sexta-feira, 13 de Novembro de 2009

Stylophone (Reloaded)

O Stylophone é um instrumento musical inventado no auge da era Pop e que pelas suas
características estava mais próximo de um brinquedo.
Os originais foram fabricados no Reino Unido entre 1968 e 1975 e depois desapareceram sem deixar rasto.
Surgiram algumas cópias e variantes pelo meio mas dificilmente conseguiam o estatuto do original.
Há exactamente 40 anos David Bowie apareceu em palco com um stylophone encantando os ouvintes de Space Odity.
Passadas quatro décadas, e agora, que o que está na moda é “dar música”, é disponibilizado no mercado, e em exclusivo, uma reedição deste belo objecto, ressuscitado pela equipa original e com alguns extras adequados à época, nomeadamente com a entrada para leitor de cds ou mp3 e saída de audio.
Genial!
Para mais informações clica aqui.




Sim, o que viram aqui é um pouquinho de tudo...uma perfeita simbiose com uma DS-10 e SX-150.
Ainda falam em jam-sessions com didgeridoos, djambés e flautas...viva a tecnologia (de ponta, pah!).
Ehehehe...com todo o respeito, como é óbvio!

quinta-feira, 12 de Novembro de 2009

De amar e chorar por mais...

Há mais novidades no mundo do experimentalismo sonoro.
Four Tet, projecto da autoria do instrumentista ultra-criativo Kieram Hebden acaba de lançar um EP intitulado "Love Cry" e está disponível no seu myspace desde a semana passada.
O EP vem com duas faixas, uma a que dá nome ao disco e a outra "Our Bells".
"Love Cry", a primeira é uma composicão hipnótica de nove minutos de duração com alma kraut, onde um curto sample de vocal feminino se repete sobre uma batida dançante, com os arranjos sempre minuciosos e "demasiadamente" detalhistas já habituais de Hebden.




A outra, "Our Bells" tem sininhos e é sem batida...curiosa.
O EP, sob carimbo da Domino vem acicatar ainda mais a vontade de conhecer "There Is Love In You", disco prometido lá para o final de Janeiro de 2010, que irá ter também a presença (espiritual!) do misterioso Burial.

Ataque massivo!

Os Massive Attack regressam a Portugal para dois concertos em Lisboa.
Segundo o MySpace da banda, os espectáculos terão lugar no Campo Pequeno nos dias 21 e 22 de Novembro.
Nesta altura, os Massive Attack preparam a edição daquele que será o quinto registo de estúdio. O disco ainda não tem título oficial mas Robert del Naja sugeriu que o título provisório é "Weather Underground".
A última vez que a banda de Bristol esteve em Portugal foi em Setembro de 2007.
Em antecipação, deixo-vos com o single de apresentação do novo registo da banda "False Flags" e que por certo fará parte do concerto lisboeta.
Que saudades tinha do som enevoado e fumarento...sabe mesmo bem, ainda por cima num dia como o de hoje!
Vemo-nos por lá?!

quarta-feira, 11 de Novembro de 2009

UM: Festival Internacional de Intermedia Experimental ´09

UM: Festival Internacional de Intermedia Experimental que ao longo de 4 dias se espalha por vários espaços da Lisboa central.
O festival, na sua segunda edição, tem por objectivo apresentar práticas "intermedia" como uma combinação de formas de arte que se focam no conceito, na comunicação, na realização e no investimento.
Este ano o UM escolheu o conceito de "Paisagem" como tema central do festival. Os trabalhos seleccionados para a exposição, as conversas, os workshops e as performances exploram este conceito tomando em consideração as inter-relações que desenvolvem a percepção e a construção da nossa paisagem.
Foi dada especial atenção aos trabalhos que, directamente ou indirectamente, abordam a extensão das nossas habilidades perceptivas e de que forma elas ajudam-nos a processar as nossas relações no mundo.
Em particular, os trabalhos seleccionados abordam de forma conceptual questões ligadas ao conhecimento, informação e controlo, mediação e delegação de poderes, perda e desaparecimento, hábito e tradição.
Na sua forma e estética são objectos, técnicas e ferramentas que permitem reflectir sobre alternativas, informando-nos sobre a nossa posição, diferenças e limites que podem abrir o fechar possíveis paisagens e realidades.
No Musicbox a electrónica é o centro do trabalho de Bass Clef, Andre Wakko e Mr. Gasparov este Sábado, dia 14 pelas 23 horas.

