segunda-feira, 20 de junho de 2011

OR


Kangding Ray é o nome que serve de refúgio ao francês David Letellier quando despe o fato de arquitecto e assume a farpela de músico avant-garde, acolhido na perfeição pela editora Raster-Noton, cada vez mais apostada em ampliar a sua exploração dos cantos menos expostos da produção musical.
A aparente troca de indumentária de Letellier quando abandona o atelier e abre as portas do estúdio não conta a verdade toda, pois a música de Kangding Ray não é isenta de influências dessa actividade de traçar espaços e conceber harmonias funcionais entre ambientes e a respectiva ocupação humana.
Neste sentido, "OR" é já o terceiro edifício a tinta nanquim saído da pena de Letellier.
E parece ter sido inspirado por uma escola minimalista moderna, que usa linhas rectas, betão e vidro para gerar equilíbrios luminosos, ligando e ordenando com alguma imponência os pilares rítmicos em que toda a construção assenta, mesmo se a ornamentação final continua a ser marcada por uma certa austeridade que, no entanto, não belisca o conforto auditivo.
"OR" acaba por ser preenchido com uma música que se integra na perfeição no espaço envolvente, feito de um equilíbrio milimétrico entre os seus elementos e muita liberdade para que o espírito circule sem grandes constrangimentos, destinado assim a que cada um para ali transporte, a seu bel-prazer, a essência do seu próprio calor humano.

quarta-feira, 15 de junho de 2011

Confissões nocturnas!

"Mirrorwriting" é um disco mágico. Ponto.
O novato Jamie Woon reuniu 12composições que ora acalmam ora nos deixam sem fôlego.
Com espaço para deixar o silêncio fazer das suas, entre um voz adocicadamente soul e embrulhos dubstep luxuosos, o músico britânico conquista-nos com "Night Air", faz-nos estalar os dedos ao ritmo de "Lady Luck", puxa-nos o pé para a pista de dança em "Middle", prostra-nos com "Spiral" e confunde-nos com o acústico "Waterfront".
A pièce de résistence de "Mirrorwriting", no entanto, é o hipnotizante "Shoulda", que nos faz pensar no que teria acontecido se Michael Jackson alguma vez tivesse trabalhado com Geoff Barrow.
James Blake que se cuide...está bem acompanhado no campeonato das revelações do ano!









(in, Blitz)

domingo, 12 de junho de 2011

Aquele groove matinal...


Ao longo dos anos, o contrabaixista, cantor e compositor israelita tem vindo a demonstrar que não só consegue acompanhar grandes músicos como Chick Corea, como também é capaz de criar um mundo de som só seu.
Em "Seven Seas", agora editado com o carimbo da multinacional EMI, Avishai Cohen navega por diversas sonoridades, juntando lado a lado tons quase líricos e elementos mais quentes e ritmados, sempre sem esquecer o folk judaico que constitui a sua sonoridade primordial.
Repleto de melodias contagiantes e grooves meditativos, este novo álbum vai com certeza continuar a conquistar a audiência internacional que tem vindo a apreciar as suas misteriosas e sedutoras composições e improvisações!
Que bela maneira de acordar numa manhã de domingo!



sábado, 11 de junho de 2011

Benvindos ao futuro!


Se muitos discos de samples não deixam de ser meros exercícios de corte e colagem, que valem simplesmente como experiências sónicas, há produtores que introduziram artifício e fantasia na recriação de fragmentos musicais diversificados, fazendo deles matéria dos seus delírios.
É essa a pista que Amon Tobin tem seguido.
De tal forma que, na sua música, tudo parece fluir com a naturalidade que os meios e a prática que conduziram a sua elaboração desmentem.
Ritmos duros, vozes mutantes e ruídos alucinados polidos com parcimónia compõem um mural de sonho envolvente, concebido sem recurso a qualquer instrumento convencional.
As peças são o resultado de subtis manipulações de fontes acústicas tornadas irreconhecíveis.
E é essa a originalidade dessas ideias, que nunca descem a um formulário, que o distingue dos seus pares.
Falo-vos de "Isam" com o carimbo da Ninja Tune.
Perigosamente genial!
Altamente viciante!





segunda-feira, 6 de junho de 2011

"É pró menino e prá menina..."


Esta ficou esquecida e deixada para trás...sem querer.
Hoje, enquanto regresso à normalidade após umas mini-férias bem curtidas, tiro o meu papelinho dos recados do bolso e registo na Xangai uma sugestão do Ricardo.
É do novo álbum dos Battles, "Gloss Drop", editado já este ano e chama-se "Ice Cream" e conta com a participação do "meu super especial rei do beat inteligente a roçar a pornografia digital", Matias Aguayo.
Está boa...muito boa, mesmo!