feira, 19 de abril de 2010

Liars - Sisterworld

Poucos grupos apresentam a capacidade de mudança dos Liars, que de disco para disco fazem questão de nos surpreender pela ruptura com o passado e pela proposta de futuro.
"Sisterworld", o 5º álbum de uma requintada linhagem, faz questão de sublinhar isso mesmo.
É verdade que desde 2002, quando se estrearam com o caótico "They Threw Us All In A Trench And Stuck A Monument On Top", logo assumiram uma estética de choque que até hoje se mantém.
Mas os recursos que colocam ao dispor de uma música que parece sempre estar a um milímetro da demência têm variado ao mesmo ritmo com que resolvem adoptar pontos de referência opostos, a cada disco, para olhar para o mesmo fenómeno.
Com as vísceras, evidentemente, no centro de um processo criativo que apela à expansão de limites.
Em "Sisterworld" somos levados por um mundo simétrico onde tudo nos parece estar ao contrário, entre sons ameaçadores de guitarras uivantes e ritmos tribais que recolhem os cacos que sobraram de "Drums Not Dead", o seu disco de 2006 que explorou até ao limite o papel da bateria na conceptualização do rock enquanto fenómeno tribal de celebração.
Não admira a sensação de que ao ouvirmos "Sisterworld" estamos a arricar a nossa própria saúde mental, tal a reconstrução que esta música exige às nossas células sensoriais, chocadas com a experimentação que se aproxima de delírios cujo sentido é custoso atingir e que acabamos que perceber como algo saído de divagações existenciais que resultam de complicadas texturas de vida. E nesta música encontramos em simultâneo tudo o que nos parece impossível atingir, ou mesmo aspirar, e o muito que tivemos que deixar para trás, controlados por condicionantes externas que nos retiram espaço de acção.
"Sisterword" é mais um disco questionante que os Liars nos entregam, na forma e no conteúdo, exigindo de nós o esforço de compreensão de uma música de fracturas expostas e que faz do rock o ponto de partida de um desafio autêntico de etnografia cultural urbana.
E é também um disco que aumenta a convicção de que mais nenhum outro colectivo de músicos, que não os Liars, seriam capazes de nos entregar esta peça em estado bruto de ebulição.





domingo, 18 de abril de 2010

Atau Tanaka

Chama-se Atau Tanaka e surpreendeu-me hoje por tê-lo encontrado, "perdido", no meio do emaranhado enfadonho das linhas de uma publicação científica que tem tudo a ver, menos com música!
Compositor e performer no campo da tecnologia e música, nasceu em Tóquio, mas cresceu nos Estados Unidos da América.
Apesar de ter estudado piano desde muito cedo, decidiu matricular-se em Bioquímica em Harvard, no entanto, o apelo pela música fez-se sentir novamente e Tanaka decidiu complementar os seus conhecimentos, estudando com Ivan Tcherepnin nos “Harvard Electronic Music Studios”, onde teve o privilégio de contactar com John Cage.
Nos seus trabalhos mais recentes, Tanaka tem explorado o conceito de biomúsica, ou seja, criar sons a partir da actividade cerebral e muscular, utilizando controladores desenvolvidos pela Bio Control Systems, por Hugh Lusted e Ben Knapp.
As suas criações assentam arraiais em selos prestigiados como Digital Narcis (Japão), a Alien8 Recordings (Canadá), a Touch (Inglaterra), a Caipirinha Music (EUA) e (a minha preferida) a Staalplaat (Holanda).
Entre músculos e impulsos nervosos, o importante a reter é que é mais um génio a juntar à lista!


sexta-feira, 16 de abril de 2010

Uma espécie de Darwin da coisa.

Produtor chileno a residir na Alemanha, Matias Aguayo notabilizou-se ao lado de Dirk Leyers, num dos projectos mais interessantes editados pela Kompakt nos últimos anos: os Closer Musik.
Após um período de 2 anos passados na América do Sul, Aguayo regressa a Alemanha em 2005, onde, em conjunto com Michael Mayer, produz “Slow”, um tema original de Kylie Minogue, inserido no EP “Lovefood” de Mayer, tendo igualmente remisturado o tema que dá nome ao EP.
Em finais de 2005 edita, através da Kompakt, o álbum “Are You Really Lost”, co-produzido por Marcus Rossknecht aka. Roccness, onde continua a percorrer a linha já delineada pelos Closer Musik.
Segue-se “Papel” (Kompakt Pop) com vocais de Max Turner e uma remix de Chantal C e após 2 anos de ausência, “A Night at Tilehouse” pela prestigiada Soul Jazz Recordings.
No verão de 2008 entra nas pistas de dança de todo o mundo com um dos temas mas badalados da época estival, “Minimal” que conta com remisturas de Dj Koze, e Marcus Rossknecht, encerrando o ano com “Walter Neff”.
No final do passado ano, o álbum “Ay Ay Ay”, editado pela sua Cómeme, consegue a proeza de figurar em todas as listagens de melhor álbum do ano, com uma mistura contagiante de ritmos latinos assentes numa electrónica desconcertante...e algo sexy!?
Para ver e confirmar dia 29 de Abril no Lux.
Imperdível para quem gosta de se deixar embalar pelo ritmo e cadência da evolução sonora!
Eu vou! E tu?





quinta-feira, 8 de abril de 2010

Onde pára a Viena electrónica?!

Em finais dos anos 90, princípios da década seguinte, Viena tornou-se uma das capitais internacionais da música electrónica, com uma rede de criadores que conferiu solidez a uma cena estruturada por músicos, editoras, DJs, clubes e artistas gráficos.
Foi precisamente há 15 anos e nessa mesma cidade cortada ao meio pelas águas azuis do Danúbio que nasceram os Sofa Surfers.
Desde então até hoje há muita história para contar...muita dela já mais que batida: "Transit", "Cargo" e "Encouners" para a história, Frish como cabeçilha e frescas e boas vibrações sonoras sempre presentes!
São hoje notícia na Xangai, por ter sabido que editaram novo álbum, "Blindsize" pela Symbiose.
Graças à velocidade da minha placa Zon Mobile Made in China rapidíssima e a uns e determinados programas de partilha de ficheiros p2p (legais por sinal!) ainda estou a meio do álbum...porém após uma breve escuta em jeito "zappado", posso quase afirmar com toda a certeza que os Sofa Surfers se converteram ao rock.
Conhecidos por assumirem riscos criativos (ok, estou agora a ouvir o "Transit"...o meu preferido!), ainda é possível encontrar intensidades nas poucas e novas canções, mas o ambiente urgente, visceral e sombrio de outros tempos desapareceu quase por completo.
Parecem assumir-se como uma banda de figurino clássico e sem noção do carácter experimental de um projecto apologista da tensão contínua como fórmula fundamental para a evolução.
Se calhar há quem prefira assim, eu continuo com a minha e opto pessoalmente pelas abordagens anteriores a este "Blidsize"...embora continue acredite que é no "rock & rollar" que está a virtude e essência da vida!
Mas claro está, tudo isto é apenas aquilo que eu acho...
Fica o registo e enquanto chega e não chega por definitivo à minha pasta amarela do ambiente de trabalho aproveito e vou fumar um cigarro!


terça-feira, 6 de abril de 2010

Rej