domingo, 8 de Novembro de 2009

"Vinyl Lovers"

Muito se tem falado acerca do futuro do vinil.
Já é tema recorrente em cafés e organizam-se tertúlias e debates mais a sério para debater o tema.
Jack Somerville, um jovem director inglês, é mais um dos nomes que se junta à discussão acerca dos "bolachões" e acaba de lançar um curtíssimo documentário intitulado "Vinyl Lovers".
Dinâmico, envolvente e divertido!
Vale a pena ver!


Untitled (DJ Requests), Brian DeGraw

Pedaços pequeninos de papel, recados escritos a altas horas, dados directamente ao DJ.
Desejos de ouvir uma música precisa, necessidade de transmitir agrado.
Testemunhos, com certeza, de uma noite memorável.
Todos arrumados e dispostos numa moldura.
É uma obra de arte de Brian DeGraw, DJ, teclista dos Gang Gang Dance e artista plástico.
A ordem das actividades não interessa.
A reter, é responsável pelas últimas capas dos trabalhos dos Animal Collective e alguns dos seus desenhos pertencem à colecção MOMA (Museum Of Modern Art Of New York).


Brian DeGraw, "Untitled (DJ Requests)", 2007

sábado, 7 de Novembro de 2009

Suor e funkaria!

Depois de um dia como o de hoje em frente ao computador desde praticamente que acordei até agora sabe bem, alhear-me completamente da realidade "académica" e ouvir música em altos berros.
Qual a escolha mais acertada para desanuviar de uma "injecção de fórmulas e guidelines pré-formatadas"?
Breakestra, sem margem para dúvidas!
"Dusk Till Dawn" acabadinho de sair pela Strut parece-me ser a melhor solução...sim, de certeza absoluta!
Hedonista e militante, o colectivo liderado por Miles Tackett tem por missão a prática do funk.
Isso mesmo pode ser comprovado nos registos editados e, sobretudo, nas actuações ao vivo, já que os Breakestra existem, essencialmente, para tocarem em "jam sessions".
É aí que atingem a sua plenitude, com longas divagações que evocam uma pureza original, que embora possa soar a exercício nostálgico, patenteia uma certa leveza lúdica e uma vitalidade que os impede de cair no anacronismo.
O funk omnipresente e a influência do jazz nas suas investidas aproxima-os de universos de George Clinton ou mesmo James brown, enquanto o alto teor orgânico da música praticada revela espiritualidade e músculo.
O funk é mesmo bom...


sexta-feira, 6 de Novembro de 2009

Uma aliança perfeita para uma mediação de um confronto!

Há 4 anos Victoria Bergsman, cara dos Taken By Trees, fez um disco frio, "Open Field", onde tentava descompassar-se dos seus antigos Concretes.
Conseguiu no entanto, quem a acusasse de ter tornado o álbum em algo demasiado incolor e insípido.
Em reacção do sedentarismo, Bergsman fez-se à estrada e seguiu até ao Paquistão à caça de novos sons (e sabores...hum!).
A viagem fez-lhe bem!
Respira-se melhor em "East To Eden", acabadinho de sair do forno sob chancela da Rough Trade.
A ondulação atmosférica alia-se agora à "world music" (será que ainda continuo a acreditar neste termo?) e a vibração das canções é outra.
Numa primeira audição do disco sobressaiu-me uma versão dos Animal Collective para "My Girls" (está bonita, sim senhor! Claro, chama-se "My Boys"), porém temas como "Watch The Waves" e "Wapas Karna" comprovam que este "East To Eden" é um disco do Ocidente, claro está, mas com muito Oriente por cima!


quinta-feira, 5 de Novembro de 2009

Promessas à moda antiga!

