O ditado que defende que não se devem julgar livros pela capa não é fácil de aplicar no mundo dos discos.
A discoteca Carbono, em Lisboa , seleccionou 100 capas de discos que chocaram o mundo e que foram banidas, censuradas ou relutantemente toleradas, como estas que agora aqui se apresentam dos The Erotic Drum Band em "Action 78" e dos Roxy Music em "Country Life".
Para ver, contemplar e (provavelmente) chocar até ao final do mês de Abril na loja de João Carlos Moreira.
Em 2010 comemorou-se o 30º aniversário da morte de Ian Curtis, vocalista dos Joy Division.
O ex-baixista da banda, Peter Hook, resolveu homenagear Curtis com a reinterpretação integral de "Unknown Pleasures", o álbum de estreia editado em 1979.
Espécie de memorial em forma de concerto, gerou uma onda de revivalismo no Reino Unido e chega agora à Sala Suggia da Casa da Música no Porto.
O mesmo palco recebe os Gala Drop, cujo EP "Overcoat Heat" foi considerado um dos melhores registos de 2010 pelo suplemento Ípsilon do Público.
Quatro músicos com aptidões diversas, que partem de um formato de quarteto de rock para um espaço único, sem referências contemporâneas comparáveis.
O Restaurante tornou-se, em 2011, a pista de dança do Clubbing.
Aí actua o duo belga The Glimmers, com uma amálgama de géneros que surpreendeu todos os que se sentiam entediados com remisturas lineares.
Para confirmar, hoje à noite na cidade dos "caragos".
Pegando na já quase escolástica máxima de "uma música por dia para combater a apatia", hoje dedico-vos, neste luminoso e iluminado dia de sol a cheirar a Primavera que agora acaba de raiar, esta já "velhinha", "Mars" dos Fake Blood.
Os primeiros segundos de “Two Points” são esclarecedores quanto às intenções dos Norton no regresso aos discos.
Batida contagiante, guitarras que se pegam ao ouvido, o som quente dos teclados a construírem melodias que ameaçam nunca mais nos deixar, um crescendo de emoção que explode num daqueles refrões que se cantam até à exaustão.
Em três palavras, o primeiro single retirado de "Layers Of Love United", a editar a 28 de Março é a "canção pop perfeita".
Três minutos que concentram tudo o que os Norton foram, são e querem ser em 2011: uma banda de canções.
Estão lá os pedacinhos da electrónica embrulhados nas paisagens criadas pelos teclados e pelas harmonias vocais.
Está lá o ruído transformado em textura rítmica que é marca de nascença da banda de Castelo Branco.
Mas também está uma nova direcção, novas intenções.
“Two Points” é o reflexo disso mesmo.
Uma banda que quer fazer dançar, que quer fazer cantar, que nos quer oferecer aqueles bocadinhos de música que ligamos a momentos, a sítios, a pessoas. Aqueles bocadinhos em que sacamos de uma guitarra imaginária, tomamos conta da pista de dança (que bem pode ser a sala de estar lá de casa) e cantamos a plenos pulmões… de olhos fechados.
Sascha Ring é há muito tempo um dos mais respeitados produtores em solo germânico capaz de colocar a sua genialidade à disposição de cada projecto em que se envolve, seja a solo nos brilhantes “Duplex” ou “Walls”, ao lado de Ellen Allien na desconcertante “Orchestra of Bubbles”, dando voz a Luomo em “Love You All”, ou o braço aos Modeselektor em Moderat.
Não nos esqueçamos igualmente da sua Shitkatapult, editora co-gerida com Marco Haas (aka T. Raumschmiere) e que desde 97 tem agitado o panorama musical berlinense com a sua electrónica ora selvagem, ora abstracta ou minimal.
Com a excepção de “Live”, registo gravado numa actuação no festival cultural "Burn and Consume" em Barcelona, todos os seus álbuns, assinados como Apparat, foram editados pela Shitkatapult assim como a grande maioria dos EP’s.
A realidade musical que nos oferece, assente em diversos géneros, é construída a partir das condições proporcionadas pelo meio envolvente.
