Há já algum tempo que ando para falar nela, no entanto não tenho tido tempo. Hoje é o dia! Ando encantado com o fenómeno Regina Spektor! Cantora, compositora e pianista russa radicada nos Estados Unidos, mais exactamente no Bronx, Regina Spektor acaba de lança "Far", três anos após "Begin To Hope". Com um tom mais pop que os anteriores trabalhos, as letras revelam novamente, as ideias e pontos de vista mais intimistas de Regina. Destaque para "Folding Chair", confesso a minha preferida, apresentada aqui em duas versões.
Chama-se Markus Kienzl e o segundo disco deste membro do colectivo Sofa Surfers já toca. "Density" foi lançado este ano e continua o trabalho de exploração dos territórios da electrónica e do dub. Em nome próprio é o quinto registo. Começou em 2000 e o intervalo para cada álbum é de três anos. Participou em várias compilações, bandas sonoras e remixes. O que nos dá agora a ouvir é uma experiência crua, através de composições e texturas sincopadas.
O posicionamento é o mesmo que lhe reconhecemos, com novas fronteiras criativas.
E a capacidade para criar ambientes negros e densos, diria mesmo, arriscando a redundância, impõe uma sensibilidade no limite entre a rejeição e o hipnotismo. Para confirmar o próximo Sábado no Musicbox.
Imerso numa obscura melancolia e numa beleza quase ameaçadora, o quarto álbum dos canadianos Picastro parece destinado a ser um segredo para a maioria mas, em simultâneo, uma pequena preciosidade para todos quantos aceitem envolver-se numa corrente musical deliciosamente estranha. A dificuldade de "Become Secret" está na sua posição de não alinhada com as correntes musicais dominantes, devendo algum parentesco, quando muito, às nuvens cinzentas e distorcidas da weird-folk. À utilização dominante de artefactos acústicos, com o piano e o violaocelo a assumirem a condução das partituras, junta-se uma forma de construir canções que pouco tem de convencional e uma narrativa vocal que pouco deve ao que entendemos por canto. Ao longo dos 29 minutos deste disco, que a cadeia de canções se encarrega de revelar muito curta para tão grande intensidade artística, a declamada voz de Liz Hysen surge quase ameaçadora e assombrada, entre sombras e contornos melódicos dramáticos, que insinuam a presença de silhuetas soturnas mas com um intrigante apelo e uma vontade inescapável de connosco estabelecer uma relação de intimidade, mesmo se a ausência quase total de elementos percussivos induza uma frieza aparente e um elemento disruptivo na lógica clássica da construção folk. Nesta proposta dos Picastro pressente-se a novidade que Toronto tem sabido significar para a fluência musical dos últimos anos, e "Become Secret" encarrega-se de chamar a si o mérito de, numa articulação bizarra, adquirir em simultâneo uma estranha perplexidade e uma docilidade horrenda que, no final, produzem um conceito muito próprio de beleza fluida no qual apetece mesmo deixarmo-nos arrastar!
Cantora, spoken-word, música e actriz, Lydia Lunch é das figuras mais carismáticas da arte urbana das últimas três décadas. Figura de extrema influência de forma pluridisciplinar na arte performativa feminina, Lunch começou o seu percurso artístico na segunda metade da década de 70, quando chegou a Nova Iorque ainda durante a adolescência. Apanhando-se no meio do turbilhão do punk que assolava o underground local, cedo começou a criar contactos e a envolver-se com alguns dos mais interessantes artistas da cidade, ficando para a história a mítica faixa "I Need Lunch" dos Dead Boys, a ela "dedicado". No ano passado, a "lenda" Lydia Lunch decide juntar-se a três elementos da "lenda" Gallon Drunk e formam os Big Sexy Noise. Rock com nuances de blues e postura directa e sem concessões, como bem nos habituou esta antiga cúmplice de Nick Cave... Para mim, um dos melhores desempenhos de Lydia Lunch!
Os Gorillaz têm disco novo preparado para Março que vem, no entanto quarta feira passada apresentaram o seu primeiro single, "Stylo". Com a presença de Bobby Womack e o rap sempre cool de Mos Def, "Stylo" adianta participações especiais de gente como Lou Reed, De La Soul, Little Dragon, Mark E. Smith e Sinfonia ViVA em "Plastic Beach".
