Se as anteriores três encenações geradas no mundo ambíguo da iraniana Leila Arab fizeram desta colaboradora de Bjork uma das mais visionárias criadoras da electrónica contemporânea, é impossível não concordar que este quarto álbum prolonga esse estado.
"U&I" editado pela selecta e cada vez mais esquizofrénita (no bom sentido, claro!) Warp!
Num ambiente estranho e bizarro, admiração e atracção são obrigatórias perante uma música emergente, urgente e visceral.
De novo, a alma do punk libertada por uma abordagem electrónica sui generis, em que as canções alimentadas pela voz abrasiva do norte-americano Mt. Sims (colaborador de The Knife na ópera "Tomorrow, In A Year") procuram afirmar-se como experimentações pop num manto digital.
Significa isto que há muito para descobrir, em mais uma viagem emotiva pela essência da música.
(in, Blitz, Fev ´12)
Domingo, 15 de Janeiro de 2012
Kuedo é o nome artístico que Jamie Teasdale assume a solo, quando não divide os créditos da música dos Vex'dcom Roly Porter.
E "Severant" demonstra que há razões fortes para que Kuedo exista enquanto unidade criativa, pois são inúmeras as diferenças para a música criada enquanto dupla.
Se os Vex'd se encarregaram de dar ao dubstep uma das suas facetas mais escarpadas e cortantes, através de ritmos em nervoso-miudinho e uma próximidade visceral com a negritude mais densa do hip-hop, já Kuedo parece responder com luz cósmica a esse aquipélago de sombras.
Em "Severant" o ritmo continua a existir e a ser estruturante, mas adquire contornos mais acetinados, servindo de confortável apoio a melodias ditadas por sintetizadores analógicos em expansão sideral, que ali encontram um afável apoio de cabeça.
A agitação continua lá, mas é agora contornada por uma quase doçura que tempera a ansiedade e induz um sentido de calma que, por contrastante, se aproxima mais de uma melancolia eufórica do que de um desassossego controlado.
Um disco no qual vale a pena deixar-se mergulhar sem resistências, entrando na turba sonora com o mesmo prazer de uma viagem sem rumo num céu sem gravidade.
Em colaboração com a Matéria Prima a Mana Recordings apresenta uma série de concertos num dos refúgios icónicos da cidade do Porto.
O "Meu Mercedes É Maior Que O Teu" sobreviveu aos sucessivos bombardeamentos que levaram ao êxodo da zona ribeirinha e, para quem se recorda, era um dos vértices que formava o triângulo Mercedes, Anikibobó, Meia Cave.
Recordar é viver, fica o convite enquanto há tempo.
Bernardo Devlin
Nasce em Lisboa em 1967.
"World, Freehold" (Ananana, 1994) marca o início do seu percurso a solo, após vários anos de procura em colectivos como Electrodomésticos, Jardim Orgânico ou os mais destacados Osso Exótico.
"Albedo" (Ananana, 1997), "Circa 1999 – 9 Implosões" (Sons do ExtremOcidente, 2003) e o mais recente "Ágio" (Nau/Sinal 26, 2008) completam uma discografia que se ergue como fundamental contributo para a progressão da escrita e composição de canções na nossa língua.
Este espectáculo de hoje, dia 6 de Janeiro de 2012 fica desde logo registado para a posteridade ao constituir-se como a estreia absoluta de Bernardo Devlin a solo na cidade do Porto.
Nesta actuação será apresentado um conjunto de canções assentes em bases electrónicas/electroacústicas sem recurso a instrumentação.
Entre elas incluem-se inéditos em inglês que poderão fazer parte de um futuro álbum de título "Chroma Key", perspectivado para ser gravado algures em 2012.
O concerto de Bernardo Devlin inaugura a mensalidade do Mana, que em 2012, impreterivelmente na primeira sexta-feira do mês, levará ao histórico bar portuense os nomes apresentados anteriormente no podcast, onde foram difuundidas gravações inéditas e entrevistas com Aquaparque, Coclea, Tropa Macaca, Rafael Toral, David Maranha, Bernardo Devlin, Curia e Loosers.
Os bilhetes encontram-se disponíveis em venda antecipada na Matéria Prima do Porto.
Com stock devidamente abastecido para a ocasião, a Matéria Prima marcará presença nas noites de concertos disponibilizando grande parte da discografia dos artistas envolvidos, ficando ainda responsável pela animação musical após os concertos.
Variações sobre material do álbum "Manafon" de 2009, este "Died In The Wool: Manafon Variations" agora editado sob tutela da Samadhisound não é, no entanto, o típico exercício de remisturas, embora haja por aqui um par de momentos que se podem descrever nessa categoria.
Com a intervenção alargada do compositor Dai Fujikura, o ex-Japan David Sylvian, mostra-se uma vez mais próximo do silêncio, com as suas palavras a recortarem-se como uma moldura que contém o vazio.
E tudo acontece sobre paisagens desoladas, cordas de câmara lenta e dissonante progressão que vai acentuando palavras nem sempre facilmente encaixáveis com o sentido, mas que são as pinceladas de que Sylvian dispõem para pintar estas "variações".
também há palavras de Emily Dickinson, o que ajuda a conferir uma ideia de escala poética à escrita do próprio.
São cada vez mais os cruzamentos entre a estética exploratória da música electrónica e a angularidade geométrica do jazz e, ainda que nem sempre com resultados admiráveis, a verdade é que em teoria essa formulação é atraente. Não só pelo lado de novidade que pode encerrar, mas também porque se trata de matizar quadrantes que, mesmo que distantes na origem, encontram no seu percurso histórico muitos pontos de contacto.
"You Can't Get There From Here" é um disco que demonstra, na prática, o quão estimulante esse rendez-vous pode ser e parte, até no título, da impossibilidade de unir todos os pontos de uma estrutura para outra para descobrir que, afinal, de duas dinâmicas por vezes opostas se pode conseguir uma variedade estética coerente, capaz de retirar a cada peça individual a contribuição exacta para um todo sublime.
De Scanner, o britânico Robin Rimbaud, já conhecíamos toda a sua vasta discografia, assente numa notória vontade de calcorrear todo e qualquer canto da música electrónica experimental.
Do americano David Rothembergdescobrimos agora a agilidade e concisão emocional com que usa o clarinete.
Juntos fizeram deste disco um caso sério de criação de um ambiente simultaneamente aveludado e rugoso, em que a tensão implícita em diversos momentos nunca encontra a chave de ignição para a eclosão de erupções catárcticas, mas desenvolve-se em progressivas dissoluções, como se desenhasse lentas formas a tinta negra vertida, gota a gota, num copo de água turva.
E assim "You Can't Get There From Here" surpreende por deixar que se vislumbrem caminhos que nunca chegam a ser explicitamente desenhados, mas cuja insinuação permite que cada um, a seu jeito, trate de expandir a gosto próprio.
Como se da impossibilidade se chegasse, com input do ouvinte, a uma infinidade de eventuais possibilidades.
E um disco assim tem a grande virtude de nunca deixar que a sua audição se esgote, clamando sempre por nova e reveladora viagem.