Se em estúdio a formação de nuvens, densas e escuras, carregadas de uma pop poética, é capaz de criar uma atmosfera carregada emocionalmente, na pista de dança é a descarga enérgica de techno, IDM e electro, que se faz sentir a cada tema, que cria uma envolvência capaz de proporcionar momentos de euforia partilhada.
No final de 2010 Apparat cumpriu uma nova etapa na sua carreira, ao ser desafiado pela Studio !K7 em apresentar um mix-cd na prestigiada série "Dj Kicks".
A resposta foi dada com a selecção de 24 temas, numa mistura que concilia o seu lado mais introspectivo com o lúdico, onde diferentes texturas são reconhecíveis em alguma da melhor música feita nos mais recentes anos.
Na tour que serve de apresentação a este registo, Apparat faz-se acompanhar pelos visuais de Pfanderei, colectivo de design sedeado em Berlim e respeitado mundialmente, responsável pela qualidade da componente visual dos espectáculos de Modeselektor, Moderat e Paul Kalkbrenner.
Não é apenas a origem geográfica improvável que faz da música dos Beat Milk Jugs um segredo bem guardado que vale a pena desvelar com atenção e cuidado.
Estes sons vindos da Letónia, mas já curtidos pelo urbanismo britânico, assentam no pulsar rítmico de alucinação hipnótica, adornados por teclados planantes e guitarras telescópicas que, por vezes, serpenteiam em espiral entre os sussurros e a languidez vocal que nos apresenta em bandeja de prata uma colecção de temas em que a depressão é dançável e o lamento é elevado à condição de projecção escultural.
"10 Years Of Hangovers" traduz a maturação de canções alimentadas por raízes entrançadas na negritude de Manchester e na alienação caleidoscópica da swinging london, mas filtrada pela clausura e circunspecção impostas pela dominação russa que durou 70 anos.
Ou seja, um disco em que os Beat Milk Jugs parecem transpirar liberdade, mas que a usam para lamber as feridas culturais profundas da sua nação, trazendo para a sua música um elemento estético herdado do sofrimento, mas que o parece querer suplantar através de uma admirável noção dos tempos, sentimentos e espaços que devem exalar de uma canção.
De vez em quando os temas esgotam-se, e mais vale falar do tempo.
Dias de sol sem vento frio, no pino do Inverno, de que valem as revoluções?
Se estes Invernos fossem fustigados com tempestades de neve e se os Verões nos dessem quarenta graus à sombra, então aí os problemas seriam comunitários e não pessoais.
Com a teimosia do costume, insistimos que até o tempo fica mais agradável com uma música de fundo, e há músicas para todas as temperaturas.
"Heraclite" é o disco que apresenta ao mundo o projecto com o mesmo nome, inspirado pela vida do filósofo Heráclito de Éfeso (séc. V AC) que muito influenciou os pensadores vindouros e que encarava a mudança como a força central do universo.
Com esta filosofia a alimentar a sua música, os Heraclite agarram a tradição musical mediterrânica com as duas mãos e nela injectam novas deambulações rítmicas de origem tribal, fazendo elegias celebratórias cantadas em grego antigo.
Este caldo cultural dá espessura real ao pulsar tradicional dos sons que se expandem a cada momento, fazendo de "Heraclite", agora editado sob carimbo da Naxo.Prod, um disco em que a imprevisibilidade é uma constante e o cruzamento de sons o evangelho seguido à letra.
Um resultado natural dos constantes jogos de opostos com que municiam os aromas norte-africanos percebidos e os ritmos funk eufóricos, que rodeiam todo o disco de uma auréola solarenga mas também de uma sulfúrica espiritualidade de origem ancestral, que faz de "Heraclite" uma espécie de mantra congregador, capaz de encontrar o ponto de confluência de entidades musicalmente díspares.
Para mim, e até agora, a melhor trip sonora deste novo ano que agora começa!
Aqui procuram-se bandas sonoras e outras experiências para electrificar de forma indecente momentos descomplexados ou outra qualquer ocasião onde a celebração da música seja importante.