Porque a original é sempre a original, disso ninguém duvida! Mas as outras, por vezes, não lhe ficam atrás... Acordei com esta e deu-me para ver o que por aí anda com outras roupagens... Meninos e meninas, apresento-vos as melhores mutações de Fa Fa Fa dos Datarock! Dúvidas para quê?!
Mesmo levando a sério o título do quarto álbum dos Setting Sun é fácil, ainda assim, espantarmo-nos com o seu conteúdo: música pop de pleno significado, com arranjos requintados e uma inspiração melódica quase sempre elevada, que servem de roadmap para deambulações alucinadas por mundos fantásticos e paisagens surreais. Gary Levitt, o mentor, compositor e figura maior em torno do qual giram todos os processos criativos nos Setting Sun, fala de «Fantassureal» como o disco mais fácil que alguma vez terá feito, fruto de uma necessidade libertadora de colocar em música todas as ideias que o assaltaram na estrada, quando andava empenhado em mostrar ao mundo «Children Of The Wild», o seu anterior esforço em longa-duração. Talvez por isso «Fantassureal» surja imerso num sentimento transbordante de liberdade, como se o seu autor gritasse a plenos pulmões a alegria de fazer música que é escutada com prazer e que, boa parte das vezes, bendispõe quem a ouve. São canções de ritmos marcados, de ascendência vincada na folk-psicadélica, uma costela roubada a influências orquestrais e um gosto especial pelas harmonizações, ainda que cruzadas na horizontal por teclados alucinados que lhes conferem um toque excêntrico mas, em simultâneo, de sofisticado apelo. É mesmo num mundo surreal e fantástico que Levitt nos convida a entrar, fazendo-nos sentir acolhidos do primeiro ao último acorde. Um disco pop, pois claro!
É raro comprar a Wax Poetics. Falta de interesse e extrema dificuldade em encontrá-la, tirando 2 ou 3 espaços de referência. Por vezes, e sem ter um motivo especial, encomendo-a sem saber do que fala, e chega-me a casa como se de uma prenda se tratasse.
Considerada como uma das boas revistas de música, a nova-iorquina Wax Poetics debruça-se sobre a música transversalmente, trazendo o que de melhor se faz e se fez pelos diversos quadrantes musicais...do jazz à salsa, do rap ao blues, do samba ao rock! #38 acabadinha de abrir! Número com ênfase em música e filmes de acção da década de 70 e mais recentes, a cena "blaxploitation" e o natural destaque à banda sonora de “Super Fly” por Curtis Mayfield... Que interessante tiro às escuras!
James Murphy, mentor dos LCD Soundsystem, disse em entrevista ao NME que o terceiro álbum do projecto vai ser o último. O sucessor de "Sound of Silver" de 2007, começou a ser gravado no Verão, ainda não tem nome, mas deverá sair para as lojas no próximo mês de Abril. O músico nova-iorquino disse ainda que a próxima digressão dos LCD Soundsystem será também "provavelmente a última" porque precisa de uma mudança. "Sei que já disse isto e as coisas mudaram, mas não gosto de me repetir. "Quando estou a trabalhar faz todo o sentido pensar que é o último álbum que farei porque assim conseguimos torná-lo muito bom", disse ainda Murphy, antes de confirmar que o terceiro disco de estúdio é "definitivamente melhor que os outros dois" e que tem "uma palete de sonoridades mais vasta". Não fará com certeza parte do derradeiro registo dos nova-iorquinos, porém é o seu mais recente trabalho, "Bye Bye Bayou" e uma lagrimazita no canto do olho!
