David Sylvian tem reinventado a sua carreira de uma forma que nunca gerou desapontamentos ou hesitações.
De ídolo pop dos Japan aos escritor de canções clássicas de início de carreira a solo, ao mais recente esteta do silêncio, Sylvian é um músico de tocante senso e sensibilidade.
A compilação "Sleepwalkers", editada pela Samadhisound, e por isso um disco que só se pode aconselhar com entusiasmo: uma colecção de canções à beira do minimalismo, entre a pop e o classicismo contemporâneo, num magistral exercício de bom gosto à prova do tempo e das modas.
E por falar em bom gosto e requinte, hoje descobri um novo espaço em Vila Nova de Gaia, chamado The Yeatman, um hotel vinico de luxo com uma fenomenal vista para o Douro e para a cidade do Porto! Fica a sugestão!
Com um disco tão perto da perfeição quanto o homónimo de estreia, era previsível que os Hercules & Love Affair não voassem tão alto no sempre difícil segundo álbum.
Mas "Blue Songs", agora editado pela Mashi Mashi, é exactamente aquilo que o cabecilha Andy Butler queria que fosse: cntagiante, intrigante, pungente e extremamente eficaz na tarefa de fazer dançar.
Isto provando, ao mesmo tempo, que o projecto não necessita da voz de Antony Hegarty para vingar.
Menos disco e mais house: é esta a fórmula vencedora de um novo álbum que recorre a vocalistas menos ou mais conhecidos como Aerea Negrot, Saun Wright ou Kele Okereke, para nos tirar o folego com hinos como "My House", "Visitor" ou "Step Up".
Há muito que me perco pelas rua e vielas desta cidade que é a "música contemporânea".
No meu percurso de exploração desses territórios, juro e afirmo já ter tocado no limiar da perfeição possível e de ter sentido aquilo que nunca irei sentir no meu outro lado da lua, no entanto, esta terra é fertil em situações no mínimo caricatas, mas que acabam por marcar um determinada momento.
Concertos, experiências auditivas, excentricidades de personalidade ou pura magia sonora...enfim!
Como sou daqueles que não gosto de andar com "a guedelha a bater nas orelhas" decidi ir cortar o cabelo.
Por entre montes de revistas burlecas (chamemos-lhe assim...), encontro uma publicação francesa (quiçá esquecida por algum emigrante de passagem estival...) relacionada com o mundo dos cabelos. Na sua parte final, encontro uma espécie de um espaço dedicado aos discos de referência com a consequente revisão.
Foi assim que dei com Cassandra Wilson em "Silver Pony" editado no ano passado.
Larachas de um tradicional amante do bom jazz...e eis que dei com um novo rótulo ou categorização musical: jazz de hotel!
Jazz de hotel? Mas afinal o que vem a ser isto do jazz de hotel?
Será aquele música baixinha que nos invade sempre que entramos na recepção de algum hotel e nos acompanha até ao elevedor?
Ou aquela música (também baixinha) que está sempre presente em todos os restaurantes de hotel?
Ou se calhar é a música ouvida pelos funcionários da cozinha do restaurante do hotel?
Bem, enquanto tento descobrir a origem de tal etiqueta, deixo-vos com esta fantástica "St. James Infirmary" de Cassandra Wilson ao vivo no Festival de Jazz de Monterey.
Sei que já não é nehuma novidade para o lado dos fanáticos da música, no entanto hoje é capa da Xangai por se ter tornado uma ferramenta bastante últil na identificação de uma música que já andava a "matraquilhar" a minha cabeça há bastante tempo...e não sabia de quem era.
Falo-vos do MiDoMi, claro!
Um poderoso identificador de músicas que opera de forma inovadora e nada convencional.
Existe em aplicação online ou para download como aplicação para iPad ou iPhone e basicamente, faz uma busca das músicas através do reconhecimento da voz.
Assim sendo, basta cantar um bocado de uma música, assobiar ou murmurar apenas, que o MiDoMi analisa a melodia e presenta uma possível lista daquilo que procuramos.
A música "cantarolada" é reconhecida pela melodia através de uma base de gravações das músicas e dos artistas.
A cada gravação realizada a base de busca aumenta, por isso quanto maior o número de gravações de uma determinada música, maior a quantidade de variações de tons, dissonâncias vocais, ritmos e melodias identificáveis pelo sistema.
A tecnologia de reconhecimento de voz, intitulada Multimodal Adaptive Recognition System (MARS), faz a leitura analisando características diferentes, como conteúdo da fala, as pausas e variações de tempo nos trechos cantados no microfone.
E foi assim que finalmente identifiquei esta "Ring My Bell" de Anita Ward.
Enquanto as nuvens não decidirem subir mais uns metros e a chuva for a nossa habitual companhia, as imagens de um já merecido dia de sol navegam solitárias na nossa mente, perdidas e sem amparo.
Recorro à memória e fecho os olhos.
Surge uma imagem e meto um som!
Tudo bem!
E depois acabam de tocar e lá fora continua a chover...e o dia continua.
P.S. (Pensamento Sinistro): Os sistemas, por mais complexos que sejam, tendem em auto-regular-se!
