domingo, 22 de outubro de 2006

Ryoji Ikeda em Dataplex!

Computações e cálculos, corrente alternativa e discargas electricas, ondas magnéticas e estática - transformaram-se nos instrumentos da "nova" música que se faz hoje.

"Dataplex" é um trabalho puramente experimental, ou se preferirem extremamente matemático. A ideia do projecto é criar uma música simplesmente com dados. Os dados são a matéria-prima e a intenção de todos este trabalho. Numa altura em que praticamente toda a manipulação sonora passa por ferramentas e métodos digitais, aproximações a este tipo de música são bastante frequentes. Não em relação aos métodos de composição através de algoritmos matemáticos como as series de Fibonacci ou outros, mas à forma de comprender e aproveitar que hoje em dia toda música é potencialmente traduzida a sequências matemáticas. No princípio dos anos noventa foram feitas várias aproximações como as experiências sonoras dos Oval, usando para isso defeitos de gravação ou através de software. Este mesmo caminho foi também escolhido por outros projectos como por exemplo Alva Noto. A este tipo de sonoridade deram o nome de “clicks and cuts”.
Outra forma de criação é transformar os dados digitais em som, este processo é o preferido de Ryoji Ikeda em "Dataplex". Para isso, serve-se de fórmulas ou simplesmente da aleatoridade matemática para criar frequências mutantes criando assim não a "nova" música... mas a música do futuro.
Em "Dataplex" as primeiras oito faixas são claramente dados em bruto completamente despidos, sequências ritmicas básicas como de matéria-prima se tratasse, o próprio nome da primeira faixa mostra isso "data.index". As restantes faixas são combinações cada vez mais longas e complexas das primeiras oito faixas até chegarmos ao extâse sonoro em “datavortex”, onde todos estes dados parecem convergir para um buraco negro para desaparecerem e mais tarde resurgirem de novo em forma individual mas transformados pelo contacto que têm uns com os outros.
Desta forma, "Dataplex" parece um disco demasiado cerebral e carente de alma, mas não é verdade. Em alguns momentos encontramos um ritmo mais "dancável" mesmo sentindo que todos estes arranjos são de uma precisão cirúrgica e servidas em fatias curtas de um "beat" minimalista.
Editado pela etiqueta alemã Raster-Noton no final do ano de 2005, "Dataplex" assume-se como um dos discos mais próximo da estética desta editora. A procura e a exploração de toda uma palete sonora oferece ao ouvinte uma gama de sons que poderá ser díficil audição, dificuldade essa advertida na caixa do cd com a seguinte informação: "Este CD contém dados específicos que poderão ser só lidos em alguns leitores de CD.
A última faixa poderá dar alguns erros em certos leitores de CD".

(Site Oficial: www.ryojiikeda.com)

segunda-feira, 16 de outubro de 2006

Balkan Beat Box

" Há toda uma história de relacionamento dos públicos ocidentais com temperos exóticos ao longo da história. A música de dança, em particular, albergou algumas das manifestações dos últimos anos, dos ethno beats de uma Ofra Haza em 87 ao caril dançável de uns Transglobal Undreground de 90, não esquecendo o tango chillout do mais recente Gotan Project, entre inúmeras outras manifestações do género.
A mais recente ideia de dança com todos vem de Nova Iorque, aponta ponto de partida à eufórica energia e melodismo contagiante de algumas musicologias balcânicas, cruza-as com aromas colhidos à volta do Mediterrâneo (Israel, Palestina, Marrocos e Espanha) e usa electrónicas como fio condutor.
Com um saxofonista e um percussionista com conhecimentos profundos destas músicas no núcleo creativo, uma ideia de ecumenismo cultural mediterrânico e uma evidente mensagem subliminar de paz e entendimento entre povos em conflito (transcendendo pela música debates políticos até aqui frustrados), o projecto é uma interessante manifestação de projecção da world music em espaços de diálogo com outras músicas.
Um potencial motor de farra. E um disco agradável de ouvir!"