Sinceramente, "acho" que já nao sou muito dado à cena da onda maximal da electrónica, "acho" que me deixei perder nos seus meandros... Maximal?! Minimal?! O que é uma coisa e a outra? Definições por defeito para nos fazerem sentir mais orientados musicalmente, no entanto associa-se maximalismo quando nos referimos a uma linha que usa e abusa (a maior parte das vezes muito bem, diga-se de passagem!) de sons progressivos em jeito rockalheiro (digital...) com batidas ríspidas e certeiras! Que definição fraquinha, bah! Confesso, tenho álbuns originais de Mr. Oizo, Boyz Noise, Justice, uma ou outra colectânea da Ed Banger outra da Kitsune entre outro diverso material menos lícito... Oiço-os frequentemente e gosto. Aprecio a sua qualidade e consigo perceber porque é que o electrorock ou o maximalismo está na moda...é fácil não parar de dançar! Sei lá, se calhar o mal é meu e já ando velho para tanta descarga energética! Não acredito...ah fortalhaço! Mas bem, vamos ao que interessa. Diz quem sabe ("...e há por aí muita gente que sabe muita coisa..."), que se não fossem os excelentes produtores por trás da pálida voz de Uffie, que a MC parisiense dificilmente teria um espaço na cena eletrónica europeia. Não sei...até me parece uma míuda simpática, mas isso não interessa, pois não?! Apercebendo-se das suas limitações descobriu uma solução! Aliando-se a parceiros de peso como Feadz ou a dupla Justice, a cantora lançou uma série de sucessos nos últimos quatro anos, exemplo disso a excelente "Pop the Glock" (2006), conquistando desta forma um espaço invejável na cena electrónica, enquanto cantava sobre sua vida tresloucada em Paris. É hoje notícia, pois soube que está prestes a lançar o seu primeiro álbum intitualado por "Sex Dreams and Denim Jeans" (curioso!!!) pela Ed Banger e que colocou há bastante pouco tempo a rodar nas rádios o seu primeiro single, "MC's Can Kiss". Mais uma vez, diz quem sabe, que a obra-prima é toda de Mr. Oizo, no entanto gosto do resultado final e, por vezes, isso é o mais importante! E não me venham com coisas!
Foi a música do dia! Estávamos em 1982 e era o senhor Kid Creole acompanhado pelos seus Coconuts a marcar pontos na liga maior da música de dança. A boa onda contagiante e o groove exótico parecia impor-se como estilo imperativo! A confirmar nesta "Stool Pigeon".
(Gosto especialmente da geometria da coisa. A percursão, os sopros e as cordas discretos...mas acima de tudo, a "pinta" das meninas dos coros! Quando é que vamos ver de novo uma banda da nova era acreditar que quanto mais simples, melhor?!)
Hoje em dia já devem ser avós, no entanto, continuo a curtir à séria a "pinta" das meninas!
Nevou o dia inteiro! Já não me lembro de um dia assim... Conta a minha mãe, que a última vez que viu tanta neve foi 2 dias depois de eu ter nascido quando vim para casa...faz quase 27 anos! Motivo mais que suficiente para apontar a agulha para o outro lado do mundo...rumo ao Brasil! O brasileiro Gui Boratto é o "front man" responsável pela próxima edição da série compilativa "The Mix Collection", sob o selo britânico da Renaissance a sair no próximo dia 8 de Fevereiro. Depois de M.A.N.D.Y e Danny Howells, que assinaram os dois primeiros tomos da série, é a vez do paulista se agarrar aos pratos com afinnco que lhe é habitual e surpreender-nos com o melhor da electrónica dançante dos últimos tempos! Vem em 2 CDs com 29 faixas, 7 das quais produzidas ou remisturadas por Boratto, além da co-produção em "The Infinites", dos Bomb The Bass. Os "irmãos" brasucas Gabe e Marcello V.O.R também aparecem na playlist com a música "Funky Zeit2, além de nomes como Paul Kalkbrenner, Josh Wink, Oxia, Tricky, Gabriel Ananda entre outros. A coisa promete. Espero bem que sim! E continua a nevar...adoro as noites assim! Bom início de semana!
Chama-se Jonas Imbery e é o patrão da Gomma. Co-produziu, juntamente com Mathias Modica, 2 belíssimos álbuns "Aperitivo" (2005) e "Cloudnuster" (2008). Chamam-se então Munk! Ainda existem! Em Maio passado, Imbery lembrou-se de inventar um novo alter-ego "Telonius" e com isso achou pertinente criar um sub-selo da Gomma com o nome de Gomma Dance Tracks. Lançou a faixa "Like What" e partiu tudo! Depois vieram as remixes de Mike Monday e Glimmers e entrou para os charts alemães "à pala" de nomes como Kaos, Koletzki, Shit Robot e Kissy Sell Out. Muito baixo sujo e definido numa amálgama bem funky. Altamente aconselhável, especialmente para aqueles que pensam que depois do primeiro álbum das CSS o electro-pop divertido e viciante nunca mais iria ser o mesmo!
Ele há música avançada só por si e depois há os que fazem da música "nomal" algo de avançado e analogicamente invejável. Acabei a noite de ontem a ouvir falar de Seasick Steve, sem saber quem era.