Na linha do antecessor "Happy Birthday!", o terceiro tomo dos germânicos Modeselektor, "Monkeytown" volta a abarcar uma panóplia de estilos que remetem para as pistas de dança e vem afirmar-se como uma lufada de ar fresco neste ano de "fraca" inspiração bailante.Ainda que as participações vocais de Thom Yorke, os mestres do hip-hop Anti-Pop Consortium, o rapper Busdriver ou Miss Platnum e instrumentais de Sasha Ring dos Apparat e colega de turma nos Moderat, Siriusmo ou o esquizofrénico Otto Von Schirachk possam aparentemente indiciar uma dispersão estílistica, as bases sonoras manipuladas, confluem na mesma direcção.
A promoção de loops hipnóticos e a efectivação de síncopes rítmicas, imagem de marca do projecto, fixam os temas num espartilho sintético apertado.
São Gernot Bronsert e Sebastian Szary...num frenético e complexo equílibrio entre uma espécie de hedonismo funcional e uma vontade plástica de afirmar de forma massiva as suas convicções sonoras!
Depois de um regresso meio atribulado ao meu quotidiano, deparo-me com uma nova recarga estival!
O tempo não tem sido muito para me dedicar à escrita, porém esse tema já vem sendo recorrente, por isso, para trás das costas!
E o que é que eu tenho para dizer?
Epah, assim de repente...oiçam música de todos os géneros e feitios sem se preocuparem com a imagem e a forma estética que esse intimo e recondito prazer vos dá!
E partilhem-na...nunca se sabe quando poderão fazer feliz alguem ou tornar o seu momento de descoberta em algo mais especial!
É aí que reside a beleza desta forma de vida tão única...a dos amantes de boa música!
E se Woody Allen afirmou que "O dinheiro é melhor do que a pobreza, nem que seja por razões financeiras", também eu vos deixo o repto de que devem requintar cada vez mais o vosso gosto...porque à primeira tudo parece igual, mas lá no fundo, sabemos sinceramente que uma boa música é diferente de uma música indiferente...nem que seja por uma questão de hormonas.
Regressado de férias e depois de umas redondas 300 audições da última bíblia sonora proposta por Tom Vek, sinto-me completamente obrigado a afirmar que não foi só o meu álbum de Verão, mas possivelmente a melhor vitamina para começar o meu Outono!
Mas não querendo ser chato viro a agulha para outras direcções e hoje trago-vos a melhor sobremesa que eu encontrei para degustar calmamente o meu recente vício sonoro vekiano!
Chama-se "Whokill" e é a nova gloriosa e bem conseguida cacofobia musical dos tUnE-yArDs, acabadinho de sair da prensa com o carimbo da cada vez mais omnipresente 4AD.
Num mundo em que por vezes todos parecm querer ser como alguém, é bom encontrar alguém que não teme ser como todos.
Ao mesmo tempo.
Merril Garbus, a voz, a alma e o ukelele em tUnE-yArDs regressa com com amparo da 4AD após "Bird-Brains", a estreia de 2009, criada com um pequeno gravador digital e muitas ideias.
Ao segundo álbum, há mudanças como o baixista Nate Brenner que usa o baixo como uma espécie de rio sinuoso que atravessa uma densa floresta tropical, alimentando-a.
A gloriosa cacofonia sonora criada por Garbus prossegue: pássaros e trovões, polifonias africanas, tropicalismos diversos, soca e congas, Talking Heads e King Sunny Adé, tambores, relógios, tudo desafinado por uma visão profundamente criativa que mesmo no meio de tantos sons nunca esquece o que faz uma grande canção!
Lindo!
Há já algum tempo que me têm vindo a dizer que tenho escrito pouco na Xangai, ao que respondo que não tem dado por que não tenho tido tempo!
É óbvio que ando mais atarefado, no entanto a mais pura verdade é que acho que ando a descobrir a verdadeira essência da cena, como se tratasse de uma lapidação mais apurada da alma da Xangai Market!
Posso até ter tempo livre para escrever, mas prefiro levantar o volume até ao 48 e ficar a ouvir aquilo que me dá real gana!
Depois acaba-se o tempo e deixo a escrita para o depois que nunca acontece!
Muita coisa boa passa, porém as geniais garanto-vos que ficaram registadas neste blog!
Assim sendo, e se é que me permitem os raros mas ilustres leitores da Xangai, hoje, no final do meu Verão, afirmo-vos que a Xangai está melhor!
Mais adulta, requintada e exigente, mas sem nunca perder as suas preferências de carácter duvidoso e demasiadamente extravangante que norteiam este blog para um espaço cada vez mais distante.
(E sim é verdade, adapto muitos textos de revistas e outras publicações por aí perdidas...mas no final de contas qual é o problema? São públicos e estão referenciados como tal! Mas será que a música é o menos importante nisto tudo?!)
Para todos os que gostam de boa música sem rótulos, manias ou eufemismos, deixo-vos estas duas malhas dos tUnE-yArDs, "My Coutry" e "Gangsta".
É verdade que tenho andado longe das escritas pela Xangai, no entanto, é que apesar de poder evocar justamente a tão corriqueira desculpa do "não tenho tido tempo", a verdade é que não me tem é mesmo apetecido!
Mas hoje, decidi perder alguns minutos para vos dar trazer um disco que promete de certeza absoluta fazer parte da minha lista de rodelas compactadas que levarei para o meu Verão!
"Leisure Seizure2 de Tom Vek!
Depois de uma estreia entusiasmante, em 2005, Tom Vek desapareceu do cenário musical durante seis longos anos, regressando agora com um disco que justifica cada segundo da ansiosa espera.
Se comparado com o seu antecessor "Leisure Seizure", agora editado pela Island não é revolucionário!
Nem disso precisaria para se justificar.
É igualmente construído em cima de um talento especial para criar padrões rítmicos excitantes, de uma voz limitada na sua flexibilidade mas criteriosa e inteligentemente usada para nunca esticar as cordas para zonas perigosas, e reconquistando um lugar ao sol para uma sábia mistura punk-funk com teclados resgatados ao anos 80.
Mas a novidade deste disco não é formal.
É, isso sim, feita de uma capacidade espantosa de, com os mesmos materiais, apresentar ideias musicais estimulantes, impulsionadas pelo prazer que Tom Vek transpira a cada novo gancho melódico e a cada curva perigosa abordada sem receios pelos ritmos saltitantes e filigranados.
Há, para além disso, o lado de alquimista de estúdio que o autodidacta Vek tão bem desenvolveu e que lhe garante uma limpidez quase mágica no ofício de produtor requintado, com a noção exacta do que está a mais e do polimento específico que cada som precisa para se destacar do conjunto sem lhe destruir a harmonia simbiótica.
"Leisure Seizure" é um disco que parece fazer convergir em si a música pop de diversas eras, mas sempre com a perspectiva exploratória de criar algo capaz de marcar o seu próprio tempo.
É por isso totalmente recomendável e altamente viciante!
Perigosamente delicioso!
Senhores e senhoras, xau xau e até daqui a uns dias!
Chegou o Verão!E com ele, seguem-se a um ritmo ultra-vertiginoso as revelações "bombásticas" de novos nomes a figurar nos tão mediáticos cartazes de festivais estivais!
Pergunto-me se será todos os anos a mesma coisa?!
"Epah, este ano é que o Alive está a bombar..."
"Ouve, nem te passa pela cabeça quem vai ao SW este ano, man!"
"Estou lá!"
"Vai ser muita fixe! Também queres vir?!"