Depois de arrojadas explorações com "Terrestrial Tones", em parceria com o Black Dice Eric Copeland, e o "discuss bizarrus" de "Pullhair Rubeye" com a então esposa Kristian Anna altysdottir, Avey Trade, metade fundadora dos Animal Collective, arranca uma carreira a solo que é uma espécie de rodízio de todas as opções anteriores.
A matéria-prima é boa, e sabe bem entrar em "Laughing Hieroglyphic" ou "Oliver Twist" e reconhecer a genética em tudo legitima que David Portner explora a seu bel-prazr.
Porque pode e porque os Animal Collective não começam e terminam em Panda Bear.
Nos intervalos entre os lançamentos da casa-mãe, discos como este "Down There" acabado de sair da prensa sob carimbo da Paw Tracks, funcionam quase como um carregamento de energias para o ano que agora começa.
Foram as músicas que marcaram a minha passagem de ano a olhar, já meio atordoado para as encostas brilhantes do Douro, e o fogo de artifício a consumir o dinheiro dos nossos bolsos ao longe!
Racionalidade e preconceitos tacanhos para trás das costas e com uma emotividade revivalista espontânea à flor da pele, assim nasceu um novo ano!
Aqui procuram-se bandas sonoras e outras experiências para electrificar de forma indecente momentos descomplexados ou outra qualquer ocasião onde a celebração da música seja importante.
A música que se procura é aquela que é descoberta através de um caminho indefinido, traçada ao sabor das circunstâncias, numa sequência de convulsões e remontagens, numa relação de absoluta sedução com balbúrdia.
Um caminhar aleatório e desconcertado pelos trilhos sinuosos do mundo das extravagâncias sonoras, fazendo paragens nos lugares mais resguardos do silêncio.
Johnny Cooks Dance é o alter-ego gira-disquista de João Alberto, constituindo-se como a sua faceta mais tresloucada, colorida e imprevisível, resultante do seu incessante vício em procurar novas sonoridades e outras motivações! Herdeiro “pós-moderno” de um espírito naturalmente híbrido e experimental, carrega o estandarte da premissa ”DJs are not rock stars.”, afirmando-se como uma personagem que vive da música e gosta de partilha-la, deixando os termos de mix-CDs, sets, bpms, fades, pitchs para os “Djs a sério”. Com uma criteriosa e cuidada selecção musical que privilegia uma certa espiritualidade em detrimento da funcionalidade exigida pela pista de dança, Johnny Cooks Dance começou a sua vida em festas privadas numa atmosfera construída por uma forte rede de amizades a ocuparem o centro das atenções e das intenções. Com uma tendência natural para a imagiologia e fã incondicional de catalogações, durante as suas actuações, o espaço sonoro transforma-se num lugar quase imaginado, preso à realidade por ideias isoladas, reinventando conceitos e misturando aquilo que não se deve misturar, acabando por redescobrir a própria música…pelo menos ele pensa que sim! Ao ignorar o livro de estilo dos DJs, Johnny Cooks Dance encena de forma simbólica um regresso ao estado primitivo da música, decompondo-a em peças elementares e devolvendo-a em conjugações altamente aleatórias e perigosas para quem o escuta! Pensa na música como um espaço num determinado lugar em detrimento dos géneros, onde a música comanda as suas próprias ligações, de forma orgânica fazendo com que no centro da pista ou do salão aquele disco certo suceda de forma mágica ao que parecia estar errado! Ele está enganado e o caminho pode não ser por aqui, disso ninguém duvida! Mas de uma coisa não o conseguem convencer: desistir de fazer aquilo que realmente gosta de fazer que é ouvir e partilhar boa música…ou não acreditasse ele que um dia ainda se levará a sério a lounge music!
Cabletoys
Com a permanente e desenfreada democratização das tecnologias de informação no nosso dia-a-dia, o estar e o lugar deixam de ter o peso e importância como elementos isolados. Estar aqui e agora não significa pensar ou actuar aqui…o ali e o depois deu lugar a uma nova rede de interacções globais, em que o mundo inteiro se encontra ligado à distância de um simples clique. E foi assim que nasceu o projecto Cabletoys! Um novo alter-ego “cósmico-minimalista” de João Alberto, que surge como uma necessidade pessoal de tentar esclarecer-se a ele próprio e a quem o queira ouvir do processo criativo e interpretativo do acto de fazer música…e de como chegar à mesma. Pondo aqui de parte todos os radicalismos que advêm da cultura consumista, Cabletoys recorre a diversos gadgets musicais, aliados a certos engenhos tecnológicos de carácter manipulativo…ou então só para decoração! Já muito se falou e foi escrito acerca deste tipo de abordagem musical, no entanto Cabletoys surge na cena nacional como um projecto inovador dada a matéria-prima em questão. Bizarrias de brincar em comunhão com a seriedade e robustez de sequências definidas…Buddha Machines em loops estonteantes e hipnóticos com vozes perdidas no espaço, mesas futuristas e pulsáteis das Zoundz aleatoriamente construindo ritmos e cadências misturam-se com os devaneios furiosos perdidos naquele espaço. Promete-se uma experiência sinfónica multi-sensorial num retrocesso do digital para o analógico ou mesmo essa mistura, procura-se dar um novo passo em frente para uma nova estrutura musical. Acima de tudo a música, o processo criativo, como se apresenta, os meios de propagação e no final a fruição!