Já o ando a prometer há algum tempo, mas parece-me que já não tardará muito a pôr esta ideia em prática.
Qualquer dia, convido os meus pais e os amigos deles e outras pessoas que estiverem interessadas (e gostem do tipo de experiência que se propõe!), alugo uma garagem, instalo um bom sistema de som e de luzes e monto uma bola de espelhos no centro da pista e faço uma festa...comigo a passar som!
Só vinil...como manda a tradição!
Só dance music....à moda antiga!
A ver o que é que dá.
Este foi o ultimo "rodelão" (como lhe gostam de chamar os manos brazucas) a chegar-me às mãos e comprei-o por 2 míseros euros numa feira de coleccionismo em Castelo Branco (que só por curiosidade, e aficcionados da cena, decorre sempre no 3º Sábado de cada mês na Avenida do Liceu).
Uma raridade que decerto fará parte dos hits dessa noite.
Depois digo-vos como correu!


quarta-feira, 4 de Novembro de 2009

Bruxaria metafísica!

A anunciação de que algo de extremamente belo estava para vir foi premeditada em "Street Horrrsing".
2009 acaba (finalmente!) por desabrochar o belissímo "Tarot Sport», que consegue expandir as fronteiras fluidas da música da dupla de Bristol afirmando-se como um segundo disco que é um magnífico tratado de boas ideias.
Estou a falar claro, dos Fuck Buttons...quem mais poderiam ser!
Benjamin John Power e Andrew Hung atiram-nos camadas e camadas de espesso magma sonoro que obrigam os ouvidos a escutar aquilo que nunca tinham ousado e os sentidos a experimentar o que nem em sonhos julgavam ter existência possível.
É uma música que quase se pode tocar, tão física e exigente se torna a sua escuta.
Uma viagem arrepiante e triunfal num cosmos distante, apresentando um dinamismo intrínseco que não deve ser procurado à flor da pele, antes sim escavado com preserverança nas sucessivas capas sonoras que enclausuram esta música impetuosa, mas que ao mesmo tempo lhe conferem um horizonte quase infinito de leituras paralelas, exemplarmente distendidas no espectro disponível pelo mago Andy Weatherall, convocado pela dupla para dar expressão exterior à complexidade das composições que lhes habitam no interior.
E neste intrincado jogo de pulsões rímicas em movimento circular e figurantes sónicos de fugaz aparição, que complementam a narrativa futurista apresentada pela parafernália de teclados afirmados como personagem principal, desenha-se a cada instante um esboço arquitectural de linhas cruzadas, traçadas a régua, compasso e esquadro, que se distribuem numa tela inacabada que aguarda pelos momentos, sempre surgidos, de confluência atmosférica mas marcialidade letal.
Mais do que ler nos astros um futuro que há-de vir, faz uma clara proposta de descodificação e antecipação dos movimentos musicais vindouros, elevando o drone à condição de maná numa travessia psicadélica de celebração tribal de uma renovada ordem musical, assente na absoluta liberdade de movimentos e na perpetuação da unidade orgânica que o conceito de álbum há muito definiu como um todo afirmativo, coeso, coerente e pleno de sentido.







