sábado, 30 de abril de 2011

Um espião à portuguesa.


2002.
Vladimir Orlov.
Guerra fria.
Fitas magnéticas com mensagens encriptadas.
A estreia de Bulllet, projecto paralelo de Armando Teixeira (aka. Balla), seguia de perto um conceito fantasioso que explorava o universo sonoro dos filmes de espionagem e o cruzava com o sampling.
Num dia em que nada se passa, para recordar "The Lost Tapes", editado na altura pela Loop Recordings, esta Voz del Pueblo com realização vídeo de Edgar Pera.

terça-feira, 26 de abril de 2011

Mamuthones

Saídos da mente criativa de Alessio Gastaldello, os Mamuthones apresentam agora um segundo disco auto-intitulado, em que a repetição e o ambiente hipnótico dão o mote para uma viagem densa por terrenos negros e assombrados.

sexta-feira, 22 de abril de 2011

Encruzilhada disco!

Nova Iorque!
Anos 80 e a transição do disco para o house!
Os gauleses Pilooski e Pentile aos comandos!
"Discodeine", título do duo e do seu primeiro disco homónimo, acabadinho de sair da prensa pela prestigiada Compact soa a qualquer coisa semelhante a neo-disco a roçar a eroticidade bailante...
Matias Aguayo e Jarvis Cocker pelo meio nesta alucinada neo-carroagem dançante e um dos meus álbum favoritos do ano!
Simples!
Subtilmente simples!
Ainda bem!




quinta-feira, 21 de abril de 2011

Velocidade de escape!

Uma década depois da estreia, o alemão Rajko Muller confirma-se como eficaz depurador sonoro, apostando num regresso perspectivado às origens.Preenchida por temas, quase só, instrumentais, a investida "Well Spent Youth", agora editado pela Pampa e Symbiose, é composta por linguagens onde as insinuantes teias rítmicas, ao invés de conduzirem o ouvinte à pista de dança, remetem-no para um estado de leveza devido ao caloroso universo de espaços tridimensionais urdido.
Um entendimento perfeito do qual se pode obter uma sonoridade dançante, densa e evolutiva, com as linhas sintéticas do techno, os códigos do house mais tranquilo, os adornos do disco sound, a base minimal electrónica ou o embalo dub em simbiose perfeita, num resultado aparentemente simples, que esconde delicadamente toda a sublime e genial complexidade.
Falo-vos de Isolée e isto é altamente viciante!
Cuidado...vão sem medo!


quarta-feira, 20 de abril de 2011

Um génio a tempo inteiro!


Figura maior da música electrónica mundial, Robert Henke é compositor, sound designer, desenvolve software, cria instalações e é um performer multimédia.
A sua arte gira em torno da construção delicada de detalhes assentes na alteração gradual de estruturas em constante repetição.
Muitos dos seus trabalhos são definidos como potencialmente infinitos e criadores de estados de envolvência, convidando a audiência a mergulhar num universo sonoro sem tempo definido.
As suas explorações sonoras têm raízes na investigação académica do som assim como na cultura de clube.
Com o seu projecto Monolake tornou-se, no inicio dos anos 90, parte da lendária Chain Reaction, editora responsável pelo que mais tarde se designaria como 'the sound of Berlin techno music'.
Situado na periferia da música de dança, Henke explora instalações sonoras interactivas e performances audiovisuais.
Para ele o resultado artístico do seu trabalho e a criação de instrumentos e ferramentas para alcançar esses resultados, são os 2 lados do mesmo processo artístico.
Desde a fundação da empresa, em 1999, ele é o principal responsável pelo desenvolvimento do software Ableton Live, que se tornou uma referência para a produção de música electrónica e actuações ao vivo.
Actualmente vive em Berlim e é professor de design de som e música computadorizada na Universidade das Artes de Berlim.
O seu interesse pelo estudo da interacção entre um determinado espaço físico e um espaço imaginário criado pela sua intervenção artística pode ser experimentado num dos seus múltiplos concertos “Loudspeaker Surround“.
Performances e instalações foram mostradas na Tate Modern em Londres, Centre Pompidou em Paris, MUDAM no Luxemburgo, PS1 em Nova York, na Art Gallery of New South Wales, Sydnei, entre outros locais.
O álbum “Layering Buddha“ recebeu uma menção honrosa no Prix Ars Electronica em 2007.
Desde 2009, que Robert Henke colabora com o artista visual Tarik Barri.
O seu vídeo generativo em tempo real, é parte integrante do espectáculo "Live Surround" de Monolake, onde Tarik transforma a informação musical em imagens.
Um génio a tempo inteiro, sem dúvidas!



sábado, 16 de abril de 2011

Free Pop

“Free Pop”, o álbum de estreia dos Pop Dell’Arte, é um disco marcante da pop nacional.
Editado originalmente no ano de 1987, é um dos discos mais relevantes dessa década, mas inevitavelmente de tudo o que se seguiu.
Disco de autor, orgulhosamente independente, introduziu uma liberdade inusitada nos esquemas musicais praticados na produção nacional à altura, e é ainda hoje um título inspirador.
“Free Pop”, foi remasterizado e acrescentado pelo single “Sonhos Pop/Esborre” e será lançado em CD no próximo sábado, dia 16 - Record Store Day – pelas lojas Louie Louie em parceria com a editora original, a Ama Romanta.
O lançamento será acompanhado durante a tarde por João Peste e alguns dos membros da banda, que assinarão as primeiras cópias a ser colocadas à venda.
À noite registe-se mais uma festa Louie Louie Goes To LEFT, também com a participação de João Peste que actuará como DJ.







