E porque as coisas planeadas há algum tempo correm por norma, melhor do que aquelas que são feitas em cima do joelho...pelo menos em termos de paz interior e espaço de navegação (...a tusa fica para depois!!!), hoje deixo-vos as minhas músicas do momento. "Chrystalised" e "Infinity" dos sobre-dotados e mais que requintados The XX para acalmar as águas agitadas dos últimos dias. Geniais, sem dúvida! Mesmo geniais! Agora peço desculpa mais uma vez, mas vou de férias! Até daqui a uns dias!
Melhor concerto de 2009 pela Groove Magazine, melhor espectáculo pelos leitores da Resident Advisor, melhor momento ao vivo em inúmeros posts, blogues, perfis do Facebook, websites e sms. Os Moderat chegaram, viram e venceram, e podemos até dizer que há uma electrónica pré-Moderat e pós-Moderat. São eles o primeiro super-grupo de música electrónica do séc. XXI. Moderat é a conjugação entre dois nomes, Modeselektor e Apparat. O primeiro é um projecto da dupla alemã Gernot Bronsert e Sebastian Szary; o segundo é formado por Sasha Ring (aka Apparat). Para gravarem o seu álbum de estreia, os três, alugaram um espaço no lendário ‘Hansa Studios’ (onde David Bowie gravou “Heroes”) onde tinham acesso a tecnologias analógicas e vintage,como uma consola Emi de 1972. Também recorreram ao designer de software Joshua Kit Clayton, conhecido por um algoritmo de reverb único no mundo. O resultado foi um álbum homónimo lançado em Abril de 2009 pela Bpitch Control que fez as delícias de melómanos, dos fãs mais críticos, da imprensa, e marcou uma viragem em toda a electrónica: cruzam glitch, techno, dub, paisagens atmosféricas e pós-rock, numa coerência enérgica e desapegada. O disco “Moderat” foi o prelúdio para um conceito de concerto que já fez d«o super-grupo alemão ser considerado os novos Chemical Brothers, ou os Underworld do séc.XXI. Ao vivo têm um espectáculo de som, luz e vídeo-arte em tempo real no mais avançado conceito de intermedia da música electrónica actual. Em palco estão os Moderat com conceito visual de Pfadfinderei, que em tempo real irá dar vida à música, gerando em paralelo visuais sobre três telas Vêm tocar a Lisboa dia 4 de Junho ao Lx Factory. Lá está uma oportunidade única de se apreciar o que de mais inovador e cinemático orbita em torno da música moderna!
Para começar, aviso que não é nenhum novo formato digital de som nem nenhum gadget musical...LP4 é mesmo um álbum! É o mais recente registo dos Ratatat. Estou com pouca vontade para me perder em divagações espaciais sobre "LP4", por isso quem conhece já o serviço dos Ratatat já sabe minimamente o que pode contar: a guitarra dedilhada de Mike Stroud em disputa do espaço com os synths e colagens tresloucadas de Evan Mast. Para quem toma agora nota pela primeir vez do fenómeno Ratatat...o que dizer?! São de Brooklyn...(mais) um dos cantinhos do planeta onde parece que tudo acontece! Começaram em 2004 a quando do lançamento de "Classics" e tornaram-se maiores com "Wildcat". A sua matriz assenta em muitos acordes de guitarras eléctricas que parecem implorar ao fechar os olhos e impelir para aquela dança balanceante da cabeça em jeito de "meio-funk"...estão a ver?! Tudo isto misturado por uma bateria seca, teclados a soar a videojogos e samples certeiros. Dificil de imaginar? Claro que sim. Deixo-vos imaginar a "arte da cena" e para ajudar no processo, "Party With Children" (e sim, pode soar um bocadinho a El Guincho, tudo bem, aceito :).
E depois oiçam também a "Billar" e a "Neckbrace"...haja saúde, meus amigos!
São geniais!
Mais um para a lista dos melhores do ano...esta coisa da crise financeira internacional felizmente não se reflecte em termos de criatividade... Que ano produtivo...Sim senhor!
Há nas por vezes chamadas "novas tendências" motivos de celebração e prazer que também não se esgotam na também chamada "música de dança".
"Psychedelic Sound Waves" do português DJ Ride, editado há bem pouco tempo pela Rockit Science é um excelente exemplo disso mesmo.
Boa produção "glocal" e bastante revelador!
Trata-se de um disco que assume o "viver" do princípio do prazer.
"A fat drum break with an analog synth screaming on top of it".
Postas as coisas dessa forma, estas ondas psicadélicas são uma viagem pelo território das electrónicas siderais.
O resultado não é uma produção abstracta, mas antes uma música que oscila entre galáxias exteriores, os ritmos hip-hop e a "carnalidade" da música negra.