(Adaptação: Domínio dos Deuses)

terça-feira, 3 de Novembro de 2009

O caminho do Sonar 2010

Ainda lá vem longe, mas como se sabe, estas coisas merecem lugar de destaque na programação das férias de quem gosta de assistir ao que de melhor de faz em termos de sensações.
Já viram o que era um mega festão com a malta toda no Sonar para uma despedida de solteiro?!
Humm?!
Vendo bem não era nada mau pensado, mas só para precaver a coisa, fiquemo-nos por aí, ou melhor, por ali!
A memorizar 17, 18 e 19 de Junho no sítio do costume e não só.
Este ano o Sonar, pela primeira vez na sua história vai desenrolar-se em 2 locais em simultâneo, mantendo o formato de Sonar Dia e Sonar Noite.
Além da mítica e louca Barcelona este ano as excentricidades da electrónica estendem-se até à Corunha, levando com elas o nome de Sonar Galicia...
Parece-me que não faz muito sentido, mas também confesso que nada me traria mais felicidade que trazer o Sonar para Portugal...por isso, acho que é esperar para ver!
Uma viagem até ao fim do mundo pelo Caminho de Santiago!

segunda-feira, 2 de Novembro de 2009

O último John Peel português...

O radialista António Sérgio, uma das figuras mais importantes da difusão da musica em Portugal morreu ontem, Domindo, aos 59 anos, de forma inesperada. Foi o mais importante divulgador da chamada "música da frente" em Portugal desde da decada de 70, tendo passado pela rádio Renascença, Comercial, XFM, Best Rock e Radar, tento sido autor de programas, juntamente com Ana Cristina Ferrão, que marcaram gerações e abriram Portugal à música mais aventureira produzida em todo o mundo.
Programas como o Rotação, Rolls Rock, Som da Frente, Lança-Chamas e ultimamente a Hora do Lobo ou o Viriato 45, abriram os ouvidos de milhares de portugueses ao londo das décadas, sobretudo numa época em que o acesso ao "novo" era tarefa dificultada pela não existência de discos à venda em Portugal ou programas de rádio em consonância com aquilo que se fazia lá fora.
Trabalhou ainda com as editoras Nébula e Música Alternativa, assinando mensalmente o suplemento do Blitz, Manifesto.
Colaborou na edição da polémica compilação Punk Rock 77, um caso que chegaria aos tribunais da altura.
Fez-se sentir nos Corpo Diplomático que mais tarde dariam origem aos Heróis do Mar e lançou editorialmente pela Rotação, o primeiro álbum dos Xutos & Pontapés com o tema Sémen.
Em 2008 ganha um Globo de Oura na categoria de Rádio.
António Sérgio, pela sua importância na divulgação musical e paixão pelo rock, era conhecido como Mestre ou ainda o John Peel português.
Eternamente...obrigado!


domingo, 1 de Novembro de 2009

Passion Pit

No campeonato da pop electrónica com pinceladas indie-freak, que parece resultar cada vez melhor nas rádios, os Passion Pit podem muito bem ser os vencedores deste ano.
Com "Manners", editado há pouco tempo sob tutela da Frenchkiss, o projecto pensado e concretizado pelo norte-americano Michael Angelakos estreia-se num patamar elevado, a fazer lembrar criaturas híbridas como os Animal Collective, MGMT ou mais recentemente os Friendly Fires!
Altamente recomendável!
Bom início de semana.


sábado, 31 de Outubro de 2009

Pedro´s Broadcasting Basement

No ano em que Laurent Garnier estravaza toda a sua versatilidade com "Tales Of Kleptomaniac", o francês não desiste de encantar os seus admiradores e não só, com a criação de uma rádio online tão diversificada como o seu último (e aclamadíssimo) registo!
Chama-se Pedro´s Broadcasting Basement e encontra-se em: http://pdb.laurentgarnier.com:8000/ e o mecanismo de funcionamento consiste em colar o URL da página no leitor predefinido (eu, especialmente aconselho o Winamp)...e depois, depois é só deixar ficar e ouvir as escolhas do francês mais "gourmet-o-musical" que conheço.
Ele diz que não é só uma estação de música em formato de música "non-stop", mas que resulta de um trabalho de mais de 6 anos de recolha dos discos certos que para ele têm sentido e dá-los a partilhar com quem quiser ouvi-los.
Parece a mesma coisa, mas lá no fundo o que interessa para aqui é a intenção de quem cria a coisa e o seu intuito!
E desta forma, soa diferente!
Oiçam 10 minutinhos e depois digam qualquer coisa!
Jazz, world, soul, downtempo, pop, electrónica...enfim, música vinda directamente do coração!
Se a estação fosse minha, a próxima música passaria por certo, pelo menos 2 vezes por dia...sim, sem dúvida!
Pornografia musical faz tão bem...ah, como é "fabuloso o maravilhoso" mundo da electrónica!
Boa noite das bruxas ou lá o que isso é!