Hoje vi-o e ouvi-o... Rendo-me!
Mais um para a estante das personagens da música a recordar durante muitos anos! Que atitude!
Tardou, mas finalmente foi editada a nova experiência gráfica da This Is a Magazine. O Compendium #6 foi inspirado pela última novela do escritor de ficção cientifica Philip K. Dick (Valis), e assume um carácter tri-dimensional. Com novos delírios e imagens em 3D conta com contribuições de JODI, Shane Hope, Loshadka, Yoshi Sodeoka, Oliver Laric e Damon Zucconi, entre outros. Embrulhada num poster, inclui óculos 3D (agora muito na moda!), cartas de jogo, autocolante, um mapa da galaxia e outros extras que apenas farão algum sentido ao vivo e a cores. Um verdadeiro catálogo de ideias vanguardistas.
Dificilmente considerado um álbum com vida própria - é inseparável do espectáculo multimédia pensado pelo coreógrafo Rui Horta - "Zoetrope" é uma grande aventura experimental, na qual cabem electrónicas, spoken word brilhantemente servido por Cláudia Efe, ambientes minimalista com influências óbvias dos grandes clássicos da ficção cinetífica e espirais alimentadas por sintetizadores. As melodias intrincadas e as vocalizações robóticas, mas simultaneamente calorosas, tornam-se rapidamente um vício que em tudo é intensificado pela experiência visual captada num DVD, gravado em HD, de uma prestação ao vivo na Culturgest. Lançado há bem pouco tempo sob edição de autor por parte dos Micro Audio Waves, "Zoetrope" é mais um dos álbuns de degustação demorada enquanto não nos chegam novidades frescas...
Ano velho para trás das costas, é hora de começar a checkar novidades fresquinhas que estes 3 primeiros dias do ano nos trazem. Muitas é óbvio, porém a que hoje voz trago diz respeito ainda a 2009. Descobri Dop no último dia do ano já lá para o final da tarde, por isso é quase que uma despedida em beleza de 2009 antes de entrar propriamente na prometida lufada de novas que 2010 tem para nos reservar. Chamam-se Dop e são um trio parisiense! Conta a "lenda" que encontraram inspiração para compor música de dança num poema de Charles Bukowski, "The Genius of the Crowd".
Descoberta a inspiração, o trio saiu da periferia de Paris para fazer música popular na costa ocidental de África, tendo voltado com ideias de produzir algo "mais avançado", mas que tivesse a ver com aquele continente. Tambores, canticos em modo ritualista, programações sintetizadas, etc...registados em EP´s. contudo, em "The Genious of the Crowd" quiseram afastar um bocado esse "estigma africano" e decidiram produzir algo mais urbano, a fazer lembrar aquilo que já foi chamado de "micro-house" de início da década (não é esta que agora começa é a outra que acabou...). Na faixa que dá nome ao álbum, além dos versos de Bukowski recitados ao fundo, há uma voz de mulher ao melhor estilo de Chicago, contudo, retalhado e organizado numa nova estrutura melódica a fazer lembrar a épica "Deck the House" do canadiano Akufen. Depois há "Mambo Jumbo", com sabores mais étnicos e que simplesmente flui naturalmente como um verdadeiro motor de combustão pélvico. Para acabar, há uma versão "Mambo Jumbo" remisturada pelo israelita Guy Gerber e afirma-se como faixa-padrão da originalidade da fórmula de Chicago na sua capacidade de se transformar e de se renovar infinitamente. "The Genious Of The Browd", é no meu entender, um grande contributo no processo de revitalização do conceito "house music"!
Já diz o ditado: "ano novo, vida nova", portanto, desde já os meus sinceros votos a todos os leitores e "amigos" da Xangai, de um ano de 2010 cheio de bons momentos! Vai ser um ano de determinadas "transformações ou alterações estruturais" na minha vida por isso, vou tentar ser o mais assíduo possível na actualização do sítio, no entanto se deixarem de me ver durante uns dias é normal...a Xangai não acaba nem vai acabar, só abranda um bocadinho...aliás, pensando bem, a Xangai nunca vai acabar! Promessas!? Tenho dito! As trilhas que se seguem foram as que fizeram parte da minha passagem de ano em jeito de de loop contínuo...hum, estou a ver a vossa cara e a pensarem: "Já estou a ver onde é que comeste as 12 passas, pah..." Pois é, no quentinho! É isso! Feliz 2010!
