Se as anteriores três encenações geradas no mundo ambíguo da iraniana Leila Arab fizeram desta colaboradora de Bjork uma das mais visionárias criadoras da electrónica contemporânea, é impossível não concordar que este quarto álbum prolonga esse estado.
"U&I" editado pela selecta e cada vez mais esquizofrénita (no bom sentido, claro!) Warp!
Num ambiente estranho e bizarro, admiração e atracção são obrigatórias perante uma música emergente, urgente e visceral.
De novo, a alma do punk libertada por uma abordagem electrónica sui generis, em que as canções alimentadas pela voz abrasiva do norte-americano Mt. Sims (colaborador de The Knife na ópera "Tomorrow, In A Year") procuram afirmar-se como experimentações pop num manto digital.
Significa isto que há muito para descobrir, em mais uma viagem emotiva pela essência da música.
(in, Blitz, Fev ´12)
domingo, 15 de janeiro de 2012
Kuedo é o nome artístico que Jamie Teasdale assume a solo, quando não divide os créditos da música dos Vex'dcom Roly Porter.
E "Severant" demonstra que há razões fortes para que Kuedo exista enquanto unidade criativa, pois são inúmeras as diferenças para a música criada enquanto dupla.
Se os Vex'd se encarregaram de dar ao dubstep uma das suas facetas mais escarpadas e cortantes, através de ritmos em nervoso-miudinho e uma próximidade visceral com a negritude mais densa do hip-hop, já Kuedo parece responder com luz cósmica a esse aquipélago de sombras.
Em "Severant" o ritmo continua a existir e a ser estruturante, mas adquire contornos mais acetinados, servindo de confortável apoio a melodias ditadas por sintetizadores analógicos em expansão sideral, que ali encontram um afável apoio de cabeça.
A agitação continua lá, mas é agora contornada por uma quase doçura que tempera a ansiedade e induz um sentido de calma que, por contrastante, se aproxima mais de uma melancolia eufórica do que de um desassossego controlado.
Um disco no qual vale a pena deixar-se mergulhar sem resistências, entrando na turba sonora com o mesmo prazer de uma viagem sem rumo num céu sem gravidade.
Em colaboração com a Matéria Prima a Mana Recordings apresenta uma série de concertos num dos refúgios icónicos da cidade do Porto.
O "Meu Mercedes É Maior Que O Teu" sobreviveu aos sucessivos bombardeamentos que levaram ao êxodo da zona ribeirinha e, para quem se recorda, era um dos vértices que formava o triângulo Mercedes, Anikibobó, Meia Cave.
Recordar é viver, fica o convite enquanto há tempo.
Bernardo Devlin
Nasce em Lisboa em 1967.
"World, Freehold" (Ananana, 1994) marca o início do seu percurso a solo, após vários anos de procura em colectivos como Electrodomésticos, Jardim Orgânico ou os mais destacados Osso Exótico.
"Albedo" (Ananana, 1997), "Circa 1999 – 9 Implosões" (Sons do ExtremOcidente, 2003) e o mais recente "Ágio" (Nau/Sinal 26, 2008) completam uma discografia que se ergue como fundamental contributo para a progressão da escrita e composição de canções na nossa língua.
Este espectáculo de hoje, dia 6 de Janeiro de 2012 fica desde logo registado para a posteridade ao constituir-se como a estreia absoluta de Bernardo Devlin a solo na cidade do Porto.
Nesta actuação será apresentado um conjunto de canções assentes em bases electrónicas/electroacústicas sem recurso a instrumentação.
Entre elas incluem-se inéditos em inglês que poderão fazer parte de um futuro álbum de título "Chroma Key", perspectivado para ser gravado algures em 2012.
O concerto de Bernardo Devlin inaugura a mensalidade do Mana, que em 2012, impreterivelmente na primeira sexta-feira do mês, levará ao histórico bar portuense os nomes apresentados anteriormente no podcast, onde foram difuundidas gravações inéditas e entrevistas com Aquaparque, Coclea, Tropa Macaca, Rafael Toral, David Maranha, Bernardo Devlin, Curia e Loosers.
Os bilhetes encontram-se disponíveis em venda antecipada na Matéria Prima do Porto.
Com stock devidamente abastecido para a ocasião, a Matéria Prima marcará presença nas noites de concertos disponibilizando grande parte da discografia dos artistas envolvidos, ficando ainda responsável pela animação musical após os concertos.
