A estreia de Bulllet, projecto paralelo de Armando Teixeira (aka. Balla), seguia de perto um conceito fantasioso que explorava o universo sonoro dos filmes de espionagem e o cruzava com o sampling.
Num dia em que nada se passa, para recordar "The Lost Tapes", editado na altura pela Loop Recordings, esta Voz del Pueblo com realização vídeo de Edgar Pera.
Saídos da mente criativa de Alessio Gastaldello, os Mamuthones apresentam agora um segundo disco auto-intitulado, em que a repetição e o ambiente hipnótico dão o mote para uma viagem densa por terrenos negros e assombrados.
"Discodeine", título do duo e do seu primeiro disco homónimo, acabadinho de sair da prensa pela prestigiada Compact soa a qualquer coisa semelhante a neo-disco a roçar a eroticidade bailante...
Matias Aguayo e Jarvis Cocker pelo meio nesta alucinada neo-carroagem dançante e um dos meus álbum favoritos do ano!
Uma década depois da estreia, o alemão Rajko Muller confirma-se como eficaz depurador sonoro, apostando num regresso perspectivado às origens.Preenchida por temas, quase só, instrumentais, a investida "Well Spent Youth", agora editado pela Pampa e Symbiose, é composta por linguagens onde as insinuantes teias rítmicas, ao invés de conduzirem o ouvinte à pista de dança, remetem-no para um estado de leveza devido ao caloroso universo de espaços tridimensionais urdido.
Um entendimento perfeito do qual se pode obter uma sonoridade dançante, densa e evolutiva, com as linhas sintéticas do techno, os códigos do house mais tranquilo, os adornos do disco sound, a base minimal electrónica ou o embalo dub em simbiose perfeita, num resultado aparentemente simples, que esconde delicadamente toda a sublime e genial complexidade.
Figura maior da música electrónica mundial, Robert Henke é compositor, sound designer, desenvolve software, cria instalações e é um performer multimédia.
A sua arte gira em torno da construção delicada de detalhes assentes na alteração gradual de estruturas em constante repetição.
Muitos dos seus trabalhos são definidos como potencialmente infinitos e criadores de estados de envolvência, convidando a audiência a mergulhar num universo sonoro sem tempo definido.
As suas explorações sonoras têm raízes na investigação académica do som assim como na cultura de clube.
Com o seu projecto Monolake tornou-se, no inicio dos anos 90, parte da lendária Chain Reaction, editora responsável pelo que mais tarde se designaria como 'the sound of Berlin techno music'.
Situado na periferia da música de dança, Henke explora instalações sonoras interactivas e performances audiovisuais.
Para ele o resultado artístico do seu trabalho e a criação de instrumentos e ferramentas para alcançar esses resultados, são os 2 lados do mesmo processo artístico.
Desde a fundação da empresa, em 1999, ele é o principal responsável pelo desenvolvimento do software Ableton Live, que se tornou uma referência para a produção de música electrónica e actuações ao vivo.
Actualmente vive em Berlim e é professor de design de som e música computadorizada na Universidade das Artes de Berlim.
O seu interesse pelo estudo da interacção entre um determinado espaço físico e um espaço imaginário criado pela sua intervenção artística pode ser experimentado num dos seus múltiplos concertos “Loudspeaker Surround“.
Performances e instalações foram mostradas na Tate Modern em Londres, Centre Pompidou em Paris, MUDAM no Luxemburgo, PS1 em Nova York, na Art Gallery of New South Wales, Sydnei, entre outros locais.
O álbum “Layering Buddha“ recebeu uma menção honrosa no Prix Ars Electronica em 2007.
Desde 2009, que Robert Henke colabora com o artista visual Tarik Barri.
O seu vídeo generativo em tempo real, é parte integrante do espectáculo "Live Surround" de Monolake, onde Tarik transforma a informação musical em imagens.
“Free Pop”, o álbum de estreia dos Pop Dell’Arte, é um disco marcante da pop nacional.
Editado originalmente no ano de 1987, é um dos discos mais relevantes dessa década, mas inevitavelmente de tudo o que se seguiu.
Disco de autor, orgulhosamente independente, introduziu uma liberdade inusitada nos esquemas musicais praticados na produção nacional à altura, e é ainda hoje um título inspirador.
“Free Pop”, foi remasterizado e acrescentado pelo single “Sonhos Pop/Esborre” e será lançado em CD no próximo sábado, dia 16 - Record Store Day – pelas lojas Louie Louie em parceria com a editora original, a Ama Romanta.