Aqui procuram-se bandas sonoras e outras experiências para electrificar de forma indecente momentos descomplexados ou outra qualquer ocasião onde a celebração da música seja importante.
A música que se procura é aquela que é descoberta através de um caminho indefinido, traçada ao sabor das circunstâncias, numa sequência de convulsões e remontagens, numa relação de absoluta sedução com balbúrdia.
Um caminhar aleatório e desconcertado pelos trilhos sinuosos do mundo das extravagâncias sonoras, fazendo paragens nos lugares mais resguardos do silêncio.
Johnny Cooks Dance é o alter-ego gira-disquista de João Alberto, constituindo-se como a sua faceta mais tresloucada, colorida e imprevisível, resultante do seu incessante vício em procurar novas sonoridades e outras motivações! Herdeiro “pós-moderno” de um espírito naturalmente híbrido e experimental, carrega o estandarte da premissa ”DJs are not rock stars.”, afirmando-se como uma personagem que vive da música e gosta de partilha-la, deixando os termos de mix-CDs, sets, bpms, fades, pitchs para os “Djs a sério”. Com uma criteriosa e cuidada selecção musical que privilegia uma certa espiritualidade em detrimento da funcionalidade exigida pela pista de dança, Johnny Cooks Dance começou a sua vida em festas privadas numa atmosfera construída por uma forte rede de amizades a ocuparem o centro das atenções e das intenções. Com uma tendência natural para a imagiologia e fã incondicional de catalogações, durante as suas actuações, o espaço sonoro transforma-se num lugar quase imaginado, preso à realidade por ideias isoladas, reinventando conceitos e misturando aquilo que não se deve misturar, acabando por redescobrir a própria música…pelo menos ele pensa que sim! Ao ignorar o livro de estilo dos DJs, Johnny Cooks Dance encena de forma simbólica um regresso ao estado primitivo da música, decompondo-a em peças elementares e devolvendo-a em conjugações altamente aleatórias e perigosas para quem o escuta! Pensa na música como um espaço num determinado lugar em detrimento dos géneros, onde a música comanda as suas próprias ligações, de forma orgânica fazendo com que no centro da pista ou do salão aquele disco certo suceda de forma mágica ao que parecia estar errado! Ele está enganado e o caminho pode não ser por aqui, disso ninguém duvida! Mas de uma coisa não o conseguem convencer: desistir de fazer aquilo que realmente gosta de fazer que é ouvir e partilhar boa música…ou não acreditasse ele que um dia ainda se levará a sério a lounge music!
Cabletoys
Com a permanente e desenfreada democratização das tecnologias de informação no nosso dia-a-dia, o estar e o lugar deixam de ter o peso e importância como elementos isolados. Estar aqui e agora não significa pensar ou actuar aqui…o ali e o depois deu lugar a uma nova rede de interacções globais, em que o mundo inteiro se encontra ligado à distância de um simples clique. E foi assim que nasceu o projecto Cabletoys! Um novo alter-ego “cósmico-minimalista” de João Alberto, que surge como uma necessidade pessoal de tentar esclarecer-se a ele próprio e a quem o queira ouvir do processo criativo e interpretativo do acto de fazer música…e de como chegar à mesma. Pondo aqui de parte todos os radicalismos que advêm da cultura consumista, Cabletoys recorre a diversos gadgets musicais, aliados a certos engenhos tecnológicos de carácter manipulativo…ou então só para decoração! Já muito se falou e foi escrito acerca deste tipo de abordagem musical, no entanto Cabletoys surge na cena nacional como um projecto inovador dada a matéria-prima em questão. Bizarrias de brincar em comunhão com a seriedade e robustez de sequências definidas…Buddha Machines em loops estonteantes e hipnóticos com vozes perdidas no espaço, mesas futuristas e pulsáteis das Zoundz aleatoriamente construindo ritmos e cadências misturam-se com os devaneios furiosos perdidos naquele espaço. Promete-se uma experiência sinfónica multi-sensorial num retrocesso do digital para o analógico ou mesmo essa mistura, procura-se dar um novo passo em frente para uma nova estrutura musical. Acima de tudo a música, o processo criativo, como se apresenta, os meios de propagação e no final a fruição!