Um desafiante exercício de síntese que tanto serve para a pista como para práticas de exploração interior!
Sim, é verdade que ando meio afastado das escritas na Xangai, no entanto o momento assim o exige...a culpa não é minha :)
De qualquer forma, também não prometo que irei ser mais assíduo, pois no início do ano prometi que este ano seria assim! Recebi ontem um mail do Ricardo com 2 propostas da Warp para este ano. Africa HiTech e Nice Nice...excelentes sugestões da sempre magestosa e ultra-celestial Warp para agitar as águas calmas da Xangai.
Isto do não ser tão assíduo até tem a sua dose de interesse!
Aqui procuram-se bandas sonoras e outras experiências para electrificar de forma indecente momentos descomplexados ou outra qualquer ocasião onde a celebração da música seja importante.
A música que se procura é aquela que é descoberta através de um caminho indefinido, traçada ao sabor das circunstâncias, numa sequência de convulsões e remontagens, numa relação de absoluta sedução com balbúrdia.
Um caminhar aleatório e desconcertado pelos trilhos sinuosos do mundo das extravagâncias sonoras, fazendo paragens nos lugares mais resguardos do silêncio.
Johnny Cooks Dance é o alter-ego gira-disquista de João Alberto, constituindo-se como a sua faceta mais tresloucada, colorida e imprevisível, resultante do seu incessante vício em procurar novas sonoridades e outras motivações! Herdeiro “pós-moderno” de um espírito naturalmente híbrido e experimental, carrega o estandarte da premissa ”DJs are not rock stars.”, afirmando-se como uma personagem que vive da música e gosta de partilha-la, deixando os termos de mix-CDs, sets, bpms, fades, pitchs para os “Djs a sério”. Com uma criteriosa e cuidada selecção musical que privilegia uma certa espiritualidade em detrimento da funcionalidade exigida pela pista de dança, Johnny Cooks Dance começou a sua vida em festas privadas numa atmosfera construída por uma forte rede de amizades a ocuparem o centro das atenções e das intenções. Com uma tendência natural para a imagiologia e fã incondicional de catalogações, durante as suas actuações, o espaço sonoro transforma-se num lugar quase imaginado, preso à realidade por ideias isoladas, reinventando conceitos e misturando aquilo que não se deve misturar, acabando por redescobrir a própria música…pelo menos ele pensa que sim! Ao ignorar o livro de estilo dos DJs, Johnny Cooks Dance encena de forma simbólica um regresso ao estado primitivo da música, decompondo-a em peças elementares e devolvendo-a em conjugações altamente aleatórias e perigosas para quem o escuta! Pensa na música como um espaço num determinado lugar em detrimento dos géneros, onde a música comanda as suas próprias ligações, de forma orgânica fazendo com que no centro da pista ou do salão aquele disco certo suceda de forma mágica ao que parecia estar errado! Ele está enganado e o caminho pode não ser por aqui, disso ninguém duvida! Mas de uma coisa não o conseguem convencer: desistir de fazer aquilo que realmente gosta de fazer que é ouvir e partilhar boa música…ou não acreditasse ele que um dia ainda se levará a sério a lounge music!
Cabletoys
Com a permanente e desenfreada democratização das tecnologias de informação no nosso dia-a-dia, o estar e o lugar deixam de ter o peso e importância como elementos isolados. Estar aqui e agora não significa pensar ou actuar aqui…o ali e o depois deu lugar a uma nova rede de interacções globais, em que o mundo inteiro se encontra ligado à distância de um simples clique. E foi assim que nasceu o projecto Cabletoys! Um novo alter-ego “cósmico-minimalista” de João Alberto, que surge como uma necessidade pessoal de tentar esclarecer-se a ele próprio e a quem o queira ouvir do processo criativo e interpretativo do acto de fazer música…e de como chegar à mesma. Pondo aqui de parte todos os radicalismos que advêm da cultura consumista, Cabletoys recorre a diversos gadgets musicais, aliados a certos engenhos tecnológicos de carácter manipulativo…ou então só para decoração! Já muito se falou e foi escrito acerca deste tipo de abordagem musical, no entanto Cabletoys surge na cena nacional como um projecto inovador dada a matéria-prima em questão. Bizarrias de brincar em comunhão com a seriedade e robustez de sequências definidas…Buddha Machines em loops estonteantes e hipnóticos com vozes perdidas no espaço, mesas futuristas e pulsáteis das Zoundz aleatoriamente construindo ritmos e cadências misturam-se com os devaneios furiosos perdidos naquele espaço. Promete-se uma experiência sinfónica multi-sensorial num retrocesso do digital para o analógico ou mesmo essa mistura, procura-se dar um novo passo em frente para uma nova estrutura musical. Acima de tudo a música, o processo criativo, como se apresenta, os meios de propagação e no final a fruição!