Volto a perguntar-me se isto só me farta (um bocadinho, vá la!) a mim?
Será que nos próximos anos, irá ocorrer alguma alteração de mentalidades sociais/musicais que nos alterem a nossa maneira ferverosa de seleccionar "aquela festança que mais nos agrada"?
Não sei...mas parece-me cada vez mais improvável, por isso só tenho que reconhecer que o "mal" só poderá ser meu!
Adiante!
Porque dos outros já toda a gente sabe quase tudo, incluindo as prováveis setlists e as piadas intercalares, hoje debruço-me sobre um novo festival que tive conhecimento.
Menos "mainstream" e mais recatado, lá para os lados de Londres!
Só para contrariar, toma!
Uma parte do extenso Hyde Park recebe o Wireless Festival, um óptimo pretexto para se transformar um fim de semana de férias na capital inglesa, numa prolongada experiência musical de alto nível!
Desfilarão sobre a vasta e histórica verdura do jardim citadino, os maiores figurões dos festivais de Verão europeus.
Dos recém-regressados Pulp aos frenéticos Chemical Brothers, passando por consagrados como Grace Jones, arautos do rock alternativo como TV On The Radio ou Battles, ou artífices de ponta da electrónica desafiante como Aphex Twin.
Imperdível!
À primeira vista, pode ser o mesmo que os outros, no entanto o cartaz apresentado parece-me ligeiramente diferente dos demais, além de se poder ter o prazer de ouvir boa música com um esquilinho ao ombro!
Queira o bom tempo ajudar!
Kangding Ray é o nome que serve de refúgio ao francês David Letellier quando despe o fato de arquitecto e assume a farpela de músico avant-garde, acolhido na perfeição pela editora Raster-Noton, cada vez mais apostada em ampliar a sua exploração dos cantos menos expostos da produção musical.
A aparente troca de indumentária de Letellier quando abandona o atelier e abre as portas do estúdio não conta a verdade toda, pois a música de Kangding Ray não é isenta de influências dessa actividade de traçar espaços e conceber harmonias funcionais entre ambientes e a respectiva ocupação humana.
Neste sentido, "OR" é já o terceiro edifício a tinta nanquim saído da pena de Letellier.
E parece ter sido inspirado por uma escola minimalista moderna, que usa linhas rectas, betão e vidro para gerar equilíbrios luminosos, ligando e ordenando com alguma imponência os pilares rítmicos em que toda a construção assenta, mesmo se a ornamentação final continua a ser marcada por uma certa austeridade que, no entanto, não belisca o conforto auditivo.
"OR" acaba por ser preenchido com uma música que se integra na perfeição no espaço envolvente, feito de um equilíbrio milimétrico entre os seus elementos e muita liberdade para que o espírito circule sem grandes constrangimentos, destinado assim a que cada um para ali transporte, a seu bel-prazer, a essência do seu próprio calor humano.
O novato Jamie Woon reuniu 12composições que ora acalmam ora nos deixam sem fôlego.
Com espaço para deixar o silêncio fazer das suas, entre um voz adocicadamente soul e embrulhos dubstep luxuosos, o músico britânico conquista-nos com "Night Air", faz-nos estalar os dedos ao ritmo de "Lady Luck", puxa-nos o pé para a pista de dança em "Middle", prostra-nos com "Spiral" e confunde-nos com o acústico "Waterfront".
A pièce de résistence de "Mirrorwriting", no entanto, é o hipnotizante "Shoulda", que nos faz pensar no que teria acontecido se Michael Jackson alguma vez tivesse trabalhado com Geoff Barrow.
James Blake que se cuide...está bem acompanhado no campeonato das revelações do ano!
Ao longo dos anos, o contrabaixista, cantor e compositor israelita tem vindo a demonstrar que não só consegue acompanhar grandes músicos como Chick Corea, como também é capaz de criar um mundo de som só seu.
Em "Seven Seas", agora editado com o carimbo da multinacional EMI, Avishai Cohen navega por diversas sonoridades, juntando lado a lado tons quase líricos e elementos mais quentes e ritmados, sempre sem esquecer o folk judaico que constitui a sua sonoridade primordial.
Repleto de melodias contagiantes e grooves meditativos, este novo álbum vai com certeza continuar a conquistar a audiência internacional que tem vindo a apreciar as suas misteriosas e sedutoras composições e improvisações!
Que bela maneira de acordar numa manhã de domingo!
Se muitos discos de samples não deixam de ser meros exercícios de corte e colagem, que valem simplesmente como experiências sónicas, há produtores que introduziram artifício e fantasia na recriação de fragmentos musicais diversificados, fazendo deles matéria dos seus delírios.
É essa a pista que Amon Tobin tem seguido.
De tal forma que, na sua música, tudo parece fluir com a naturalidade que os meios e a prática que conduziram a sua elaboração desmentem.
Ritmos duros, vozes mutantes e ruídos alucinados polidos com parcimónia compõem um mural de sonho envolvente, concebido sem recurso a qualquer instrumento convencional.
As peças são o resultado de subtis manipulações de fontes acústicas tornadas irreconhecíveis.
E é essa a originalidade dessas ideias, que nunca descem a um formulário, que o distingue dos seus pares.
Esta ficou esquecida e deixada para trás...sem querer.
Hoje, enquanto regresso à normalidade após umas mini-férias bem curtidas, tiro o meu papelinho dos recados do bolso e registo na Xangai uma sugestão do Ricardo.
É do novo álbum dos Battles, "Gloss Drop", editado já este ano e chama-se "Ice Cream" e conta com a participação do "meu super especial rei do beat inteligente a roçar a pornografia digital", Matias Aguayo.
O MUS em parceria com a Antena 3 e com o apoio da Numark, organiza o primeiro DJ Contest, um concurso de DJs 100% produzido com energia cinética, isto é, o público a pedalar vai produzir energia para alimentar o sistema de som.
O concurso tem 10 etapas de qualificação em Faro, Beja, Évora, Castelo Branco, Coimbra, Viseu, Aveiro, Porto, Braga e Bragança para a final de Lisboa.
Mecânica do Concurso
Serão seleccionados 5 Dj's para participarem no dia do evento.
Cada um deles vai actuar durante 30 minutos para os espectadores de cada local.
Os vencedores de cada uma das 10 etapas vão a concurso na final em Lisboa no dia 16 de Julho.
Quem pode participar
O concurso é livre quanto a estilos musicais e pretende apoiar jovens de todo o país que começam a dar os primeiros passos na arte de domar discos e de alegrar plateias.
Assim, podem inscrever-se todos os meninos e meninas que tenham entre 18 e 30 anos e que sonhem tocar mais alto sem partir os pratos.
Avaliação
Os concorrentes vão ser avaliados pela sua escolha musical, técnica e performance.
Divulgação
O Dj Contest tem como parceiro principal a Antena 3 que irá fazer a divulgação do concurso e dará o prémio final ao vencedor.
O vencedor final tem como prémio:
Set para programa na Antena 3
Participação no programa Dance Antena 3
Participação num evento com o apoio da Antena 3 a definir até final de 2011.
Todo o material é da Numark.
Para mais informações sobre o evento MUS, consulta a nossa página em www.musportugal.org
Há 12 anos atrás, Montreal viu Scott Monteith, um filho da terra, actuar numa esplanada de café.