sexta-feira, 30 de Outubro de 2009

Move D

Um dos mais discretos mas pertinentes nomes da cena da electrónica contemporânea apresenta-se hoje à noite em Lisboa.
David Moufang, mais conhecido por Move D e responsável em parceria com Benjamin Brunn, por um dos mais belos albuns (viagens ou incurssões...) ao fabuloso mundo da música sintetizada, aterra hoje à noite no club alfacinha, Lux.
Um veterano cuja criatividade recicla emoções do passado para o tempo presente e acrescenta pontos de vitalidade para o futuro.
Uma noite diferente, seguramente!





quinta-feira, 29 de Outubro de 2009

Cafe World e miudezas!

E de repente, dou por mim viciado num jogo.
Há que tempos não me lembrava de me embrenhar nas teias de um jogo e me deixava perder pelos seus meandros intermináveis e ultra-criativos (e muito, mas mesmo muito viciantes!).
Tenho um café no Facebook e já gastei na construção do mesmo muitas horinhas das férias.
Estou a gostar!
A ideia de ter um espaço meu em que posso criar e explorar a meu gosto é fixe...
Vou continuar a servir hamburguers e tartes de frutos silvestres...a ver o que dá!
Nos entretantos, continua a rodar em modo contínuo o disco de Jonny Trunk - The Inside Outside, editado pela Trunk em 2004, como banda sonora ideal para novas incursões em território gastronómico.
Chama-se "Zé & Tal" e temos bons hamburgueres e óptimas tartes!
Apareçam!
Isto da web está cada vez mais passada...qualquer dia uma gajo está de tal forma "agarrado" a esta cena que vai tomar café ao cafezinho da rua e está a contar os minutos que demoram a cozer as tartes de maçã no joguinho lá de casa!
Mas vale a pena experimentar e ver como é que a coisa se processa!

terça-feira, 27 de Outubro de 2009

Jon Hassell & Maarifa Street pela primeira vez.

Parece incrível, mas Jon Hassell é mais um daqueles nomes que tocam o sublime sem nunca terem tocado no nosso país.
Chegou a hora!
A espera acabou!
Depois dos ensinamentos de Stockhausen e Pandit Pran Nath e de 30 anos de música superior e sublimes invenções, Jon Hassell procura agora apropriar-se de tudo o que fez para mergulhar de cabeça no silêncio.
Um dos mais revolucionários músicos das últimas décadas, autor do famoso conceito quarto-mundista, e criador de uma mão-cheia de álbuns essenciais, toca amanhã no Teatro Maria Matos, em Lisboa, às 22h.
Uma ideia de jazz futurista, rico e detalhado parece querer habitar uma coreografia e culturas indeterminadas...
A partir de amanhã alguns de nós serão um pouco mais completos!


