Foram precisos três anos de trabalho de estúdio, um marido pragmático, um cão, um milhão de ficheiros de som e uma artista à beira da loucura para que "Homeland", editado agora pela Nonesuch visse a luz do dia.
O disco não é mais do que a contínua reflexão de Anderson sobre a América enquanto metáfora do mundo contemporâneo.
Em "Another Day in America" dá-nos a conhecer o comentador social Fenway Bergamot, um alter-ego chaplinesco que narra um olhar mordaz sobre os Estados Unidos.
Apesar da aparente frieza conceptual, "Homeland" é um trabalho emotivo e universal.
A polirritmia do seu violino pré-amplificado acompanha tanto vozes tuva como uma versão efabulada da génese da memória, segundo uma peça de Aristófanes de 414 A.C.
Sem dúvida, não é um disco para se ouvir mas antes para se experimentar de uma só vez!
"Great Western Layman" é a interessante estreia discográfica do escocês Rudi Zygadlo, nascido numa família de artistas e criado num ambiente rodeado de música e sem a ditadura visual da TV.
Parecendo um mero pormenor, a verdade é que esse afastamento de Rudi relativamente ao universo da imagem percebe-se na quantidade de pormenores que distribui pela sua música, muitos deles a exigir uma grande atenção auditiva para deixarem de ser meras subtilezas e adquirirem a sua verdadeira essência de constituintes activos e fundacionais das cogitações sonoras que são a carne e o osso de "Great Western Layman".
Se, por um lado, o ritmo aqui desenhado parece arquitectar uma tridimensionalidade sonora que afirma a diferença na abordagem à composição adoptada por Rudi Zygadlo, também é verdade que a construção de estranhas melodias, que variam ondulatoriamente em pitch e cadência, traça os fundamentos de um disco que consegue arrancar o dubstep para territórios pop, em que a canção é sempre o elemento menos negligenciável.
Com estes factores em equação, o amplo cardápio proposto por Zygadlo apresenta um elo comum que se alimenta da contemporaneidade da música digital, mas que é suficientemente rico e aberto para incorporar sem estranheza aparente, diversas influências e linguagens que têm usado o sintetizador como instrumento principal e deles usar com inteligência o potencial inexplorado.
Um disco para escutar com toda a atenção, com a minúcia dedicada aos objectos preciosos...
Depois de mais uma semana de intensa vontade (só mesmo vontade...) de re-adpatação ao trabalho após um longo (e merecido) período de férias, aqui me encontro eu à procura de mais um motivo para tentar manter actualizada a Xangai.
É um dos achados do ano.
Edo Bouman numa viagem à Índia descobriu este “Ten Ragas To A Disco Beat”, assinado por Charanjit Singh, um compositor de Bollywood.
Gravado em 1982, tem-se insistido ao longo deste ano que Singh definiu o acid house, três anos antes de “Jack Trax” de Chip E ter sido editado (referido muitas vezes como o primeiro disco house) e cinco antes do primeiro tema de acid house, “Acid Trax” (Phuture).
Independentemente desse registo visionário, que cada um lerá como quer, o que é impressionante é Singh ter chegado a este som, quando muitas das referências que influenciaram o house não chegavam à Índia, e o contacto com o disco dar-se com uma meia dúzia de títulos mais populares.
Em “Ten Ragas To A Disco Beat”, Singh usou um Roland TR-808 e um TB-303 para recriar ragas clássicas numa versão disco.
O resultado, apesar de não ser muito heterogéneo ao longo de dez temas, é surpreendente e em alguns temas realmente visionário (”Raga Yaman” e “Raga Madhuvanti”).
E a aventura continua...já lá vão quase 5 anos a ditar os novos rumos da música sofisticada!
Como alguém dizia no outro dia: "bem haja a todos"!
Para todos aqueles que pensam que um DJ Set bem conseguido consiste num mero exercício de equilibrio entre a técnica precisa e cadência de um compasso certeiro, doseado pela minucia das bpm...hoje apresento-vos o gajo mais "maluco" atrás do pratos.