(Site Oficial: www.balkanbeatbox.com)

sábado, 14 de outubro de 2006

"Stage 101"

A Stage disponibiliza o novo formato "Stage 101", o Curso de Produção Profissional, optimizado de forma a satisfazer todos aqueles que pretendam aprender a produzir os seus próprios temas, aperfeiçoar técnicas e/ou adquirir conhecimentos nesta área tão especifica e exigente. Num total de 80 horas divididas por aulas de três horas em regimes de horários à medida, os formandos adquirem o conhecimento necessário para que os seus objectivos em estúdio sejam facilmente alcançados, sem a necessidade de recorrerem a terceiros. Para a frequência deste curso de base não são necessários conhecimentos prévios na área da produção.
A matéria é leccionada com base numa estrutura de conteúdos/módulos combinando uma vertente teórico-prática, em instalações de topo, onde ao logo do curso existe contacto directo com os equipamentos, quer em hardware quer software, fundamental para a produtividade e assimilação da matéria.
No final do curso, os finalistas receberão um diploma certificado pela Stage e marcas a ela associadas como a Ableton, Access, Apple, Bias, Digidesign, Edirol, Focusrite, Mackie, M-Audio, Novation, Propellerhead, Roland e/ou Steinberg, dependendo do tipo de curso ou especialização.

(Fonte: stage@danceplanet.pt )

quinta-feira, 12 de outubro de 2006

Professor Murder Rides The Subway

Ecos de um percurso arrasador no circuito undergound nova-iorquino e tentativas de classificação que passam por dub-punk ou funk dance punk pop rock-hop music a que os Professor Murder respondem com Happy Hardcore! Professor Murder Rides The Subway, um EP de 5 temas, é (não tenho dúvidas) o melhor disco de música de dança dos últimos anos.
Uma lista de referências que acordasse e ganhasse vida, despertaria com os A Certain Ratio, tomaria o pequeno almoço com os Happy Mondays, talvez saísse à rua com os Compag Velocete, apanharia o metro com os Les Savy Fav e não terminaria o dia sem piscar o olho a uns certos Liars ou aos LCD Soundsystem; mas isto seria sempre uma pequena parte de um dia cheio de detalhes, memórias e muito gás.
That´s right, we came to party street by street, block by block funciona como um manifesto de intenções aparentemente simplório, mas à parte, a colagem ao apelo à guerrilha urbana, o contágio é mesmo inevitável.
E transforma-nos em alegres zombies dançantes.

domingo, 1 de outubro de 2006

IMAGO FILM FEST ´06

Até 8 de Outubro, o festival anima a cidade com muita música e cinema. Este será o primeiro "teste" ao mais recente equipamento da Câmara do Fundão: a Casa da Moagem. Esta semana promete muita animação à base de cinema e música que promete deliciar cinéfilos e melómanos de todo o País, mas também dos quatro cantos do mundo.
Esta edição conta conta com o maior número de solicitações de outros países, quer em número de inscrições de curtas-metragens, quer em pedidos de acreditação. Com um orçamento de cerca de 200 mil euros, dos quais 50 mil comparticipados pela Câmara do Fundão, esta vai ser a mais internacional de todas as edições do festival. Até ao fecho das inscrições, a organização havia registado quase mil e 500 pedidos. Um número recorde que significa, em relação a 2005, um aumento de 50 por cento.
Além dos 46 filmes em competição que integram a programação, o destaque vai para uma restrospectiva dos primeiros filmes de Clint Eastwood enquanto realizador, para uma prospectiva sobre o jovem realizador belga Nicolas Provost, e para os trabalhos de Dave McKean e Alejandro Jodorowsky.
No que toca a música existirão várias sessões de VJ e Djiing, este ano com uma forte componente sueca e com o regresso de Andy Votel, entre outros nomes da electrónica actual.
Realce ainda para outra actividade paralela promovida pela organização e completamente gratuita: todas as noites, a partir das 21 horas e 30, será projectado um documentário musical. Um ciclo que tem início logo no sábado, 30, com a exibição de "Stop Making Sense", de Jonathan Demme; um documentário/concerto realizado em 1984 que tem como personagens principais os Talking Heads.
(Site Oficial: www.imagofilmfest.com)