Pela primeira vez Deadbeat dava a a ouvir o seu dub carregado, o groove profundo e a electrónica mais minimal que caracterizam ainda hoje a sua sonoridade.
Era a primeira edição do Mutek, e como o próprio festival, Deadbeat viria a angariar fãs e seguidores por todo o mundo.
Amante da aplicação da tecnologia como meio de produção, Scott Monteith aplicou todos os seus conhecimentos no desenvolvimento de interfaces criativos, tendo trabalhado para a Applied Acoustics Systems, empresa responsável pela criação de software de alguns dos mais conhecidos e apreciados sintetizadores.
Ao seu extenso currículo podemos juntar a participação naRed Bull Music Academy e a actividade de colunista da Computer Music Magazine.
Como produtor é uma autêntica referência a nível mundial pela forma como elabora complexas matrizes sonoras, registadas nas edições da Echocord, ~scape ou Wagon Repair e celebradas em festivais como o Sonar, Mutek ou Trasnmediale.
Com encerramento da ~scape, editora de Pole e Barbara Preisinger, Deadbeat ficou órfão de uma casa que o alojou durante anos, servindo de porto de abrigo às suas mais arrojadas propostas musicais.
Em resposta criou a BLKRTZ, editora distribuída pela Kompakt pela qual lançará em Junho o seu novo álbum, “Drawn and Quartered”, em estreia nacional dia 25 de Junho na Gare no Porto.
Desde todo o sempre, o homem equacionou o futuro de formas mais ou menos fantasiosas, dando origem a inúmeras manifestações artísticas que têm a projecção de um tempo vindouro como a força criadora capaz de libertar a imaginação.
Na música muitas têm sido as tentativas de antecipar o futuro, as mais importantes das quais não se fixam nesse tempo que há-de vir num esforço de exercer o ofício de vidente, mas sim enquanto inspiração estética que enquadra narrativas singulares, viradas para uma certa apologia do progresso tecnológico aportador de bem estar, mas também de uma boa dose de incerteza.
Mesmo que olhando para trás e percebendo que não se realizou quase nada do que a ficção científica se entreteve a conjecturar, a verdade é que esse olhar futurista e, muitas vezes, retro-futurista, que olha para a frente através do espelho retrovisor tem produzido música que quase sempre se coloca na posição de catalizador da simbiose do homem com a máquina, dotando-a de uma precisão sincopada mas esvaziando-a de emoção.
Neste particular, o novo "Tank", dos já históricos Kreidler, consegue distinguir-se de boa parte da criação alemã pois alia à tradicional frieza associada ao kraut, e no meio da inevitável repetição circular, um ambiente interrogativo que cria uma constante tensão interior e fascina pelo leque alargado de caminhos para que aponta.
Gerado por quatro músicos distintos organizados em dois núcleos (Alex Paulick com Andreas Reihse em Berlim e Thomas Klein com Detlef Weinrich em Düsseldorf), "Tank", agora editado pela Bureu B, é o resultado da espontaneidade de um grupo que se juntou por apenas cinco dias em gravações, mais três para as misturas, registando somente uma take de cada tema, tentando assim trazer o espírito imediato de um espectáculo rock'n'roll para uma música que se alimenta ávidamente da electrónica e da rigidez estrutural, sem que para isso abdique de utilizar a guitarra, o baixo, os teclados e a bateria. De uma forma muito peculiar, claro!
Deste modo, os Kreidler produziram um disco, o seu nono longa-duração, que assenta na repetição, usando-a como a teia na qual se tramam, à vez, difusos desenhos de formas dinâmicas e refinadas que, quando olhadas atentamente, se enlaçam cumplicemente num longo tecido envolvente que relata histórias de isolamento e confusão em cenários urbanos nocturnos.
Nasceu em Inglaterra e, com pai alemão, sempre se sentiu ligado ao país que agora escolheu para viver.
Em 2008 a lendária Soma Records recruta Mark para os seus quadros o qual agradece com 2 excelentes EPs que lhe abrem rápido caminho para o seu álbum de estreia “Jupiter Jive”.
Seguem-se edições por casas como a Trapez, Clink Music ou Jupiter Friends.
Com comedidas doses de groove, funk, swing, sempre em toada deepe muitas vezes desconcertante, o seu som facilmente chamou a atenção de grandes nomes da cena musical como Villalobos, Luciano ou Richie Hawtin, clubes e público que se movimenta nas fronteiras do techno e house.
O concerto com que hoje percorre mundo tem vindo a quebrar todo o tipo de classificações tendo sido nomeado pela DJ Mag como Best Breakthrough Act 2009”.
Para ver, ouvir, sentir e confirmar este Sábado na Gare na Invicta!
O percurso artístico do SR. JOÃO iniciou-se em dois polos independentes de acção, mas interligados no processo de pesquisa.
De um lado, Nuno Leão e Ricardo Marques começaram a desenvolver em 2004 um trabalho que procura estabelecer uma relação entre criadores de diversas áreas, de forma a promover o cruzamento de perspectivas, num compromisso entre o experimentalismo e o vanguardismo, apoiado numa visão de procura e reinvenção da linguagem das artes performativas.
Desenvolveram um trabalho que tem como principais eixos de acção a criação de novas propostas nas áreas das artes performativas, música e multimédia, a difusão de propostas de novos criadores portugueses e a formação de novos públicos, através de iniciativas que encurtem a distância entre o criador e o espectador.
Neste sentido, em 2010 surge o espectáculo “Antes de descobrir a garganta” com texto original de Ricardo Marques, interpretação de Nuno Leão e vídeo de André Uerba.
Este trabalho foi apoiado pela Fundação Calouste Gulbenkian no âmbito do programa de apoio a novos encenadores, tendo a sua estreia no ciclo de novos criadores Try Better Fail Better no Teatro da Garagem.
O espectáculo percorreu vários pontos do país, como o Festival de Teatro da Universidade da Beira Interior, na Covilhã, e o espaço da companhia de teatro Cães à Solta em Castelo Branco.
Dada a necessidade de dar continuidade ao trabalho desenvolvido, Nuno Leão e Ricardo Marques criaram posteriormente um trabalho baseado em performances de pesquisa teatral, de onde se destaca “Últimos pensamentos antes do Abate” apresentado no FESTINS 2010 – Alcaíns, e um processo teatral educativo desenvolvido no Teatro Aveirense, de seu nome “Prometemos ficar calados, só a abater àrvores”, onde se dinamizou uma pesquisa com adolescentes entre os 15 e os 19 anos, procurando uma formação de novos públicos e dando a oportunidade desta geração entrar em contacto com as novas práticas e linguagens performativas.