A música que se procura é aquela que é descoberta através de um caminho indefinido, traçada ao sabor das circunstâncias, numa sequência de convulsões e remontagens, numa relação de absoluta sedução com balbúrdia.
Um caminhar aleatório e desconcertado pelos trilhos sinuosos do mundo das extravagâncias sonoras, fazendo paragens nos lugares mais resguardos do silêncio.
Johnny Cooks Dance é o alter-ego gira-disquista de João Alberto, constituindo-se como a sua faceta mais tresloucada, colorida e imprevisível, resultante do seu incessante vício em procurar novas sonoridades e outras motivações! Herdeiro “pós-moderno” de um espírito naturalmente híbrido e experimental, carrega o estandarte da premissa ”DJs are not rock stars.”, afirmando-se como uma personagem que vive da música e gosta de partilha-la, deixando os termos de mix-CDs, sets, bpms, fades, pitchs para os “Djs a sério”. Com uma criteriosa e cuidada selecção musical que privilegia uma certa espiritualidade em detrimento da funcionalidade exigida pela pista de dança, Johnny Cooks Dance começou a sua vida em festas privadas numa atmosfera construída por uma forte rede de amizades a ocuparem o centro das atenções e das intenções. Com uma tendência natural para a imagiologia e fã incondicional de catalogações, durante as suas actuações, o espaço sonoro transforma-se num lugar quase imaginado, preso à realidade por ideias isoladas, reinventando conceitos e misturando aquilo que não se deve misturar, acabando por redescobrir a própria música…pelo menos ele pensa que sim! Ao ignorar o livro de estilo dos DJs, Johnny Cooks Dance encena de forma simbólica um regresso ao estado primitivo da música, decompondo-a em peças elementares e devolvendo-a em conjugações altamente aleatórias e perigosas para quem o escuta! Pensa na música como um espaço num determinado lugar em detrimento dos géneros, onde a música comanda as suas próprias ligações, de forma orgânica fazendo com que no centro da pista ou do salão aquele disco certo suceda de forma mágica ao que parecia estar errado! Ele está enganado e o caminho pode não ser por aqui, disso ninguém duvida! Mas de uma coisa não o conseguem convencer: desistir de fazer aquilo que realmente gosta de fazer que é ouvir e partilhar boa música…ou não acreditasse ele que um dia ainda se levará a sério a lounge music!
Cabletoys
Com a permanente e desenfreada democratização das tecnologias de informação no nosso dia-a-dia, o estar e o lugar deixam de ter o peso e importância como elementos isolados. Estar aqui e agora não significa pensar ou actuar aqui…o ali e o depois deu lugar a uma nova rede de interacções globais, em que o mundo inteiro se encontra ligado à distância de um simples clique. E foi assim que nasceu o projecto Cabletoys! Um novo alter-ego “cósmico-minimalista” de João Alberto, que surge como uma necessidade pessoal de tentar esclarecer-se a ele próprio e a quem o queira ouvir do processo criativo e interpretativo do acto de fazer música…e de como chegar à mesma. Pondo aqui de parte todos os radicalismos que advêm da cultura consumista, Cabletoys recorre a diversos gadgets musicais, aliados a certos engenhos tecnológicos de carácter manipulativo…ou então só para decoração! Já muito se falou e foi escrito acerca deste tipo de abordagem musical, no entanto Cabletoys surge na cena nacional como um projecto inovador dada a matéria-prima em questão. Bizarrias de brincar em comunhão com a seriedade e robustez de sequências definidas…Buddha Machines em loops estonteantes e hipnóticos com vozes perdidas no espaço, mesas futuristas e pulsáteis das Zoundz aleatoriamente construindo ritmos e cadências misturam-se com os devaneios furiosos perdidos naquele espaço. Promete-se uma experiência sinfónica multi-sensorial num retrocesso do digital para o analógico ou mesmo essa mistura, procura-se dar um novo passo em frente para uma nova estrutura musical. Acima de tudo a música, o processo criativo, como se apresenta, os meios de propagação e no final a fruição!