Ay Ay Ay

Férias!
Depois de 2 dias de intenso "lufa-lufa", eis que a calma e o sossego tomam conta do meu dia.
Está cinzento, mas também não peço mais...
Tempo mais que sobra para me dedicar aquilo que me ostenta um dia perfeito...música!
Matias Aguayo e o seu novo "Ay Ay Ay"!
Logo no início com “Menta Latte” percebe-se que este não é de todo um álbum vulgar no catálogo da Kompakt, nem sequer na actual produção pop electrónica.
Pode acreditar-se que é consequência de uma vida repartida entre Santiago do Chile, Buenos Aires, Paris e Colónia ou apenas (e não é pouco...ufa!) resultado de ideias muito singulares de um músico que não me tinha exactamente preparado para o que estou a ouvir agora. Superficialmente penso num cruzamento entre Micachu, Khan, Frivolous e um toque do que Villalobos seria se fizesse canções.
Referências talvez demasiado rebuscadas ou escondidas mas, com o álbum em escuta, o que interessa são as surpresas em cada nova canção que entra.
O modo como Aguayo se apropria de “From Russia With Love” (John Barry, da banda sonora do filme com o mesmo nome), chamando-lhe muito naturalmente “Desde Rusia”, apanha desprevenido mesmo quem conhece bem o original.
Todo o álbum é muito assente nas múltiplas nuances e sobreposições da voz de Matias Aguayo: na encarnação mais simples é uma voz claramente latina, mas nas inúmeras mutações presentes no álbum soa a vários intrumentos, coros, objectos e camadas de sons.
A percussão livre não pode sequer ser comparada a música de dança como normalmente se entende, não obedece a um padrão linear nem a uma região específica, “Koro Koro” parece África mas depois talvez não, “Ay Shit” podia ser M.I.A. ou uma cena de Diplo mas também podia não ser, porque a voz de Aguayo coloca tudo noutro compartimento (sem nome!).
“Ay Ay Ay”, o título, remete ao mesmo tempo para um clima festivo e para uma exclamação de angústia por não se saber muito bem o que fazer a seguir...
Ainda bem!
Toda a gente deveria experimentar tirar férias quando o tempo menos o pede!
Faz bem à alma a paz dos dias cinzentões!

sábado, 24 de Outubro de 2009

Re:Axis

Re:Axis é o projecto de música electrónica, partilhado por José Diogo Correia e Hélder Vasconcelos, que nos 2 últimos anos tem dado a conhecer além fronteiras a melhor produção nacional.
O primeiro reconhecimento internacional deu se no inicio de 2008 quando o Ep “Outsider”, editado pela londrina Piso, atingiu o top 20 na categoria de minimal techno do Beatport e o tema homónimo integrou a compilação “Viva Toronto” de Steve Lawler.




Os ecos deste feito chegam rapidamente à Alemanha e no mesmo ano a conceituada Autist convida-os a integrar o seu catálogo.
Temas de Re:Axis começaram a ser incluídos em playlists dos mais respeitados dj’s,como Richie Hawtin, com “Take Me There".




Em Meados de 2008, impulsionados pelas tendências dos mercados digitais, constituíram a sua própria editora, a Monocline.
O selo independente permitiu ao projecto moldar a sua presença no mercado mundial de música de dança através da identidade sonora delineada ao longo das 15 edições realizadas.
Vão estar por Lisboa dia 7 de Novembro no Op Art, sob tutela da Soniculture e é uma oportunidade óptima para ver se os dois rapazes que brilharam este ano no Neo-Pop (um dos melhores lives!) deixam escapar qualquer coisita do seu primeiro álbum "Everything Is Going To Be Amazing”.


quinta-feira, 22 de Outubro de 2009

Firekites

Porque nem só de beats acelerados e viagens alucinantemente animadas por sintetizadores desbravados vive o meu corpo, hoje falo-vos em "melancolia"...musical.
Do mesmo remoto país que ao mundo ofereceu ícones tão destintos como AC/DC ou Kylie Minogue, chegam-nos agora, em pezinhos de lã, os Firekites.
"Bowery", o primeiro álbum dos australianos Firekites, tem carimbo de 2008, porém só este ano é que as canções, netas de algo semelhante a Nick Drave e quiçá, irmãs de Kings Of Convenience ou Iron & Wine, encontraram o caminho para Portugal.
Canções para encostar a cabeça ao cadeirão lá da sala...e encontrar aconchego nas melodias de uma guitarra acústica bordada e violinos.
O ritmo não fere e nunca se atreve além do batimento cardíaco em modo de repouso.
Assumo, profundamente melancólico!
"Bowery" é um daqueles discos para os quais o Outono parece ter sido inventado.