Paralelamente, Óscar Silva e Pedro Barreiro iniciam em 2008 uma colaboração de pesquisa teatral assente na dicotomia entre liberdade individual e co-existência humana, procurando uma linguagem atenta às relações entre o actor e espectador, e à importância do diálogo e do confronto entre as diferentes expressões artísticas. Fruto dos primeiros passos dessa investigação, surge em 2009 o espectáculo “Antítese, Anti-ética, Antibiótico” com texto original e direcção de Pedro Barreiro e interpretação de Óscar Silva, Estêvão Antunes e Anacris. Este trabalho foi apresentado na casa de Pedrógão Grande, em Lisboa, no Teatro Sá da Bandeira, em Santarém, e na Casa do Povo de Recardães, em Águeda. Após este trabalho, Óscar Silva e Pedro Barreiro focaram a criação artística nas zonas de onde são naturais (Pinhal Novo e Santarém) explorando a importância do lugar, do meio e da origem, na prática artística contemporânea. Com o amadurecimento do trabalho, foi sentida a necessidade de interagir com uma cultura lusófona fora de Portugal. Com isto, Óscar Silva e Pedro Barreiro viajam para São Paulo, Brasil em Julho de 2010 para procurar nova matéria de estudo e novos campos de acção. Em Novembro, ainda em São Paulo, escrevem, criam e estreiam o espectáculo “A Angústia deste Argumento”, trabalho considerado pela crítica nacional brasileira um dos 8 melhores espectáculos do mês de Dezembro. Este trabalho foi apresentado como destaque de criação internacional no festival de teatro As Satyrianas, estando em cena dois meses no espaço da companhia Os Satyros.
Pelos mais que evidentes pontos de confluência entre o trabalho de Nuno Leão e Ricardo Marques, Óscar Silva e Pedro Barreiro, e pelo diálogo mantido entre estes durante os últimos anos, surgiu a necessidade da criação de uma estrutura oficial para dar continuidade aos trabalhos de pesquisa e criação anteriores. O primeiro momento em que nos apresentámos ao público como grupo oficial foi no mês de Março de 2011 no festival internacional de cinema alternativo Cão Amarelo, em Palmela, com a acção “Falsificação Improvável”, onde se testaram os diálogos entre plataformas cinematográficas e teatrais.
Assim, pretendemos com a criação do SR. JOÃO e o projecto “Porque o destino nos segue o rasto como um louco com uma navalha na mão”, olhar para o longo prazo, e projectar aquilo que fazemos no nosso país e fora dele, contínua e incessantemente, para construirmos em conjunto um historial comum e de relevo para o teatro e para a arte contemporânea.
Porque o destino nos segue o rasto como um louco com uma navalha na mão – um espectáculo de passe
Este é o primeiro espectáculo do Sr. João e queremos saber em que anda ele a pensar. No seu baile de debutante traz como companheira de dança a sua avó para perceber como está a correr negócio de família. Entre acepipes e slows, discute-se a lógica do mito, o poder do espectador e, como se a festa fosse a última esperança capaz de atear a vontade, procuramos no meio dos restos o herói. Activando-se a memória revolucionária de quem nunca fez uma revolução, construímos uma à nossa imagem e deixamos o resto para os outros. É um espectáculo de passe que já se vendeu, que já se rendeu ao capital e que agora precisa de amor. Como nas canções ligeiras portuguesas, tentamos convencer a amada a aceitar a pesada herança de uma vida pouco recomendável. E como diz a avó Maria, “menos paradas e mais cocktails molotov.”
Este projecto do Sr. João conta com os apoios do Palco Oriental, Teatro Praga. Garrido – Artes Gráficas e A.P.I.C.
Este espectáculo encontra-se em cena no Palco Oriental (Calçada do Duque de Lafões, nº 78, Beato – Lisboa) nos dias, 19, 20, 21 e 26, 27 e 28 de Maio pelas 22h.
Espectáculo para maiores de 18 anos. Bilhetes: até 30 anos 5€; maiores de 30 anos 10€.
As reservas podem ser feitas através do número 913151100 ou para o seguinte e-mail; srjoaoac@gmail.com.
Não acreditei à primeira, no entanto parece que a coisa afinal sempre se vai dar!
Após terem comissariado o Festival All Tomorrow Parties em Maio deste ano, os Animal Collective iniciaram uma digressão com a sua formação original, Avey Tare, Panda Bear, Deakin e Geologist e estreiam-se em solo nacional dia 25 de Julho no CCB.
Finalmente!
A música desta banda norte-americana é de difícil catalogação, mas a exploração de novas formas e métricas e o virtuosismo com que é moldada a matéria sonora, voz humana, eletrónica, guitarra, percussão e samplagem, integram-na no género da música experimental.
É desta natureza o último disco do grupo, "Merriweather Post Pavillion", que foi eleito por várias revistas de música dos EUA, Canadá e Reino Unido como um dos melhores do ano de 2009.
Mais uma vez, finalmente!
E como nunca é demais, deixo-vos mais uma vez (já lá devem ir uma 3 ou 4 vezes) esta omni-magestosa "My Girls" ao vivo no Hove Festival na Noruega!
Não é fácil o disco de estreia dos canadianos Suuns, intitulado "Zeroes QC"!
Possivelmente porque ninguém está devidamente preparado para a fusão alucinada de uma esquizofrenia rímica e melódica com uma barreira sónica abrasiva, que por vezes parece criar uma muralha intransponível entre o quarteto de Montréal e todos quantos arriscam mergulhar na sua música.
Na música dos Suuns a estridência parece ter o mesmo valor que o silêncio e a cadência sincopada aparenta ser usada da mesma forma que a desordem formal.
Nela parece existir um desajuste entre os criadores a a realidade musical que os envolve, com o inevitável transporte desse desencontro para aqueles que os ouvem.
Como se, de repente, tudo aquilo que temos como absolutamente seguro se desfizesse em mil pedaços, diante do nosso olhar incrédulo e impotente, e do caos resultante apenas fossemos capazes de reconhecer alguns traços do passado correctamente estruturado.
E, neste cenário que, por ser desconhecido, chega a ser desconfortável, começamos a reaprender a ouvir música, a juntar referências, a estabelecer ligações e a perceber que os Suuns não têm nenhum compromisso com a linearidade nem com a facilidade de processos.
"Zeroes QC" parece estar assente numa estratégia de pára-arranca, em que a cada movimento, mesmo que em loop, parece corresponder um tempo e espaço diferente do anterior.
Por isso é um disco que nos confunde e desorienta num primeiro momento, até que a linha que une toda a sequência se comece a tornar mais evidente (sem nunca chegar a sê-lo, de facto) e a estranheza dê lugar a uma paixão desenfreada.
Daquelas que levantam desconfiança a quem nos está próximo mas que, disseminada pela força da nossa certeza, pode tornar-se num caso sério de epidemia entre as gentes de bom gosto.
Em nome próprio, como Wagon Christ ou Plug, a solo ou na companhia de gente como BJ Cole ou Derek Bailey, Luke Vibert tem comprovado o seu estauto com ideias singuares.Nessa caminhada notável, "Tomorrow", agora editado so carimbo da Ninja Tune, surge como o mais recente passo.
Electrónica, funk, psicadelismo, bizarria e sentido de humor, isnpirados em pepitas retro descobertas na baú hip-hop, preenchem uma obra marcada pela biodiversidade sonora, elegância fusionista e samples, que embora não sejam novidade no trabalho do britânico, corporizam um delírio sonoro a partir do qual não faltam pretextos para o abandono ao hedonismo melómano.
Sven Kacirek é um músico estudioso cujo instrumento de eleição é a bateria, pelo que o ritmo é um dos seus principais fascínios e objecto de observação metódica, que o tem levado a escrever livros e a gravar discos.
A história de "The Kenya Sessions" começa em 2009, quando Kacirek, apoiado pelo Göethe-Institut de Nairobi, realizou uma viagem prospectiva pelo Quénia, durante a qual contactou com músicos locais e com a riqueza da tradição musical daquele país, realizando um sem-número de gravações de campo, centradas essencialmente nos elementos rítmicos e vocais, que o haviam deixado fascinado.