Aqui procuram-se bandas sonoras e outras experiências para electrificar de forma indecente momentos descomplexados ou outra qualquer ocasião onde a celebração da música seja importante.
A música que se procura é aquela que é descoberta através de um caminho indefinido, traçada ao sabor das circunstâncias, numa sequência de convulsões e remontagens, numa relação de absoluta sedução com balbúrdia.
Um caminhar aleatório e desconcertado pelos trilhos sinuosos do mundo das extravagâncias sonoras, fazendo paragens nos lugares mais resguardos do silêncio.
Johnny Cooks Dance é o alter-ego gira-disquista de João Alberto, constituindo-se como a sua faceta mais tresloucada, colorida e imprevisível, resultante do seu incessante vício em procurar novas sonoridades e outras motivações! Herdeiro “pós-moderno” de um espírito naturalmente híbrido e experimental, carrega o estandarte da premissa ”DJs are not rock stars.”, afirmando-se como uma personagem que vive da música e gosta de partilha-la, deixando os termos de mix-CDs, sets, bpms, fades, pitchs para os “Djs a sério”. Com uma criteriosa e cuidada selecção musical que privilegia uma certa espiritualidade em detrimento da funcionalidade exigida pela pista de dança, Johnny Cooks Dance começou a sua vida em festas privadas numa atmosfera construída por uma forte rede de amizades a ocuparem o centro das atenções e das intenções. Com uma tendência natural para a imagiologia e fã incondicional de catalogações, durante as suas actuações, o espaço sonoro transforma-se num lugar quase imaginado, preso à realidade por ideias isoladas, reinventando conceitos e misturando aquilo que não se deve misturar, acabando por redescobrir a própria música…pelo menos ele pensa que sim! Ao ignorar o livro de estilo dos DJs, Johnny Cooks Dance encena de forma simbólica um regresso ao estado primitivo da música, decompondo-a em peças elementares e devolvendo-a em conjugações altamente aleatórias e perigosas para quem o escuta! Pensa na música como um espaço num determinado lugar em detrimento dos géneros, onde a música comanda as suas próprias ligações, de forma orgânica fazendo com que no centro da pista ou do salão aquele disco certo suceda de forma mágica ao que parecia estar errado! Ele está enganado e o caminho pode não ser por aqui, disso ninguém duvida! Mas de uma coisa não o conseguem convencer: desistir de fazer aquilo que realmente gosta de fazer que é ouvir e partilhar boa música…ou não acreditasse ele que um dia ainda se levará a sério a lounge music!
Cabletoys
Com a permanente e desenfreada democratização das tecnologias de informação no nosso dia-a-dia, o estar e o lugar deixam de ter o peso e importância como elementos isolados. Estar aqui e agora não significa pensar ou actuar aqui…o ali e o depois deu lugar a uma nova rede de interacções globais, em que o mundo inteiro se encontra ligado à distância de um simples clique. E foi assim que nasceu o projecto Cabletoys! Um novo alter-ego “cósmico-minimalista” de João Alberto, que surge como uma necessidade pessoal de tentar esclarecer-se a ele próprio e a quem o queira ouvir do processo criativo e interpretativo do acto de fazer música…e de como chegar à mesma. Pondo aqui de parte todos os radicalismos que advêm da cultura consumista, Cabletoys recorre a diversos gadgets musicais, aliados a certos engenhos tecnológicos de carácter manipulativo…ou então só para decoração! Já muito se falou e foi escrito acerca deste tipo de abordagem musical, no entanto Cabletoys surge na cena nacional como um projecto inovador dada a matéria-prima em questão. Bizarrias de brincar em comunhão com a seriedade e robustez de sequências definidas…Buddha Machines em loops estonteantes e hipnóticos com vozes perdidas no espaço, mesas futuristas e pulsáteis das Zoundz aleatoriamente construindo ritmos e cadências misturam-se com os devaneios furiosos perdidos naquele espaço. Promete-se uma experiência sinfónica multi-sensorial num retrocesso do digital para o analógico ou mesmo essa mistura, procura-se dar um novo passo em frente para uma nova estrutura musical. Acima de tudo a música, o processo criativo, como se apresenta, os meios de propagação e no final a fruição!