O lançamento será acompanhado durante a tarde por João Peste e alguns dos membros da banda, que assinarão as primeiras cópias a ser colocadas à venda.
À noite registe-se mais uma festa Louie Louie Goes To LEFT, também com a participação de João Peste que actuará como DJ.
"Safari Disco Club", o sucessor de "Pop Up" de 2007, agora acabado de ser editado pela Coop, chega com uma produção mais robusta, cheia de batidas garridas que vão ao hip-hop, ao techno e a ares mais tribais para sarapintar a pop.
Em vez de se limitar a imperativos dançáveis, o trio Yelle entra por uma electrónica mais emotiva (sinal dos tempos...), ainda assim devidamente aparafusada às pistas de dança.
Julie Budet parece uma versão moderna da "rapariga yé-yé", agora menos estridente, embora com o já habitual charme espevitado e a mente depravada entregue numa voz inocente.
Canções como "Comme Un Enfant", "Safari Disco Club" e "Que Veux-Tu" fazem-se de refrões infecciosos num carrossel de muitas cores...
É incompreensível que "For Blood And Wine" tenha passado despercebido durante dois anos, desde que em 2009 Rykarda Parasol decidiu avançar com coragem para a sua segunda edição de autor, uma vez que já tinha sido sem qualquer apoio que se tinha estreado em 2006 com "Our Hearts First Meet".
Felizmente que a editora polaca Gustaff se apercebeu que havia uma pepita dourada em que ninguém havia reparado e decidiu agora tratar da sua disponibilização em solo europeu.
Em boa hora!
"For Blood and Wine" é um disco simultaneamente intenso, misterioso, melancólico e boémio, com todas as emoções a serem descarnadas ao vivo e a cores, servidas por canções talentosas e arranjos luxuriantes.
Nos seus 16 movimentos, este disco revela uma Rykarda Parasol sem medo de explorar extremos e servi-los em forma de presente embalado em sombras sofisticadas.
Narrativas negras nas quais se destacam a sua capacidade vocal, um misto de voz etilizada e de atracção fatal e o elegante design dos arranjos envolventes, que a todos os acordes conferem um palco suficientemente amplo e acolhedor para que quem a ouve se sinta parte de um filme de suspense e dele não queira sair, nem mesmo por um fugaz segundo.
Nunca a economia foi tão motivo de conversas de café e elevador, o que me leva a crer que isto tudo bem espremido daria uma enorme massa de economistas com uma rigorosa capacidade crítica e detentores de um raciocínio exímio e conscientemente criativo que, se tudo corresse de acordo com os nossos pensamentos à posteriori, poderiam ter-nos evitado a atingir o estado "lamacento" em que hoje nos encontramos!
Mas qual estado, pah!?
Na minha opinião, acho que ninguém percebe é mesmo nada de nada...somos uns meros papagaios sul-americanos inflamados pelos media que nos impelem, quase automaticamente, para a constante repetição de nomes como FMI, Grécia, UE, divida pública, crise polítia...enfim, somos uns papagaios fiéis...mas contentes!
Como dizia o outro: "...deixa arder..."!
Mas como não quero transformar a Xangai Market num sub-refúgio cibernético de desabafos pseudo-político-financeiros, hoje trago-vos para cima da mesa, o novo álbum de Daniel Martin Moore e o seu indie gospel.
DanielMartin Moore, que assinou contrato discográfico depois de enviar uma maquete para uma editora que faz questão de dizer que não aceita maquetes, a Subpop, avança agora com "In The Cool Of The Day", onde imperam as "baladas gospel".
Clássicos e um par de originais fazem um disco onde Moore recorda, sobre arranjos simples apoiados sobretudo em piano e guitarra acústica, os ecos da sua infância passada no Kentucky.
Como Bill Withers a cantar Beatles como se estivesse no púlpito de uma igreja, Moore usa as malhas desta música espiritual para se voltar a ligar a uma ideia de pureza arrecadada na memória.
Gravado sem truques, com a voz tão transparente como um riacho de montanha, este "In The Cool Of The Day", equilibra o pecado de expor quase em demasia a voz frágil de Moore e a virtude da franqueza dessa mesma exposição!
No fim de contas, um equilíbrio arriscado a roçar a solenidade da noite que agora levita sobre as nossas cabeças!
Farto de modernices e de bizarrias sonoras a roçar a bipolaridade e com uma enorme vontade de descansar, hoje faço rewind de mais de 40 anos e prendo-vos de forma gratuita com o omnipresente e celestial disco de "Serge Gainsbourg & Jane Birkin".