Com esta matéria-prima, assim registada em bruto, tratou de se recolher em estúdio, na sua Hamburgo natal, e explorar novas possibilidades para aqueles sons, dando-lhes um enquadramento central nas suas próprias composições texturadas, de que passaram a fazer parte fundamental.
Com este dispositivo criativo e metodológico, Kacirek produziu um disco que tem um encanto único e raro, pois funde com uma graciosidade extrema a essência africana da música do Quénia com o seu próprio estilo marcadamente europeu, daqui resultando uma harmonia à partida impensável, que consegue diluir as fonteiras entre o jazz e a pop inscritos no ADN musical de Kacirek e o material por lapidar que está na origem do disco.
Um disco notável, de uma riqueza rímica e melódica impressionante!
A estreia de Bulllet, projecto paralelo de Armando Teixeira (aka. Balla), seguia de perto um conceito fantasioso que explorava o universo sonoro dos filmes de espionagem e o cruzava com o sampling.
Num dia em que nada se passa, para recordar "The Lost Tapes", editado na altura pela Loop Recordings, esta Voz del Pueblo com realização vídeo de Edgar Pera.
Saídos da mente criativa de Alessio Gastaldello, os Mamuthones apresentam agora um segundo disco auto-intitulado, em que a repetição e o ambiente hipnótico dão o mote para uma viagem densa por terrenos negros e assombrados.
"Discodeine", título do duo e do seu primeiro disco homónimo, acabadinho de sair da prensa pela prestigiada Compact soa a qualquer coisa semelhante a neo-disco a roçar a eroticidade bailante...
Matias Aguayo e Jarvis Cocker pelo meio nesta alucinada neo-carroagem dançante e um dos meus álbum favoritos do ano!
Uma década depois da estreia, o alemão Rajko Muller confirma-se como eficaz depurador sonoro, apostando num regresso perspectivado às origens.Preenchida por temas, quase só, instrumentais, a investida "Well Spent Youth", agora editado pela Pampa e Symbiose, é composta por linguagens onde as insinuantes teias rítmicas, ao invés de conduzirem o ouvinte à pista de dança, remetem-no para um estado de leveza devido ao caloroso universo de espaços tridimensionais urdido.
Um entendimento perfeito do qual se pode obter uma sonoridade dançante, densa e evolutiva, com as linhas sintéticas do techno, os códigos do house mais tranquilo, os adornos do disco sound, a base minimal electrónica ou o embalo dub em simbiose perfeita, num resultado aparentemente simples, que esconde delicadamente toda a sublime e genial complexidade.
Figura maior da música electrónica mundial, Robert Henke é compositor, sound designer, desenvolve software, cria instalações e é um performer multimédia.
A sua arte gira em torno da construção delicada de detalhes assentes na alteração gradual de estruturas em constante repetição.
Muitos dos seus trabalhos são definidos como potencialmente infinitos e criadores de estados de envolvência, convidando a audiência a mergulhar num universo sonoro sem tempo definido.
As suas explorações sonoras têm raízes na investigação académica do som assim como na cultura de clube.
Com o seu projecto Monolake tornou-se, no inicio dos anos 90, parte da lendária Chain Reaction, editora responsável pelo que mais tarde se designaria como 'the sound of Berlin techno music'.
Situado na periferia da música de dança, Henke explora instalações sonoras interactivas e performances audiovisuais.
Para ele o resultado artístico do seu trabalho e a criação de instrumentos e ferramentas para alcançar esses resultados, são os 2 lados do mesmo processo artístico.
Desde a fundação da empresa, em 1999, ele é o principal responsável pelo desenvolvimento do software Ableton Live, que se tornou uma referência para a produção de música electrónica e actuações ao vivo.
Actualmente vive em Berlim e é professor de design de som e música computadorizada na Universidade das Artes de Berlim.
O seu interesse pelo estudo da interacção entre um determinado espaço físico e um espaço imaginário criado pela sua intervenção artística pode ser experimentado num dos seus múltiplos concertos “Loudspeaker Surround“.
Performances e instalações foram mostradas na Tate Modern em Londres, Centre Pompidou em Paris, MUDAM no Luxemburgo, PS1 em Nova York, na Art Gallery of New South Wales, Sydnei, entre outros locais.
O álbum “Layering Buddha“ recebeu uma menção honrosa no Prix Ars Electronica em 2007.
Desde 2009, que Robert Henke colabora com o artista visual Tarik Barri.
O seu vídeo generativo em tempo real, é parte integrante do espectáculo "Live Surround" de Monolake, onde Tarik transforma a informação musical em imagens.
“Free Pop”, o álbum de estreia dos Pop Dell’Arte, é um disco marcante da pop nacional.
Editado originalmente no ano de 1987, é um dos discos mais relevantes dessa década, mas inevitavelmente de tudo o que se seguiu.
Disco de autor, orgulhosamente independente, introduziu uma liberdade inusitada nos esquemas musicais praticados na produção nacional à altura, e é ainda hoje um título inspirador.
“Free Pop”, foi remasterizado e acrescentado pelo single “Sonhos Pop/Esborre” e será lançado em CD no próximo sábado, dia 16 - Record Store Day – pelas lojas Louie Louie em parceria com a editora original, a Ama Romanta.
O lançamento será acompanhado durante a tarde por João Peste e alguns dos membros da banda, que assinarão as primeiras cópias a ser colocadas à venda.
À noite registe-se mais uma festa Louie Louie Goes To LEFT, também com a participação de João Peste que actuará como DJ.
"Safari Disco Club", o sucessor de "Pop Up" de 2007, agora acabado de ser editado pela Coop, chega com uma produção mais robusta, cheia de batidas garridas que vão ao hip-hop, ao techno e a ares mais tribais para sarapintar a pop.
Em vez de se limitar a imperativos dançáveis, o trio Yelle entra por uma electrónica mais emotiva (sinal dos tempos...), ainda assim devidamente aparafusada às pistas de dança.
Julie Budet parece uma versão moderna da "rapariga yé-yé", agora menos estridente, embora com o já habitual charme espevitado e a mente depravada entregue numa voz inocente.
Canções como "Comme Un Enfant", "Safari Disco Club" e "Que Veux-Tu" fazem-se de refrões infecciosos num carrossel de muitas cores...
É incompreensível que "For Blood And Wine" tenha passado despercebido durante dois anos, desde que em 2009 Rykarda Parasol decidiu avançar com coragem para a sua segunda edição de autor, uma vez que já tinha sido sem qualquer apoio que se tinha estreado em 2006 com "Our Hearts First Meet".
Felizmente que a editora polaca Gustaff se apercebeu que havia uma pepita dourada em que ninguém havia reparado e decidiu agora tratar da sua disponibilização em solo europeu.
Em boa hora!
"For Blood and Wine" é um disco simultaneamente intenso, misterioso, melancólico e boémio, com todas as emoções a serem descarnadas ao vivo e a cores, servidas por canções talentosas e arranjos luxuriantes.
Nos seus 16 movimentos, este disco revela uma Rykarda Parasol sem medo de explorar extremos e servi-los em forma de presente embalado em sombras sofisticadas.