Não é um DJ como os outros nem tanto uma estrela pop.
É Gaslamp Killer...o puro rock&roller do passa-discos.
Gostava de um dia destes por uma série de gajos como este e encher uma sala com muita gente ferverosa de bom som...só para ver o que dava!
Até lá, fico-me com os meus phones e quando possível fazer umas aparições bem justificadas!
À falta de vontade pessoal em redigir um texto elaborado, aliada a um fim de semana bastante atribulado "embuido" no espírito mais "pop" a que só as nossas aldeiazinhas perdidas nos confins da dita província conseguem proporcionar em plena época estival, hoje recorro a um mero texto da pt.wikipédia.org para sustentar os senhores que vos quero apresentar.
" (...) Sunshine pop é uma forma musical do pop desenvolvida especialmente pelos grupos de pop rock e surf rock nos Estados Unidos do início dos anos 60. Se definiu em 1965 com grupos como The Beach Boys, The Byrds, The Association, The Mamas & The Papas, entre outros a fim de sofisticar a música popular, se influenciando por outros gêneros além do rock de forma mais presente. Phil Spector é um grande responsável por estas influências sofisticadas na produção das canções, influenciando Brian Wilson desde 1963 após a clássica Be My Baby de Spector, na voz das The Ronettes.
É forte em experimentalismo e tem elementos da música clássica. Surgiu praticamente junto com o pop barroco e só se diferenciam devido ao pop barroco ser mais melodramático.
Álbuns pioneiros são o Today! e Summer Days (And Summer Nights!!) dos Beach Boys de 1965, onde neles constam uma estrutura experimental, harmônica e melódica já definida para o estilo, contendo uma rara quantidade de instrumentos exóticos e não exóticos para época como, cravo, acordeão, ukulele, cítara, entre outros. Erroneamente, somente o Pet Sounds de 1966 dos Beach Boys é reconhecido como um pioneiro, sem mencionar os álbuns de 1965, mas 1965 é o ano crucial para o estilo do pop, tanto na América, quanto no Reino Unido.
Os compactos de The Mamas & The Papas em 1965 incluindo California Dreamin', Go Where You Wanna Go e Somebody Groovy foram importantes para o crescimento deste subgênero do pop com sua influência folk. Em 1966 lança Monday Monday e também seu primeiro álbum chamado If You Can Believe Your Eyes and Ears. No mesmo ano lança o bastante aclamado The Mamas and the Papas. Os elementos de música erudita são encontrados na música do grupo.
Grupos como The 5th Dimension, Yellow Baloon, The Association, The Sunshine Company, entre outros foram também importantes para a divulgação deste estilo de pop nos anos 60. (..)"
Este ano apareceu por aí um álbum de uns senhores chamados "The Superimposers" intitulado "Sunshine Pops".
Toda e qualquer semelhança com o texto acima mencionado é pura coincidência.
Na minha opinião, um dos melhores álbuns do ano e que vem carimbar com chave de ouro (pelo menos para mim...) umas das minhas melhores férias de Verão.
Aconselha-se vivamente, no entanto deixo um alerta: a audição de "Sunshine Pops" em demasia pode causar elevado grau de dependencia.
Não sou um puritano da coisa nem tanto um excêntrico sedento de depravações auditivas a roçar os bordos dos extremos mais opostos...sou as duas coisas numa só.
Não acredito no cerne das questões e desafio quem afirma que no meio está a virtude!
As verdades já não existem mais! E as dúvidas também não!
O título da empreitada é "The Flaming Lips and Stardeath and White Dwarfs with Henry Rollins and Peaches Doing The Dark Side Of The Moon" e não engana ninguem.
Estao aqui os Flaming Lips na sua faceta mais desvairada, distantes da pompa épica de "The Soft Bulletin" ou do borbulhar infantil de "Yoshimi Battles" de Pink Robots.