Em 1969, Gainsbourg já tinha uma carreira de mais de uma década e constituia-se como o expoente máximo de um charme francês bardo por excelência do sexo.
"Je T´Aime...Moi Non Plus", aqui incluída, perdura até aos dias de hoje.
Aqui procuram-se bandas sonoras e outras experiências para electrificar de forma indecente momentos descomplexados ou outra qualquer ocasião onde a celebração da música seja importante.
A música que se procura é aquela que é descoberta através de um caminho indefinido, traçada ao sabor das circunstâncias, numa sequência de convulsões e remontagens, numa relação de absoluta sedução com balbúrdia.
Um caminhar aleatório e desconcertado pelos trilhos sinuosos do mundo das extravagâncias sonoras, fazendo paragens nos lugares mais resguardos do silêncio.
Johnny Cooks Dance é o alter-ego gira-disquista de João Alberto, constituindo-se como a sua faceta mais tresloucada, colorida e imprevisível, resultante do seu incessante vício em procurar novas sonoridades e outras motivações! Herdeiro “pós-moderno” de um espírito naturalmente híbrido e experimental, carrega o estandarte da premissa ”DJs are not rock stars.”, afirmando-se como uma personagem que vive da música e gosta de partilha-la, deixando os termos de mix-CDs, sets, bpms, fades, pitchs para os “Djs a sério”. Com uma criteriosa e cuidada selecção musical que privilegia uma certa espiritualidade em detrimento da funcionalidade exigida pela pista de dança, Johnny Cooks Dance começou a sua vida em festas privadas numa atmosfera construída por uma forte rede de amizades a ocuparem o centro das atenções e das intenções. Com uma tendência natural para a imagiologia e fã incondicional de catalogações, durante as suas actuações, o espaço sonoro transforma-se num lugar quase imaginado, preso à realidade por ideias isoladas, reinventando conceitos e misturando aquilo que não se deve misturar, acabando por redescobrir a própria música…pelo menos ele pensa que sim! Ao ignorar o livro de estilo dos DJs, Johnny Cooks Dance encena de forma simbólica um regresso ao estado primitivo da música, decompondo-a em peças elementares e devolvendo-a em conjugações altamente aleatórias e perigosas para quem o escuta! Pensa na música como um espaço num determinado lugar em detrimento dos géneros, onde a música comanda as suas próprias ligações, de forma orgânica fazendo com que no centro da pista ou do salão aquele disco certo suceda de forma mágica ao que parecia estar errado! Ele está enganado e o caminho pode não ser por aqui, disso ninguém duvida! Mas de uma coisa não o conseguem convencer: desistir de fazer aquilo que realmente gosta de fazer que é ouvir e partilhar boa música…ou não acreditasse ele que um dia ainda se levará a sério a lounge music!
Cabletoys
Com a permanente e desenfreada democratização das tecnologias de informação no nosso dia-a-dia, o estar e o lugar deixam de ter o peso e importância como elementos isolados. Estar aqui e agora não significa pensar ou actuar aqui…o ali e o depois deu lugar a uma nova rede de interacções globais, em que o mundo inteiro se encontra ligado à distância de um simples clique. E foi assim que nasceu o projecto Cabletoys! Um novo alter-ego “cósmico-minimalista” de João Alberto, que surge como uma necessidade pessoal de tentar esclarecer-se a ele próprio e a quem o queira ouvir do processo criativo e interpretativo do acto de fazer música…e de como chegar à mesma. Pondo aqui de parte todos os radicalismos que advêm da cultura consumista, Cabletoys recorre a diversos gadgets musicais, aliados a certos engenhos tecnológicos de carácter manipulativo…ou então só para decoração! Já muito se falou e foi escrito acerca deste tipo de abordagem musical, no entanto Cabletoys surge na cena nacional como um projecto inovador dada a matéria-prima em questão. Bizarrias de brincar em comunhão com a seriedade e robustez de sequências definidas…Buddha Machines em loops estonteantes e hipnóticos com vozes perdidas no espaço, mesas futuristas e pulsáteis das Zoundz aleatoriamente construindo ritmos e cadências misturam-se com os devaneios furiosos perdidos naquele espaço. Promete-se uma experiência sinfónica multi-sensorial num retrocesso do digital para o analógico ou mesmo essa mistura, procura-se dar um novo passo em frente para uma nova estrutura musical. Acima de tudo a música, o processo criativo, como se apresenta, os meios de propagação e no final a fruição!