domingo, 27 de fevereiro de 2011

Mostrar não ofende...

O ditado que defende que não se devem julgar livros pela capa não é fácil de aplicar no mundo dos discos.
A discoteca Carbono, em Lisboa , seleccionou 100 capas de discos que chocaram o mundo e que foram banidas, censuradas ou relutantemente toleradas, como estas que agora aqui se apresentam dos The Erotic Drum Band em "Action 78" e dos Roxy Music em "Country Life".
Para ver, contemplar e (provavelmente) chocar até ao final do mês de Abril na loja de João Carlos Moreira.



(in, Blitz, Março 2011)

sábado, 26 de fevereiro de 2011

Sugestão do Chefe: Um renascer das cinzas coberto com outras coisinhas boas e muita folia na invicta!

Em 2010 comemorou-se o 30º aniversário da morte de Ian Curtis, vocalista dos Joy Division.
O ex-baixista da banda, Peter Hook, resolveu homenagear Curtis com a reinterpretação integral de "Unknown Pleasures", o álbum de estreia editado em 1979.
Espécie de memorial em forma de concerto, gerou uma onda de revivalismo no Reino Unido e chega agora à Sala Suggia da Casa da Música no Porto.
O mesmo palco recebe os Gala Drop, cujo EP "Overcoat Heat" foi considerado um dos melhores registos de 2010 pelo suplemento Ípsilon do Público.
Quatro músicos com aptidões diversas, que partem de um formato de quarteto de rock para um espaço único, sem referências contemporâneas comparáveis.
O Restaurante tornou-se, em 2011, a pista de dança do Clubbing.
Aí actua o duo belga The Glimmers, com uma amálgama de géneros que surpreendeu todos os que se sentiam entediados com remisturas lineares.
Para confirmar, hoje à noite na cidade dos "caragos".





sexta-feira, 25 de fevereiro de 2011

Vibrator

Que filha da mãe de final de tarde de 6ª feira!
"Vibrator", sem sombra para dúvidas, o menu delicadamente perfeito!
E corre, João! Corre!
Olé!

Acorda...pah!

Pegando na já quase escolástica máxima de "uma música por dia para combater a apatia", hoje dedico-vos, neste luminoso e iluminado dia de sol a cheirar a Primavera que agora acaba de raiar, esta já "velhinha", "Mars" dos Fake Blood.   
Uma genuína e verdadeira malha à boa moda antiga!
Um excelente dia de final de semana para todos!

quarta-feira, 23 de fevereiro de 2011

Norton - Two Points

Os primeiros segundos de “Two Points” são esclarecedores quanto às intenções dos Norton no regresso aos discos.
Batida contagiante, guitarras que se pegam ao ouvido, o som quente dos teclados a construírem melodias que ameaçam nunca mais nos deixar, um crescendo de emoção que explode num daqueles refrões que se cantam até à exaustão.
Em três palavras, o primeiro single retirado de "Layers Of Love United", a editar a 28 de Março é a "canção pop perfeita".
Três minutos que concentram tudo o que os Norton foram, são e querem ser em 2011: uma banda de canções.
Estão lá os pedacinhos da electrónica embrulhados nas paisagens criadas pelos teclados e pelas harmonias vocais.
Está lá o ruído transformado em textura rítmica que é marca de nascença da banda de Castelo Branco.
Mas também está uma nova direcção, novas intenções.
“Two Points” é o reflexo disso mesmo.
Uma banda que quer fazer dançar, que quer fazer cantar, que nos quer oferecer aqueles bocadinhos de música que ligamos a momentos, a sítios, a pessoas. Aqueles bocadinhos em que sacamos de uma guitarra imaginária, tomamos conta da pista de dança (que bem pode ser a sala de estar lá de casa) e cantamos a plenos pulmões… de olhos fechados.





(in, Match Your Sound)

quarta-feira, 16 de fevereiro de 2011

Que aparato é este?!