Narrativas negras nas quais se destacam a sua capacidade vocal, um misto de voz etilizada e de atracção fatal e o elegante design dos arranjos envolventes, que a todos os acordes conferem um palco suficientemente amplo e acolhedor para que quem a ouve se sinta parte de um filme de suspense e dele não queira sair, nem mesmo por um fugaz segundo.
Nunca a economia foi tão motivo de conversas de café e elevador, o que me leva a crer que isto tudo bem espremido daria uma enorme massa de economistas com uma rigorosa capacidade crítica e detentores de um raciocínio exímio e conscientemente criativo que, se tudo corresse de acordo com os nossos pensamentos à posteriori, poderiam ter-nos evitado a atingir o estado "lamacento" em que hoje nos encontramos!
Mas qual estado, pah!?
Na minha opinião, acho que ninguém percebe é mesmo nada de nada...somos uns meros papagaios sul-americanos inflamados pelos media que nos impelem, quase automaticamente, para a constante repetição de nomes como FMI, Grécia, UE, divida pública, crise polítia...enfim, somos uns papagaios fiéis...mas contentes!
Como dizia o outro: "...deixa arder..."!
Mas como não quero transformar a Xangai Market num sub-refúgio cibernético de desabafos pseudo-político-financeiros, hoje trago-vos para cima da mesa, o novo álbum de Daniel Martin Moore e o seu indie gospel.
DanielMartin Moore, que assinou contrato discográfico depois de enviar uma maquete para uma editora que faz questão de dizer que não aceita maquetes, a Subpop, avança agora com "In The Cool Of The Day", onde imperam as "baladas gospel".
Clássicos e um par de originais fazem um disco onde Moore recorda, sobre arranjos simples apoiados sobretudo em piano e guitarra acústica, os ecos da sua infância passada no Kentucky.
Como Bill Withers a cantar Beatles como se estivesse no púlpito de uma igreja, Moore usa as malhas desta música espiritual para se voltar a ligar a uma ideia de pureza arrecadada na memória.
Gravado sem truques, com a voz tão transparente como um riacho de montanha, este "In The Cool Of The Day", equilibra o pecado de expor quase em demasia a voz frágil de Moore e a virtude da franqueza dessa mesma exposição!
No fim de contas, um equilíbrio arriscado a roçar a solenidade da noite que agora levita sobre as nossas cabeças!
Farto de modernices e de bizarrias sonoras a roçar a bipolaridade e com uma enorme vontade de descansar, hoje faço rewind de mais de 40 anos e prendo-vos de forma gratuita com o omnipresente e celestial disco de "Serge Gainsbourg & Jane Birkin".
Em 1969, Gainsbourg já tinha uma carreira de mais de uma década e constituia-se como o expoente máximo de um charme francês bardo por excelência do sexo.
"Je T´Aime...Moi Non Plus", aqui incluída, perdura até aos dias de hoje.
De David Minor já conhecíamos "Sparse", o disco que editou em 2009 e que no ano seguinte encantou a crítica musical germânica, que o incluiu nos nomeados para o prémio da crítica.
Aquilo que em "Sparse" era uma firme declaração de intenções, mostrando claramente ao que vinha David Minor, em "Lush" ganha uma sofisticação sublime e subtil que abre muito o leque de possibilidades de expansão e de caminhos de futuro apontados por este músico radicado em Berlim.
Em traços gerais, o que encontramos em "Lush" é um conjunto disperso de farrapos musicais - arrancados à electrónica, ao jazz, à música clássica, ao film-noir e a ambientes luxuriantes da vaudeville - que parecem encontrar sentido no discreto mas decidido confronto directo a que são submetidos por Minor.
Não como se de uma batalha se tratasse, antes sim como se no seio do caos total existisse uma espécie de espírito invisível que tudo consegue unificar, respeitando a diversidade de cada fragmento, surgindo, ainda assim, autónomo e personalizado.
"Lush" faz-se, deste modo, a cada audição.
Pois é em cada momento que se revela quase em silêncio, exigindo que o ouvinte concentre em si toda a atenção e investigue a fundo no poço musical sombrio e profundo edificado por David Minor, que assim convida a uma descida fascinante às profundezas labirínticas de uma caverna sonora que urge explorar.
Depois de qualquer catástrofe natural ou outra qualquer calamidade causada de forma intencional, existem aqueles breves momentos de calmaria profunda que se seguem depois do real facto ter ocorrido.
São uma espécie de pausa introspectiva com efeito de preparação mental para a verdadeira violência e impacto do fenómeno.
Conseguimos vê-la pequena ao longe...quase a tocar no limiar do horizonte. E a ficar cada vez maior à medida que se aproxima da costa!
Depois parece que rebenta e nunca chega a rebentar...a malandra!
O melhor que ela consegue fazer é arrastar tudo à sua volta carregando no seu mais profundo intimo uma grandiosa e verdadeira vontade de destruir tudo o que apanha!
Em 77 os Sex Pistols apelavam a Deus ao salvamento da Rainha...hoje refugiamo-nos em números rígidos para conseguir comer no dia seguinte!
Ainda ontem tinhamos descoberto que para lá do Algarve existia terra e que existiam pessoas comos olhos em bico...e hoje vemo-nos "economico-colonizados" por eles!
Ora bolas...e eu que pensava que já tinha visto tudo!
"Tryptich" é o triplo CD que resulta da reunião em CD das três edições exclusivamente em vinil que os Demdike Stare produziram no decorrer do ano de 2010, acrescentadas de seis temas inéditos, num conjunto que surge acondicionado numa cativante embalagem.
Mas para além do invólucro, a música dos Demdike Stare seduz pelo seu próprio conteúdo, feito do cruzamento de fontes sonoras que albergam as influências principais da dupla Sean Canty e Miles Whittaker.
Tratam-se de dois insasiáveis coleccionadores de discos de vinil, que tomam como base de partida para as suas explorações sonoras multifacetadas, assentes numa arqueologia musical que evoca a abertura de espírito do jazz, a inocência e encantamento dos primeiros compositores de música electrónica, e a anarquia formal e alquimista da música industrial.
Para além destas fontes de inspiração, os Demdike Stare são igualmente o produto do multiculturalismo que actualmente cruza as sociedades europeias, chamando à sua criação fragmentos dispersos de sons de origens tão dispersas como o Irão, o Paquistão, a Turquia ou a Europa de Leste.
Neste quadro, o espaço para a surpresa é alargado e "Tryptich" é um disco que não cansa de surpreender, com atmosferas que tão depressa mergulham num misterioso labirinto de assombrações, como se libertam para quadros ficcionais de realidades paralelas, impossíveis de confinar a sensações conhecidas.
Em 2011, os Demdike Stare são uma realidade musical em constante movimento, deixando a sensação de que quando formos capazes de penetrar no seu labiríntico imaginário, já eles se encontram num outro espaço e deixaram atrás de si um rasto enigmático de pistas para os seguirmos até outra nova dimensão.
E por falar em Aquaparque...hoje, mais um momento cósmico!
Pedro Magina tem nova edição, desta vez em formato cassete numa das editoras mais hot da última década, a Not Not Fun.
Viagens coladas ao imaginário dos sintetizadores dos anos 80, à Sky, a Vangelis, ao bom Jean Michel Jarre, e à memória.