A alimentar o mamute "The Dark Side Of The Moon" dos Pink Floyd, dentro de uma câmara hiperbárica.
A primeira reacção é dizer em voz alta: "é muita droga junta!".
A segunda não é menos condescendente: a recriação do clássico dos Pink Floyd soa mais a instalação artística do que a álbum de pleno direito.
Depois dos Easy Stars All Stars carimbarem a sua cunha mais fumarenta e preguiçosa ao celestial álbum da banda inglesa, esta é a vez dos Flaming Lips mergulharem nos caminhos mais ácidos e desviantes (e até perigosos) do outro lado da lua.
Aprecie-se o imprevisto da coisa...com ou sem comprimidos!
Sonoridades diversificadas, na proporção directa das preferências dos responsáveis pelos alinhamentos, permitiram elaborar selecções versáteis que converteram estas compilações numa referência da música electrónica.
Assim, é sem surpresa que, depois de Juan Mclean e James Holden, essa tarefa tenha sido encomendada a Kode9, psudónimo de Steve Goodman, ideólogo major do conceito dubstep.
Estou claro a falar, de mais um tomo da série DJ-Kicks da !K7.
Agrupando temas que nos últimos meses rodaram nas suas sessões em quanto DJ, como seria espectável, o responsável da editora Hyperdub propõe uma colecção estimulante de temas que manipula e encadeia, onde o dubstep, grime, R&B e sonoridades indefiniveis são interpretadas por nomes como Ikonika, Zomby, Digital Mystikz, Morgan Zarate, Mujava ou The Bug.
Indispensável para quem leva o fenómeno fumarento do underground londrino a sério!
Apesar do mais óbvio flirt com a op oferecido em "Merryweather Post Pavillion", os Animal Collective continuam a ser uma outra coisa qualquer.
A Rolling Stone afirma que os Animal Collective não são realmente uma banda nem sequer tocam exactamente rock.
No New York Times, por outo lado, escrevia-se em Março, a propósito do estranho "concert" do coletivo no Museu Guggenhein: "Que ninguem esqueça que os Animal Collective são uma banda experimental e arty".
De facto, não é possível esquecer!
Os Animal Collectivenão escondem a inspiração que a década de 60 mais experimental e psicadélica lhes proporcionou.
E se é verdade que os Animal Collective procuram novos sons, não é menos verdade quem também procuram novas imagens.
O exercício de imersão sonora e visual no Guggenhein foi realizado com ajuda de Danny Perez, o mesmo artista que agora colabora com os Animall Collective em ODDSAC, um registo que combina música e imagens psicadélicas e que para já terá que satisfazer os fãs.
Depois do estrondoso sucesso da edição anterior, o festival Neo Pop volta a atacar e a afirmar-se hoje como único e respeitado festival de música electrónica a acontecer em Portugal.
Como um vírus, entranhou-se, e hoje habita dentro de vários corpos que procuram sempre o melhor no que toca à música avançada.
Regressa em 2010, à flor da pele, com um alinhamento de artistas incontornável para todos aqueles que não se satisfazem com a receita tradicional de festival mas que vivem sedentos de música de qualidade.
O Neo Pop está aí para os que sabem viver com este vírus, mas também para os que têm curiosidade suficiente para se deixar contagiar pela energia cativante da sua música, pela mão de uma selecção apurada e estimulante de artistas nacionais e internacionais.
Só para acicatar mais o apetite deixo-vos alguns nomes que irão marcar presença: Ellen Allien, Vitalic, Cobblestone Jazz, Ben Klock, Anja Schneider, Expander, Manu, Poupa...nada mau!!!
Eu metia mais os Wighnomy Brothers...depois da festança do ano passado, acredito que repetir a dose não iria cair mal a ninguem!
Aqui procuram-se bandas sonoras e outras experiências para electrificar de forma indecente momentos descomplexados ou outra qualquer ocasião onde a celebração da música seja importante.