Sascha Ring é há muito tempo um dos mais respeitados produtores em solo germânico capaz de colocar a sua genialidade à disposição de cada projecto em que se envolve, seja a solo nos brilhantes “Duplex” ou “Walls”, ao lado de Ellen Allien na desconcertante “Orchestra of Bubbles”, dando voz a Luomo em “Love You All”, ou o braço aos Modeselektor em Moderat.
Não nos esqueçamos igualmente da sua Shitkatapult, editora co-gerida com Marco Haas (aka T. Raumschmiere) e que desde 97 tem agitado o panorama musical berlinense com a sua electrónica ora selvagem, ora abstracta ou minimal.
Com a excepção de “Live”, registo gravado numa actuação no festival cultural "Burn and Consume" em Barcelona, todos os seus álbuns, assinados como Apparat, foram editados pela Shitkatapult assim como a grande maioria dos EP’s.
A realidade musical que nos oferece, assente em diversos géneros, é construída a partir das condições proporcionadas pelo meio envolvente.
Se em estúdio a formação de nuvens, densas e escuras, carregadas de uma pop poética, é capaz de criar uma atmosfera carregada emocionalmente, na pista de dança é a descarga enérgica de techno, IDM e electro, que se faz sentir a cada tema, que cria uma envolvência capaz de proporcionar momentos de euforia partilhada.
No final de 2010 Apparat cumpriu uma nova etapa na sua carreira, ao ser desafiado pela Studio !K7 em apresentar um mix-cd na prestigiada série "Dj Kicks".
A resposta foi dada com a selecção de 24 temas, numa mistura que concilia o seu lado mais introspectivo com o lúdico, onde diferentes texturas são reconhecíveis em alguma da melhor música feita nos mais recentes anos.
Na tour que serve de apresentação a este registo, Apparat faz-se acompanhar pelos visuais de Pfanderei, colectivo de design sedeado em Berlim e respeitado mundialmente, responsável pela qualidade da componente visual dos espectáculos de Modeselektor, Moderat e Paul Kalkbrenner.



domingo, 13 de fevereiro de 2011

Beat Milk Jugs

Não é apenas a origem geográfica improvável que faz da música dos Beat Milk Jugs um segredo bem guardado que vale a pena desvelar com atenção e cuidado.
Estes sons vindos da Letónia, mas já curtidos pelo urbanismo britânico, assentam no pulsar rítmico de alucinação hipnótica, adornados por teclados planantes e guitarras telescópicas que, por vezes, serpenteiam em espiral entre os sussurros e a languidez vocal que nos apresenta em bandeja de prata uma colecção de temas em que a depressão é dançável e o lamento é elevado à condição de projecção escultural.
"10 Years Of Hangovers" traduz a maturação de canções alimentadas por raízes entrançadas na negritude de Manchester e na alienação caleidoscópica da swinging london, mas filtrada pela clausura e circunspecção impostas pela dominação russa que durou 70 anos.
Ou seja, um disco em que os Beat Milk Jugs parecem transpirar liberdade, mas que a usam para lamber as feridas culturais profundas da sua nação, trazendo para a sua música um elemento estético herdado do sofrimento, mas que o parece querer suplantar através de uma admirável noção dos tempos, sentimentos e espaços que devem exalar de uma canção.





(in, Matéria Prima)

domingo, 6 de fevereiro de 2011

Interlúdio #1523 pt.B

De vez em quando os temas esgotam-se, e mais vale falar do tempo.
Dias de sol sem vento frio, no pino do Inverno, de que valem as revoluções?
Se estes Invernos fossem fustigados com tempestades de neve e se os Verões nos dessem quarenta graus à sombra, então aí os problemas seriam comunitários e não pessoais.
Com a teimosia do costume, insistimos que até o tempo fica mais agradável com uma música de fundo, e há músicas para todas as temperaturas.
Bom início de semana!

quinta-feira, 3 de fevereiro de 2011

Heraclite

"Heraclite" é o disco que apresenta ao mundo o projecto com o mesmo nome, inspirado pela vida do filósofo Heráclito de Éfeso (séc. V AC) que muito influenciou os pensadores vindouros e que encarava a mudança como a força central do universo.
Com esta filosofia a alimentar a sua música, os Heraclite agarram a tradição musical mediterrânica com as duas mãos e nela injectam novas deambulações rítmicas de origem tribal, fazendo elegias celebratórias cantadas em grego antigo.
Este caldo cultural dá espessura real ao pulsar tradicional dos sons que se expandem a cada momento, fazendo de "Heraclite", agora editado sob carimbo da Naxo.Prod, um disco em que a imprevisibilidade é uma constante e o cruzamento de sons o evangelho seguido à letra.
Um resultado natural dos constantes jogos de opostos com que municiam os aromas norte-africanos percebidos e os ritmos funk eufóricos, que rodeiam todo o disco de uma auréola solarenga mas também de uma sulfúrica espiritualidade de origem ancestral, que faz de "Heraclite" uma espécie de mantra congregador, capaz de encontrar o ponto de confluência de entidades musicalmente díspares.
Para mim, e até agora, a melhor trip sonora deste novo ano que agora começa!