(in Louie Louie)

quinta-feira, 14 de abril de 2011

Um mundo às cores...

"Safari Disco Club", o sucessor de "Pop Up" de 2007, agora acabado de ser editado pela Coop, chega com uma produção mais robusta, cheia de batidas garridas que vão ao hip-hop, ao techno e a ares mais tribais para sarapintar a pop.
Em vez de se limitar a imperativos dançáveis, o trio Yelle entra por uma electrónica mais emotiva (sinal dos tempos...), ainda assim devidamente aparafusada às pistas de dança.
Julie Budet parece uma versão moderna da "rapariga yé-yé", agora menos estridente, embora com o já habitual charme espevitado e a mente depravada entregue numa voz inocente.
Canções como "Comme Un Enfant", "Safari Disco Club" e "Que Veux-Tu" fazem-se de refrões infecciosos num carrossel de muitas cores...
Yupy...



segunda-feira, 11 de abril de 2011

Rykarda Parasol - For Blood And Wine

É incompreensível que "For Blood And Wine" tenha passado despercebido durante dois anos, desde que em 2009 Rykarda Parasol decidiu avançar com coragem para a sua segunda edição de autor, uma vez que já tinha sido sem qualquer apoio que se tinha estreado em 2006 com "Our Hearts First Meet".
Felizmente que a editora polaca Gustaff se apercebeu que havia uma pepita dourada em que ninguém havia reparado e decidiu agora tratar da sua disponibilização em solo europeu.
Em boa hora!
"For Blood and Wine" é um disco simultaneamente intenso, misterioso, melancólico e boémio, com todas as emoções a serem descarnadas ao vivo e a cores, servidas por canções talentosas e arranjos luxuriantes.
Nos seus 16 movimentos, este disco revela uma Rykarda Parasol sem medo de explorar extremos e servi-los em forma de presente embalado em sombras sofisticadas.
Narrativas negras nas quais se destacam a sua capacidade vocal,  um misto de voz etilizada e de atracção fatal e o elegante design dos arranjos envolventes, que a todos os acordes conferem um palco suficientemente amplo e acolhedor para que quem a ouve se sinta parte de um filme de suspense e dele não queira sair, nem mesmo por um fugaz segundo.





(in, Matéria Prima)

sexta-feira, 8 de abril de 2011

As discussão das "vocações" na descoberta do indie gospel!

Afinal, errámos quase todos na profissão!
Nunca a economia foi tão motivo de conversas de café e elevador, o que me leva a crer que isto tudo bem espremido daria uma enorme massa de economistas com uma rigorosa capacidade crítica e detentores de um raciocínio exímio e conscientemente criativo que, se tudo corresse de acordo com os nossos pensamentos à posteriori, poderiam ter-nos evitado a atingir o estado "lamacento" em que hoje nos encontramos!
Mas qual estado, pah!?
Na minha opinião, acho que ninguém percebe é mesmo nada de nada...somos uns meros papagaios sul-americanos inflamados pelos media que nos impelem, quase automaticamente, para a constante repetição de nomes como FMI, Grécia, UE, divida pública, crise polítia...enfim, somos uns papagaios fiéis...mas contentes! 
Como dizia o outro: "...deixa arder..."!
Mas como não quero transformar a Xangai Market num sub-refúgio cibernético de desabafos pseudo-político-financeiros, hoje trago-vos para cima da mesa, o novo álbum de Daniel Martin Moore e o seu indie gospel.
DanielMartin Moore, que assinou contrato discográfico depois de enviar uma maquete para uma editora que faz questão de dizer que não aceita maquetes, a Subpop, avança agora com "In The Cool Of The Day", onde imperam as "baladas gospel".
Clássicos e um par de originais fazem um disco onde Moore recorda, sobre arranjos simples apoiados sobretudo em piano e guitarra acústica, os ecos da sua infância passada no Kentucky.
Como Bill Withers a cantar Beatles como se estivesse no púlpito de uma igreja, Moore usa as malhas desta música espiritual para se voltar a ligar a uma ideia de pureza arrecadada na memória.
Gravado sem truques, com a voz tão transparente como um riacho de montanha, este "In The Cool Of The Day", equilibra o pecado de expor quase em demasia a voz frágil de Moore e a virtude da franqueza dessa mesma exposição!
No fim de contas, um equilíbrio arriscado a roçar a solenidade da noite que agora levita sobre as nossas cabeças! 

segunda-feira, 4 de abril de 2011

Je T´Aime...Moi Non Plus

Farto de modernices e de bizarrias sonoras a roçar a bipolaridade e com uma enorme vontade de descansar, hoje faço rewind de mais de 40 anos e prendo-vos de forma gratuita com o omnipresente e celestial disco de "Serge Gainsbourg & Jane Birkin".
Em 1969, Gainsbourg já tinha uma carreira de mais de uma década e constituia-se como o expoente máximo de um charme francês bardo por excelência do sexo.
"Je T´Aime...Moi Non Plus", aqui incluída, perdura até aos dias de hoje.