A música que se procura é aquela que é descoberta através de um caminho indefinido, traçada ao sabor das circunstâncias, numa sequência de convulsões e remontagens, numa relação de absoluta sedução com balbúrdia.
Um caminhar aleatório e desconcertado pelos trilhos sinuosos do mundo das extravagâncias sonoras, fazendo paragens nos lugares mais resguardos do silêncio.
Johnny Cooks Dance é o alter-ego gira-disquista de João Alberto, constituindo-se como a sua faceta mais tresloucada, colorida e imprevisível, resultante do seu incessante vício em procurar novas sonoridades e outras motivações! Herdeiro “pós-moderno” de um espírito naturalmente híbrido e experimental, carrega o estandarte da premissa ”DJs are not rock stars.”, afirmando-se como uma personagem que vive da música e gosta de partilha-la, deixando os termos de mix-CDs, sets, bpms, fades, pitchs para os “Djs a sério”. Com uma criteriosa e cuidada selecção musical que privilegia uma certa espiritualidade em detrimento da funcionalidade exigida pela pista de dança, Johnny Cooks Dance começou a sua vida em festas privadas numa atmosfera construída por uma forte rede de amizades a ocuparem o centro das atenções e das intenções. Com uma tendência natural para a imagiologia e fã incondicional de catalogações, durante as suas actuações, o espaço sonoro transforma-se num lugar quase imaginado, preso à realidade por ideias isoladas, reinventando conceitos e misturando aquilo que não se deve misturar, acabando por redescobrir a própria música…pelo menos ele pensa que sim! Ao ignorar o livro de estilo dos DJs, Johnny Cooks Dance encena de forma simbólica um regresso ao estado primitivo da música, decompondo-a em peças elementares e devolvendo-a em conjugações altamente aleatórias e perigosas para quem o escuta! Pensa na música como um espaço num determinado lugar em detrimento dos géneros, onde a música comanda as suas próprias ligações, de forma orgânica fazendo com que no centro da pista ou do salão aquele disco certo suceda de forma mágica ao que parecia estar errado! Ele está enganado e o caminho pode não ser por aqui, disso ninguém duvida! Mas de uma coisa não o conseguem convencer: desistir de fazer aquilo que realmente gosta de fazer que é ouvir e partilhar boa música…ou não acreditasse ele que um dia ainda se levará a sério a lounge music!
Cabletoys
Com a permanente e desenfreada democratização das tecnologias de informação no nosso dia-a-dia, o estar e o lugar deixam de ter o peso e importância como elementos isolados. Estar aqui e agora não significa pensar ou actuar aqui…o ali e o depois deu lugar a uma nova rede de interacções globais, em que o mundo inteiro se encontra ligado à distância de um simples clique. E foi assim que nasceu o projecto Cabletoys! Um novo alter-ego “cósmico-minimalista” de João Alberto, que surge como uma necessidade pessoal de tentar esclarecer-se a ele próprio e a quem o queira ouvir do processo criativo e interpretativo do acto de fazer música…e de como chegar à mesma. Pondo aqui de parte todos os radicalismos que advêm da cultura consumista, Cabletoys recorre a diversos gadgets musicais, aliados a certos engenhos tecnológicos de carácter manipulativo…ou então só para decoração! Já muito se falou e foi escrito acerca deste tipo de abordagem musical, no entanto Cabletoys surge na cena nacional como um projecto inovador dada a matéria-prima em questão. Bizarrias de brincar em comunhão com a seriedade e robustez de sequências definidas…Buddha Machines em loops estonteantes e hipnóticos com vozes perdidas no espaço, mesas futuristas e pulsáteis das Zoundz aleatoriamente construindo ritmos e cadências misturam-se com os devaneios furiosos perdidos naquele espaço. Promete-se uma experiência sinfónica multi-sensorial num retrocesso do digital para o analógico ou mesmo essa mistura, procura-se dar um novo passo em frente para uma nova estrutura musical. Acima de tudo a música, o processo criativo, como se apresenta, os meios de propagação e no final a fruição!