Não é a memória, ou as lembranças, que movem hypnagogic pops e chillwaves; ou seja não é uma reciclagem dessa memória, o aproveitamento da sintonia de uma geração, que por arrasto convence outra que não viveu essas “memórias”.
É antes uma coisa que permanece, que se vive e não se recorda, como se fizesse (e faz) tudo parte do mesmo. Por isso na música de Magina, tanto em “Nazca Lines”, o EP anterior, e neste “Nineteen Hundred And Eighty Five”, não se vivem tanto as recordações, mas um estado de espírito actual, total, e é por isso que aqui se encontram fogos dos Aquaparque e dos June sem a sua música perder um carácter identitário, porque ela forma uma própria identidade.
Munido com o seu Casio, Magina atravessa esse campo da memória, que situamos desde finais dos 70s até aos dias de hoje, pelo reinteresse no género como Oneohtrix Point Never, Emeralds, Umberto e tanto vai a estes como entra sem descaramento no imaginário dos Spacemen 3/Spiritualized dos primeiros anos, como é demonstrado em “Sunday Morning”.
“Miyagi”, “Sparkling Bee” e “Minor Romance” são comprimidos de satisfação, uma espécie de bom resumo de uma viagem maior.
Uma grande razão para recuperar o leitor de cassetes.
Há dois anos “É Isso Aí” surgiu como um oásis na música cantada em português.
Transparecia uma honestidade e uma liberdade de letras e composição raras no paranorama nacional.
Canções contemporâneas para gente contemporânea, com referências ao passado sem um plano de intenções mas como manifesto de gosto de duas pessoas (André Abel e Pedro Magina) que encontram nos Aquaparque uma forma de resolver as suas ideias em canções pop.
“Pintura Moderna”, agora editado pela Aquaboogie, é o passo em frente.
Depuração técnica e estilística de “É Isso Aí”.
Produção imaculada, letras ainda mais fluídas, terrenas e directas ao coração, voz mais perceptível e romântica e uma fusão perfeita dos samples e daquilo que os músicos tocam.
Começa como os grandes discos começam: com uma grande canção, “Espelhado No Céu”.
Dez minutos que parecem três, e bastam apenas uns instantes desses dez para perceber o quanto os Aquaparque cresceram.
Tudo parece tão natural como sangue a correr nas veias, um sample que se repete num bom infinito e que aquece o espaço para a voz de Magina entrar.
Quando entra, parece que o coração falha uma batida, é empolgante.
E não se fica por aqui: “Pintura Moderna” segue com este momentos, seja no single “Para Além do Bronze” (é óptimo ouvir canções assim, cantadas em português, na rádio), ou mais para a frente em “Ultra Suave” ou no final incrível que “Emblema” proporciona (bem como a faixa escondida logo a seguir, um monumento).
Tudo num misto de pop/rock que se cruza com a música de dança (há momentos em que nos apetece esquecer tudo e dizer que este é um disco house), sem aquele travo de canções que se esgotam na sua duração. Tudo em “Pintura Moderna” fica connosco muito tempo, a olhar para o futuro.
Aqui procuram-se bandas sonoras e outras experiências para electrificar de forma indecente momentos descomplexados ou outra qualquer ocasião onde a celebração da música seja importante.
A música que se procura é aquela que é descoberta através de um caminho indefinido, traçada ao sabor das circunstâncias, numa sequência de convulsões e remontagens, numa relação de absoluta sedução com balbúrdia.
Um caminhar aleatório e desconcertado pelos trilhos sinuosos do mundo das extravagâncias sonoras, fazendo paragens nos lugares mais resguardos do silêncio.
Johnny Cooks Dance é o alter-ego gira-disquista de João Alberto, constituindo-se como a sua faceta mais tresloucada, colorida e imprevisível, resultante do seu incessante vício em procurar novas sonoridades e outras motivações! Herdeiro “pós-moderno” de um espírito naturalmente híbrido e experimental, carrega o estandarte da premissa ”DJs are not rock stars.”, afirmando-se como uma personagem que vive da música e gosta de partilha-la, deixando os termos de mix-CDs, sets, bpms, fades, pitchs para os “Djs a sério”. Com uma criteriosa e cuidada selecção musical que privilegia uma certa espiritualidade em detrimento da funcionalidade exigida pela pista de dança, Johnny Cooks Dance começou a sua vida em festas privadas numa atmosfera construída por uma forte rede de amizades a ocuparem o centro das atenções e das intenções. Com uma tendência natural para a imagiologia e fã incondicional de catalogações, durante as suas actuações, o espaço sonoro transforma-se num lugar quase imaginado, preso à realidade por ideias isoladas, reinventando conceitos e misturando aquilo que não se deve misturar, acabando por redescobrir a própria música…pelo menos ele pensa que sim! Ao ignorar o livro de estilo dos DJs, Johnny Cooks Dance encena de forma simbólica um regresso ao estado primitivo da música, decompondo-a em peças elementares e devolvendo-a em conjugações altamente aleatórias e perigosas para quem o escuta! Pensa na música como um espaço num determinado lugar em detrimento dos géneros, onde a música comanda as suas próprias ligações, de forma orgânica fazendo com que no centro da pista ou do salão aquele disco certo suceda de forma mágica ao que parecia estar errado! Ele está enganado e o caminho pode não ser por aqui, disso ninguém duvida! Mas de uma coisa não o conseguem convencer: desistir de fazer aquilo que realmente gosta de fazer que é ouvir e partilhar boa música…ou não acreditasse ele que um dia ainda se levará a sério a lounge music!
Johnny Cooks Dance @ Forum CB - 22 Agosto 2009
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Johnny Cooks Dance @ Festins 2010
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Cabletoys
Com a permanente e desenfreada democratização das tecnologias de informação no nosso dia-a-dia, o estar e o lugar deixam de ter o peso e importância como elementos isolados. Estar aqui e agora não significa pensar ou actuar aqui…o ali e o depois deu lugar a uma nova rede de interacções globais, em que o mundo inteiro se encontra ligado à distância de um simples clique. E foi assim que nasceu o projecto Cabletoys! Um novo alter-ego “cósmico-minimalista” de João Alberto, que surge como uma necessidade pessoal de tentar esclarecer-se a ele próprio e a quem o queira ouvir do processo criativo e interpretativo do acto de fazer música…e de como chegar à mesma. Pondo aqui de parte todos os radicalismos que advêm da cultura consumista, Cabletoys recorre a diversos gadgets musicais, aliados a certos engenhos tecnológicos de carácter manipulativo…ou então só para decoração! Já muito se falou e foi escrito acerca deste tipo de abordagem musical, no entanto Cabletoys surge na cena nacional como um projecto inovador dada a matéria-prima em questão. Bizarrias de brincar em comunhão com a seriedade e robustez de sequências definidas…Buddha Machines em loops estonteantes e hipnóticos com vozes perdidas no espaço, mesas futuristas e pulsáteis das Zoundz aleatoriamente construindo ritmos e cadências misturam-se com os devaneios furiosos perdidos naquele espaço. Promete-se uma experiência sinfónica multi-sensorial num retrocesso do digital para o analógico ou mesmo essa mistura, procura-se dar um novo passo em frente para uma nova estrutura musical. Acima de tudo a música, o processo criativo, como se apresenta, os meios de propagação e no final a fruição!
Cabletoys @ Casa do Povo - Alcains - 31 Janeiro 09 (Xangai Market & Cartuxo)